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	<title>SAmbaPUNk &#187; Artigo</title>
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		<title>Sejamos escrotos</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Nov 2011 14:42:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adilson Pereira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O amigo Thiago &#8220;Alceu&#8221; Melício colaborando com o &#8220;Sambapunk&#8221;. 
Pensei e cheguei à seguinte inconclusão: sejamos escrotos, vamos para a casa do caralho!
Em três partes.
O Desejo ligou pra um amigo, queixando-se: não sabia aonde ir. Disse que estava deixando de ser potência e tornando-se angústia e estresse. Gostaria de fazer algo antes que fosse anestesiado, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O amigo Thiago &#8220;Alceu&#8221; Melício colaborando com o &#8220;Sambapunk&#8221;. </strong></p>
<div id="_mcePaste">Pensei e cheguei à seguinte inconclusão: sejamos escrotos, vamos para a casa do caralho!</div>
<div>Em três partes.</div>
<div>O Desejo ligou pra um amigo, queixando-se: não sabia aonde ir. Disse que estava deixando de ser potência e tornando-se angústia e estresse. Gostaria de fazer algo antes que fosse anestesiado, não suportando a não-expressão de sua própria existência.</div>
<div>O amigo sugeriu trabalho na Petrobras e investimento na Bolsa. Se fosse bem-sucedido, teria grana para viajar pelo mundo e aproveitar as boas coisas da vida.</div>
<div>O Desejo animado perguntou o que tinha que fazer. O amigo disse que isso dependeria apenas do esforço dele, pois “todos podem chegar ao topo, basta insistência e perseverança”. Teria no entanto que satisfazer alguns requisitos: ser heterossexual, usar camisa e gravata, ter celular com internet e nada de Microsoft. Todos os eletrônicos deveriam ser da Apple.</div>
<div>“Essa saída é muito individualista, careta e cara”, pensou. E viu logo em seguida que precisava fazer algo, pois percebeu espinhas inflamadas e nódulos no corpo. Assim, resolveu ir ao extremo e ligou para o conhecido mais radical que tinha, perguntando por onde ir.</div>
<div>Esse parceiro radical respondeu que não havia caminhos certos. Na verdade, o que o Desejo precisava fazer era seguir por conta própria, deflagrar tudo o que lhe fosse possível, sem pudor, sem moral.</div>
<div>O Desejo ficou entusiasmadíssimo. Porém&#8230; de novo o porém&#8230; o amigo radical explicou que havia uma condição: disposição para privar-se de sua liberdade.</div>
<div>Não entendendo, o Desejo perguntou: como é que, fazendo tudo o que é possível, devo me preocupar com minha liberdade?! Ao que o amigo respondeu: é que, quando se faz isso, se vai para prisão, para o manicômio ou para o IML.</div>
<div>Era melhor pensar noutra hipótese. O Desejo não estava a fim de ficar preso, ir direto à morte ou tomar remédios. “Se no Rio tão internando até criança sem consentimento familiar, imagina quais seriam minhas chances”, avaliou.</div>
<div>Havia um último amigo na lista. Um artista. E ele foi todo animação. Disse ao Desejo que, ao contrário dos caretas e individualistas, os artistas conseguem viver as intensidades da vida. Afirmou que, mesmo se solidarizando com os loucos e com alguns dos presos, é possível fazer de sua expressão algo livre, produtivo, capaz de afetar outros, na rua, nos palcos, em qualquer lugar em que o homem possa expressar sua arte.</div>
<div>O Desejo já se animava e perguntou logo se não havia alguma condição.</div>
<div id="_mcePaste">Ao que ganhou a seguinte resposta: seria preciso o reconhecimento como artista, ter vida de artista.</div>
<div>“Como assim? A arte não pode ser espontânea, aguda e singular?”</div>
<div>“Pode”, começou o artista, “mas desde que seja embasada, desde que remeta a uma grande referência como Duchamp. Ou a um grande pensador, como Deleuze. Tem mais: artista que se preza rompe com os padrões sociais, se opõe à mesmice, como um comunista se opõe ao capitalismo.”</div>
<div>“Como fazer isso?”, pergunta o Desejo.</div>
<div>“Tendo experiências homossexuais, usando roupas coloridas, vendo filmes cults e, o mais importante, conseguindo financiamento através de editais de Cultura.</div>
<div>O Desejo disparou: “Quer saber, vou para a casa do caralho! Vou viver na bolsa escrotal. É isso, no saco! Em todos os lugares, você tem que ser isso ou aquilo. E mesmo quando alguém não faz isso ou aquilo&#8230; é preso, morto ou patologizado. Que saber? Fui! Pelo menos, antes de sair e ir pelo ralo, passo pela porra do gozo!”</div>
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		<title>Paul, vestidos, sambas, incertezas</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Nov 2010 20:52:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adilson Pereira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Falávamos, esse amigo e eu, sobre como hoje as relações andam superficiais, corridas e tal. O camarada soltou umas pérolas: &#8220;Neguinho hoje em dia fica mendigando afeto.&#8221; Passamos pelo &#8220;sexo da era do espetáculo&#8221;, tentamos uma análise do facebookismo que assola a contemporaneidade marketeira, lamentamos a falta que andam fazendo as meninas de vestido na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste">Falávamos, esse amigo e eu, sobre como hoje as relações andam superficiais, corridas e tal. O camarada soltou umas pérolas: &#8220;Neguinho hoje em dia fica mendigando afeto.&#8221; Passamos pelo &#8220;sexo da era do espetáculo&#8221;, tentamos uma análise do facebookismo que assola a contemporaneidade marketeira, lamentamos a falta que andam fazendo as meninas de vestido na praça e&#8230; e terminamos na música. É&#8230; Parece que todo mundo foi a São Paulo, para ver o velho Paul. Constatação, numa praça vazia em Laranjeiras, que serviu para gerar uma certeza: tudo OK se hoje a gente prefere a melancolia e a proximidade de um sambinha (ou um punkinho), em vez do espetáculo de um dinossauro.</div>
<div></div>
<div>Esse parágrafo foi um teste. Essa página anda sofrendo o desgaste da falta de atualização e o escriba quer achar uma solução pra isso. Será que a onda vai ser falar sob uma perspectiva mais fantasiosa e pessoal, abrindo mão do compromisso jornalístico? O compromisso jornalístico às vezes é chato pra caralho&#8230; Ah, sim, se for inaugurada uma nova fase, aqui, ela permitirá mais palavrões. O que mais deverá ser permitido? Não precisa responder, não precisa dar ordens. Calma.</div>
<div></div>
<div>Hoje, mais tarde, rola um show do D2 cantando Bezerra da Silva. Não deve ser aquela &#8220;melancolia e proximidade&#8221; de que se falava aí no início. Mas promete ser divertido.</div>
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		<title>Ditadura adolescente?</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Mar 2009 19:55:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adilson Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigo]]></category>
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		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
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		<category><![CDATA[Música]]></category>
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		<description><![CDATA[Outro dia, numa entrevista, o escriba aqui deu de cara com um sujeito que tinha uma teoria sobre idade, informação, formação de opinião e mercado. O entrevistado achava que &#8220;hoje em dia quem sabe das coisas é o cara de 16 anos e é esse jovem que deve ser ouvido e deve mandar na indústria [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Outro dia, numa entrevista, o escriba aqui deu de cara com um sujeito que tinha uma teoria sobre idade, informação, formação de opinião e mercado. O entrevistado achava que &#8220;hoje em dia quem sabe das coisas é o cara de 16 anos e é esse jovem que deve ser ouvido e deve mandar na indústria da música&#8221;. A frase saiu depois de uma reclamação a respeito dos &#8220;sujeitos de 40 e poucos&#8221;, que ainda estão controlando os esquemas de gravadora e comunicaçao. Faz algum sentido o que disse o entrevistado. Mas faz sentido também tomar cuidado com essa teoria.</p>
<p>Talvez ela, a teoria, tenha causado incômoco ao escriba porque, ao longo do tempo, foi comum ver em redações velhos profissionais experientes sendo substituídos por outros mais novos e mais baratos (para não dizer &#8220;mais manés&#8221;). Mas não é só isso.</p>
<p>Não há dúvida de que os jovens de 16 anos estão antenados. Ou deveriam estar. Por causa desse papo de internet, a intimidade com o computador etc. Mas&#8230; esperar que o &#8220;mercado&#8221; opte pelo que sugere um jovem de 16 anos é mais do que apostar no conhecimento de alguém antenado. É escolher o ponto de vista de alguém que, por mais que esteja conectado, ainda não amadureceu. Defina &#8220;amadurecimento&#8221; do jeito que quiser, mas não venha dizer que, no geral, os navegantes internéticos de 16 anos estão &#8220;maduros&#8221;. Não se ganha experiência e sensibilidade apenas ficando em frente a uma telinha de computador.</p>
<p>Ah, ok, aí podemos desdobrar nossa conversa por vários terrenos. Podemos falar de conservadorismo, de ousadia&#8230; Mas vamos tentar ficar na questão da idade, da &#8220;sabedoria&#8221; e da intimidade com a www. Optar exclusivamente pelo conhecimento e pela perspectiva dos mais jovens é tão tolo quanto se deixar pautar somente pela estética dos corpos extremamente sarados e com gordura zero &#8211; que andam ditando o padrão televisivo de hoje em dia.</p>
<p>Vale tomar cuidado, na hora de catar argumentos que derrubem este ou daquele obstáculo na hora de um artista mostrar &#8211; e vender &#8211; seu trabalho. Acreditar que são os moleques que devem ditar a moda, daqui para frente, é ingenuidade.</p>
<p>Uma regra que estava valendo há muito pouco tempo, a de que quem tem dindim para consumir está na casa dos 20 e poucos ou 30 e poucos, não parece ter mudado. A não ser que isso aí que andam chamando de crise seja, na verdade, o dinheiro mudando de bolsos: indo das mãos de quem trabalha para a dos adolescentes.</p>
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		<title>Músicos e jogadores de futebol</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Nov 2008 15:40:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adilson Pereira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Estava visitando o site de um artista. Música tocando. Som legal, até, aquele que rolava lá. Mas &#8211; programadores bobos, feios e maus &#8211; não dão ao visitante a chance de diminuir o volume ou desligar o player. A primeira sensação de incômodo veio daí. Mas não foi a pior. Chato mesmo foi perceber a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estava visitando o site de um artista. Música tocando. Som legal, até, aquele que rolava lá. Mas &#8211; programadores bobos, feios e maus &#8211; não dão ao visitante a chance de diminuir o volume ou desligar o player. A primeira sensação de incômodo veio daí. Mas não foi a pior. Chato mesmo foi perceber a completa ausência de vírgulas em lugares certos, desde o textinho de abertura até as entranhas da bio que revelava a riqueza da vida daquele produto, digo, artista. Havia também letras maiúsculas onde elas deveriam ser minúsculas mesmo, e construções que tornavam a leitura confusa, quase um desafio.</p>
<p>Lembro do Renato Russo: &#8220;Eu canto em português errado&#8230;&#8221; Ê, saudosismo&#8230; Se todos os erros fossem os da Legião Urbana. Não que eu queira um mundo intelectualizado, que se reafirme/transforme o tempo todo em mesas de bar da Zona Sul carioca.</p>
<p>Fico pensando se sou exigente demais, se esta história de escrever &#8220;corretamente&#8221; é coisa do passado e se estou apegado a este tal passado. Desconfio de mim, nestas horas. Será que sou um jornalista enraivecido por não ter recebido uns trocados para editar aquele texto? E me entristeço porque estes trocados não vieram para o meu bolso e tampouco para o de alguém que tem a mínima intimidade com o português. O português, aqui, gente, é a língua, ok?</p>
<p>Talvez os valores importantes, hoje, sejam outros. Talvez tenham a ver com a velocidade. É possível que passem pela capacidade de colocar uma página no ar, na rede mundial de computadores, mesmo que repleta de coisas escritas da maneira errada. Espera aí, melhor colocar entre aspas: &#8220;errada&#8221;. Vai ver que elas só estão erradas para mim, tipo um escravo da rigidez do português.</p>
<p>Eu com essa minha mania de ouvir coisas &#8220;diferentes&#8221; e &#8220;legais&#8221;, tentando me desapegar do costume de empilhar discos, me relacionando de forma mais &#8220;livre&#8221; com a música, fico incomodado com o tanto de incorreções &#8211; no que diz respeito à escrita &#8211; que observo no universo musical. Até onde eu sabia, jogador de futebol é que não falava direito. As piadas clássicas, com &#8220;fingi que ia e não fui mas acabei fondo&#8221;, estavam aí para provar. Neguinho da música sabia &#8211; pelo menos minimamente &#8211; escrever. Era o que parecia, para mim. Parece que eu estava errado.</p>
<p>Houve quem condenasse muito o funk carioca, por causa do tanto de &#8220;erros&#8221; que escorre e escorria das letras, tempos atrás. Esse funk se intelectualizou um pouco e, hoje, muitos erros são assim de propósito. Erros tipo exportação. E na época em que houve a condenação pela, digamos, falta de erudição do pobre compositor das classes baixas, alguns deles chegaram colocar em suas letras palavras que nem mesmo os eruditos deviam usar com freqüência. Até hoje, não sei o que é o &#8220;adjudicar&#8221; que surgiu numa música da dupla Claudinho e Buchecha, na época em que eu trabalhava num jornal &#8220;popular&#8221; e tinha que escrever sobre eles.</p>
<p>Não tenho dúvidas de que o meu incômodo é um tanto mais nobre. Vamos dizer que ele é nobre, isso mesmo, porque não estou preocupado em excluir das telas de TV gente assim ou assada. Minha preocupação é com a língua mesmo, com o empobrecimento e a pulverização do código que é usado para registrar/transmitir idéias.</p>
<p>Lembram de &#8220;1984&#8243;? Aquele livro do George Orwell&#8230; Não é lá que tem a história da &#8220;novilíngua&#8221;, de os caras simplificarem/reduzirem ao máximo a utilização e o registro de palavras? Faziam isso porque acreditavam que com menos palavras as pessoas reduziriam sua capacidade de se expressar e, assim, seriam controladas mais facilmente. Tudo bem que hoje tem a tal da internet para quem quer se expressar&#8230; O artista se expressa no You Tube, no My Space, no Orkut, no Multiply&#8230; Ah, não, o Multiply não colou, é verdade&#8230; Bom, há todos estes lugares para as pessoas se expressarem&#8230; &#8230;da maneira &#8220;errada&#8221;. Será que estou testemunhando um momento de evolução/transformação da novilíngua, isto é, da velha língua?</p>
<p>Do que adianta este leque enorme de sítios virtuais em que as pessoas podem se expressar se elas, hoje, atolaram num lamaçal que é a pobreza de vocabulário? Uma incapacidade assustadora de construir frases minimamente organizadas&#8230; Somos 40 milhões de usuários de computadores, ases na arte da utilização de teclas de atalho&#8230; Control-cê-control-vê&#8230; Veja você.</p>
<p>E, agora, com tanta música circulando por aí, a gente vai atrás de informações sobre os artistas que fazem estas pérolas e dá de cara com um festival de bizarrices escritas. Os caras que capturam o cotidiano, que animam nossos dias e noites com canções e riffs escrevem tudo errado, sem o menor compromisso com a correção. É isso mesmo?</p>
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