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	<title>SAmbaPUNk &#187; Literatices</title>
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		<title>A história de um amigo do Homer Simpson</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Dec 2011 16:28:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adilson Pereira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[“A morte de Bunny Munro”, de Nick Cave, já é “velho”; ok. Foi publicado aqui pela Record em 2010. Mas vale falar desse romance, ainda agora, no mínimo, por causa de uma assustadora sensação que este velho australiano acaba por dividir com a gente: nesse mundo de meu Deus, o que não falta é gente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“A morte de Bunny Munro”, de Nick Cave, já é “velho”; ok. Foi publicado aqui pela Record em 2010. Mas vale falar desse romance, ainda agora, no mínimo, por causa de uma assustadora sensação que este velho australiano acaba por dividir com a gente: nesse mundo de meu Deus, o que não falta é gente vivendo à moda Homer Simpson.</p>
<p>Percorrendo trezentas e tantas páginas, mergulhamos num universo americano-pop-decadente. E caminhamos cambaleando e sofrendo com um personagem, quer dizer, um mané que trata todas as mulheres como se fossem coelhas achadas no lixo.</p>
<p>O livro carrega um baita potencial cinematográfico. Já está quase tudo lá, até um otário topetudo que usa Zippo e camisas coloridas. São várias e sutis as preparações que o escriba faz, deixando todos os detalhes bem ligados e dando uns aos outros uma boa sustentação.</p>
<p>Nick Cave aproveita a oportunidade para falar um pouco de música. E faz isso de uma maneira “assustadora”. Tanto que, lá no fim, ele além de agradecer pede desculpas a Kylie Minogue e Avril Lavigne. Leitura divertida.</p>
<div id="attachment_1970" class="wp-caption aligncenter" style="width: 398px"><a href="http://www.sambapunk.com.br/wp-content/uploads/2011/12/IMG_0512.jpg"><img class="size-full wp-image-1970" title="&quot;A morte de Bunny Munro&quot;" src="http://www.sambapunk.com.br/wp-content/uploads/2011/12/IMG_0512.jpg" alt="&quot;A morte de Bunny Munro&quot;" width="388" height="519" /></a><p class="wp-caption-text">&quot;A morte de Bunny Munro&quot;</p></div>
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		<title>Sejamos escrotos</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Nov 2011 14:42:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adilson Pereira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O amigo Thiago &#8220;Alceu&#8221; Melício colaborando com o &#8220;Sambapunk&#8221;. 
Pensei e cheguei à seguinte inconclusão: sejamos escrotos, vamos para a casa do caralho!
Em três partes.
O Desejo ligou pra um amigo, queixando-se: não sabia aonde ir. Disse que estava deixando de ser potência e tornando-se angústia e estresse. Gostaria de fazer algo antes que fosse anestesiado, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O amigo Thiago &#8220;Alceu&#8221; Melício colaborando com o &#8220;Sambapunk&#8221;. </strong></p>
<div id="_mcePaste">Pensei e cheguei à seguinte inconclusão: sejamos escrotos, vamos para a casa do caralho!</div>
<div>Em três partes.</div>
<div>O Desejo ligou pra um amigo, queixando-se: não sabia aonde ir. Disse que estava deixando de ser potência e tornando-se angústia e estresse. Gostaria de fazer algo antes que fosse anestesiado, não suportando a não-expressão de sua própria existência.</div>
<div>O amigo sugeriu trabalho na Petrobras e investimento na Bolsa. Se fosse bem-sucedido, teria grana para viajar pelo mundo e aproveitar as boas coisas da vida.</div>
<div>O Desejo animado perguntou o que tinha que fazer. O amigo disse que isso dependeria apenas do esforço dele, pois “todos podem chegar ao topo, basta insistência e perseverança”. Teria no entanto que satisfazer alguns requisitos: ser heterossexual, usar camisa e gravata, ter celular com internet e nada de Microsoft. Todos os eletrônicos deveriam ser da Apple.</div>
<div>“Essa saída é muito individualista, careta e cara”, pensou. E viu logo em seguida que precisava fazer algo, pois percebeu espinhas inflamadas e nódulos no corpo. Assim, resolveu ir ao extremo e ligou para o conhecido mais radical que tinha, perguntando por onde ir.</div>
<div>Esse parceiro radical respondeu que não havia caminhos certos. Na verdade, o que o Desejo precisava fazer era seguir por conta própria, deflagrar tudo o que lhe fosse possível, sem pudor, sem moral.</div>
<div>O Desejo ficou entusiasmadíssimo. Porém&#8230; de novo o porém&#8230; o amigo radical explicou que havia uma condição: disposição para privar-se de sua liberdade.</div>
<div>Não entendendo, o Desejo perguntou: como é que, fazendo tudo o que é possível, devo me preocupar com minha liberdade?! Ao que o amigo respondeu: é que, quando se faz isso, se vai para prisão, para o manicômio ou para o IML.</div>
<div>Era melhor pensar noutra hipótese. O Desejo não estava a fim de ficar preso, ir direto à morte ou tomar remédios. “Se no Rio tão internando até criança sem consentimento familiar, imagina quais seriam minhas chances”, avaliou.</div>
<div>Havia um último amigo na lista. Um artista. E ele foi todo animação. Disse ao Desejo que, ao contrário dos caretas e individualistas, os artistas conseguem viver as intensidades da vida. Afirmou que, mesmo se solidarizando com os loucos e com alguns dos presos, é possível fazer de sua expressão algo livre, produtivo, capaz de afetar outros, na rua, nos palcos, em qualquer lugar em que o homem possa expressar sua arte.</div>
<div>O Desejo já se animava e perguntou logo se não havia alguma condição.</div>
<div id="_mcePaste">Ao que ganhou a seguinte resposta: seria preciso o reconhecimento como artista, ter vida de artista.</div>
<div>“Como assim? A arte não pode ser espontânea, aguda e singular?”</div>
<div>“Pode”, começou o artista, “mas desde que seja embasada, desde que remeta a uma grande referência como Duchamp. Ou a um grande pensador, como Deleuze. Tem mais: artista que se preza rompe com os padrões sociais, se opõe à mesmice, como um comunista se opõe ao capitalismo.”</div>
<div>“Como fazer isso?”, pergunta o Desejo.</div>
<div>“Tendo experiências homossexuais, usando roupas coloridas, vendo filmes cults e, o mais importante, conseguindo financiamento através de editais de Cultura.</div>
<div>O Desejo disparou: “Quer saber, vou para a casa do caralho! Vou viver na bolsa escrotal. É isso, no saco! Em todos os lugares, você tem que ser isso ou aquilo. E mesmo quando alguém não faz isso ou aquilo&#8230; é preso, morto ou patologizado. Que saber? Fui! Pelo menos, antes de sair e ir pelo ralo, passo pela porra do gozo!”</div>
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		<title>Melhor não criar outro blog</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Oct 2011 22:46:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adilson Pereira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Neguinho hoje em dia fica muito em dúvida entre os três pontos e o ponto-final. Quer dizer, não ficam em dúvida. Colocam dois pontos. Não um em cima do outro, pra anunciar. Um depois do outro, do lado, para também&#8230; anunciar. Ah, então talvez seja isso, mudaram a maneira de usar dois-pontos. Surge uma pergunta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste">Neguinho hoje em dia fica muito em dúvida entre os três pontos e o ponto-final. Quer dizer, não ficam em dúvida. Colocam dois pontos. Não um em cima do outro, pra anunciar. Um depois do outro, do lado, para também&#8230; anunciar. Ah, então talvez seja isso, mudaram a maneira de usar dois-pontos. Surge uma pergunta quase “natural”, depois dessa constatação: como é isso na música, o que mudou nas teorias, nas convenções, e é capaz de deixar um ouvinte perdido? Se tem leitor meio perdido, deve ter também ouvinte meio perdido.</div>
<div id="_mcePaste">&#8230;</div>
<div id="_mcePaste">Amanhã, tem The Gift no Teatro Odisséia. Será que é o tipo de show de onde as pessoas saem&#8230; &#8230;perdidas?</div>
<div id="_mcePaste">&#8230;</div>
<div id="_mcePaste">Rola uma dúvida muito grande sobre “literalizar” – tem alguma palavra melhor aí? – esse blog-espaço. Sobre como manter o caráter jornalístico. Mas talvez seja a hora de brincar mesmo de sair do quadrado. (Gargalhada). (Suspiro). E dizer isso já é ter saído. Não sacou? Vai procurar outra coisa pra ler, cara. “Literalizar” não estava nos dicionários que este escriba usou para pesquisar. Vale dizer que aqui já tem uma “Editoria” batizada de “Literatice”. Ela serve. Ela foi/é (pouco) usada.</div>
<div id="_mcePaste">&#8230;</div>
<div id="_mcePaste">Por mais que exista esse descompromisso, existe também uma “culpa”. Não é pra rir. Essa culpa está lá o álbum do The Baggios, que a Bela mandou e é bom que ele seja ouvido. E está lá também num disquinho dos Bonnies, que eles também mandaram&#8230; Quer dizer, a culpa não está lá. Ela surge com a demora. Muita demora para dar a esses álbuns a chance de transformar os dias em melhores dias. Pelo menos uma chance os discos devem ter.</div>
<div id="_mcePaste">&#8230;</div>
<div id="_mcePaste">Semanas atrás, numa mesa-redonda, um cara de rádio diz: &#8220;Crise não existe. Crise? Que crise? As pessoas têm muito medo, é isso&#8230;&#8221; Entusiasmo assustador, o desse sujeito.</div>
<div id="_mcePaste">&#8230;</div>
<div id="_mcePaste">Será que este escriba na verdade está procurando desculpas para poder largar o tal do “compromisso jornalístico” de vez e, assim, poder falar que uma coisa é uma m#*♪∆¶∞erda e pronto?! Deixar de ser jornalista é poder falar!? Então, dá licença, ninguém mais vai ser jornalista o tempo todo aqui. Você pode falar com sua analista a respeito disso.</div>
<div id="_mcePaste">Tá tudo muito esculhambado por aí pra ficar este blog aqui seguindo regras demais. Claro que a onda é poder contar sempre com uma certa “boa educação”. Mas&#8230; Isso tem limite!</div>
<div id="_mcePaste">&#8230;</div>
<div id="_mcePaste">Momento de dúvida: é pra publicar mesmo?</div>
<div id="_mcePaste">&#8230;</div>
<div id="_mcePaste">Caramba, “pra” em vez de “para”! Talvez isso seja evolução&#8230; Só não peçam por favor que os dois-pontos aqui fiquem como andam fazendo (..) por aí. Aqui, “adequação” ainda tem algum limite.</div>
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		<title>Alegria, alegria</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Mar 2011 16:05:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adilson Pereira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tinha apelado para umas faixas do Cake, para melhorar de humor. Sabe como é, dias de muito calor logo cedo e aquela corridinha matinal vira um inferno. Mas o que contou mesmo para que esse recente suspiro fosse de alívio e não sofrimento foi entrar aqui e descobrir que esse negócio de internet é tudo&#8230; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tinha apelado para umas faixas do Cake, para melhorar de humor. Sabe como é, dias de muito calor logo cedo e aquela corridinha matinal vira um inferno. Mas o que contou mesmo para que esse recente suspiro fosse de alívio e não sofrimento foi entrar aqui e descobrir que esse negócio de internet é tudo&#8230; é tudo&#8230; um monte de teoria furada. Rir da www é um prazer. É rir do sistema, diria um punk mais velho.</p>
<p>O escriba que vos digita tem  sido mais do que irregular nos posts e&#8230; e aí como explicar que o número de &#8220;leitores&#8221; ou &#8220;acessos&#8221; esteja aumentando? Sinceramente, não dá para entender. Mas que fique claro que entender é o de menos. Bom é sacar que isso faz bem para o humor. Por favor, continuem assim. E que a Força e o bom humor estejam com vocês.</p>
<p>Assim como o Cake. Essa é uma das minhas preferidas. E esse vídeo é engraçado, mano:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/ivASA9nZmNo?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/ivASA9nZmNo?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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		<title>Radiofest</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Feb 2011 13:38:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adilson Pereira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Durante algumas horas, naquela sexta-feira, tudo que as pessoas falavam parecia ter a ver com o álbum novo do Radiohead. Foi quando surgiu o convite para participar de uma audição de “The king of limbs”, com três manos. Noite de sexta-feira, sabe como é, né? Aquela obrigação de achar na cidade alguma diversão. Neguinho te [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Durante algumas horas, naquela sexta-feira, tudo que as pessoas falavam parecia ter a ver com o álbum novo do Radiohead. Foi quando surgiu o convite para participar de uma audição de “The king of limbs”, com três manos. Noite de sexta-feira, sabe como é, né? Aquela obrigação de achar na cidade alguma diversão. Neguinho te cobra. Ok. Urca. Convite aceito, mas não sem alguma culpa. É que havia uma dose de “malandragem” do escriba aqui: contar com comentários de três especialistas no assunto Radiohead para, com isso, construir uma crônica. Claro. Um desses caras já foi a Amsterdã “só” para assistir a um show do Cabeça-de-rádio. Além disso, era a chance também de fazer um texto em que os personagens seriam tratados como em “Cães de aluguel”. Meus amigos viraram White, Orange e Blue.</p>
<p>“Bloom”, a primeira faixa, já chegou “causando”. Interrompida aos 15 segundos de execução, quando Mister White mexeu no monitor do Mac e o bagulho parou, ela voltou com força. Dava para sacar bem a força de CADA música, nessa audição. Por algum motivo, White não conseguira fazer o computador executar as músicas em sequência. O que no início foi visto como um problema revelou-se algo muito produtivo. Os intervalos ficaram cheios de comentários e histórias. “The king of limbs”, o álbum, havia se transformado numa festa – em que era o personagem principal.</p>
<p>Mister Blue, o que já atravessou o mar para ouvir a banda e havia me convidado para a festa, ficou calado. Parecia preocupado, querendo mesmo mergulhar no som. Confessou depois que já tinha ouvido o disco. Radiohead, pra ele, deve estar associado a qualquer coisa que tenha a ver com grandes distâncias. Meu amigo havia “provado” o álbum num voo entre Brasília e Rio, na manhã daquela sexta. Quando terminamos a segunda faixa, “Morning Mr. Magpie”, comentou: “Por enquanto, ainda dá para ouvir o que o Thom Yorke canta.” Não dava para saber se Blue estava lembrando de uma experiência terrível no avião ou se aquilo era preocupação com o efeito que a cerveja seria capaz de provocar na nossa festa-audição.</p>
<p>Mister Orange comparou “Morning Mr. Magpie” a um xaxado. Depois, amenizou, dizendo que tinha apenas sido debochado. Não tinha. Todo mundo acabou concordando mais tarde que a aquela música carrega uma aura cangaceira. Orange disse que o zumbido no fim da faixa dura 20 segundos. Blue riu e confessou que no avião tinha achado que o zumbido era só o barulho da turbina.</p>
<p>O que este escriba, num momento de “maldade”, diria sobre “Little by little”, que veio em seguida, é que tem guitarrinhas meio Matchbox Twenty. A rapaziada continuou enxergando um flerte forrozeiro. Ou, como deve ser mais apropriado para uma análise radioheadiana, um flerte for-all-zeiro. “Nessa faixa, eu curto me ligar na zabumba”, detalhou Orange. “HOJE, NO BALLROOM, RADIOHEAD, O REI DO FORRÓ!” Esse foi Blue, num momento de entusiasmo.</p>
<p>Primeiro grande intervalo. Depois de um trecho de western espaguetão e de um vídeo desses com milhões de acessos, um em que um tiozinho é assaltado, começamos a ouvir “Feral”. Todos tínhamos rido demais com a programação de vídeos de Mister White, durante o grande intervalo, mas não tivemos dificuldade para mergulhar de volta no álbum. Depois dessa “Feral”, surgiu uma espécie de regra: cada um teria direito de pedir o repeteco de uma das oito faixas. Quando “Feral” acabou, o que aconteceu foi que começamos uma discussão para ver quem pediria aquela ali de volta.</p>
<p>“Lotus flower” assusta. Significa que o disco já passou da metade. A festa vai acabar. Uma voz meio que do Além diz: “Vocoder&#8230;” E Mister Orange completa, aqui desse mundo mesmo: “Ele canta em falsete. Essa é mais pop, né?” Mister Blue e eu concordamos noutra coisa: “As músicas não parecem longas. São, isso, sim, pesadas. Não tristes. Pesadas!”</p>
<p>“Codex” traz de volta a história de detalhes que precisam ser percebidos, esteja ou não você do lado da turbina de um avião. Orange pede que White volte, repita. “Bota isso aí de novo, que é uma bobagem mas a gente não pode perder&#8230;”, diz, referindo-se ao iniciozinho de “Codex”.  E comove-se: “Essa música tem um nome bonito.” Silêncio absoluto. Mister Blue: “Parece música religiosa. ‘Radiohead acaba de anunciar que houve um erro nos downloads&#8230;’ Eu ia gostar, se eles fizessem isso.”</p>
<p>Estava acabando&#8230; “Give up the ghost”, a sétima. Caramba, estava acabando. Uma provocação do cara aqui que ficava anotando coisas: “Bicho, isso é uma viagem ao passado, como que a hora de acender velas.” Ao que Mister Orange respondeu: “Esse é um final brega, mas eles&#8230; U2, Queen, Nirvana&#8230; Falta uma música, né? ‘Separator’&#8230;”</p>
<p>White: “‘Separator Tabajara&#8230;’”<br />
Orange: “É&#8230;”<br />
White: quieto, devia estar bolado com alguma coisa.</p>
<p>Orange aposta que em “Separator” a banda usou um contrabaixo sem trastes. “Não são notas precisas”, explica. “E tem um piano agudinho que não dá pra saber se é de verdade&#8230;” Ok.</p>
<p>Ouvimos de novo “Feral”, “Little by little”, “Give up the ghost” e&#8230; de repente&#8230; uma da Nação Zumbi. Mister White cata o mouse rapidamente e pede desculpas: “Errei na dimensão do shuffle.” Quando ele consegue fazer o que queria, a máquina sorteia “Separator”. Esse cara não se entendia mesmo com o computador, mas no fim das contas a festa foi muito boa.</p>
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		<title>Paul, vestidos, sambas, incertezas</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Nov 2010 20:52:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adilson Pereira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Falávamos, esse amigo e eu, sobre como hoje as relações andam superficiais, corridas e tal. O camarada soltou umas pérolas: &#8220;Neguinho hoje em dia fica mendigando afeto.&#8221; Passamos pelo &#8220;sexo da era do espetáculo&#8221;, tentamos uma análise do facebookismo que assola a contemporaneidade marketeira, lamentamos a falta que andam fazendo as meninas de vestido na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste">Falávamos, esse amigo e eu, sobre como hoje as relações andam superficiais, corridas e tal. O camarada soltou umas pérolas: &#8220;Neguinho hoje em dia fica mendigando afeto.&#8221; Passamos pelo &#8220;sexo da era do espetáculo&#8221;, tentamos uma análise do facebookismo que assola a contemporaneidade marketeira, lamentamos a falta que andam fazendo as meninas de vestido na praça e&#8230; e terminamos na música. É&#8230; Parece que todo mundo foi a São Paulo, para ver o velho Paul. Constatação, numa praça vazia em Laranjeiras, que serviu para gerar uma certeza: tudo OK se hoje a gente prefere a melancolia e a proximidade de um sambinha (ou um punkinho), em vez do espetáculo de um dinossauro.</div>
<div></div>
<div>Esse parágrafo foi um teste. Essa página anda sofrendo o desgaste da falta de atualização e o escriba quer achar uma solução pra isso. Será que a onda vai ser falar sob uma perspectiva mais fantasiosa e pessoal, abrindo mão do compromisso jornalístico? O compromisso jornalístico às vezes é chato pra caralho&#8230; Ah, sim, se for inaugurada uma nova fase, aqui, ela permitirá mais palavrões. O que mais deverá ser permitido? Não precisa responder, não precisa dar ordens. Calma.</div>
<div></div>
<div>Hoje, mais tarde, rola um show do D2 cantando Bezerra da Silva. Não deve ser aquela &#8220;melancolia e proximidade&#8221; de que se falava aí no início. Mas promete ser divertido.</div>
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		<title>Uma manhã de chuva e de cópias (porque ninguém aqui é de açúcar e tampouco de ferro)&#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Jul 2010 14:01:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adilson Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Control+C Control+V]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Literatices]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
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		<description><![CDATA[Hoje, a manhã está para Control+C Control+V. Este escriba achou uma entrevista com Tim Maia em que, logo no início, ele dá uma zoada no repórter. Você, nobre leitor, merece ver isso também.
Por sua vez, uma amiga desta página compartilhou o link de um texto que fala sobre umas pesquisas recentes. Sempre elas, as pesquisas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje, a manhã está para Control+C Control+V. Este escriba achou uma entrevista com Tim Maia em que, logo no início, ele dá uma zoada no repórter. Você, nobre leitor, merece ver isso também.</p>
<p>Por sua vez, uma amiga desta página compartilhou o link de um texto que fala sobre umas pesquisas recentes. Sempre elas, as pesquisas recentes. Essas duas concluíram que os textos curtos da www têm nos feito perder a capacidade de concentração para concluir a leitura de coisas mais longas. Precisava mesmo de uma pesquisa para concluir isso?</p>
<p>Se for esperto, em vez de ficar se perguntando o que esses pesquisadores consideram &#8220;longo&#8221; ou &#8220;curto&#8221;, você vai catar o artigo para ler. De preferência até o fim. <a class="aligncenter" style="display: inline !important;" href="http://www.guardian.co.uk/books/2010/jul/15/slow-reading?utm_source=twitterfeed&amp;utm_medium=twitter" target="_blank">Clique aqui e vá até lá.</a></p>
<p>Será que há alguma pesquisa que faça referência ao modo, isto é, à velocidade com que as pessoas &#8220;consomem&#8221; música, hoje em dia?</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="344" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/HBatSgAcE4I&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344" src="http://www.youtube.com/v/HBatSgAcE4I&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
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		<title>Agenda</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Apr 2009 19:08:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adilson Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Agenda]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="BORDER-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; BORDER-LEFT: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" src="http://www.sambapunk.com.br/wp-content/uploads/2009/04/flyer-demodogeral-rio.jpg" alt="" /></p>
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		<title>Tiago Velasco lança seu primeiro livro e diz que é “meio autista ao escutar música”</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Nov 2008 19:06:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adilson Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatices]]></category>

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Sempre que você vir alguma referência a &#8220;amigos desta página&#8221;, esteja certo de que entre eles pode estar o Tiago Velasco. Fã de Ramones, Buzzcocks, Canastra e Do Amor, ele é daquele tipo que, OK, dá um boi para não entrar numa discussão. Mas&#8230; Com ele não tem a história de dar uma boiada para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.sambapunk.com.br/wp-content/uploads/2008/11/tiago-velasco-cred-ricardo-bs-b.jpg" style="BORDER-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; BORDER-LEFT: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px"/></p>
<p>Sempre que você vir alguma referência a &#8220;amigos desta página&#8221;, esteja certo de que entre eles pode estar o Tiago Velasco. Fã de Ramones, Buzzcocks, Canastra e Do Amor, ele é daquele tipo que, OK, dá um boi para não entrar numa discussão. Mas&#8230; Com ele não tem a história de dar uma boiada para não sair. Ele não sai. Simplesmente, não sai. Velasco, figurinha fácil em bons shows e bons botecos do Rio de Janeiro, é um sujeito com quem dá prazer de conversar porque ele mergulha nos assuntos. Te ensina sobre economia, se for o caso. E não desiste de dizer que aquele timinho, o Flamengo, é algo verdadeiramente divertido e apaixonante. No jornalismo, já provou sua eficiência e sensibilidade colaborando com diversas publicações e sites. Na ficção, estréia agora com um livro que revela &#8211; como ele mesmo diz, na entrevista abaixo &#8211; um pouco do seu universo. &#8220;Prazer da carne&#8221; será lançado em 25 de novembro.</p>
<p>1 &#8211; Bicho, você é jornalista. Tem que parar para pensar muito na hora de separar o jeito como se escreve ficção do jeito como se escreve &#8220;realidade&#8221;? <br/>Não. Para mim, a diferença no estilo é bem clara. Na ficção, acho que desenvolvi um estilo, não sei se próprio, mas um estilo. Então, quando penso em escrever ficção, já penso no texto dessa forma que gosto de escrever, em geral bastante seca, às vezes, telegráfica até. <br/>No jornalismo, por mais que eu tenha trabalhado em grande parte das vezes com música/cultura, que te permite um texto mais solto, eu tento obedecer uma certa regra, com os assuntos mais importantes no início do texto. Além disso, tem as entrevistas, as aspas dos personagens das matérias, que te dão um norte. Mas, talvez por eu ter afinidade com a narrativa de ficção, eu imprima um jeito meu de escrever às matérias. <br/>Falando sobre jornalismo e ficção, me lembrei que nos Estados Unidos ambos são chamados de escritores. Talvez seja por aí, vai depender mais de quem escreve e do veículo para que se escreve.</p>
<p>2 &#8211; Escrever sobre música é um flerte constante com a literatura, isto é, com o exercício de escrever sobre ficção? <br/>Como eu falei antes, escrever em uma editoria de música/cultura permite que você exercite seu estilo nas matérias. No meu caso, então, que escrevi em revistas, que já te dão mais liberdade porque o texto é naturalmente maior, e de música independente, esse exercício estilístico é até estimulado. Para mim, é ótimo, porque o trabalho sai do automático e entra em um campo criativo. Agora, quando você escreve em uma editoria mais &#8220;séria&#8221;, acho que o texto fica mais duro e objetivo, bem ao estilo dos manuais de redação.</p>
<p><img src="http://www.sambapunk.com.br/wp-content/uploads/2008/11/tiago-velasco-cred-ricardo-bs-a.jpg" style="BORDER-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; BORDER-LEFT: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px"/></p>
<p>3 &#8211; Lembro de ter lido, talvez uma página de Orkut, que você era &#8220;candidato a vagabundo&#8221;. As palavras eram suas mesmo. Era algo tipo você querer viver de escrever, mergulhando naquele modelo, digamos, romântico do sujeito que vive de contar histórias. Essa vontade, de ser &#8220;vagabundo&#8221;, ainda existe? <br/>É, a frase está no meu perfil no Orkut. <br/>Eu ainda não estou certo de que gosto de trabalhar. Quando eu falo de trabalhar, falo em algo que é feito com horário, disciplina, rotineiramente&#8230; Não sei se gosto disso, mas estou habituado e não vejo alternativa a esse modo de viver &#8211; só seu eu ganhar na megasena. <br/>Sobre a visão romântica do escritor meio vagabundo&#8230; Talvez tenha a ver, sim. Quando escrevi isso, eu podia mesmo ter pensado num jeito Bukowski de viver. Não tenho mais o menor interesse em ser como o Bukowski, mas aquela aparente liberdade dele, em alguma época, já me atraiu bastante. Fora os relatos do Kerouac, com &#8220;On the road&#8221;, e do Fante, em &#8220;Pergunte ao pó&#8221; e &#8220;Sonhos de Bunker Hill&#8221;.</p>
<p>4 &#8211; Hoje você anda às voltas com &#8220;web-writting&#8221;, certo? A despeito das irritações que termos assim causam em determinadas pessoas, há algo de interessante no conceito disso aí. Tem a ver com uma nova maneira de escrever, imagino. Mais uma maneira na qual se pensar. No fundo, encarar a escrita como uma coisa só não facilitaria as coisas? <br/>Estou escrevendo para um portal. Não vejo como estilo novo de escrita, a não ser que escrever menos e botar links ao logo do texto e vídeos do YouTube represente uma nova escrita. Não creio. Talvez seja uma nova forma de jornalismo, já que a internet é uma mídia audiovisual. Então, temos o texto escrito, mas temos que pensar sempre como ilustrá-lo. Como ele permite vídeos, se ater às fotografias empobrece o conteúdo. A grande diferença é que o repórter trabalha, de certa forma, também como editor, além de ele precisar ter alguns outros conhecimentos, como tratamento de fotografia e algo de html. <br/>Essas mudanças na forma de atuar e a exigência de novos conhecimentos técnicos podem encher um pouco a paciência. Como você mesmo disse, se encararmos tudo como um trabalho de escrita, talvez tudo fique mais fácil. O que acontece é que esse dia-a-dia nem sempre é interessante. E o fato de o texto ser muito curto facilita aquilo que falei anteriormente, de escrever de forma automática.</p>
<p>5 &#8211; Fala aí do livro. Eu já li umas coisas. Mas é bom que você mesmo conte aos leitores do &#8220;Sambapunk&#8221;. <br/>&#8220;Prazer da carne&#8221; é um livro de contos, com textos que venho fazendo desde 2002. O nome do livro foi tirado do conto de abertura. É difícil falar do livro. Por ser de contos, não há tanto uma unidade. Depois, é difícil falar sobre algo que você mesmo fez. Falta um distanciamento crítico para isso. <br/>Mas vou tentar: grande parte das histórias apresentadas é de situações que poderiam ser reais, mas são elevadas ao nível do absurdo. Assim, há textos que flertam com o surrealismo e com realismo fantástico. Geralmente, os temas são tratados por meio de uma narrativa seca, bastante enxuta mesmo. A ironia e o cinismo estão bastante presentes. Gosto da idéia de fazer um texto em que não há um julgamento de valor sobre a situação narrada, por mais esdrúxula que ela possa ser. Isso não quer dizer que não haja uma intenção crítica. Sim, há. <br/>Assim, um mendigo se mutila e come o próprio corpo para ganhar esmolas maiores, um garoto sem dinheiro vende a avó na feira de antigüidades, pessoas vão relaxar em um centro de entretenimento em que a diversão é matar crianças pobres, um rapaz fica preso em um engarrafamento durante dias e não faz nada, nem sai do carro com medo de o tráfego começar a andar&#8230; Mas há também aqueles textos mais leves, despretensiosos, que servem de contraponto às atrocidades. Nesses casos, até a minha forma de narrar muda, dando espaço para uma prolixidade cativante.</p>
<p>6 &#8211; O próximo passo é um romance? <br/>Não sei. O mercado aceita mais um romance do que contos, mas ainda não me sinto preparado e nem tenho idéias para isso. Gosto muito de contos. Varias vezes prefiro ler contos de grandes escritores a seus romances. O conto, por ser curto, apresenta a idéia de cara, de forma crua, o impacto é instantâneo. Gosto dessa possibilidade de afetar o leitor rapidamente. Sem falar que acho o ato de escrever contos muito contemporâneo: a idéia da coisa curta, rápida, fragmentada, direta me parece perfeitamente integrada no mundo em que vivemos, de internet e milhões de janelas, informações de tudo o quanto é canto&#8230;</p>
<p>7 &#8211; E a relação com o jornalismo, sai fortalecida ou enfraquecida dessa história? Quer dizer, depois de sentir o gostinho de lançar um livro, perde a graça escrever em jornal, revista e internet? <br/>Eu não posso dizer que sou um fã de jornalismo. Quando entrei em comunicação, não sabia se faria publicidade ou jornalismo. O que eu queria, naquela época, era trabalhar com música. Escrever foi a forma que encontrei para isso. Então, mesmo antes do livro, não sou um entusiasta em relação ao jornalismo. O que gosto é de escrever sobre assuntos que me interessam. Música é um deles. Mas podia ser cinema, comportamento, crônicas&#8230; Então, não tenho apreço por notícias, não acho escrever sobre bandas interessante (claro, quando a banda é foda, é muito legal, mas o veículo tem que deixar o texto solto, senão vira algo burocrático), prefiro falar sobre cenas, escrever sobre o mercado musical e as novas possibilidades, ou seja, pautas do dia-a-dia não me atraem. O que não quer dizer que eu refute a idéia de trabalhar com jornalismo, mas é cada vez mais improvável eu fazer isso em um grande veículo. E, se eu não entrei até agora, é improvável que eles me queiram também. Me interesso mais pelas revistas mesmo, e suas possibilidades de pautas criativas e textos mais elaborados.</p>
<p>8 &#8211; De onde você tira inspiração, cara? Você acredita em inspiração? <br/>Cara, acredito em inspiração, mas acredito, também, em exercitar a inspiração, ou seja, fazer coisas que facilitem o surgimento de idéias. Uma delas é escrever sempre, de forma disciplinada. Confesso que não faço isso. Talvez essa seja a explicação para eu só ter conseguido fechar um livro depois de seis anos escrevendo ficção. <br/>Mas sobre de onde eu tiro a inspiração&#8230; Da vida. Das coisas que vejo nas ruas, das situações do cotidiano, dos livros que leio, dos filmes a que assisto&#8230; Tiro muitas idéias de filmes. E não importa se eles são bons ou não. Adoro sair fervilhando de idéias quando assisto a um bom filme, mas às vezes filmes ruins te rendem algo. <br/>No &#8220;Prazer da carne&#8221; tem pelo menos três contos inspirados em filmes: &#8220;Prazer da carne&#8221; foi inspirado em &#8220;Réquiem para um sonho&#8221;, principalmente a edição do filme; &#8220;Hora do rush&#8221; tem idéias tiradas de &#8220;Um dia de fúria&#8221; e &#8220;O anjo exterminador&#8221; e &#8220;Canto da sereia&#8221; têm referência à &#8220;American pie&#8221;, um dos exemplos de filmes ruins que me deram algo para escrever. <br/>Mas a grande inspiração, acho, é a gente mesmo. Hoje, principalmente depois de quase um ano fazendo análise, consigo me enxergar em vários contos. E não estou falando do que está bem claro, mas do subtexto dos contos, algumas situações, alguns personagens e até frases que são irrelevantes para a maioria das pessoas, hoje, fazem bastante sentido para mim. Ao mesmo tempo que isso é legal, também dá um pouco de medo, porque me exponho bastante. Mas os textos não são apenas jorros do inconsciente. Tem vários textos pensados, que escrevo com a idéia clara do subtexto, da metáfora que eu quero construir.</p>
<p><img src="http://www.sambapunk.com.br/wp-content/uploads/2008/11/tiago-velasco-capa-do-livro-a.jpg" style="BORDER-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; BORDER-LEFT: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px"/></p>
<p>9 &#8211; No que você acredita, Tiago Velasco? <br/>Ah,ah,ah,ah&#8230; essa é boa. Cara, acredito em pouca coisa. Acredito na razão, nas pessoas, na capacidade de tornar sonhos em realidade. Mas, como você sabe, não acredito em respostas sobrenaturais para as coisas. Daí, a minha crença nas pessoas e no poder modificador delas.</p>
<p>10 &#8211; Você ouve música, quando escreve? <br/>Não. Só seu eu tiver que entregar uma resenha de um disco e tiver sem tempo. Sou meio autista ao escutar música. Fico de frente para o som, parado. Raramente uso música como pano de fundo. Quando ouço música, ela é a atividade principal na hora. Mas tenho ouvido música mais no iPod ultimamente. É bom quando se está andando na rua, no metrô ou no ônibus.</p>
<p>11 &#8211; O que você tá lendo? <br/>Não tenho lido muita ficção ultimamente. Os textos para o mestrado acabam sendo minha principal leitura. O último livro que li, e acabei há pouco, foi o do Midani.</p>
<p>12 &#8211; O que está ouvindo? Pintou algum sonzinho bom, ultimamente? <br/>Não sou muito de procurar som novo. Digo que as últimas bandas de que gostei de verdade foram o White Stripes e o Strokes &#8211; e isso já faz uns sete anos. Gosto das velharias de sempre: Iggy and the Stooges, David Bowie, Rolling Stones, Beatles, Nirvana, Kinks, Sonics, Velvet Underground, Ramones, Buzzcocks. Dos brasileiros, gosto do Los Hermanos, Canastra e Do Amor. Ah, taí uma banda nova que eu gosto. Mas eu sou parcial em relação ao Do Amor.</p>
<p>13 &#8211; Você se preparou para responder perguntas, o que está achando dessa mudança? Você estava acostumado a fazer perguntas, certo? <br/>Cara, não me preparei. Claro que fiquei imaginando o que as pessoas poderiam perguntar, tentando pensar em respostas, mas nada sério. Confesso que me dá um certo nervosismo, uma ansiedade. Mas o papel do entrevistador também me deixa assim, então, na verdade, as sensações são as mesmas, acho. A grande diferença é que eu tenho um trabalho como jornalista que eu acho que é bem feito e que já foi elogiado por alguns leitores. No caso da ficção, ainda é uma grande incógnita. O caminho está apenas começando.</p>
<p>14 &#8211; Depois disso, de responder em vez de perguntar, será que vai mudar a maneira como você faz entrevistas? <br/>Talvez, né&#8230; Acho que todas as nossas experiências de vida são importantes e refletem na maneira que lidamos com as situações, seja uma fila de banco, seja uma entrevista ou a maneira que eu vou ler alguma coisa. Seguindo esse raciocínio, pode mudar minha maneira de fazer perguntas. Mas, também, por ser jornalista, devo ser um entrevistado um pouco diferente na hora de dar respostas.</p>
<p>15 &#8211; E depois de escrever um livro, vai mudar a maneira como você lê? <br/>A maneira que eu leio vem mudando há alguns anos. Nos últimos cinco, pelo menos, presto atenção no estilo dos autores, como tratam os temas, quais os olhares sobre os assuntos eles têm. Já introjetei isso na minha forma de ler. Mas nem é só no texto escrito. Faço o mesmo com os diálogos dos filmes, com o texto dos telejornais&#8230;</p>
<p>16 &#8211; Você nunca pensou em ter uma banda, cara? <br/>Já pensei. E tentei. Mas não rolou. Fizemos dois ou três ensaios. Nessa banda, que não tinha nome, o guitarrista era o Marcelo Callado, baterista do Do Amor. Era tudo música própria. As letras eram feitas por mim. Acho que foi minha primeira incursão pela escrita, já que quando comecei a escrever letras de música eu ainda estudava Economia. Mas na época dos ensaios eu já estava fazendo Comunicação.</p>
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		<title>Sonny &#8220;Salgueiro&#8221; Rollins</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Oct 2008 14:29:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adilson Pereira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Música]]></category>
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		<description><![CDATA[Havia uma certa ansiedade no ar. Falou-se muito do veterano saxofonista e isso criou um clima de vamos-ver-qual-é em relação ao show que Sonny Rollins faria no TIM Festival. No Rio, ele subiu ao palco parecendo um dirigente da escola de samba Salgueiro. Estava de vermelho e branco. Os jornalistas, que não sabíamos os nomes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Havia uma certa ansiedade no ar. Falou-se muito do veterano saxofonista e isso criou um clima de vamos-ver-qual-é em relação ao show que Sonny Rollins faria no TIM Festival. No Rio, ele subiu ao palco parecendo um dirigente da escola de samba Salgueiro. Estava de vermelho e branco. Os jornalistas, que não sabíamos os nomes das músicas, fizemos piadas sobre o repertório. Aproveitamos a salgueirice do músico e investimos nas comparações entre o jazz e o samba. Estávamos lá, os jornalistas que falam mais de rock do que de qualquer outra coisa, e alguém pergunta: &#8220;O que ele está tocando?&#8221;</p>
<p>&#8220;Jazz&#8221;, respondeu um. <br/>&#8220;Sax&#8221;, emendou o outro. <br/>&#8220;Cartola, isso é música do Cartola&#8221;, soltou o terceiro, parecendo vencer a disputa. <br/>Até que veio a melhor de todas: &#8220;Isso é uma homenagem ao Luiz Carlos da Vila!&#8221; <br/>Você não soube do Luiz Carlos da Vila? Sambista das antigas, faleceu recentemente. Que descanse em paz.</p>
<p>As piadas continuaram até que alguém lembrou de Ed Motta, que tinha sido visto com vários discos para serem autografados por Rollins. Depois do fim da primeira música do saxofonista, que durou 20 minutos, os jornalistas começaram a dizer que o ideal seria catar o Ed Motta para perguntar a ele os nomes das músicas. Será que ele saberia dizer?</p>
<p>Estava lá uma atriz global, sem nenhum disco debaixo do braço, com cara de que &#8211; assim como os jornalistas &#8211; não sabia o nome das músicas. Observamos e concluímos que havia algo mais, ali, na expressão de descontentamento daquela moça famosa. Não era só desconhecimento de nome de música. Débora Bloch estava a poucos metros de uma mesa em que três sujeitos havíamos colocado bloquinhos e anotávamos freneticamente tudo que acontecia em volta.</p>
<p>Depois de uma discussão com a moça do balcão, uma que servia bebidas, Bloch foi &#8220;salva&#8221; por um assessor de imprensa. Ele apareceu e deu a ela dois cartões. Pareciam novos ingressos. Ela saiu dali, de perto de nós, pessoas com bloquinhos, e foi lá para a frente do palco. Deve ter chegado a tempo de aplaudir a segunda música, que durou 21 minutos.</p>
<p>Todos aplaudimos. Aquele diretor do Salgueiro é bom no palco.</p>
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		<title>Tranqüilidade, no centro de uma tempestade</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Oct 2008 13:36:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adilson Pereira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Música]]></category>
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De uma maneira ou de outra, você já ouviu a respeito de Rafael Silveira. Quem é chegado ao circuito de música independente sabe que ele é um dos integrantes da excelente banda curitibana Los Diaños. Quem está atento ao mainstream sabe que o Skank lançou um disco novo, uma bolachinha que tem no encarte umas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.sambapunk.com.br/wp-content/uploads/2008/10/rafael-silveira-1.jpg" style="BORDER-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; BORDER-LEFT: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px"/></p>
<p>De uma maneira ou de outra, você já ouviu a respeito de Rafael Silveira. Quem é chegado ao circuito de música independente sabe que ele é um dos integrantes da excelente banda curitibana Los Diaños. Quem está atento ao mainstream sabe que o Skank lançou um disco novo, uma bolachinha que tem no encarte umas ilustrações &#8220;estranhas&#8221;. Pois é, aquelas ilustrações são do Rafael Silveira. E tem muito mais num livro, o primeiro dele, que está circulando na praça: um trabalho recheado daquelas &#8220;esquisitices&#8221; e que nem por isso deixa de ser &#8220;fofo&#8221;. &#8220;Mulheres, chapéus voadores e outras coisas legais&#8221; (Arte e Letra, 120 páginas) vem numa caixinha muito style e, lá dentro, além do livro, tem um brinquedinho inflável, aquilo que neguinho hoje em dia adora chamar de &#8220;toy art&#8221;.</p>
<p>Por e-mail, Rafael &#8211; que é formado em comunicação social e trabalha com publicidade &#8211; contou que uma página nova vai entrar no ar na www. Mas na que está lá (<a href="http://www.rafaelsilveira.com">www.rafaelsilveira.com</a>) já dá para ter uma boa idéia do que é o trabalho do cara. O rapaz também falou que, para ele, duas coisas &#8211; música e quadrinhos &#8211; andam juntas: &#8220;Há quem diga que o show do Los Diaños é uma história em quadrinhos viva. Eu acho que carrego, fisicamente, no meu jeito de falar, nas expressões, um pouco do meu trabalho visual. E quando eu pinto geralmente estou ouvindo música. Ou compondo. Tipo solfejando coisas.&#8221;</p>
<p><img src="http://www.sambapunk.com.br/wp-content/uploads/2008/10/rafael-silveira-2.jpg" style="BORDER-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; BORDER-LEFT: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px"/></p>
<p>O que dá mais retorno financeiro, ele diz, é o trabalho com artes visuais. E o livro ajuda bastante a divulgar o artista/profissional que Rafael Silveira é. Mesmo que não renda muita grana, o volume circula por aí. E todos, inclusive os gringos, têm acesso fácil a ele: Silveira colocou no ar uma página escrita em inglês. &#8220;Coloquei assim para não me limitar ao Brasil. Hoje em dia, qualquer pessoa que se interesse por arte já entende alguma coisa básica de inglês. Se está na internet, o mundo todo pode ver. É uma atitude com intenção de facilitar o acesso de mais pessoas ao meu trabalho&#8221;, explica.</p>
<p>O que também fez com que muita gente ficasse de olho no trabalho do cara dos Diaños foi o serviço prestado para o Skank. E isso aconteceu não por causa do &#8220;conhecimento&#8221; que um dos integrantes do grupo, o tecladista Henrique Portugal, tem em relação ao circuito de artistas independentes. &#8220;Na verdade, teve mais a ver com o Fernando Furtado, empresário da banda mineira, e o interesse dele por arte contemporânea&#8221;, agradece Silveira. &#8220;Ele viu meus trabalhos na web e começamos a conversar a respeito. Tempos depois, visitei a banda em estúdio, conversei com os caras. São ótimas pessoas, superprofissionais. Foi um prazer trabalhar pra eles.&#8221;</p>
<p>Algumas ilustrações de &#8220;Mulheres, chapéus voadores e outras coisas legais&#8221; lembram uns encartes dos estadunidenses meio-progressivos-meio-psicodélicos-meio-jazzies do The Mars Volta. A comparação faz com que Rafael Silveira diga que, sim, considera que sua produção gráfica/artística é universal. Isso porque ele gosta de &#8220;retratar situações arquetípicas&#8221;. O rapaz completa: &#8220;Mas não serviria para qualquer tipo de música. Alguns estilos têm uma estética muito peculiar, como sertanejo, pagode, axé&#8230; coisas mais populares.&#8221;</p>
<p><img src="http://www.sambapunk.com.br/wp-content/uploads/2008/10/rafael-silveira-3.jpg" style="BORDER-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; BORDER-LEFT: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px"/></p>
<p>Se dá para dividir bem o tempo entre a música e o desenho e a pintura? &#8220;Estas são só duas pontas do iceberg&#8230; faço um milhão de coisas a mais, o tempo todo, ao mesmo tempo. É como alguém tranqüilo pescando num barquinho, no meio do oceano, no centro de uma tempestade.&#8221;</p>
<p>Perguntado sobre a possibilidade de os Diaños fazerem um show no Rio, ele avisa: &#8220;Tocariamos até de graça, no Rio. Pagando passagens de avião, estadia, alimentação e cerveja, tava tudo certo. Se alguém topar a empreitada, estamos dentro!&#8221; Isso não quer dizer que ele encare as atividades que desenvolve como coisas que não precisam gerar dinheiro. &#8220;Pelo contrário, acho que a banda tem que dar dinheiro, também. Mas não fazemos pensando nisso, moldando o som ao gosto dos outros.&#8221;</p>
<p>Será que estamos diante de um daqueles sujeitos que consideram importante manter um &#8220;lado romântico&#8221;, no que diz respeito à produção artística, sustentando-se com um emprego &#8220;tradicional&#8221;, biscates ou herança de família? Será que ele imagina estas duas atividades, música e pintura, gerando seu sustento? &#8220;Imagino, sim! O que não imagino é mudar meu trabalho para algo mais vazio, só pra ganhar mais grana. O mundo está cheio de porcaria, não quero ser mais uma. Quando meu trabalho me sustentar, é porque cheguei num nível muito bom, artisticamente, e a coisa se sustenta. Acho que retorno financeiro é conseqüência. Estou mais focado na evolução e na qualidade do que estou fazendo&#8230;&#8221;</p>
<p><img src="http://www.sambapunk.com.br/wp-content/uploads/2008/10/rafael-silveira-4.jpg" style="BORDER-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; BORDER-LEFT: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px"/></p>
<p><img src="http://www.sambapunk.com.br/wp-content/uploads/2008/10/rafael-silveira-5.jpg" style="BORDER-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; BORDER-LEFT: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px"/></p>
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		<title>O livro do Panço</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Oct 2008 13:51:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adilson Pereira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Já tem capa o livro novo do Leonardo Panço, guitarrista do Jason. A arte ficou por conta do Flávio Floq, companheiro de Panço naquela banda de hardcore. Em breve, o dublê de guitarrista e escriba começa aquilo que está chamando de &#8220;turnê literária&#8221;. A idéia é percorrer cidades do país lançando o livro, fazendo tarde [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Já tem capa o livro novo do Leonardo Panço, guitarrista do Jason. A arte ficou por conta do Flávio Floq, companheiro de Panço naquela banda de hardcore. Em breve, o dublê de guitarrista e escriba começa aquilo que está chamando de &#8220;turnê literária&#8221;. A idéia é percorrer cidades do país lançando o livro, fazendo tarde de autógrafos etc.</p>
<p><img src="http://www.sambapunk.com.br/wp-content/uploads/2008/10/leonardo-panco-livro-novo-capa-reduzida.jpg" style="BORDER-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; BORDER-LEFT: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px"/></p>
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		<title>Viva o viral</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Oct 2008 21:10:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adilson Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crônicas]]></category>
		<category><![CDATA[Literatices]]></category>
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		<description><![CDATA[Definitivamente, vivemos a era do marketing digital. As pessoas não precisam mais ser amigas, elas precisam de graaandes listas de contatos; precisam mostrar ao mundo que são bem relacionadas. Hoje, um &#8220;amigo&#8221; entrou em contato &#8211; pela internet, claro &#8211; para perguntar sobre empresas que se oferecem para aumentar a visitação de perfis do My [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Definitivamente, vivemos a era do marketing digital. As pessoas não precisam mais ser amigas, elas precisam de graaandes listas de contatos; precisam mostrar ao mundo que são bem relacionadas. Hoje, um &#8220;amigo&#8221; entrou em contato &#8211; pela internet, claro &#8211; para perguntar sobre empresas que se oferecem para aumentar a visitação de perfis do My Space e do Orkut. Diante da resposta negativa, o cara nem teve o trabalho de agradecer. Vai ver estava com os dedos ocupados. Digitando outra coisa, digitando para outrem. E viva o marketing viral, comunidades etc e tal.</p>
<p>Ontem, a noite vinha se aproximando quando uma menina entrou em contato &#8211; também, óbvio, via www. É uma dessas moças que a gente conhece em reuniões de cooperativas mas que nunca se mostram simpáticas. &#8220;Olá menino!&#8221;, diz ela. Ao que o escriba aqui, em frente ao computador, reage com espanto: &#8220;Olá.&#8221; Ela poupa seus dedos, deixa de digitar cinco ou seis frases e vai direto ao que parece ter sido o motivo da abordagem: &#8220;olha essa promo que massa: <a href="http://www">http://www</a>&#8230;&#8221; O prêmio, ela informa, é uma viagem para NY, para ver um show da banda&#8230;&#8221; A moça que ficou simpática da noite para o dia está agora trabalhando num departamento de marketing. E viva o marketing viral, comunidades etc e tal.</p>
<p>A banda&#8230; a banda a que ela se referiu é um grupo de roqueiros velhos que eu até acho simpático. Mas fico imaginando de onde a garota viral tirou que eu gostava deles. Fico imaginando isso para em seguida celebrar o poder do marketing digital, do viral e qualquer outro &#8220;&#8230;al&#8221; que sirva para &#8220;aproximar&#8221; pessoas. Sim, porque para engrossar o caldo de participantes daquela promoção, a moça parecia a minha mais íntima amiga dos últimos dez anos. E conseguiu isso em duas ou três frases. Sumiu em seguida, como as amigas íntimas às vezes fazem mesmo. Normal, normal. E viva o marketing viral, comunidades etc e tal.</p>
<p>Mas este fértil universo digital gera não apenas reclamações. Gera também boas perspectivas. Um outro amigo, dos que de vez em quando ainda aparecem para um chope, comenta que os chefes dele acham que &#8220;o último grito&#8221; é o &#8220;conceito de comunidade&#8221; na www. Resumindo: os caras demoraram, pegaram o bonde andando e não sabem para onde estão indo. Agora, só falta aquela corporação que adora usar a palavra &#8220;colaborativo&#8221; como sinônimo de &#8220;economia na folha de pagamento&#8221; descobrir os chefes do meu amigo. Vai ser contratação imediata. E mais alguns idiotas vão ganhar dinheiro com o que não sabem. E viva o marketing viral, comunidades etc e tal.</p>
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		<title>&#8220;Uma dilaceraçãozinha tipo Britney sem cabelo&#8221;</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Oct 2008 18:00:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adilson Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Literatices]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Show]]></category>
		<category><![CDATA[Vídeo]]></category>
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O sujeito manda e-mail. É um teaser e o &#8220;Sambapunk&#8221;, curioso, pergunta o que é aquilo. Aí, o Mariano Marovatto, que é o cara que está do outro lado, diz que por enquanto é segredo mas um grupo do qual ele faz parte, Os Sete Novos, vai lançar um livro escrito a sete mãos. Uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.sambapunk.com.br/wp-content/uploads/2008/10/livro-dos-sete-novos-reduzida.jpg" style="BORDER-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; BORDER-LEFT: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px"/></p>
<p>O sujeito manda e-mail. É um teaser e o &#8220;Sambapunk&#8221;, curioso, pergunta o que é aquilo. Aí, o Mariano Marovatto, que é o cara que está do outro lado, diz que por enquanto é segredo mas um grupo do qual ele faz parte, Os Sete Novos, vai lançar um livro escrito a sete mãos. Uma obra em &#8220;homenagem&#8221; aos EUA. O apego à ética faz com que a mensagem seguinte para o Mariano seja um lamento por não poder divulgar a história. Deu vontade de divulgar porque as imagens que ele usou para o teaser fazem a gente crer que vão dar uma zoada nos ianques.</p>
<p>A resposta do cara chega cinco segundos depois: &#8220;Claro que pode divulgar. Vazamento de informação é moda na internet. Primeiro livro escrito a sete mãos da história da humanidade. Tem até trailer, o bagulho é sério.&#8221;</p>
<p>Vai ter show de lançamento em 4 de novembro no Espaço Cultural Sérgio Porto. Como também é moda esquecer rápido o que se lê na internet, o assunto voltará à tona aqui, mais tarde, quando este dia se aproximar. <br/><img src="http://www.sambapunk.com.br/wp-content/uploads/2008/10/livro-dos-sete-novos-1-reduzida.jpg" style="BORDER-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; BORDER-LEFT: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px"/></p>
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		<title>S.O.S. Panço (ou &#8220;Ajude o guitarrista do Jason a lançar um livro&#8221;)</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Oct 2008 21:02:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adilson Pereira</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Mercado/Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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Leonardo Panço, que já apareceu várias vezes aqui, sempre citado como um sujeito que é exemplo de ação no circuito independente, está querendo aprontar mais uma. E das boas. Leia-se lançar um novo livro, com 46 textos (contos e crônicas). Ele já tem até nome para a parada que vai ter 136 páginas com arte [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img style="BORDER-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; BORDER-LEFT: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" src="http://www.sambapunk.com.br/wp-content/uploads/2008/10/leonardo-panco-reduzida.jpg" alt="" /></p>
<p>Leonardo Panço, que já apareceu várias vezes aqui, sempre citado como um sujeito que é exemplo de ação no circuito independente, está querendo aprontar mais uma. E das boas. Leia-se lançar um novo livro, com 46 textos (contos e crônicas). Ele já tem até nome para a parada que vai ter 136 páginas com arte do bamba Flávio Flock: &#8220;Caras dessa idade já não lêem manuais&#8221;. O que ele ainda não tem é dinheiro para mandar a idéia para uma gráfica. Foi por isso que o guitarrista do Jason disparou um e-mail há alguns dias, oferecendo o que chamou de &#8220;cotas&#8221;. Está difícil vender CDs&#8230; Quem sabe ele vende livros&#8230; Empreendedorismo é isso aí.</p>
<p>Como que declarando não ter segredos, Panço mandou um e-mail em que destrincha seu projeto. Diz até quanto a &#8220;brincadeira&#8221; vai custar: R$ 6.150,00. Ele pergunta, na tal mensagem, onde é que o leitor entra nisso. E dá a resposta em seguida: &#8220;Resolvi dividir em x cotas e vendê-las. Sendo que também é possível ajudar com meia cota. Não, isso não é bom. Seria melhor que fosse uma inteira, mas compreendo e com metade você também é bem-vindo. E ainda estamos abertos a propostas&#8230;&#8221;, escreveu no e-mail. Ele continua assim: &#8220;Digamos que você dê mil reais. Não é um presente. (&#8230;) Você receberá os mil reais de volta tipo o Baú da Felicidade do Sílvio. Em produtos. Uau, é mesmo? Mas eu vou gostar desses tais &#8216;produtos&#8217;? Ah, isso já é mais difícil de afirmar. Você receberá um arquivo com mais ou menos 5 títulos literários, dez tipos de camisas e por volta de 350 títulos de CDs, todos com seus respectivos valores. Você escolhe o que quiser até chegar a mil reais e, pronto, esse pacote chegará na sua casa seguro e saltitante. Na teoria, é simples e bom (pra mim). Você me ajuda, meu livro sai e você ainda leva vários brinquedos divertidos para casa. E caso você queira (não imagino por quê), pode pegar toda sua cota de um único objeto, bastando que ele esteja disponível em quantidade suficiente.&#8221;</p>
<p>Outra sugestão dele é que as pessoas paguem por 40 exemplares e recebam o dinheiro investido depois, com algum lucro. Escreva para saber mais detalhes. O dublê de guitarrista, produtor e escritor reafirma o tempo todo que precisa de dindim para lançar o livro, mas diz que está disposto a ouvir sugestões que sejam uma alternativa às fórmulas que ele criou.</p>
<p>Anote:<br />
<a href="mailto:leonardoster@gmail.com">leonardoster@gmail.com</a><br />
<a href="mailto:tamboreteboss@yahoo.com.br">tamboreteboss@yahoo.com.br</a><br />
MSN: <a href="mailto:keibardi@hotmail.com">keibardi@hotmail.com</a><br />
(21) 3341-9072</p>
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