<center><a href='conta_click_banner.php?banner_id=7&amp;url=http://www.garotafm.com.br'><img src='http://www.sambapunk.com.br/banner_img/banner_garotaFM_7.gif' alt='Garota FM' border='0' /></a></center><?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
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	<title>SAmbaPUNk &#187; Pingue-pongue</title>
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		<title>“Nem todos os sonhos cabem em planilhas”</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Apr 2010 18:20:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adilson Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mercado/Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
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De passagem pelo Rio, o poronga Diogo Soares trocou uma rápida ideia com o &#8220;Sambapunk&#8221;. Leia o pingue-pongue:
1 &#8211; Vocês estão terminando um segundo álbum e você falou muito de um terceiro disco. O que é isso? Ansiedade, excesso de material? Você está naquela fase de pensar talvez num projeto solo ou em projetos paralelos, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.sambapunk.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Los-Porongas_reduzida.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1571" title="Los Porongas: banda prepara o segundo álbum" src="http://www.sambapunk.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Los-Porongas_reduzida.jpg" alt="" /></a><br />
De passagem pelo Rio, o poronga Diogo Soares trocou uma rápida ideia com o &#8220;Sambapunk&#8221;. Leia o pingue-pongue:</p>
<p>1 &#8211; Vocês estão terminando um segundo álbum e você falou muito de um terceiro disco. O que é isso? Ansiedade, excesso de material? Você está naquela fase de pensar talvez num projeto solo ou em projetos paralelos, para escoar a produção?</p>
<p>Rapaz, acho que ansiedade é a palavra pra isso. É nosso segundo disco e todo mundo sabe que no segundo disco seu trabalho é posto à prova. E como ainda não gravamos, apesar de as canções já estarem feitas, não há como não pensar em como vai ser tudo, o disco, o futuro e depois do futuro. Mas acho que a hora agora é de se concentrar na gravação de 11 músicas que dizem muito a respeito desse tempo que estamos vivendo. Quanto ao solo, sem chão pra isso, nesse momento. Mas tem nascido umas canções que um dia ou entram na roda da banda ou caem num MySpace da vida.</p>
<p>2 &#8211; Uma das coisas que você comentou aqui é da galera que se formou, em SP: uma banda dando sustentação para a outra. Nesse time, entram por exemplo O Jardim Das Horas e o Madame Sataan. Fale-me mais dessa &#8220;união&#8221; e do que isso na prática tem rendido.</p>
<p>Cara, já estamos em São Paulo há quase três anos, tocando, compondo, conhecendo muita gente. Mas foi a partir de meados do ano passado, quando conhecemos os cearenses d’O Sonso e o Saulo Duarte, que começamos formar uma trupe, junto com outros artistas que já eram nossos amigos, como a galera do Madame Saatan, do Jardim das Horas e da Volver. Todo mundo acaba se ajudando muito nesse processo de estar fora da sua cidade natal, seja conversando, tocando, compondo ou criando juntos. A partir desse encontro, foram surgindo ideias de fazer eventos em grupo e nisso se juntaram pessoas queridas que já acreditavam nos nosso trabalhos, o pessoal das produtoras Punk Saravá e Identidade Musical. Assim, nasceu o Mais Massa. O projeto tem datas fixas na Livraria da Esquina, já foi para o Centro Cultural Rio Verde, cidades vizinhas a Sampa como São Caetano do Sul, e estamos cheios de planos para 2010. A viagem é somar forças e conseguir mais espaços pra tocar, pra divulgar o trabalho de cada um e por aí vai. Mas o Mais Massa é mesmo a vontade que a gente tem de estar junto fazendo arte e compartilhando a viagem de mudar para essa cidade.</p>
<p>3 &#8211; Fale-me sobre essa sua vinda ao Rio. Você veio gravar duas músicas com o Carlos Trilha, certo? Pra participar do disco de qual banda? Quais eram as músicas? Como foi o trabalho com o Trilha? Como foi a relação com a cidade, enquanto esteve aqui?</p>
<p>Ah, toda vez que vou ao Rio, saio com a impressão de que ele continua lindo! Mesmo quando chove demais e parte da cidade fica submersa. Foi muito prazeroso estar aí porque estava entre amigos. Fui convidado por um grande amigo, o Marano, vocalista de uma banda de Curitiba que está sendo produzida pelo Trilha. A banda é de músicos egressos do Terminal Guadalupe, outra banda curitibana. Esse é o primeiro disco deles e ainda estão decidindo o nome da banda. Fui gravar uma música e acabei gravando outra, chamada “Rostos coloridos”, de autoria do Marano. Linda canção, que fala sobre diversidade. Foi uma experiência muito significativa, afinal, estava gravando com um cara de quem sempre fui fã, o Trilha. Quantas vezes eu ouvi o “Equilibrio distante” do Renato Russo e de repente eu estava no aquário com o cara que produziu esse e tantos outros discos importantes pra mim dizendo &#8220;Gravando!&#8221;.</p>
<p>4 &#8211; Lembro de a gente conversando e de várias citações e referências surgindo. Caio Fernando Abreu, por exemplo. São Paulo tem representado um mar de novas influências para vocês? Como lidar com isso, com uma cidade tão cheia de gente e tão &#8220;veloz&#8221;?</p>
<p>É engraçado tu perguntar isso porque uma das canções do disco novo começa com a seguinte frase &#8221; Vem, vamos viver juntos e velozes&#8221;. Acho que só vamos saber o que São Paulo nos causou daqui a alguns anos. O fato é que aqui a gente teve contato com muita coisa diferente, principalmente no que diz respeito à arte e às humanidades em geral. E, não sei se por coincidência, foi nesta fase aqui que eu conheci melhor gente como o Caio Fernando, pude me aprofundar no Neruda, na Clarisse. Acho que os grandes mestres e a vinda pra sampa me ajudaram a compreender que o tempo nunca é o mesmo em todo lugar.</p>
<p>5 &#8211; Uma outra coisa que me chamou a atenção foi a crítica ao circuito Fora do Eixo. Pode me falar mais sobre isso, sobre como você vê a maneira como estão organizados, hoje, os festivais de música independente que andam acontecendo no Brasil?</p>
<p>O que acontece no Brasil hoje é o maior exemplo de organização coletiva em torno da música no mundo. A interligação que aconteceu entre os festivais, a criação da Abrafin e do Circuito Fora do Eixo, da qual fizemos parte,  são a prova disso. Os festivas são responsáveis pela circulação e revelação de muitos artistas e são o contraponto à indústria tradicional. Hoje, os festivais têm respaldo do poder público, tanto que a Funarte vai destinar a verba do Projeto Pixinguinha para a Abrafin, ano que vem. Isso tudo são avanços no sentido de integrar e conectar quem produz música independente no país. Contudo, esse processo todo é feito por pessoas e muitas vezes as decisões profissionais têm uma ressonância pessoal muito forte nesse meio. O que acaba gerando muitas distorções. Quando saímos do Acre, fomos duramente criticados pelo circuito e, depois, quando rompemos com o selo do qual fazíamos parte, também fomos taxados de traidores e de umbiguistas. Fizemos a opção pela música e não dá pra aceitar que ninguém chegue no Acre e diga que não somos referência de nada lá depois de tudo que a gente fez no Acre, pela cena e pelo Festival Varadouro. Uma coisa é certa: nem todos os sonhos cabem em planilhas.<br />
<a href="http://www.sambapunk.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Los-Porongas_Mais-Massa_coletivo-em-Sampa_reduzida.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-1572" title="Juntos, em SP, Porongas e outras cabeças formaram uma espécie de coletivo, o Mais Massa" src="http://www.sambapunk.com.br/wp-content/uploads/2010/04/Los-Porongas_Mais-Massa_coletivo-em-Sampa_reduzida.jpg" alt="" width="399" height="300" /></a></p>
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		<title>Punk chileno</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Mar 2010 14:17:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adilson Pereira</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Alvaro España estava de passagem pelo Rio quando esbarrou com &#8220;Sambapunk&#8221;. Cantor da banda punk chilena Fiskales Ad-Hok, ele falou entre outras coisas sobre as mudanças que vem percebendo no público, ao longo de 23 anos de estrada. Antigo simpatizante da extrema-esquerda, España acredita hoje que o punk é só uma forma de viver: &#8220;Não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Alvaro España estava de passagem pelo Rio quando esbarrou com &#8220;Sambapunk&#8221;. Cantor da banda punk chilena Fiskales Ad-Hok, ele falou entre outras coisas sobre as mudanças que vem percebendo no público, ao longo de 23 anos de estrada. Antigo simpatizante da extrema-esquerda, España acredita hoje que o punk é só uma forma de viver: &#8220;Não é um movimento político.&#8221;</p>
<p>Diz ele que, no Chile, na época da ditadura, canção de protesto era coisa de hippie. &#8220;Não gostávamos muito do hippismo, mas acreditávamos que podíamos criticar o Governo.&#8221; Entre os punks daqui que ele conhece estão Ratos de Porão, Olho Seco e Garotos Podres. Só neguinho das antigas&#8230;</p>
<p>Saca as histórias do España:</p>
<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/BR0DPC2K13Y&#038;hl=pt&#038;fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/BR0DPC2K13Y&#038;hl=pt&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/tH6SVydB68U&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/tH6SVydB68U&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Q6hVfCqblZQ&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/Q6hVfCqblZQ&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/XjjUPGGmR1w&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/XjjUPGGmR1w&#038;hl=pt_BR&#038;fs=1&#038;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
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		<title>Bela cena, Aracaju (VI)</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Jan 2010 11:15:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adilson Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado/Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Pingue-pongue]]></category>

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		<description><![CDATA[Há algo de &#8220;romântico&#8221;, na cena de Aracaju. As pessoas [do mundo da música (independente)] parecem conhecer-se &#8220;intimamente&#8221;. Não exatamente como numa cidade interiorana-padrão-de-novela, porque neguinho não parece estar na janela a fazer fofoca. As pessoas declaram estar tocando, tentando amadurecer (junto com) o trabalho que surge disso e &#8211; o que é melhor &#8211; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há algo de &#8220;romântico&#8221;, na cena de Aracaju. As pessoas [do mundo da música (independente)] parecem conhecer-se &#8220;intimamente&#8221;. Não exatamente como numa cidade interiorana-padrão-de-novela, porque neguinho não parece estar na janela a fazer fofoca. As pessoas declaram estar tocando, tentando amadurecer (junto com) o trabalho que surge disso e &#8211; o que é melhor &#8211; elas estão pensando e discutindo, buscando alternativas.  Com o jogo assim, algumas cabeças de Aracaju foram convidadas a falar sobre a cena que vivem: Rafael Jr, baterista de três bandas de Aracaju (Snooze, Ferraro Trio e Maria Scombona). Na Scombona, é colega de outro participante desse pingue-pongue, o Henrique Teles, vocal da banda. Completa o time Adelvan Barbosa, apresentador do &#8220;Programa de Rock&#8221;, da FM Aperipê (SE).</p>
<p><strong>Como essa cena pode crescer ainda mais?</strong></p>
<p>Rafael Jr: Bandas na garagem e fazendo som sempre existiram em todo canto do mundo (não é diferente por aqui), mas eu sempre acreditei que &#8220;cena&#8221; abrange não só jovens<br />
fazendo música, mas um conjunto de atividades que inclui selos, produtores, mídia especializada, casas de show e festivais&#8230; Aqui, sempre faltaram elos nessa corrente: nunca tivemos um selo atuante (nem na época do CD e nem agora, virtualmente), os bons festivais não tiveram continuidade, os produtores profissionais não atuam no mercado independente/autoral, os espaços para shows são escassos, entre outros problemas nessa cadeia. Pra mim, o que falta pra crescer é esta cadeia estar completa! Todas as conquistas partiram de atitudes das próprias bandas, muitas vezes correndo atrás tateando, no feeling, sem muito conhecimento de como as coisas funcionam no meio independente.</p>
<p>Adelvan Barbosa: Tornando-se mais visível, nacionalmente. Com relação à cena independente, especialmente do rock, acho que o caminho é se integrar a esse circuito de festivais que tá rolando por todo o Brasil. E isso, a meu ver, depende quase que exclusivamente da atitude das bandas, de meter as caras e sair fora, porque se se contentar em ficar tocando só por aqui mesmo, todo sábado no Capitão Cook, o desânimo vai bater, inevitavelmente. Algumas bandas estão se mobilizando neste sentido e pelo menos duas, a Plástico Lunar e a The Baggios, têm colhido frutos, sendo escaladas para eventos importantes, como o Festival DoSol, em Natal, as Feiras de Musica de Fortaleza e do Recife, o Festival Psicodália, em SC, e por aí vai. Um passo importante nesse sentido foi uma miniturnê chamada &#8220;Invasão Sergipana&#8221;, na qual três bandas &#8211; Baggios, Daysleepers e Elisa &#8211; fizeram pelo Nordeste, ano passado. Outras já têm mais sorte e são apadrinhadas pelo poder público, chegando ao requinte de fazer turnê na Europa, regularmente, mas as que não têm essa &#8220;sorte&#8221; precisam meter as caras mesmo, não se acomodar. &#8220;Pedras que rolam não criam limo.&#8221;</p>
<p>Henrique Teles: Pra mim, duas coisas: primeiro, uma melhor utilização da cadeia produtiva local, incluindo aí as mídias para repercussão do que é produzido. Segundo, uma participação mais útil e sutil do Estado no fomento à produção. Assim como a agricultura hoje pensa nos pequenos e médios produtores como grandes parceiros, o Estado não pode imaginar que vai salvar a fome de arte/cultura/entretenimento somente com grandes hortas sazonais. E no varejo? E o resto do ano? No dia-a-dia? Quanta ideia boa de pequenos festivais, pequenos projetos de livre iniciativa estão aí precisando apenas de um empurrãozinho para acontecer!? Música instrumental, forró, chorinho, hardcore e hip-hop se faz todo dia por todos os cantos, não é?</p>
<p><strong>Como o poder público pode ajudar? Com festivais como o Verão Sergipe, por exemplo?</strong></p>
<p>Rafael: Acho que apoiando festivais independentes. O problema é que não chegam projetos decentes dessa natureza aos gabinetes das secretarias. O papel do Estado não é financiar empreitadas individuais, e sim dar suporte macro no desenvolvimento da cadeia produtiva que falei antes. Pensar na coletividade da cena e suas particularidades, o que já é algo bem complexo e exige gente com conhecimento específico. O Verão Sergipe é para as massas, e com bandas consagradas, mas tem o palco menor onde artistas independentes locais, selecionados através de edital público, têm oportunidade de mostrar o trabalho para um público maior. Muito legal.</p>
<p>Adelvan: Festivais como o Verão Sergipe ajudariam muito mais se se preocupassem com uma maior variedade nas atrações locais. De uns tempos pra cá, o que vem acontecendo é que são sempre as mesmas três ou quatro bandas em todos os eventos do Governo, o que dá margem para as velhas acusações de &#8220;panelinha&#8221;, que nem sempre são infundadas. O Verão Sergipe é a versão estadual de um projeto da prefeitura de Aracaju, o Projeto Verão, que acontece agora em fevereiro e este ano se redimiu e fez uma escalação bem mais diversificada de atrações locais no palco principal. Acho isso muito bom, dá visibilidade às bandas, dá a elas a oportunidade de tocar para um público bem maior que, de outra forma, não as conheceria, já que nem todo mundo tem essa atitude de procurar saber o que anda rolando no circuito alternativo da cidade.</p>
<p>Henrique: Grandes eventos são grandes vitrines. Feliz de quem tem o reconhecimento &#8211; ou coiteiro &#8211; e é convidado. Este ano tivemos concurso prévio para ver quem faria shows nos palcos menores. Que ideia legal, não é? Um edital, uma comissão julgadora e os critérios criados. Já vejo diferente isto, pois se o Estado se aproximar mais das produções de livre iniciativa (aquelas do varejo!), já poderá definir daí quem vai para a vitrine dos grandes eventos. Outra coisa boa, que há um bom tempo eu já falo: aproveitar a passagem de bons técnicos aqui, e promover oficinas, capacitação técnica, troca de experiências&#8230; isto tudo faz parte da atuação do Estado, que é quem usa nosso dinheiro pra pagar cachês tão bons ao artistas e técnicos que vêm aos grandes eventos. Indiretamente, pagamos muito caro por isto.<br />
Outra coisa: o Estado quando incentiva a livre inciativa de produção está ajudando a educar as pessoas a pagarem &#8211; diretamente &#8211; para assistir a um espetáculo; mesmo que seja baratinho, é bom que seja pago. É bom que as pessoas saibam que direta ou indiretamente estão pagando para ter aquilo, e que vale a pena pagar. Consciência.</p>
<p><strong>De que tamanho é a cena musical independente, em Aracaju? Como é ela em relação ao restante do Nordeste? E em relação ao Brasil?</strong></p>
<p>Rafael: É pequena e ainda tímida, mas nos últimos anos tem tomado corpo. A qualidade dos discos tem melhorado, as bandas têm tocado mais em festivais fora do estado e se preocupado com auto-produção independente. A galera tá preocupada em aprender como é que se faz a parada direitinho, sabe? Mas acho que ainda não fomos, por assim dizer, &#8220;descobertos&#8221;&#8230; Mas jornalistas mais antenados, que não esperam que os outros colegas todos falem primeiro, já nos enxergam, hehehe&#8230; O Nordeste nos conhece mais que o restante do país, pela própria proximidade das cidades e por conta de coletivos como a lista de discussão Nordeste Independente.</p>
<p>Adelvan: Cara, o tamanho varia. É como disse numa resposta anterior, o público é muito volúvel. Na primeira metade dos anos 2000, tivemos um crescimento impressionante, muita gente ia aos shows e festivais importantes surgiram e cresceram. Começou com o Rock-SE, em 1998, que deu prejuízo e só teve mais uma edição, no ano seguinte. Nos anos 2000, surgiu o Punka, um festival que começou como uma festa particular e cresceu de forma espantosa, tendo várias edições com atrações de peso nacional, como Autoramas, Jason, Torture Squad, Retrofoguetes, Brincando de Deus, Nitrominds e Los Hermanos. Mas parece que há um muro invisível, um pico, e daí não passa; as coisas crescem, mas não se consolidam, como um Abril Pro Rock ou um Goiânia Noise da vida. Com o metal, acontece a mesma coisa: picos de público seguidos de uma longa ressaca. No momento, estamos numa dessas ressacas, muito embora, mesmo de forma capenga e desestruturada, coisas surpreedentes ainda aconteçam, como o show do Master, banda de death metal histórica norte-americana. E especialmente a Sessão Notívagos, que vem acontecendo regularmente no Cinemark do Shopping Jardins e consiste na exibição de um filme seguida da apresentação de uma banda no saguão do cinema. Já aconteceram noites memoráveis nesta sessão, como as dobradinhas &#8220;Lóki&#8221;(documentário sobre Arnaldo Baptista) com apresentação da Plástico Lunar e &#8220;Guidable&#8221; (documentário sobre o Ratos de Porão) com um show da Karne Krua &#8211; que é, por sinal, a banda punk/hardcore mais antiga em atividade em todo o nordeste. O rock é teimoso.</p>
<p>Henrique: Descobri nesses anos todos que toda cena é dependente. Depende de dinheiro, depende de paixão, idealismo, know-how&#8230;  A cena aqui em Aracaju vai surpreender muita gente do eixão quando resolverem contabilizar o que temos realizado. Tem muita gente boa, rapaz; muita gente boa. Precisamos somente formar público para estes talentos, sermos nossos principais consumidores. Não somos melhores que ninguém, nem maiores. Apenas somos mais sergipanos que qualquer outro, né?! The Baggios, Karne Krua, Snooze, Ivan Reis, Patrícia Polayne, Maria Scombona, Naurêa, Plástico Lunar, Thiago Ribeiro, estamos aí pra dar conteúdo a qualquer iniciativa de produção.</p>
<p><strong>É possível um cidadão sobreviver em Aracaju como músico independente? Você atua em várias bandas. Como é possível conciliar tudo isso?</strong></p>
<p>Rafael: Eu vivo só de música, mas acho que sou uma exceção à regra geral (há outras exceções, claro). Dedicar-se a apenas uma banda independente aqui não dá, definitivamente! Acompanho vários artistas, gravo em estúdio, dou aula, alugo bateria, me viro. A vantagem é que sou da Banda do Corpo de Bombeiros, há 7 anos (antes tinha sido da Orquestra Sinfônica, durante 8 anos), então isso dá tranquilidade pra trabalhar com o que gosto e fazendo o tipo de música que me dá prazer.</p>
<p>Adelvan: Sobreviver EXCLUSIVAMENTE com música independente acho impossível. Cronicamente inviável, pra citar um filme sensacional. Não conheço nenhum caso&#8230; sei de gente que vive de música, mas se desdobrando em mil, como o incansável Rafael, baterista da Snooze, mas ele não vive de música independente exclusivamente, não, toca até na banda do Corpo de Bombeiros.</p>
<p>Henrique: É possível, sim, mas como em qualquer profissão há um mercado e uma disputa por espaço. Sou o único na Maria Scombona que não vive exclusivamente de música.</p>
<p><strong>No que diz respeito à atividade de músico (ou à sua relação com a música), o que ela significa para você? É trabalho? É hobby? É paixão?</strong></p>
<p>Rafael: É tudo isso junto, vivo música intensamente, 24 horas por dia, há pelo menos 15 anos. A Snooze não me dá retorno financeiro, a banda apenas se paga (não desembolsamos mais pra gravar os discos), mas não abro mão de desenvolver esse trampo. É como uma válvula de escape. Trabalhar com Fabinho é ótimo, ele é tranquilo e um ótimo músico. Na Snooze, temos afinidade e sintonia, já pra outros trabalhos não sei se daria tão certo.</p>
<p>Adelvan: É hobby e é paixão, única e exclusivamente. Só resvalou no trabalho quando assumi a loja que foi fundada ainda nos anos 80 por Silvio da Karne Krua, a Lókaos, que ficou sob minha administração de junho de 1995 a fevereiro de 1997 (a primeira falência a gente nunca esquece). Foi uma experiência bonita e intensa, mas infelizmente não deu certo. Também ajudei a produzir muito show, mas invariavelmente tomava prejuízo. Fazia por amor mesmo, mas ninguém aguenta ficar perdendo dinheiro a vida inteira, né!? Hoje, estou bem relax, faço o que posso sem me preocupar em ser o &#8220;salvador da pátria&#8221;. &#8220;O Programa de Rock&#8221; mesmo faço sem nenhum estresse, de forma voluntária, não ganho nada mas também não gasto (praticamente) nada. É divertido de fazer. Se não fosse, não faria, nem a pau. Diversão levada a sério. Descobri que, como disse, o rock é teimoso, e por mais que você ache que se você não fizer nada ninguém mais vai fazer (houve um tempo que eu achava isso, sério), sempre tem algum maluco disposto a meter as caras. Pra ficar bem chique, vou citar uma frase de Nietsche: &#8220;Sem música, a vida seria um erro.&#8221;</p>
<p>Henrique: A minha atividade de músico é essencial. Sou compositor. Leio minha realidade, e disso faço música. Sem ela, teria que encontrar um outro grande motivo para existir.</p>
<p><strong>Como, na sua opinião, Aracaju dialoga &#8211; musicalmente &#8211; com o restante do país? Música, para vocês, é produto de exportação? Ou de importação?</strong></p>
<p>Rafael: Música não tem fronteira ou língua, e pra uma banda se expandir, evoluir e criar mercado, tem que sair da sua área. Mas também não acredito muito numa banda que não tem público e respeito localmente e quer conquistar o resto do país&#8230; Nêgo fica reclamando de Aracaju ao invés de fazer sua parte para as coisas melhorarem por aqui, sabe, acho isso bobagem porque é difícil desenvolver uma carreira em qualquer lugar. Eu me amarro nessa cidade, amo mesmo, mas também não fecho os olhos para os problemas locais. Só que tento fazer algo pra melhorar a cena em que eu mesmo atuo. É algo meio lógico, né? Só quero condições melhores de trabalho, pô!</p>
<p>Adelvan Música aqui ainda não é produto de exportação não, mas pode vir a ser. Algumas bandas têm muito potencial para isso, como a Plástico Lunar e a The Baggios, e outras em nichos bem específicos do punk/hardcore e do metal. A Karne Krua mesmo, por sua historia, é bastante conhecida, nacionalmente. Mas acho que Aracaju, lamentavelmente, dialoga pouco com o restante do país. Estamos fora até do circuito Fora do Eixo, veja só. Mas esta situação tende a mudar. Quem viver verá.</p>
<p>Henrique: Importamos muito, mas somos muito diferentes, até mesmo dos outros nordestinos. Portanto, temos perfil para exportação, sim. O desafio diante de tanta importação é manter uma identidade coerente com a história do nosso povo, com uma influência linda, por exemplo, da língua falada no norte de Portugal e na Galícia (Espanha), que deixa nossa fala com tantos traços marcantes, como o otcho, mutcho, primero, cantero, bassoura. Isso é bonito, rapaz! E o produto? (risos) Estamos o tempo inteiro recebendo, e se produzimos algo com isto da nossa maneira, melhor ainda. Eu falo num produto reprocessado, antropociclado (?) mesmo. Vem de fora, cai no nosso moedor e sai de outro jeito. Assim se dá&#8230;</p>
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		<title>Lettuce</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Sep 2009 03:38:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Velasco</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/rFIDWOj524M&#038;hl=pt&#038;fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/rFIDWOj524M&#038;hl=pt&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
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		<title>Diogo Tirado entrevista Big Trep</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Sep 2009 01:13:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaboração especial</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Diogo Tirado

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			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Diogo Tirado</strong></p>
<p><object width="425" height="344" data="http://www.youtube.com/v/8WI07atZMlw&amp;hl=pt&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/8WI07atZMlw&amp;hl=pt&amp;fs=1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /></object></p>
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		<title>O segundo da série: Papo No Palco _ Luisa Mandou Um Beijo</title>
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		<pubDate>Sun, 30 Aug 2009 05:42:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Tiago Velasco</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Pingue-pongue]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/g2Yo5dzF0uk&#038;hl=pt&#038;fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/g2Yo5dzF0uk&#038;hl=pt&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
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		<title>O primeiro da série</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Aug 2009 23:48:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adilson Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Pingue-pongue]]></category>
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		<description><![CDATA[O que vem por aí? Tiago Velasco entrevistando Luisa Mandou um Beijo e Lettuce. Diogo Tirado entrevistando a Big Trep.

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			<content:encoded><![CDATA[<p>O que vem por aí? Tiago Velasco entrevistando Luisa Mandou um Beijo e Lettuce. Diogo Tirado entrevistando a Big Trep.<br />
<object width="425" height="344"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/U6V--AD_d9g&#038;hl=pt&#038;fs=1"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/U6V--AD_d9g&#038;hl=pt&#038;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"></embed></object></p>
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		<title>Joseph K?: A periferia e os downloads</title>
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		<pubDate>Tue, 19 May 2009 04:39:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Colaboração especial</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mercado/Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
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		<description><![CDATA[Felipe Gurgel
Ainda aos poucos, é verdade, o circuito independente percebe que a periferia das grandes cidades traz um público interessado. A fim de conhecer o novo. Para o trio Joseph K?, de Fortaleza (CE), isso é foco. O vocalista e líder do grupo, Talles Lucena, defende que essa galera ainda &#8220;sabe ser público&#8221;, como define [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Felipe Gurgel</strong></p>
<p>Ainda aos poucos, é verdade, o circuito independente percebe que a periferia das grandes cidades traz um público interessado. A fim de conhecer o novo. Para o trio Joseph K?, de Fortaleza (CE), isso é foco. O vocalista e líder do grupo, Talles Lucena, defende que essa galera ainda &#8220;sabe ser público&#8221;, como define na entrevista abaixo. Ele mantém o selo Panela Discos e traz, em maioria no seu cast, bandas da periferia da capital cearense.<br />
 <br />
O rumo do selo traz um dado interessante: a maioria dos lançamentos é totalmente virtual, apostando na proliferação de lan houses pelos bairros periféricos de Fortaleza. Com a própria banda, Talles não faz diferente. O Joseph K? lança seu segundo álbum virtual, “The full time rockers club”, no site do próprio selo: <a href="http://www.paneladiscos.com">www.paneladiscos.com</a>. São dez faixas de puro &#8220;rockão&#8221;, como já é comum chamarmos, entre rodas de conversa, o estilo mais clássico e direto do rock´n´roll. As músicas estão disponíveis para baixar desde 16 maio.<br />
 <br />
<img class="aligncenter size-full wp-image-911" title="Joseph K / Foto de Divulgação" src="http://www.sambapunk.com.br/wp-content/uploads/2009/05/joseph-k_divulgacao-web.jpg" alt="Joseph K / Foto de Divulgação" width="400" height="268" /></p>
<p>Sambapunk: O Joseph K? já fez um monte de coisa desde que o trabalho de vocês começou a ser notado em Fortaleza: show acústico, passou pelos principais festivais, palcos do centro e periferia. De onde vem tanto estímulo para ser pró-ativo?</p>
<p>Talles Lucena: A gente ama o que faz. E, apesar das adversidades, fazemos com orgulho. Onde estiver alguém que ainda não tenha nos escutado, ou que já nos conhece e tem dificuldades em nos ver, nós iremos também. Os shows pela periferia surgiram dessa necessidade, o formato acústico, também; de certa forma. Temos público hoje em dia para ambos os formatos: pessoas que adoram o normal, elétrico, e outras que adoram o acústico. A gente trabalha com música, realmente.</p>
<p>Sambapunk: Vocês fazem parte do Panela Discos, que hoje talvez seja o único selo que trabalha com a periferia de Fortaleza. Ao mesmo tempo que a banda lança os álbuns virtualmente, com poucas cópias físicas. Isso não pode ser interpretado como uma contradição? Já que o suporte virtual ainda não atende bem todos os perfis de público?</p>
<p>Talles Lucena: Não se trata de contradição, mas sim adequação às nossas necessidades. Desde que vi estudos sobre o número de lan houses na periferia de Fortaleza, fiquei impressionado com o tamanho das nossas possibilidades. Acho contraditório vender um produto para quem já tem suas dificuldades diárias: o mínimo que podemos fazer é distribuí-lo livremente na net. As bandas que trabalham conosco, no Panela Discos, tem um instinto de coletividade grande e natural. Não nos reunimos para pensar isso, apenas sabemos que se trata de algo bem importante.</p>
<p>Sambapunk: Ainda na periferia, quais os maiores trunfos de se trabalhar um selo focado nesse segmento da cena, hoje? Talvez a instabilidade do centro mais elitizado (Praia de Iracema e adjacências)?</p>
<p>Talles Lucena: O maior trunfo é saber que tem gente muito boa fora dos circuitos (se é que Fortaleza tem um) já batidos do perímetro Praia de Iracema-Aldeota-Dragão do Mar. A gente não tem cena, essa é a verdade. Somos segmentados. Acho que se não fosse pelo nosso trabalho do Panela, Fortaleza não teria acesso a algumas bandas que eu julgo importantes daqui, porque são marca registrada de regiões da cidade também, como Bonecas da Barra (Barra do Ceará) e o The Good Gardem &#8211; com &#8220;m&#8221; mesmo (Bom Jardim).</p>
<p>Sambapunk: E para o Joseph K?, o investimento na periferia trouxe retorno? Onde está o público da banda hoje?</p>
<p>Talles Lucena: Como bom produto do pop, nosso público está em todos os cantos e em lugar  nenhum. Mas temos fiéis seguidores, sim; poucos, mas significativos. Todo show na periferia é festa, maravilhoso. Acho que em poucos lugares de Fortaleza as pessoas sabem tanto ser público como lá. Em geral, as pessoas vão para os shows pra ficarem tecendo críticas, ou completamente alheios às pessoas no palco. Na periferia, não.</p>
<p>Sambapunk: O que ainda falta a banda fazer em Fortaleza?</p>
<p>Talles Lucena: Em termos de planejamento, queremos ainda gravar CD e DVD ao vivo. A curto prazo, seria lindo se a gente ganhasse um real por cada coisa que fazemos.</p>
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		<title>Toscos, mas limpinhos</title>
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		<pubDate>Tue, 12 May 2009 03:47:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adilson Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mercado/Negócios]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Pingue-pongue]]></category>

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		<description><![CDATA[
Três caras que gostam de vinis se juntaram para montar um selo e estão colocando na praça, agora, seu primeiro lançamento: “Fuck the pro-tools”, um sete polegadas da Banda de Blues de Joe Strume. Foram prensadas na Inglaterra 200 unidades que, aos poucos, estão vindo do outro lado do Atlântico pelo correio. Os rapazes descartaram [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-882" title="Tosco: estilo" src="http://www.sambapunk.com.br/wp-content/uploads/2009/05/toscostyle-reduzida.jpg" alt="Tosco: estilo" width="384" height="288" /></p>
<p>Três caras que gostam de vinis se juntaram para montar um selo e estão colocando na praça, agora, seu primeiro lançamento: “Fuck the pro-tools”, um sete polegadas da Banda de Blues de Joe Strume. Foram prensadas na Inglaterra 200 unidades que, aos poucos, estão vindo do outro lado do Atlântico pelo correio. Os rapazes descartaram a possibilidade de usar um navio como meio de transporte porque seis meses de viagem (a previsão era essa) poderiam comprometer a “saúde” do produto.</p>
<p>A bolachinha é a número um do catálogo da Tosco Brasil, selo através do qual pretendem disponibilizar também cassetes e outros lances. Na capinha, um adesivo – tipo etiqueta de preço, com contorno vermelho – informa: “Puro”. “Cachaça pura, rapadura pura e rock puro, sem conservantes”, brinca Igor Ribeiro, um cidadão do Rio de Janeiro que hoje em dia agita as noites em Belém do Pará. O goiano Maurício Mota completa: “O Joe, na ultima vez em que fui a Uberlândia, me apresentou uma ótima rapadura vinda de uma cidadezinha próxima. Nela, tinha uma etiqueta igual. Achei genial e copiei a idéia. Afinal, nosso produto também é puro: pode ser consumido, sem medo.”</p>
<p>Joe Strume, de Uberlândia, capitão do primeiro lançamento, completa o time. Na hora de fazer as contas, é com ele. “O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco”, compara Strume, referindo-se à última fábrica de vinis do país, localizada na Baixada Fluminense. Talvez por isso ele não esquente a cabeça com o abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe envolvendo a fábrica no Rio.</p>
<p>Os três foram se encontrando aos poucos, em festivais, trocando cartas e e-mails. Igor Ribeiro destaca: “Quando conheci o Joe, ele estava vendendo vinis da sua coleção pessoal para juntar grana e lançar o compacto. Daí, ficamos um bom tempo sem conversar e quando retomamos a correspondência ele disse que já tinha entrado em contato com o Maurício e tal.” Maurício completa, meio distraído: “Coincidências da vida. A banda é que escolheu a gente. Eu acho. Foi?” Confira o pingue-pongue:</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-883" title="Tosco: o primeiro sete polegadas" src="http://www.sambapunk.com.br/wp-content/uploads/2009/05/tosco_7polegadas-reduzida.jpg" alt="Tosco: o primeiro sete polegadas" /></p>
<p>Sambapunk – Como surgiu a idéia de criar um selo para lançar vinis?<br />
Igor Ribeiro – Não era um selo para vinis. Na verdade, a idéia sempre foi ser uma parada de vender e fazer o que desse vontade&#8230; Vinis, K7s, camisetas, pedais de guitarra feitos em latas de sardinha&#8230;<br />
Maurício Mota – Não era para lançar vinis. Não era esse o foco. Só pra você ver como são as coisas: nosso primeiro catálogo tinha uns CDRs, uma coletânea K7 pirata dos reggaes do The Clash que montei – e não vendeu sequer uma cópia – e até um relógio para deficientes visuais usado.  Ou seja, nosso catálogo tem “coisas”. Às vezes, é música.<br />
 <br />
Sambapunk – A Monstro Discos serviu de inspiração para vocês? Imagino que conheçam vários outros selos, pelo mundo, que lançam coisas neste formato.<br />
Igor Ribeiro – Não para mim. Curto os compactos lançados por eles, mas, sei lá, acho que perderam tempo lançando CDs de bandas chatas pra cacete tipo esse Violins e perderam o foco de ter “os compactos mais chiques do Brasil”&#8230; puta banda chata, essa Violins. Os selos que eu gosto são In The Red Records, Estrus, Touch and Go, Get Hip, Bomp!, Crypt, Ipecac, Alternative Tentacles, SST e mais uma pá. E tenho que concordar que vez ou outra esses também lançam artistas descartáveis.<br />
 <br />
Sambapunk – Em que selo(s) ou artista(s) vocês se inspiraram?<br />
Igor Ribeiro – Sub Pop e Trama&#8230; HAHAHAHAHAHAHAHA&#8230;<br />
Maurício Mota – Não sei, sinceramente. Em nenhum, acho, pois o lance da Tosco Brasil é bem particular. Volátil, até.<br />
 <br />
Sambapunk – A Tosco concorre com a Monstro Discos ou serão empresas parceiras?<br />
Igor Ribeiro – Não somos concorrentes, não. Se juntar nossas contas bancárias, não dá o salário do Fabrício (Nobre, um dos donos da Monstro); é desleal.<br />
Maurício Mota – Sei lá. Meio sem sentido, isso. Pense bem: que empresa iria querer a gente como parceiros?? Três vagabundos sonhadores. Esqueça.<br />
 </p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-884" title="Tosca: Banda De Blues De Joe Strume" src="http://www.sambapunk.com.br/wp-content/uploads/2009/05/tosco_banda-de-blues-joe-s-reduzida.jpg" alt="Tosca: Banda De Blues De Joe Strume" width="397" height="427" /><br />
Sambapunk – Qual é o objetivo principal por trás da criação da Tosco Brasil?<br />
Igor Ribeiro – Diversão e amor por vinis e fitas k7. CD não rola, cara; de verdade.<br />
Maurício Mota – Sou de uma época de trocas de zines, demos, cartas via carteiro. Então, tento hoje manter isso sempre próximo. A Tosco Brasil é basicamente isso. Relacionamento via carteiro. A gente desenvolve um trabalho desorganizado e lento em função das coisas que achamos bacanas e depois suamos um pouco pra levar estas coisas a um público mais abrangente e que também gosta deste universo.<br />
 <br />
Sambapunk – De onde são os clientes/compradores de vocês?<br />
Igor Ribeiro – Boa pergunta, essa. Mandei pra uns amigos que realmente entendem o espírito “rock cru”, sabe ? Brasil e gringolândia. Ah, eu queria mandar um pra dona da Daslu!!<br />
Maurício Mota – Ainda não sabemos. Toda sorte de gente. O mundo inteiro. Como utilizamos o Ebay e o Mercado Livre pra divulgar e vender os lances da Tosco Brasil, estamos abertos a todo tipo de cliente. Qualquer pessoa, pois não temos a barreira da língua. Confiamos cegamente no Google Translate pra nos comunicarmos com o planeta inteiro, via email e carta.<br />
 <br />
Sambapunk – Fazer um disquinho na Inglaterra não fica muito caro?<br />
Igor Ribeiro – Agora eu não lembro dos valores, mas sei que ficou viável.<br />
Maurício Mota – Até que não.  O Joe Strume pode colocar isto para você na ponta do lápis. Eu nem lembro quanto ficou tudo.<br />
Joe Strume – Sugiro que pensemos na relação custo-benefício. O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco. Acho que a questão essencial é a qualidade do “corte” feito na Inglaterra, uma vez que lá nunca se parou de fazer vinil e, portanto, os maquinários estão OK. Sabemos que o “corte” da PolySom apresentava problemas, como o desaparecimento de freqüências graves, devido às deficiências do aparato que tinham para prensar os vinis. Assim, quando a PolySom devolveu nosso material e disse que não poderia fazer nosso disco, vi como uma espécie de “há males que vêm para bem”. Porque foi depois deste “não” que procuramos a prensa inglesa.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-885" title="Tosco: catálogo" src="http://www.sambapunk.com.br/wp-content/uploads/2009/05/tosco_catalogo-reduzido.jpg" alt="Tosco: catálogo" width="397" height="356" /></p>
<p>Sambapunk – Tive informações de que a prensagem pode ser até “barata”, mas o problema é transporte/remessa do material&#8230; É isso mesmo?<br />
Igor Ribeiro – Postagem é um problemão. Tem prensas lá fora que não fazem o serviço porque a postagem para o Brasil é cara.<br />
Maurício Mota – O Joe negociou tudo.<br />
Joe Strume – Isso que você diz procede. A questão do transporte é complicada e, em nosso caso, foi e está sendo ainda mais complicado. Não recebemos todos os discos, uma vez que não temos como buscar pessoalmente e, assim, dependemos do transporte via correio. O envio por navio (surface) é mais em conta, mas demora muito (até seis meses) e ainda corre-se o risco de o material chegar danificado, devido ao longo tempo de viagem.</p>
<p>Sambapunk – Vocês pensaram muito antes de começarem com a Tosco Brasil?<br />
Igor Ribeiro – Na verdade, fui convidado a entrar na Tosco Brasil pelo Maurício. Não pensei muito, não.<br />
Maurício Mota – É claro que não.<br />
Joe Strume – Bem&#8230; Na verdade, acho que foi a Banda de Blues de Joe Strume que escolheu a Tosco Brasil para fazer este lançamento.<br />
E esta escolha se deu muito antes de gravarmos com a produção do Maurício. Acho que tudo começou no fim de 2005, quando o Maurício veio tocar em Uberlândia com sua antiga banda (Hang The Superstars). Nesta ocasião, eu e o Rogério Matador, o baterista da Banda de Blues de Joe Strume, fomos até a banquinha onde o Mauricio estava e falamos sobre sons toscos&#8230; Eu estava usando uma camiseta verde do Cramps e acho que isso foi importante como “cartão de visitas” Heheheh&#8230; Daí, em janeiro de 2007, telefonei pro Mauricio e pedi que produzisse a banda. Quando ele aceitou nosso convite, creio que a Tosco Brasil passou a fazer parte da coisa.<br />
 <br />
Sambapunk – O que pesava mais contra a decisão, isto é, qual é a maior dificuldade para manter um empreendimento como este?<br />
Igor Ribeiro – Empreendimento ? Uau, obrigado. Vou acender um cubano aqui com uma nota de 50.<br />
Maurício Mota – Não tem muita dificuldade. Como não há prazos a cumprir, a gente vai levando sem estresse, para os cabelos não caírem.</p>
<p>Sambapunk – E o que mais pesou/pesa a favor?<br />
Igor Ribeiro – O que mais pesa a favor é diversão, conhecer gente nova e ganhar discos.<br />
Maurício Mota – Ver um plano que antes parecia uma piada dar certo. Não tem preço. Igual a este compacto que estamos lançando agora. A coisa mais espetacular feita no rock, hoje, no Brasil. Não existe similar. A preocupação agora é onde esconder da receita o tanto de dinheiro que vamos ganhar. Odiamos impostos.<br />
 <br />
Sambapunk – Por que este lema, “Fuck the pro-tools”?<br />
Igor Ribeiro – O rock de verdade está morrendo, cara. Quando uma banda de “rock” grava na mesma qualidade de Maria Rita ou Charlie Brown Jr e é produzida pelo Rick Bonadio, o rock não tem mais sentido. Pro-tools sucks!<br />
Maurício Mota – É uma piada com estes programas de gravação que tiraram a graça de gravar roquenrol. Se adotássemos neste caso o meio contemporâneo de gravação, não teríamos escutado nem um quinto dos sons e experiências fantásticas que rolaram durante o processo de gravação na casa do Joe. Microfone dentro de balde, cachorro latindo, cerveja e cigarro para todos os lados, voz no banheiro. Não havia regras. Escutávamos um disco e tentávamos reproduzir, na unha, aquele som. E outra, o compacto foi todo feito dentro de uma fita k7. Nada mais justo do que dar este título ao compacto.</p>
<p>Sambapunk – Como será a estratégia de trabalho de vocês?<br />
Igor Ribeiro – Enviar para selos, bandas e amigos.<br />
Maurício Mota – Estamos ainda pensando&#8230;</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-886" title="Tosco: amor pelos animais" src="http://www.sambapunk.com.br/wp-content/uploads/2009/05/tosco-james-reduzida.jpg" alt="Tosco: amor pelos animais" width="384" height="512" /><br />
Sambapunk – Qual foi o investimento necessário para este primeiro lançamento acontecer?<br />
Igor Ribeiro – Algum dinheiro e paciência, muita paciência.<br />
 <br />
Sambapunk – Quais são as funções de cada um de vocês, na Tosco Brasil?<br />
Igor Ribeiro – Faço algumas traduções, ilustrações e discordo de tudo que Elmiro e Maurício planejam.<br />
Maurício Mota – Eu sou o mais velho. O Igor é o mais disperso. O Elmiro é o mais louco. Dentro disso, vamos revezando entre ter idéias, desenhá-las, desenvolvê-las e lançá-las.</p>
<p>Sambapunk – Paixão é fundamental para conseguir dar vida a um projeto como este?<br />
Igor Ribeiro – Sim, sim.<br />
Maurício Mota – Sim. E um pouco de irresponsabilidade também, pois mexemos com um tipo de comércio em que poucos ainda entendem o nosso approach.</p>
<p>Sambapunk – Vocês não vão montar nem mesmo um blog da Tosco Brasil?<br />
Igor Ribeiro – Eu não daria conta. Já tocamos o “Rock de plástico”. Aliás, essa semana tem uma bela matéria sobre os paulistanos do Sell Outs que são mais conhecidos na gringa que em seu país natal.<br />
Maurício Mota – Pra quê? Temos um blog, já&#8230; Eu não daria conta de ter outro. Mal dou conta do meu e-mail, que me tira horas preciosas de sol pela manhã. Usamos ferramentas da internet muito mais confiáveis que qualquer site de gravadora/selo por aí. Estamos no Ebay e no Mercado Livre. Sai mais barato, tem garantia infinita e ainda polui menos as vias arteriais da web.<br />
 <br />
Sambapunk – O adesivo-catálogo de vocês anuncia uma coletânea em fita cassete&#8230; Falem mais sobre isso.<br />
Igor Ribeiro – Sim, essa coletânea é o próximo lançamento da Tosco Brasil, vai se chamar “Rock Brasil”. Hahaha&#8230; E vai sair em K7.<br />
Maurício Mota – Essa idéia é velha amiga nossa: lançar uma coletânea com bandas que achamos legais e que ninguém lançaria. Em k7, com pôster e texto e tal. Nos amarramos em contar histórias e passar pra frente.</p>
<p>Sambapunk – Que bandas/artistas vão participar desta coletânea?<br />
Igor Ribeiro – Nossa, não terá um critério sobre os ritmos. E eu quero muito convidar bandas tipo Ambervisions e Merda, das quais sou fã.<br />
Maurício Mota – Estamos resolvendo isso&#8230; Primeiramente, cada sócio vai atrás de quatro bandas. Cada um faz sua curadoria. Tem uma banda que eu quero colocar e já acabou, mas não to nem aí. É a banda COISA, aqui de Goiânia, que é, pra mim, a banda mais espetacular, roquenrol e audaciosa que esta cidade já teve. Uma história ainda não contada que surpreenderá muita gente.</p>
<p>Sambapunk – Já há um próximo lançamento de vinil programado?<br />
Igor Ribeiro – Bang Bang Babies!!<br />
Maurício Mota – Tem uma banda aqui em Goiânia querendo gravar também dentro do esquema 4track&#8230; caseiro: Bang Bang Babies; mas não sabemos ainda o que vai virar. Mas ao que tudo indica será um sete polegadas, que é o objetivo deles. Mas nada certo, ainda.</p>
<p>Sambapunk – A meta de vocês é vender esta tiragem de discos em quanto tempo?<br />
Igor Ribeiro – Eu penso apenas em vender uma parte. Eu troco o restante por outros discos, o lance é não deixar o vinil acabar!!<br />
Maurício Mota – Não temos assim este compromisso com o tempo. Este disco da Banda de Blues de Jos Strume talvez só seja compreendido daqui a uns 12 anos, então, não há pressa. Não é o som que está na moda, saca? Daqui a uns seis anos, ainda será ousado, autoral, incompreendido, inspirador e novo.</p>
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		<title>Chuck</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Mar 2009 22:11:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adilson Pereira</dc:creator>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Pingue-pongue]]></category>

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		<description><![CDATA[A primeira informação a chegar por aqui dava conta de que o Forgotten Boys tinha acabado. Aqueles caras magrinhos que a gente via por aí e que, juntos, pareciam irmãos, não estariam mais tocando em conjunto. Em entrevista com Eduardo Hypolitho Benedito, o Chuck Hipolitho, baixo e voz do grupo, fica-se sabendo que não é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A primeira informação a chegar por aqui dava conta de que o Forgotten Boys tinha acabado. Aqueles caras magrinhos que a gente via por aí e que, juntos, pareciam irmãos, não estariam mais tocando em conjunto. Em entrevista com Eduardo Hypolitho Benedito, o Chuck Hipolitho, baixo e voz do grupo, fica-se sabendo que não é que o FB tenha acabado&#8230; Chuck é que ralou peito de lá. Mas saiu na boa, garante. &#8220;Tudo era legal, mesmo. Mas, depois que começou não fazer muito sentido para mim, viajar de van era mais chato&#8230;&#8221;, diz, ao responder uma das perguntas feitas pelo SAmbaPUNk. &#8220;Mas, mesmo assim, era legal. Sou do tipo que gosta de colocar a mão em tudo, montar meu próprio equipamento, levar ferramentas, resolver problemas&#8230; me divertia&#8221;, completa o cara de 31 anos, casado com a atriz Débora Falabella e que começou a tocar com 13 anos de idade. Simpático, ele atende ao pedido do escriba e rascunha uma minibio: &#8220;Entrei no Forgotten em 99, no baixo. Sou apaixonado pela vida, e cresci no inteior, filho pais separados, mãe cozinheira e trabalhadora e pai ex-militar e atualmente motoqueiro &#8216;easy rider&#8217;.&#8221; O endereço de Chuck no My Space passou a ser o seguinte: <a href="http://www.myspace.com/chuckhipolitho">www.myspace.com/chuckhipolitho</a>. Agora, na hora de dar o formato final a este texto, surgiu uma dúvida: o sobrenome dele vem com &#8220;y&#8221;, mas quando usa o apelido, essa letra se transforma em &#8220;i&#8221;. O assunto acabou não sendo abordado com o rapaz. Várias outras coisas mais importantes tiveram preferência. Confira o pingue-pongue:</p>
<p><img style="BORDER-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; BORDER-LEFT: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" src="http://www.sambapunk.com.br/wp-content/uploads/2009/03/chuck-hypolitho-reduzida.jpg" alt="" /></p>
<p>Sambapunk: Explica melhor por que você saiu do Forgotten Boys. Teve algum estresse?<br />
Chuck Hipolitho: Olha, foi só mudança de rota mesmo, quando não faz mais sentido, não faz mais sentido. Queria fazer outras coisas, de outras maneiras, e em outros tempos&#8230; simples&#8230; não teve estresse, foi na boa!</p>
<p>Sambapunk: Todas as vezes que vi a banda, parecia que vocês eram &#8220;irmãos&#8221;. A convivência era muito difícil?<br />
Chuck Hipolitho: Acho legal que parecia isso, de fato é isso, e acho bonito que transpareça isso vindo de uma banda. Existem parafusos a serem apertados durante todo o percurso, é natural, como em qualquer relacionamento, ainda mais profissional. Mas, geralmente, os frutos eram em maior quantidade que os parafusos.</p>
<p>Sambapunk: O que você acha que o FB representou/representa na cena rock do Brasil? Vocês se consideravam referência para muita gente?<br />
Chuck Hipolitho: Eu acho que, principalmente no começo, foi um das bandas que resgatou algo aqui no Brasil, a simplicidade e a força e poder do rock and roll honesto, de verdade. Que tem muito a ver com o punkrock também. Ainda hoje acho que é uma banda referência no assunto.</p>
<p>Sambapunk: Dava para ganhar dinheiro com a banda?<br />
Chuck Hipolitho: Pouco, mas, suficiente. A correria é muita, e todos querem ganhar o justo, mas, é difícil. Nunca foi a razão para desistir, até porque venho da época (que foi mais de 60%) em que não se ganhava praticamente nada, fazendo as contas.</p>
<p>Sambapunk: Tem alguma banda, do circuito independente, que seja uma referência para vocês, em termos de trabalho, isto é, na capacidade de percorrer este circuito e sobressair-se nele?<br />
Chuck Hipolitho: Aqui? Antes da gente!? Creio que não&#8230; pelo menos para nossa cabeça na época. Hoje em dia, tenho praticamente toda minha atenção voltada para o que acontece aqui. Passei muito tempo olhando para fora, cheguei no momento de olhara para dentro.</p>
<p>Sambapunk: E lá fora, quem era/é referência para você?<br />
Chuck Hipolitho: Os reis, o Rollings Stones, o Stooges, os Beatles, MC5, o rock, o reggae, o metal, tudo&#8230;</p>
<p>Sambapunk: Agora, depois da saída da banda, você tá fazendo o que, musicalmente?<br />
Chuck Hipolitho: Tenho me dedicado à vida familiar e estou montando um estúdio onde pretendo produzir, gravar e aprender mais. E conhecer pessoas, banda, trabalhar com música sempre&#8230;</p>
<p>Sambapunk: A idéia é percorrer caminhos, artisticamente, completamente diferentes?<br />
Chuck Hipolitho: Tenho feito músicas, bastante, e compondo com outras pessoas acho possível pisar num palco em breve&#8230; não vou conseguir ficar longe disso&#8230; mas vai tomar um tempo, e vai vir com leveza, sem pretensões profissionais ou comerciais&#8230;</p>
<p>Sambapunk: Em que medida uma atividade assim, numa banda, é importante para a sua vida? Você consegue se imaginar sem banda, hoje em dia?<br />
Chuck Hipolitho: Me ensinou a levar a sério as coisas e as pessoas, e de estar fazendo arte. Isso foi fundamental para minha formação. Não consigo me imaginar longe de música, arte em geral.</p>
<p>Sambapunk: O que você anda ouvindo? Alguma coisa nova surgiu no horizonte e te chamou a atenção?<br />
Chuck Hipolitho: Public Enemy, Allman Brothers, Captain Beyond, Sahara Hotnights&#8230; Deep Purple, Abba&#8230; parece engraçado, mas, adorei conhecer o Abba.</p>
<p>Sambapunk: Qual foi o grande ensinamento aprendido durante a sua permanência no FB?<br />
Chuck Hipolitho: Menos é mais.</p>
<p>Sambapunk: Ao longo dos últimos anos, você viu acontecer alguma mudança significativa no circuito de bandas independentes do Brasil?<br />
Chuck Hipolitho: Sim, com a internet a coisa começou a se difundir legal, hoje existe um circuito legal&#8230; mas, para o brasileiro, ir a um show ainda é ir para a balada e ver uma banda, às 4 da manhã&#8230; gostaria que os shows alternativos começassem a ser tratados mais como uma performance artística e menos como qualquer coisa. Falta disciplina e estrutura ainda para a cena toda em geral. Sempre vai faltar alguma coisa.</p>
<p>Sambapunk: O que você acha do circuito de festivais, que temos hoje?<br />
Chuck Hipolitho: Melhor que o de dez anos atrás, e pior que o de daqui a dez anos, espero.</p>
<p>Sambapunk: A internet é fundamental, hoje, para um artista como você divulgar o trabalho?<br />
Chuck Hipolitho: Fundamental, mas, felizmente, nada substitui o palco.</p>
<p>Sambapunk: Como você usa a internet e o que você sugere ao pessoal que está começando?<br />
Chuck Hipolitho: Atualmente eu tenho um MySpace, onde coloco minhas idéias, que hoje são praticamente qualquer coisa que faço&#8230; é um jeito de ainda manter contato com quem quer ficar em contato&#8230; mais para frente posso usar para de fato divulgar algo, por enquanto é só o &#8220;meu espaço&#8221;. Mas, não uso, e tenho aversão ao Orkut, por exemplo. Uso a internet mais para pesquisar e aprender do que para qualquer outra coisa.</p>
<p>Sambapunk: Aversão ao Orkut? Por quê? Questão de (falta de) privacidade?<br />
Chuck Hipolitho: No Brasil, virou um monte de fofoca, e é um lugar maravilhoso para falsidade ideológica, e como as leis aqui são ótimas, acabou virando um lugar para fazer fofoca, prostituição e pedofilia&#8230; É a nossa própria oficina do diabo na internet&#8230; tem gente de bem lá também&#8230; mas, como nosso próprio país, não fazem nada para limpar a sujeira. E privacidade&#8230; só existe se você quiser, certo!? Eu tenho a minha.</p>
<p>Sambapunk: E o trabalho cotidiano, de ensaio, estúdio, produção etc? O que é mais importante nisso tudo?<br />
Chuck Hipolitho: Acordar feliz, tomar café com leite frio, almoçar com minha mulher&#8230; sentar e ouvir música alguma hora do dia&#8230; ouvir a Bandnews no carro&#8230; essas coisas são mais importantes do que tudo.</p>
<p>Sambapunk: Qual você considera o seu grande talento, fora da banda? Você sabe assumir o lado &#8220;empresário&#8221;, por exemplo?<br />
Chuck Hipolitho: Hum&#8230; acabei tomando conta dessa parte no começo&#8230; mas, era o começo, certo!? Acho que talento é interesse e curiosidade, por tudo na vida, o resto é músculo e suor.</p>
<p>Sambapunk: São Paulo, há muito tempo, parece ser um mercado gigante, capaz de se sustentar. Bandas do Nordeste, por exemplo, sempre vão morar aí&#8230; Isso é bom, na sua opinião? Como é a sua relação com a cena de São Paulo? E que outras cenas, no Brasil, você aprecia?<br />
Chuck Hipolitho: Do resto do país, aprecio muito mais a gastronomia do que a música propriamente dita&#8230; porque acho que a música acaba não tendo &#8220;de onde&#8221;. Mas Sampa acaba sendo onde as coisas acontecem e estão&#8230; nossa Nova Iorque&#8230; eu sou apaixonado pela cidade, mas, gostaria que o país e a cena dessem condições para as pessoas serem bem-sucedidas profissionalmente perto de sua cultura local, e muitas vezes perto da família&#8230; e que São Paulo fosse somente um lugar para vir beber em novas fontes, e para turismo artístico&#8230; é cruel ter que vir para São Paulo para conseguir, as pessoas se tornam quase retirantes musicais. O lado bom, e que eu realmente gosto, é que os músicos aqui acabam se misturando e enriquecendo tudo em volta. Isso não há como negar que é demais de bom.</p>
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