03/10/2009 às 15:09
Lenine no cine
Adilson PereiraHoje, no Rio, só se fala dessa história de a cidade ter vencido a disputa para abrigar as OlimpÃadas de 20016. Mas neste outubro de 2009 rola também mais uma edição do Festival do Rio. E foi como parte da programação deste importante evento que ontem à noite o filme “Continuação”, do jornalista Rodrigo Pinto, ganhou a grande tela do tradicional Cine Odeon. O “Sambapunk” esteve lá para conferir a fita dedicada ao trabalho de Lenine, e acabou contribuindo no fim com as ondas de aplausos.
O documentário de estreia de Rodrigo Pinto registra o processo de produção/criação do disco “Labiata”. Na noite de sexta, jornalistas abriram mão de seu esporte favorito, a virada de copos de cerveja, para assistir ao filme. Mas a plateia não tinha apenas coleguinhas. Havia também “gente comum”. O que prova a força do personagem principal do filme, sua capacidade de atrair e divertir a massa. Coisa que, aliás, é uma das perspectivas condutoras da narrativa. A certa altura do campeonato, o pernambucano aparece num show na (gigantesca) Fundição Progresso, na Lapa (Rio). O (tamanho do) espetáculo impressiona.
Rodrigo Pintou manteve o foco. O registro se concentra no trabalho do pernambucano. Por mais que ele por exemplo apareça em seu sÃtio, lugar em que cultiva variadas espécies de orquÃdeas, é o trabalho que está sempre em evidência. O diretor soube fugir da tentação de falar da vida pessoal do artista. O pessoal que está interessado em música – e não na marca de xampu que fulano usa – agradece.
Foco não é sinônimo de frieza e notÃcia não rima com dureza: o documentário tem momentos comoventes. O cantor e compositor aparece grudado a seus pais, numa seqüência que joga luz sobre a decisão de sair de Pernambuco para morar no Rio.
A experiência na redação, como repórter de jornal e editor de internet, sem dúvida foi determinante para que Pinto soubesse valorizar a “notÃcia”. Ou as notÃcias. A edição preservou divertidas imagens de Lenine brincando de cantar aquele funk que fala sobre “cada um no seu quadrado”. Isso é notÃcia. Isso é uma prova da sintonia, da grandiosidade e da abertura do artista. Merecia mesmo um documentário.
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