09/09/2008 às 14:21
Violência temperada com John Zorn
Adilson Pereira
Há quem reclame da violência no cinema, dizendo que isso pode influenciar nossas crianças. Há também quem ache divertido as tarantinices de hoje em dia, enxergando nelas pura diversão. “Violência gratuita” (“Funny games U.S.”, EUA/2007), o filme de Michael Heneke que tem Tim Roth no elenco, é um prato quase cheio para os dois times. Dois rapazes, um deles com cara de muito fresco, fazem do descanso de uma famÃlia americana um verdadeiro tormento. A graça da fita está não no excesso de sangue, coisa que nem rola, mas nos detalhes. O vermelho, quando aparece, surge por exemplo como uma oposição “bonita” ao figurino branco usado pelos rapazes.
O filme começa com um carro, na estrada, e a tal famÃlia se divertindo enquanto a pai e mãe brincam de adivinhar nomes de músicas. Não, não tem nenhuma pérola pop. A famÃlia é metida a gostar de clássicos. E aà surge o primeiro detalhe, a primeira preparação anunciando que algo terrÃvel vai acontecer com aqueles gringos aparentemente felizes. Em oposição ao sonzinho de teatro municipal entra uma podreira feita por John Zorn, um metalcore-ou-algo-parecido dos infernos. A oposição entre uma música e outra equivale a um soco na cara do espectador.
Só o fato de trazer uns sonzinhos de John Zorn já faria do filme algo que merece ser visto. Mas há mais do que isso. Os caras vestidos de branco interagem com a platéia, algumas vezes, tipo falando diretamente com a gente. Uma escolha que até ameniza o lado violento da coisa, trazendo a trama mais para o terreno do completamente improvável. Ah, sim, e o filme é tarantinesco não só pela violência, mas pela maneira como lida com a linha do tempo. Isso sem falar das seqüências que sugerem determinada solução para, em seguida, fazerem a gente soltar um “Puuuts…!”.
ImperdÃvel para aqueles dois tipos de cinéfilo: o que quer reclamar da violência e o que não consegue viver sem ela.
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