30/03/2009 às 17:55
Ditadura adolescente?
Adilson PereiraOutro dia, numa entrevista, o escriba aqui deu de cara com um sujeito que tinha uma teoria sobre idade, informação, formação de opinião e mercado. O entrevistado achava que “hoje em dia quem sabe das coisas é o cara de 16 anos e é esse jovem que deve ser ouvido e deve mandar na indústria da música”. A frase saiu depois de uma reclamação a respeito dos “sujeitos de 40 e poucos”, que ainda estão controlando os esquemas de gravadora e comunicaçao. Faz algum sentido o que disse o entrevistado. Mas faz sentido também tomar cuidado com essa teoria.
Talvez ela, a teoria, tenha causado incômoco ao escriba porque, ao longo do tempo, foi comum ver em redações velhos profissionais experientes sendo substituÃdos por outros mais novos e mais baratos (para não dizer “mais manés”). Mas não é só isso.
Não há dúvida de que os jovens de 16 anos estão antenados. Ou deveriam estar. Por causa desse papo de internet, a intimidade com o computador etc. Mas… esperar que o “mercado” opte pelo que sugere um jovem de 16 anos é mais do que apostar no conhecimento de alguém antenado. É escolher o ponto de vista de alguém que, por mais que esteja conectado, ainda não amadureceu. Defina “amadurecimento” do jeito que quiser, mas não venha dizer que, no geral, os navegantes internéticos de 16 anos estão “maduros”. Não se ganha experiência e sensibilidade apenas ficando em frente a uma telinha de computador.
Ah, ok, aà podemos desdobrar nossa conversa por vários terrenos. Podemos falar de conservadorismo, de ousadia… Mas vamos tentar ficar na questão da idade, da “sabedoria” e da intimidade com a www. Optar exclusivamente pelo conhecimento e pela perspectiva dos mais jovens é tão tolo quanto se deixar pautar somente pela estética dos corpos extremamente sarados e com gordura zero – que andam ditando o padrão televisivo de hoje em dia.
Vale tomar cuidado, na hora de catar argumentos que derrubem este ou daquele obstáculo na hora de um artista mostrar – e vender – seu trabalho. Acreditar que são os moleques que devem ditar a moda, daqui para frente, é ingenuidade.
Uma regra que estava valendo há muito pouco tempo, a de que quem tem dindim para consumir está na casa dos 20 e poucos ou 30 e poucos, não parece ter mudado. A não ser que isso aà que andam chamando de crise seja, na verdade, o dinheiro mudando de bolsos: indo das mãos de quem trabalha para a dos adolescentes.
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