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25/02/2010 às 12:06

Lucy, John and the Popsonics

Adilson Pereira

Por mais pacata que a vida em Brasília possa ser, o pessoal lá encontra tarefas com as quais ocupar o tempo. Fer Pops, a Fernanda que canta no Lucy And The Popsonics, por exemplo, faz aulas de canto e ótimas piadas. Perguntada sobre o papel que sua banda tem hoje na cena musical da Capital Federal, ela responde, sarcástica: ” Cadê a cena? hehehe…” Bom… Não tinha sido mesmo para falar só sobre a cena que o “Sambapunk” entrou em contato. A ideia era saber sobre o disco novo da empreitada/banda/dupla que ela conduz ao lado do maridão Pil. “Fred Astaire”, o álbum, tem por enquanto dez faixas. Só uma é releitura: “Refuse/Resist”, do Sepultura. A bolachinha conta com a nobre produção de John Ulhoa, do Pato Fu.

A ideia de ter o marido de Fernanda Takai por perto vinha amadurecendo há tempos. Em 2007, depois de participar de uma festa em Belo Horizonte, o casal popsônico deixou de lado a timidez e, aproveitando um encontro casual de aeroporto, deixou com o produtor um CD. “A coisa foi lenta e calma, mas, finalmente, deu tudo muito certo e entramos em estúdio. Lá, parecia a combinação perfeita. Nos demos muito bem e foi tudo muito rápido e sem conflitos”, conta Fer, que ao lado de Pil saiu de BSB para BH duas vezes no espaço de três semanas.

Poucas viagens, para preparar um álbum inteiro, não? Isso porque o casal produzira em casa, antes, bases que John “apenas potencializou, timbrou, melhorou etc”. Segundo a cantora, ele “manteve exatamente a ideia inicial só que com um superbrilho a mais”.

A bolacha nova vem com um ingrediente importante: influências absorvidas durante a recente fase internacional da banda. O LATP participou do badalado SxSW, nos States, você sabe, e também foi ao Velho Continente apresentar seu sonzinho.”Foi uma dilíça!”, diz Fer, reafirmando aquele humor. Segundo ela, as viagens e o contato com artistas da gringa serviram de inspiração para fazer algo que eles não vinham fazendo: “Cuidando do som da banda.” Ela insiste: “Só que no Brasil para cuidar do som de uma banda sai um pouco mais caro, né?”

Comentando o repertório, Fer Pops brinca mais uma vez: “Finalmente, temos músicas que fazem sentido!” E segue daí: “Este disco está bem mais maduro. Tá com cara de jovem adulto. Continuamos com algumas histórias, aqui e ali, mas o forte são as músicas que falam do cotidiano. É a nossa reflexão sobre isso. Pareceremos até às vezes um pouco mais decepcionados com a realidade que de costume.”

Três músicas, senhora Pops, por favor. Com comentários.

“‘Multitarefa’ abre o disco e fala sobre fazermos tantas coisas ao mesmo tempo a ponto de às vezes acabarmos por fazer tão mal que temos que repeti-las. ‘Biff Bang Pop´ é uma que usamos para homenagear um amigo que faz um zine com o mesmo nome; contamos a história dele de uma forma divertida, claro. ‘Fred Astaire´ é a história de uma pessoa que tem uma vida bem do tipo brasiliense: normalmente, um trabalho chato, sem estímulos, estressante e entediante. Toda a diversão dessa pessoa se concentra à noite, quando encontra Fred Astaire para sair dançando por aí.

Eles estão negociando com selos, ainda; inclusive com a Monstro, que lançou o trabalho anterior. Parece não haver dúvida é sobre aproveitar o circuito de festivais da Abrafin (Associação Brasileira de Festivais Independentes) para divulgar o trabalho. Dúvidas de um lado, certezas de outro: “Não sei se aguentaria muito mais do que a vida em Brasília me dá todos os dias, não. Eu realmente me acho uma pessoa ocupada quando estamos aqui e, quando vamos a São Paulo, nos achamos uns vagabundos na vida. Hehehe… Mas é aquela coisa: gostamos de estar aqui e ter esta rotina, por enquanto. Gostamos de ter tempo para fazer coisas como chegar às 19h e ensaiar, em casa, como vai acontecer daqui a pouco…”


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