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18/01/2010 às 1:11

Bela cena, Aracaju (I)

Adilson Pereira

É certo encontrar três coisas, em Aracaju: ostras e caranguejos saborosíssimos, gente simpática e boa música. Dessa última característica, “Sambapunk” já “desconfiava”. Por esse motivo, foi à capital sergipana, para uma cobertura que radiografasse um pouco a cena musical de lá. Além disso, conferiu os shows do Verão Sergipe, um festival com entrada gratuita que acontece todos os anos – ao longo de janeiro – e reúne em média 18 mil pessoas por noite. Nos dias 15 e 16 de janeiro, se apresentaram pesos-pesados como Jota Quest e Margareth Menezes, além de artistas locais: grupos como o Reação, banda de reggae que tem hits cantados como hino na plateia. Ou o instrumental Ferraro Trio, capaz de desfiar um funkão-anos-70 que faz a festa de b-boys e convida os mais tímidos a no mínimo baterem a ponta do pé. Os shows aconteceram em Barra dos Coqueiros, município que fica a 20 minutos do centro da capital.

O que faz a cena de Aracaju? Quem atua na cadeia produtiva da música de lá? Todas as respostas que tenham a ver com música passam, obrigatoriamente, pelo forró. É um ritmo popular naquelas terras, sem dúvida. Trata-se de um motivo de orgulho para o cidadão de Aracaju. Há casas com uma estrutura – isto é, pista de dança, palco, som – de fazer inveja a qualquer roqueiro. Mas não dá para dizer que os roqueiros lá nutrem esse sentimento. Muito pelo contrário.  Parecem estar preocupados com outras coisas. Tipo não perderem os shows que acontecem sempre no Capitão Cook, um bar em que acontecem regularmente shows de rock.

No Cook (Rua F1, 345, Coroa do Meio, Aracaju), você encontra – em noites de show de rock – o pessoal que contribui para dar forma à tal cena musical da cidade. Figura ímpar e importante no cenário, o fanzineiro Adelvan Barbosa era um que batia ponto, naquela noite. Além de Isabela Raposo, uma das apresentadoras (ao lado de Ricardo Gama) do programa “Mural”, uma revista cultural que vai ao ar diariamente na FM Aperipê – o braço radiofônico da Fundação Aperipê. Michael Meneses, da Parayba Records, estava de férias em Aracaju – coisa que faz todos os anos – e, claro, não podia deixar de aparecer para conferir a apresentação de duas bandas locais: Snooze e Renegades of Punk. Quem gosta de rock aparece por lá. É esse o clima. Funciona. Boa vibe. Cerveja em lata por R$ 2,50. Banheiro limpo.

“Lá, é possível o pessoal mostrar o trabalho mais autoral”, recomenda a jovem Isabela Raposo, antes de destacar sua preferência pelo blues, base de um programa comandado por ela e que vai ao ar também na Aperipê, aos sábados. A moça conta que, além dela, quem gosta de falar sobre o estilo é a lenda-viva Silvio Campos, cantor da banda de hardcore Karne Krua que vem, de uns tempos para cá, desenvolvendo um trabalho blueseiro com a banda Máquina Blues. Silvio é dono da loja de discos Freedom (Rua Santa Rosa, perto da praça Teófilo Dantas), outra parada obrigatória para quem gosta de música – principalmente rock, hardcore – naquelas plagas.

Falando mais uma vez da variedade de estilos que a gente encontra por lá: parecem conviver bem, esses dois universos. O forró mais outros ritmos tradicionais de um lado e, de outro, as coisas, digamos, mais rebeldes-jovens-e-universais-tipo-rock. “De dez anos para cá, começou a haver mais abertura. Teve uma hora que não dava para tocar só o tradicional”, afirma Ricardo Gama, que também atua na FM Aperipê e constata que de uns anos para cá tem havido mais revelações no terreno da música instrumental.

Garantem os sergipanos: esses tais dois universos não se chocam. Não estão juntinhos, agarradinhos, não, ok. Mas também não parecem brigar. Cada um na sua. Simples assim. Beleza. Talvez mais uma prova da boa convivência entre forrozeiros e roqueiros seja a concordância quando o assunto é “cachacinha roots local”. Representantes das duas escolas são unânimes ao recomendar Reserva do Barão e Velho Antônio. Sem dúvida, duas boas pedidas.


Crônicas, Mercado/Negócios, Música 6 Comentários


6 respostas

  1. Adelvan Kenobi
    18/01/2010 às 1:11

    Porra Adilson, grande surpresa sua presença em nosso aconhegante (vejo que você também achou) cantinho do mundo. Prazer em conhecê-lo, e um dia eu chego aí pra confirmar aquela velha máxima de que “quem é vivo um dia aparece”. Ah, vi lá que você ganhou um disco da Plástico Lunar. Não deixe lacrado num canto, ouça com atenção, acho essa banda sensacional, das melhores, no estilo, no Brasil, ao lado do Mopho, de Alagoas.

  2. Adilson Pereira
    18/01/2010 às 1:11

    Vou seguir a dica, bróder. Daqui a pouco, apareço de novo por aí. Grande abraço.

  3. Rafael Jr.
    18/01/2010 às 1:11

    Captou bem a “vibe” da terrinha, é isso aí!
    Ótimo texto (como sempre), e valeu pelos videos, a gente não tinha quase nada do Ferraro!
    Abração a apareça sempre!

  4. Thiago Paulino
    18/01/2010 às 1:11

    Muito bacano o texto.. belo apanhado do cenário local sergipano. Estou ansioso para ver a continuação e – quem sabe?! – algumas fotos interessantes… abraço forte!!

  5. Adilson Pereira
    18/01/2010 às 1:11

    Fala, Thiago. As ideias continuam surgindo. Vamos conversar mais por e-mail. Você recebeu as fotos da Miriam? Grande abraço.

  6. Michael Meneses! - Parayba Records!
    18/01/2010 às 1:11

    A cena rock Sergipana é algo que dar muito orgulho, sou um carioca filho desse rock sergipano.

    Abraços a todos e vida longa ao Rock Sergipano.


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