27/09/2008 às 22:16
Varadouro: Viva os Porongas!
Adilson PereiraUma passeata que rolou, em Rio Branco, em favor de um dos candidatos à prefeitura, tumultuou o trânsito e atrasou um pouco o inÃcio do Varadouro, na sexta. Tranqüilo. O clima era de descontração na arena e a expectativa de ver entre outros os locais Los Porongas deixava todo mundo relaxado.
Dizem por aqui que, nos últimos três anos, a realização do festival impulsionou a criação de bandas com material autoral na região. Estão surgindo mais e novos sons. A noite começou com Tk7dois I, uma banda da cidade de Tarauacá, do Acre. Na linha de frente, os irmãos JanaÃna e Giovanni Accioly, respectivamente de 17 e 20 anos. Acompanhados pelo pai, o professor Raimundo Accioly, que faz o papel de produtor, empresário e fã das “crianças”. Sim, eles ainda precisam amadurecer o som. JanaÃna, quando o irmão está cantando, tipo se esconde do lado da bateria. Perguntada sobre aquilo, ela dá a entender que é tÃmida. O pai, que vê nos festivais um instrumento de educação, diz que ele à s vezes ajuda nas letras, para que as coisas cantadas pela banda tenham um tom mais polÃtico.
De olho no pai, como que pedindo aprovação, a jovem JanaÃna declara que aquilo ali é a realização de um sonho. “Nós somos a única banda de rock da nossa cidade”, contabiliza a menina, que esquentou o público para o pessoal que vinha em seguida, do Tocantins: Boddah Di Ciro. O público recebeu bem, como também recebeu bem o Blush Azul, ali de Rio Branco mesmo. O “Sambapunk” tentou falar com a cantora da banda, mas ela tipo saiu para comprar açaà e não voltou mais. Como havia outra apresentação engatilhada, não dava para esperar. No Varadouro, foi assim: terminava um show, já começava o outro. Ter dois palcos é bom por causa disso.
O público se animou um pouco mais mesmo com o Marlton, também ali de Rio Branco. É o seguinte: eita banda para ter amigos, gente! Uma galera que estava lá na frente do palco fez festa para o grupo. Isso é que é comunidade participante!
Quando os caras do La Pupuña entraram no palco, foi como se estivesse rolando, até então, só uma matinê e que o espetáculo “adulto” estava prestes a começar… A sensação foi esta. Anunciados como uma banda que mistura “merengue, surf music, rock” etc, os paraenses puseram os acreanos para dançar. Era a vez, depois disso, de mais um grupo local: Yaconawás. Um pessoal que faz rap.
Os manos, lá, soam ingênuos, mas soam verdadeiros. Isso é, se você pegar aqueles caras e colocá-los para cantar ao lado de grupos de SP, do universo do rap, eles os acreanos serão engolidos. Mas, ali, tudo bem, eles satisfizeram a fome local por grooves e deixaram claro que no Acre tem hip-hop. Depois, seria a vez do Survive deixar claro que no Acre tem metaaaal mas, antes disso, os paulistanos do Ecos Falsos fizeram um show. Um show muito bem-humorado. Pareciam felizes por estar ali. E quem não ficasse feliz por vê-los talvez estivesse com algum problema. Os caras são bons, ao vivo. “Bolero matador”, com a qual fecharam o show, foi ótima. Como eles disseram, servia para qualquer combinação de dança: “Menino com menina, menina com menina, menino com menino…” Música com múltiplas funções – e múltiplos público – é isso aÃ.
Mais tranqüilona e mais “clássica”, e nem por isso menos dançante, era a programação musical preparada pela Pata de Elefante, do Rio Grande do Sul. Enquanto a banda está tocando, “Sambapunk” ouve de um local que Rio Branco está mais longe de Natal do que de Porto Alegre. “O Brasil é mais largo do que comprido”, ensina. Ok.
Em seguida, os Los Porongas entrariam no palco. E pode apostar que nenhum acreano ali ia querer ficar conversando sobre geografia ou rotas aéreas. Todo mundo parecia ter um compromisso com os Porongas. Os caras são verdadeiros heróis, ali naquela cidade. Parece que nem só pela (muito boa) música que fazem, mas pelo carinho que fica claro ao dedicarem, por exemplo, uma música inédita à massa que foi lá para vê-los.
As músicas antigas eram todas – todas – cantadas pela platéia. Bonito espetáculo. A banda está afiada, os caras sabem fazer esporro. Viva o Los Porongas.
Um viva para o Atajo também. Eles são da BolÃvia e, num primeiro momento, ao serem convidados para virem para cá para o Acre, recusaram o chamado dizendo que não participariam de um festival patrocinado por uma transnacional. Nas letras, a gente pesca pedaços como “yankee mother fucker… gringo… go home…” Bom, eles acabaram aceitando o convite. A gente acabou vendo. Acabou sendo legal, mesmo que tocar no Acre, depois dos Porongas, seja uma tarefa ingrata.
| Crônicas, Música, Resenhas, Show | Comente |







Sem resposta
Assine o RSS feed destes commentários