02/06/2008 às 18:35
Arnaldo sabe escrever
Adilson Pereira
Terminada a leitura de “Rebelde entre os rebeldes” (Editora Rocco, preço médio: R$ 32,00), de Arnaldo Baptista, fica a certeza: o cara sabe fazer música e também sabe escrever. Tudo bem que, no inÃcio do livro, a gente fique co’a impressão de que aquilo é literatura meio de CDF: um argumenta-daqui-argumenta-dali que parece não levar a lugar nenhum, divagações que se apresentam não como as de um roqueiro mutante, mas, sim, as de um rapaz educadinho e cheio de problemas existenciais. Mas ao longo da leitura o livro – carregado de uma romântica ingenuidade – isso vira um mérito, ganhando a dimensão de um contraponto a obras, digamos, roqueiras demais que andam surgindo por aÃ. Arnaldo é o tempo todo fiel a uma de suas grandes paixões, a ficção cientÃfica. Defende esta paixão de forma romântica e ingênua e conquista a gente com isso.
“Rebelde entre os rebeldes” acaba sendo um tÃtulo pouco apropriado para a história que apresenta. Engana. Parece uma alusão ao autor e não à história que as 167 páginas contam. A história é a de uma moça que descobre uma nave espacial num cômodo secreto da casa em que mora. Onde isso vai dar? Em outro planeta, noutra época, com robôs que se comunicam com seres humanos através de ondas cerebrais. Há viagens no tempo, há batalhas espaciais.
Pelo caminho, Arnaldo Baptista, além de CDF, mostra-se meio tiozinho, meio mÃstico, meio defensor duma realidade bastante fantástica. Isso tudo acontece em meio a um caldo moral que é até bonito – porque carregado daquelas doses de ingenuidade e romantismo. Perceba isso, por exemplo, na saÃda que ele encontra para falar sobre como será a evolução da espécie humana num planeta distante.
No fim das contas, Arnaldo Baptista nos oferece um história amarradinha e inofensiva. Que merece ser lida porque foi escrita por um rebelde. Aliás, mais do que isso, um rebelde entre os rebeldes.
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