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31/08/2008 às 13:22

Chuva? O Rappa!

Adilson Pereira

Sábado de chuva no Rio. Mas o público d’O Rappa não é de açúcar, ah, não é mesmo, e lotou pela terceira noite consecutiva (informação vinda da assessoria do grupo) o Canecão, uma das casas de shows mais importantes da cidade que é uma das mais importantes para uma banda do time das importantes. Sobre artistas que se apresentam no Canecão, diz-se muito que às vezes eles não ganham dinheiro, que vão até lá porque é bom para a carreira, porque precisam se mostrar para a imprensa e formadores de opinião. Com O Rappa, essa regra não deve valer. Com aquela massa, se eles não ganharam uns cascalhos, aí… deve mesmo haver algo de podre no reino da Dinamarca.

Era a terceira noite da temporada carioca de lançamento do disco “7 vezes”. Se o álbum não é lá a coisa mais clara/bonita do mundo, o espetáculo compensa. É gratificante ver a multidão de braços levantados, neguinho cantando junto, cachorras se espremendo em meio à massa, mostrando suas curvas e resguardadas por caras muito fortes que devem ser os namorados delas. Os shows d’O Rappa devem ter, hoje, uma das maiores concentrações de grandes bundas e grandes bíceps do planeta.

É um show bastante popular. Não é pop, não. É popular mesmo. Mas Marcelo Falcão, o cantor, dá a entender que aquela é uma massa com muito boa vontade, com uma capacidade ímpar de absorver novas linguagens e mensagens. Disse ele, lá em cima do palco: “Obrigado… pela oportunidade de mostrar o sétimo trabalho d’O Rappa. Obrigado a vocês que têm curiosidade de ouvir nosso som e de descobrir por que a gente bota músicas cada dia mais loucas e esquisitas… Coisa fácil a gente não faz legal…”

Falcão tinha explicado, ali, que o disco não era hermético, não, que era só uma série de loucuras e esquisitices e que tinha vindo à luz para agradar ao povão. Fazia sentido, a explicação, porque a massa gritava diante de qualquer declaração dele. Mais: gritava após qualquer riff. Gritava, no início, com os sons muito graves que escorriam das caixas acústicas. Um som que começou meio ruim e foi ficando mais limpo ao longo do espetáculo. A massa gostou. E, apostem, na próxima oportunidade, mesmo se chover canivete, neguinho vai lá de novo ver o que O Rappa tem a dizer.

(*) – Confissão: este escriba não ficou até o fim, desobedecendo uma das regras básicas da cobertura de shows. Estava cheio demais, aquele lugar. Um inferno.


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