23/06/2008 às 14:53
Leo Jaime lança “Interlúdio”
Adilson Pereira
Leo Jaime está de mudança. “De volta à indústria, de volta ao Rio, onde tudo começou”, conta ele, por e-mail, depois de topar fazer um pequeno pingue-pongue sobre “Interlúdio”, o CD que está provocando toda esta reviravolta na vida do cara. “Compus as músicas no Rio, gravei no Rio e quando me dei conta estava de novo vivendo na cidade, embora morasse em São Paulo. A gente deve procurar morar perto do trabalho. Aliás, foi isso o que me levou a São Paulo, sete anos atrás.” O disco começa um pouco melancólico, com “Mesmo assim”, mas ele garante que isso não tem relação com a cidade. Surge “Fotografia”, que tem uma pitada de folk, na minha opinião. De leve, mas tem. E depois vem “Se ela soubesse o que quer”, que o escriba considera um momento Roberto-Carlista e o autor diz que na verdade é um momento Elvis-Costellista. “Interlúdio”, que é a faixa-tÃtulo, faz qualquer um pensar em… quer dizer, faz quase a gente sentir gosto de whisky e cheiro de fumaça: tem um clima cabaré, uma viagem em direção à fossa. Veja o que ele fala sobre outras músicas do CD:
Sambapunk – Achei “Tudo” meio sadomasô: “Eu quero ser deu dono/ E animal de estimação…” E ao mesmo tempo carrega uma dualidade: você aparece como “mestre” e como “submisso”. Musicalmente, você se permite viajar por papéis que na vida cotidiana muitas vezes seriam consideradas coisas, digamos, incomuns ou estranhas demais?
Leo Jaime – Você captou em cheio a idéia. Tem essa citação mesmo de S&M. A inversão de papéis no jogo amoroso, as relações de poder, de entrega, de posse, essas coisas todas que parecem ser a sombra mas são um elemento presente em qualquer relacionamento. É sobre a sombra e o tempero. Curioso que um pretenso crÃtico tenha chamado essa letra de pueril. O coitado é muito inocente. Admiro isso numa pessoa. E ao mesmo tempo um pouco de compaixão.
Sambapunk – “Nos arredores do amor” começa mais bluesy do que as outras. Depois, ela ganha um ar pop. Você parece bem à vontade cantando esta. Como foi trabalhar com o Leoni?
Leo Jaime – Leoni é um parceiro de música e de vida. Sinto-me muito à vontade com ele. Ele é um grande melodista. Esta é uma tÃpica melodia dele. A letra, fizemos juntos a partir de uma idéia minha.
Sambapunk – “Pelo Rio”: esta soa “antiga”, tipo “vintage”… Em que época você imagina quando interpreta uma música assim? Fale-me desta faixa.
Leo Jaime – Eu sou um grande admirador de cool jazz. Já tive até uma banda assim, no começo dos 90. Essa é uma harmonia do Marcos Kleine , eu fiz a melodia e o Leoni, a letra. Acho que é uma canção tradicional, atemporal, com um arranjo meio jazzy. Pra mim, tem um pouco cara de bossa nova, de trilha da cidade do Rio de Janeiro: elegante e suave.
Sambapunk – “Silêncio” me lembrou muito, nos acordes iniciais, uma música do Skank. Esta é uma faixa que você fez sozinho. Você sempre foi referência para várias gerações. E as suas referências, para fazer música, hoje em dia, quais são? As mesmas de sempre (quais seriam)? Ou há coisa nova na área?
Leo Jaime – As referências foram muitas. Talvez até mesmo o Skank, que eu gosto muito. Mas esta canção estava pronta dez anos atrás e já tinha esta mesma introdução. É da mesma famÃlia que “Só”, do “Sessão da Tarde”, e “Sem ilusões”, do “phodas C”. Uma canção em 6/8. A referência pra ela é “Starting over”, do Lennon. No disco, há citações de Steely Dan, Fleetwood Mac, Stones, Leonard Cohen, Aimee Man, Chet Baker, Dylan, Beatles, Beach Boys e os brasileiros que já citamos, como Roberto e Erasmo.
Sambapunk – “Hoje e sempre”, uma só do Alvin L. Curta e direta, hein!?
Leo Jaime – Linda e comovente. Espero ter cantado tão bem quando a canção merece.
| Música | Comente |







Sem resposta
Assine o RSS feed destes commentários