Midsummer Madness
SAmbaPUNk » O rock psicodélico e caipira do Motormama

23/06/2008 às 15:37

O rock psicodélico e caipira do Motormama

Adilson Pereira

Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


Música


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  1. midsummer madness » Motormama
    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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23/06/2008 às 15:37

O rock psicodélico e caipira do Motormama

Adilson Pereira

Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


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  1. midsummer madness » Motormama
    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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O rock psicodélico e caipira do Motormama

Adilson Pereira

Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


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  1. midsummer madness » Motormama
    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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O rock psicodélico e caipira do Motormama

Adilson Pereira

Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


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  1. midsummer madness » Motormama
    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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O rock psicodélico e caipira do Motormama

Adilson Pereira

Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


Música


Uma resposta

  1. midsummer madness » Motormama
    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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O rock psicodélico e caipira do Motormama

Adilson Pereira

Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


Música


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  1. midsummer madness » Motormama
    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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23/06/2008 às 15:37

O rock psicodélico e caipira do Motormama

Adilson Pereira

Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


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    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


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    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


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    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


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    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

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Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


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  1. midsummer madness » Motormama
    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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23/06/2008 às 15:37

O rock psicodélico e caipira do Motormama

Adilson Pereira

Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


Música


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    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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O rock psicodélico e caipira do Motormama

Adilson Pereira

Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


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    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


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    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


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    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


Música


Uma resposta

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    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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O rock psicodélico e caipira do Motormama

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Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


Música


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  1. midsummer madness » Motormama
    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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23/06/2008 às 15:37

O rock psicodélico e caipira do Motormama

Adilson Pereira

Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


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    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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Adilson Pereira

Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


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Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


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    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


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    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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O rock psicodélico e caipira do Motormama

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Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


Música


Uma resposta

  1. midsummer madness » Motormama
    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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23/06/2008 às 15:37

O rock psicodélico e caipira do Motormama

Adilson Pereira

Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


Música


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    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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O rock psicodélico e caipira do Motormama

Adilson Pereira

Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


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    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


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    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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O rock psicodélico e caipira do Motormama

Adilson Pereira

Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


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    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


Música


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    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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O rock psicodélico e caipira do Motormama

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Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


Música


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  1. midsummer madness » Motormama
    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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23/06/2008 às 15:37

O rock psicodélico e caipira do Motormama

Adilson Pereira

Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


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    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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Adilson Pereira

Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


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    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


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    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


Música


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    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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O rock psicodélico e caipira do Motormama

Adilson Pereira

Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


Música


Uma resposta

  1. midsummer madness » Motormama
    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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23/06/2008 às 15:37

O rock psicodélico e caipira do Motormama

Adilson Pereira

Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


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    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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Adilson Pereira

Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


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Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


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    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


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    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


Música


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    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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O rock psicodélico e caipira do Motormama

Adilson Pereira

Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


Música


Uma resposta

  1. midsummer madness » Motormama
    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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O rock psicodélico e caipira do Motormama

Adilson Pereira

Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


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  1. midsummer madness » Motormama
    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


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    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


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  1. midsummer madness » Motormama
    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


Música


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  1. midsummer madness » Motormama
    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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O rock psicodélico e caipira do Motormama

Adilson Pereira

Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


Música


Uma resposta

  1. midsummer madness » Motormama
    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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23/06/2008 às 15:37

O rock psicodélico e caipira do Motormama

Adilson Pereira

Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


Música


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  1. midsummer madness » Motormama
    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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O rock psicodélico e caipira do Motormama

Adilson Pereira

Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


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    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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O rock psicodélico e caipira do Motormama

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Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”. Será que tanta falação sobre samba quer dizer que ele seria capaz de - ou gostaria de - fazer samba? Nada de risos para responder essa: “Não, não. Mas, veja: sou fanático por Adoniran Barbosa. Temos até uma versão de ‘Trem das onze’. Mas é uma versão rock. Não sei fazer samba.”

O que ele sabe e adora fazer é música que começa calminha e de repente explode. Como acontece com a faixa-título do EP virtual. “Ela é bem clássica, uma batida bem tribal. Acho até meio retrô, em alguns aspectos”, explica o artista que também curte um pouco de hardcore. Não muito, só o suficiente para manter a rotina de fazer músicas que de repente aceleram. “Já ouvi muito Dead Kennedys, que é o melhor hardcore do mundo, na minha opinião. Os caras tocavam muito bem”, elege, com a concordância imediata e irrestrita do sujeito que está conduzindo a entrevista.

Depois, é a vez de ele concordar quando o jornalista aqui diz que “Enchante camaradas” tem um quê de trip-hop. “Você está certo. A letra fala de um cara meio pessimista que de repente começa a ver o lado bom das coisas. Esse cara sou eu, rá rá”, confessa. Uma música realmente confessional, então…? “Sim, e realmente tem o lance do trip-hop. A banda propôs isso. Foi uma música que contou com a colaboração de todos, em todos os sentidos. Eu imaginava uma batida mais reta e, de repente, o baterista fez algo meio soturno, quebrado. Ela é longa, cheia de camadas. E, quando a escrevi, não tirava Serge Gainsbourg da cabeça; acredite.”

A partir dos nomes das músicas que vemos no EP, “Não será um bom dia”, pelo que está no título, é que sugere algo mais “down”, mas não é bem assim… “Podes crer, é uma ironia tipicamente da banda. Ou das minhas letras, sei lá”, explica Régis sobre a faixa que no fim das contas tem um pouco cara de jam session com uma letra que é uma história bem definida, boa para um clipe. Ela fala de um Opala 73. Uma música que Régis considera a sua “Paranoid android” (Radiohead).

Régis lembra que muitas das músicas do Motormama são assim, cheias de histórias com começo, meio e fim.

O começo da história de “Preciso me vingar oh babe”, destrincha o rapaz, é um “andamento meio Neil Young”. Ele fala sobre o que parece ser um colorido setentista, dizendo que isso é uma sensação que surge no ouvinte, entre outras coisas, por causa do baixo e da bateria altos. E completa: “Veja, é uma guitarra jingle jangle típica de Creedence, Young e da turma do folk rock, mas aí a banda transforma em outra coisa…”


Música


Uma resposta

  1. midsummer madness » Motormama
    23/06/2008 às 15:37

    [...] O que se tem escrito a respeito da banda: blog Sambapunk “Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. por Adilson Pereira (jun/ 2008) mais em: http://www.sambapunk.com.br/musica/o-rock-psicodelico-e-caipira-do-motormama [...]


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O rock psicodélico e caipira do Motormama

Adilson Pereira

Em “A legítima cia fantasma”, de 2006, o Motormama nos presenteou com 14 músicas. Agora, a banda de Ribeirão Preto deixou de lado o CD em seu formato tradicional e reduziu a quantidade de faixas: “Rua Aurora” (MM Records), o novo álbum/EP, tem só cinco belezinhas. Régis Martins (guitarra, violão e voz), Luis Fernando (baixo), Gustavo Acrani (teclados), Gisele Z. (vocais) e Marcos P-XE (bateria) estão de volta com o que chamam de “puro rock psicodélico caipira”.

Bandas geralmente têm problemas com rótulos. O Motormama parece exceção. “Na verdade, criamos isso até para facilitar a vida dos jornalistas, rá. Não quer dizer muita coisa, mas, ao mesmo tempo, traduz certas características do som”, diz Régis Martins.

Parece que isso tem a ver com a origem interiorana da banda. “Sim, tem a ver, apesar de eu ser de São Paulo, capital. Mas acho que é uma forma de nos diferenciar de centenas de bandas criadas mensalmente. Mas nosso som vai além de influências caipiras, por isso achei legal colocar o lance psicodélico. Você percebe detalhes que demonstram essa característica caipira, da música de raiz, que realmente adoro, mas, ao mesmo tempo, existem outras influências.”

Tipo o folk, que ele diz ter sim sido usado para temperar “Esperando o furacão”. Ali tem folk, mas… “Mas a batida é marchinha quase carnavalesca, se você prestar atenção. É um folk bem brasileiro”, declara Régis Martins, recebendo com uma gargalhada a observação do escriba que diz que ali, naquela faixa, parece haver uma batida marcial: “Rá, veja só, cada um tem uma interpretação diferente de nossas músicas. Num primeiro momento, fiz essa música quase como um baião, mas o arranjo da banda a transformou numa marcha que pensamos ser quase carnavalesca e você diz parecer algo marcial. Somos o tipo de banda que provoca isso nas pessoas. Isso é legal.” É legal mesmo.

Mas, espere aí, como assim “baião”?

“Sim, mas se transformou em outra coisa. Adoro Luis Gonzaga. Acho o baião de Gonzaga e a viola de Tião Carreiro quase blueseiros. É o blues nacional.” Ele parece estar se referindo aos momentos de “tristeza” que há em interpretações feitas por - os dois merecem o aumentativo - Gonzagão e Carreirão. Uma tristeza que o rapaz do Motormama enxerga também no samba-canção. Segundo Régis, “o bom samba é tristíssimo”