29/06/2009 às 10:29
Os discos que recebo # 2
Felipe Gurgel - ColunistaPassei cinco dias em Recife (PE), a pretexto do Porto Musical, e algo do que eu trouxe na bagagem vai estar nas próximas colunas. Hoje, falo da revelação Nublado, de João Pessoa (PB), e do “barulho fino” do AMP, de Pernambuco. Boa leitura.
Nublado – “Vôo livre” (EP, Independente, 2009)
Antes de o disquinho começar a circular por aí, o lançamento virtual deste “Vôo livre” já repercutia bem. Não é por menos. A novíssima Nublado, banda de João Pessoa (PB), traz quatro hits absolutamente grudentos neste EP. Se com o primeiro trabalho o quarteto já revelava um bom potencial para a composição de melodias fáceis, agora, com o segundo, apresenta outros diferenciais: boa produção, qualidade e peso da gravação. O processo se deu fora de casa, nos domínios de Anderson Foca (estúdio DoSol – RN).
E qual foi a surpresa deste trabalho? Tudo parece mais bem resolvido e as referências – do novo rock ao Radiohead – se encontraram de forma que a moçada consegue impor personalidade nas músicas novas. Da primeira à última faixa, é difícil não cantar junto, com destaque para o bom refrão de “Desse lado”. A pegada pop se mantém linear em “No ar” e “Sobre o caos”; já “Suas asas” arrisca efeitos e um pique mais nervoso, a reboque do ritmo quebrado da bateria de Rayan Lins – melhor músico do quarteto.
“Vôo livre” não poderia ter um nome mais adequado para as circunstâncias da carreira do Nublado, pois indica um caminho aberto para o quarteto crescer, corrigindo inclusive algumas limitações (sobretudo vocais) de seus shows em um passado recente. No entanto, Rayan Lins (bateria e backing vocals), Fábio Viana (voz/guitarra), Andrei de Ferrer (baixo/voz) e Lucas Moura (guitarra) já sabem do que podem se orgulhar neste EP – o melhor cartão de visitas do Nublado até então.
Mais sobre ele: http://www.popup.mus.br/wp-content/plugins/download-monitor/download.php?id=29 (Link direto para baixar) / www.myspace.com/bandanublado (Informações)
AMP – “Pharmako dinâmica” (CD, Monstro Discos, 2009)
Anda complicado falar sobre o AMP sem cair em redundância. Já é quase um clichê colocar o trabalho desta banda de Recife (PE) em patamares de excelência rocker. Afinal, Djalma Rodrigues (voz/guitarra), Capivara (voz/guitarra), Dudu Sat (baixo nervoso) e Crika (bateria) começaram a aloprar desde os primeiros shows e o reconhecimento da mídia especializada veio antes ainda do lançamento de “Pharmako dinâmica”.
O primeiro álbum confirma a qualidade que se vê nos shows. Um stoner pesado cujo DNA o mainstream do rock nacional não projeta e talvez nunca o faça, dadas as transformações do mercado e as letras politicamente incorretas do grupo (“Acidez”, por exemplo). O que não é ruim: o AMP parece muito bem onde está e parece não se importar em soar similar às suas principais referências (Queens of The Stone Age, rock 90 e afins), já que as composições respondem por si próprias. Ouça a ótima “Effectlast try” e entenda por que não existem crises de identidade no repertório, embora a maior parte das músicas seja cantada em inglês.
“Pharmako dinâmica” teve uma engenharia sonora privilegiada. Iuri Freiberger assinou a produção com a banda e deixou tudo nos conformes: as guitarras dialogam falando a mesma língua, sem um contraste desnecessário de arranjos, defeito recorrente em bandas novas. O baixo com distorção é o fio condutor de toda a parede sonora do AMP, acompanhado pela pegada de bateria que se ouve, nitidamente, dos pratos à marcação do bumbo.
No mais, além de alguns petardos de riffs marcantes (“Ataque dos aliens”), faixas como “Black Grass” trazem ecos de Soundgarden e de outras referências do rock noventista, sem soar datado. Um barulho fino. Sabe então um novo clichê sobre os pernambucanos? Disco para constar nas listas de melhores do ano, sem dúvida.
Mais sobre ele: www.monstrodiscos.com.br (Vendas) / www.myspace.com/amprockrecife (Informações).
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| Coluna, Música | Um comentário |


Uma resposta
Raphael
29/06/2009 às 10:29
Texto fino sobre o barulho fino. Bom demais isso aqui, nobre Felipe!
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