Garota FM
SAmbaPUNk » Toscos, mas limpinhos

12/05/2009 às 1:47

Toscos, mas limpinhos

Adilson Pereira

Tosco: estilo

Três caras que gostam de vinis se juntaram para montar um selo e estão colocando na praça, agora, seu primeiro lançamento: “Fuck the pro-tools”, um sete polegadas da Banda de Blues de Joe Strume. Foram prensadas na Inglaterra 200 unidades que, aos poucos, estão vindo do outro lado do Atlântico pelo correio. Os rapazes descartaram a possibilidade de usar um navio como meio de transporte porque seis meses de viagem (a previsão era essa) poderiam comprometer a “saúde” do produto.

A bolachinha é a número um do catálogo da Tosco Brasil, selo através do qual pretendem disponibilizar também cassetes e outros lances. Na capinha, um adesivo – tipo etiqueta de preço, com contorno vermelho – informa: “Puro”. “Cachaça pura, rapadura pura e rock puro, sem conservantes”, brinca Igor Ribeiro, um cidadão do Rio de Janeiro que hoje em dia agita as noites em Belém do Pará. O goiano Maurício Mota completa: “O Joe, na ultima vez em que fui a Uberlândia, me apresentou uma ótima rapadura vinda de uma cidadezinha próxima. Nela, tinha uma etiqueta igual. Achei genial e copiei a idéia. Afinal, nosso produto também é puro: pode ser consumido, sem medo.”

Joe Strume, de Uberlândia, capitão do primeiro lançamento, completa o time. Na hora de fazer as contas, é com ele. “O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco”, compara Strume, referindo-se à última fábrica de vinis do país, localizada na Baixada Fluminense. Talvez por isso ele não esquente a cabeça com o abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe envolvendo a fábrica no Rio.

Os três foram se encontrando aos poucos, em festivais, trocando cartas e e-mails. Igor Ribeiro destaca: “Quando conheci o Joe, ele estava vendendo vinis da sua coleção pessoal para juntar grana e lançar o compacto. Daí, ficamos um bom tempo sem conversar e quando retomamos a correspondência ele disse que já tinha entrado em contato com o Maurício e tal.” Maurício completa, meio distraído: “Coincidências da vida. A banda é que escolheu a gente. Eu acho. Foi?” Confira o pingue-pongue:

Tosco: o primeiro sete polegadas

Sambapunk – Como surgiu a idéia de criar um selo para lançar vinis?
Igor Ribeiro – Não era um selo para vinis. Na verdade, a idéia sempre foi ser uma parada de vender e fazer o que desse vontade… Vinis, K7s, camisetas, pedais de guitarra feitos em latas de sardinha…
Maurício Mota – Não era para lançar vinis. Não era esse o foco. Só pra você ver como são as coisas: nosso primeiro catálogo tinha uns CDRs, uma coletânea K7 pirata dos reggaes do The Clash que montei – e não vendeu sequer uma cópia – e até um relógio para deficientes visuais usado.  Ou seja, nosso catálogo tem “coisas”. Às vezes, é música.
 
Sambapunk – A Monstro Discos serviu de inspiração para vocês? Imagino que conheçam vários outros selos, pelo mundo, que lançam coisas neste formato.
Igor Ribeiro – Não para mim. Curto os compactos lançados por eles, mas, sei lá, acho que perderam tempo lançando CDs de bandas chatas pra cacete tipo esse Violins e perderam o foco de ter “os compactos mais chiques do Brasil”… puta banda chata, essa Violins. Os selos que eu gosto são In The Red Records, Estrus, Touch and Go, Get Hip, Bomp!, Crypt, Ipecac, Alternative Tentacles, SST e mais uma pá. E tenho que concordar que vez ou outra esses também lançam artistas descartáveis.
 
Sambapunk – Em que selo(s) ou artista(s) vocês se inspiraram?
Igor Ribeiro – Sub Pop e Trama… HAHAHAHAHAHAHAHA…
Maurício Mota – Não sei, sinceramente. Em nenhum, acho, pois o lance da Tosco Brasil é bem particular. Volátil, até.
 
Sambapunk – A Tosco concorre com a Monstro Discos ou serão empresas parceiras?
Igor Ribeiro – Não somos concorrentes, não. Se juntar nossas contas bancárias, não dá o salário do Fabrício (Nobre, um dos donos da Monstro); é desleal.
Maurício Mota – Sei lá. Meio sem sentido, isso. Pense bem: que empresa iria querer a gente como parceiros?? Três vagabundos sonhadores. Esqueça.
 

Tosca: Banda De Blues De Joe Strume
Sambapunk – Qual é o objetivo principal por trás da criação da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Diversão e amor por vinis e fitas k7. CD não rola, cara; de verdade.
Maurício Mota – Sou de uma época de trocas de zines, demos, cartas via carteiro. Então, tento hoje manter isso sempre próximo. A Tosco Brasil é basicamente isso. Relacionamento via carteiro. A gente desenvolve um trabalho desorganizado e lento em função das coisas que achamos bacanas e depois suamos um pouco pra levar estas coisas a um público mais abrangente e que também gosta deste universo.
 
Sambapunk – De onde são os clientes/compradores de vocês?
Igor Ribeiro – Boa pergunta, essa. Mandei pra uns amigos que realmente entendem o espírito “rock cru”, sabe ? Brasil e gringolândia. Ah, eu queria mandar um pra dona da Daslu!!
Maurício Mota – Ainda não sabemos. Toda sorte de gente. O mundo inteiro. Como utilizamos o Ebay e o Mercado Livre pra divulgar e vender os lances da Tosco Brasil, estamos abertos a todo tipo de cliente. Qualquer pessoa, pois não temos a barreira da língua. Confiamos cegamente no Google Translate pra nos comunicarmos com o planeta inteiro, via email e carta.
 
Sambapunk – Fazer um disquinho na Inglaterra não fica muito caro?
Igor Ribeiro – Agora eu não lembro dos valores, mas sei que ficou viável.
Maurício Mota – Até que não.  O Joe Strume pode colocar isto para você na ponta do lápis. Eu nem lembro quanto ficou tudo.
Joe Strume – Sugiro que pensemos na relação custo-benefício. O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco. Acho que a questão essencial é a qualidade do “corte” feito na Inglaterra, uma vez que lá nunca se parou de fazer vinil e, portanto, os maquinários estão OK. Sabemos que o “corte” da PolySom apresentava problemas, como o desaparecimento de freqüências graves, devido às deficiências do aparato que tinham para prensar os vinis. Assim, quando a PolySom devolveu nosso material e disse que não poderia fazer nosso disco, vi como uma espécie de “há males que vêm para bem”. Porque foi depois deste “não” que procuramos a prensa inglesa.

Tosco: catálogo

Sambapunk – Tive informações de que a prensagem pode ser até “barata”, mas o problema é transporte/remessa do material… É isso mesmo?
Igor Ribeiro – Postagem é um problemão. Tem prensas lá fora que não fazem o serviço porque a postagem para o Brasil é cara.
Maurício Mota – O Joe negociou tudo.
Joe Strume – Isso que você diz procede. A questão do transporte é complicada e, em nosso caso, foi e está sendo ainda mais complicado. Não recebemos todos os discos, uma vez que não temos como buscar pessoalmente e, assim, dependemos do transporte via correio. O envio por navio (surface) é mais em conta, mas demora muito (até seis meses) e ainda corre-se o risco de o material chegar danificado, devido ao longo tempo de viagem.

Sambapunk – Vocês pensaram muito antes de começarem com a Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Na verdade, fui convidado a entrar na Tosco Brasil pelo Maurício. Não pensei muito, não.
Maurício Mota – É claro que não.
Joe Strume – Bem… Na verdade, acho que foi a Banda de Blues de Joe Strume que escolheu a Tosco Brasil para fazer este lançamento.
E esta escolha se deu muito antes de gravarmos com a produção do Maurício. Acho que tudo começou no fim de 2005, quando o Maurício veio tocar em Uberlândia com sua antiga banda (Hang The Superstars). Nesta ocasião, eu e o Rogério Matador, o baterista da Banda de Blues de Joe Strume, fomos até a banquinha onde o Mauricio estava e falamos sobre sons toscos… Eu estava usando uma camiseta verde do Cramps e acho que isso foi importante como “cartão de visitas” Heheheh… Daí, em janeiro de 2007, telefonei pro Mauricio e pedi que produzisse a banda. Quando ele aceitou nosso convite, creio que a Tosco Brasil passou a fazer parte da coisa.
 
Sambapunk – O que pesava mais contra a decisão, isto é, qual é a maior dificuldade para manter um empreendimento como este?
Igor Ribeiro – Empreendimento ? Uau, obrigado. Vou acender um cubano aqui com uma nota de 50.
Maurício Mota – Não tem muita dificuldade. Como não há prazos a cumprir, a gente vai levando sem estresse, para os cabelos não caírem.

Sambapunk – E o que mais pesou/pesa a favor?
Igor Ribeiro – O que mais pesa a favor é diversão, conhecer gente nova e ganhar discos.
Maurício Mota – Ver um plano que antes parecia uma piada dar certo. Não tem preço. Igual a este compacto que estamos lançando agora. A coisa mais espetacular feita no rock, hoje, no Brasil. Não existe similar. A preocupação agora é onde esconder da receita o tanto de dinheiro que vamos ganhar. Odiamos impostos.
 
Sambapunk – Por que este lema, “Fuck the pro-tools”?
Igor Ribeiro – O rock de verdade está morrendo, cara. Quando uma banda de “rock” grava na mesma qualidade de Maria Rita ou Charlie Brown Jr e é produzida pelo Rick Bonadio, o rock não tem mais sentido. Pro-tools sucks!
Maurício Mota – É uma piada com estes programas de gravação que tiraram a graça de gravar roquenrol. Se adotássemos neste caso o meio contemporâneo de gravação, não teríamos escutado nem um quinto dos sons e experiências fantásticas que rolaram durante o processo de gravação na casa do Joe. Microfone dentro de balde, cachorro latindo, cerveja e cigarro para todos os lados, voz no banheiro. Não havia regras. Escutávamos um disco e tentávamos reproduzir, na unha, aquele som. E outra, o compacto foi todo feito dentro de uma fita k7. Nada mais justo do que dar este título ao compacto.

Sambapunk – Como será a estratégia de trabalho de vocês?
Igor Ribeiro – Enviar para selos, bandas e amigos.
Maurício Mota – Estamos ainda pensando…

Tosco: amor pelos animais
Sambapunk – Qual foi o investimento necessário para este primeiro lançamento acontecer?
Igor Ribeiro – Algum dinheiro e paciência, muita paciência.
 
Sambapunk – Quais são as funções de cada um de vocês, na Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Faço algumas traduções, ilustrações e discordo de tudo que Elmiro e Maurício planejam.
Maurício Mota – Eu sou o mais velho. O Igor é o mais disperso. O Elmiro é o mais louco. Dentro disso, vamos revezando entre ter idéias, desenhá-las, desenvolvê-las e lançá-las.

Sambapunk – Paixão é fundamental para conseguir dar vida a um projeto como este?
Igor Ribeiro – Sim, sim.
Maurício Mota – Sim. E um pouco de irresponsabilidade também, pois mexemos com um tipo de comércio em que poucos ainda entendem o nosso approach.

Sambapunk – Vocês não vão montar nem mesmo um blog da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Eu não daria conta. Já tocamos o “Rock de plástico”. Aliás, essa semana tem uma bela matéria sobre os paulistanos do Sell Outs que são mais conhecidos na gringa que em seu país natal.
Maurício Mota – Pra quê? Temos um blog, já… Eu não daria conta de ter outro. Mal dou conta do meu e-mail, que me tira horas preciosas de sol pela manhã. Usamos ferramentas da internet muito mais confiáveis que qualquer site de gravadora/selo por aí. Estamos no Ebay e no Mercado Livre. Sai mais barato, tem garantia infinita e ainda polui menos as vias arteriais da web.
 
Sambapunk – O adesivo-catálogo de vocês anuncia uma coletânea em fita cassete… Falem mais sobre isso.
Igor Ribeiro – Sim, essa coletânea é o próximo lançamento da Tosco Brasil, vai se chamar “Rock Brasil”. Hahaha… E vai sair em K7.
Maurício Mota – Essa idéia é velha amiga nossa: lançar uma coletânea com bandas que achamos legais e que ninguém lançaria. Em k7, com pôster e texto e tal. Nos amarramos em contar histórias e passar pra frente.

Sambapunk – Que bandas/artistas vão participar desta coletânea?
Igor Ribeiro – Nossa, não terá um critério sobre os ritmos. E eu quero muito convidar bandas tipo Ambervisions e Merda, das quais sou fã.
Maurício Mota – Estamos resolvendo isso… Primeiramente, cada sócio vai atrás de quatro bandas. Cada um faz sua curadoria. Tem uma banda que eu quero colocar e já acabou, mas não to nem aí. É a banda COISA, aqui de Goiânia, que é, pra mim, a banda mais espetacular, roquenrol e audaciosa que esta cidade já teve. Uma história ainda não contada que surpreenderá muita gente.

Sambapunk – Já há um próximo lançamento de vinil programado?
Igor Ribeiro – Bang Bang Babies!!
Maurício Mota – Tem uma banda aqui em Goiânia querendo gravar também dentro do esquema 4track… caseiro: Bang Bang Babies; mas não sabemos ainda o que vai virar. Mas ao que tudo indica será um sete polegadas, que é o objetivo deles. Mas nada certo, ainda.

Sambapunk – A meta de vocês é vender esta tiragem de discos em quanto tempo?
Igor Ribeiro – Eu penso apenas em vender uma parte. Eu troco o restante por outros discos, o lance é não deixar o vinil acabar!!
Maurício Mota – Não temos assim este compromisso com o tempo. Este disco da Banda de Blues de Jos Strume talvez só seja compreendido daqui a uns 12 anos, então, não há pressa. Não é o som que está na moda, saca? Daqui a uns seis anos, ainda será ousado, autoral, incompreendido, inspirador e novo.


Mercado/Negócios, Música, Pingue-pongue


2 respostas

  1. João Augusto
    12/05/2009 às 1:47

    Adilson, como vai? Não tem nenhum “abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe”. A POLYSOM foi adquirida e já está em obras para produzir discos de qualidade, comparáveis a qualquer um feito em fábricas gringas, ainda no segundo semestre de 2009.
    Abração.

  2. Natália Beatriz
    12/05/2009 às 1:47

    eu tava no lançamento dessa porra! massa!
    será que agora, que já acabou o “segundo semestre de 2009″ a polysom já reabriu?
    acho que ninguém sabe..


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12/05/2009 às 1:47

Toscos, mas limpinhos

Adilson Pereira

Tosco: estilo

Três caras que gostam de vinis se juntaram para montar um selo e estão colocando na praça, agora, seu primeiro lançamento: “Fuck the pro-tools”, um sete polegadas da Banda de Blues de Joe Strume. Foram prensadas na Inglaterra 200 unidades que, aos poucos, estão vindo do outro lado do Atlântico pelo correio. Os rapazes descartaram a possibilidade de usar um navio como meio de transporte porque seis meses de viagem (a previsão era essa) poderiam comprometer a “saúde” do produto.

A bolachinha é a número um do catálogo da Tosco Brasil, selo através do qual pretendem disponibilizar também cassetes e outros lances. Na capinha, um adesivo – tipo etiqueta de preço, com contorno vermelho – informa: “Puro”. “Cachaça pura, rapadura pura e rock puro, sem conservantes”, brinca Igor Ribeiro, um cidadão do Rio de Janeiro que hoje em dia agita as noites em Belém do Pará. O goiano Maurício Mota completa: “O Joe, na ultima vez em que fui a Uberlândia, me apresentou uma ótima rapadura vinda de uma cidadezinha próxima. Nela, tinha uma etiqueta igual. Achei genial e copiei a idéia. Afinal, nosso produto também é puro: pode ser consumido, sem medo.”

Joe Strume, de Uberlândia, capitão do primeiro lançamento, completa o time. Na hora de fazer as contas, é com ele. “O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco”, compara Strume, referindo-se à última fábrica de vinis do país, localizada na Baixada Fluminense. Talvez por isso ele não esquente a cabeça com o abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe envolvendo a fábrica no Rio.

Os três foram se encontrando aos poucos, em festivais, trocando cartas e e-mails. Igor Ribeiro destaca: “Quando conheci o Joe, ele estava vendendo vinis da sua coleção pessoal para juntar grana e lançar o compacto. Daí, ficamos um bom tempo sem conversar e quando retomamos a correspondência ele disse que já tinha entrado em contato com o Maurício e tal.” Maurício completa, meio distraído: “Coincidências da vida. A banda é que escolheu a gente. Eu acho. Foi?” Confira o pingue-pongue:

Tosco: o primeiro sete polegadas

Sambapunk – Como surgiu a idéia de criar um selo para lançar vinis?
Igor Ribeiro – Não era um selo para vinis. Na verdade, a idéia sempre foi ser uma parada de vender e fazer o que desse vontade… Vinis, K7s, camisetas, pedais de guitarra feitos em latas de sardinha…
Maurício Mota – Não era para lançar vinis. Não era esse o foco. Só pra você ver como são as coisas: nosso primeiro catálogo tinha uns CDRs, uma coletânea K7 pirata dos reggaes do The Clash que montei – e não vendeu sequer uma cópia – e até um relógio para deficientes visuais usado.  Ou seja, nosso catálogo tem “coisas”. Às vezes, é música.
 
Sambapunk – A Monstro Discos serviu de inspiração para vocês? Imagino que conheçam vários outros selos, pelo mundo, que lançam coisas neste formato.
Igor Ribeiro – Não para mim. Curto os compactos lançados por eles, mas, sei lá, acho que perderam tempo lançando CDs de bandas chatas pra cacete tipo esse Violins e perderam o foco de ter “os compactos mais chiques do Brasil”… puta banda chata, essa Violins. Os selos que eu gosto são In The Red Records, Estrus, Touch and Go, Get Hip, Bomp!, Crypt, Ipecac, Alternative Tentacles, SST e mais uma pá. E tenho que concordar que vez ou outra esses também lançam artistas descartáveis.
 
Sambapunk – Em que selo(s) ou artista(s) vocês se inspiraram?
Igor Ribeiro – Sub Pop e Trama… HAHAHAHAHAHAHAHA…
Maurício Mota – Não sei, sinceramente. Em nenhum, acho, pois o lance da Tosco Brasil é bem particular. Volátil, até.
 
Sambapunk – A Tosco concorre com a Monstro Discos ou serão empresas parceiras?
Igor Ribeiro – Não somos concorrentes, não. Se juntar nossas contas bancárias, não dá o salário do Fabrício (Nobre, um dos donos da Monstro); é desleal.
Maurício Mota – Sei lá. Meio sem sentido, isso. Pense bem: que empresa iria querer a gente como parceiros?? Três vagabundos sonhadores. Esqueça.
 

Tosca: Banda De Blues De Joe Strume
Sambapunk – Qual é o objetivo principal por trás da criação da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Diversão e amor por vinis e fitas k7. CD não rola, cara; de verdade.
Maurício Mota – Sou de uma época de trocas de zines, demos, cartas via carteiro. Então, tento hoje manter isso sempre próximo. A Tosco Brasil é basicamente isso. Relacionamento via carteiro. A gente desenvolve um trabalho desorganizado e lento em função das coisas que achamos bacanas e depois suamos um pouco pra levar estas coisas a um público mais abrangente e que também gosta deste universo.
 
Sambapunk – De onde são os clientes/compradores de vocês?
Igor Ribeiro – Boa pergunta, essa. Mandei pra uns amigos que realmente entendem o espírito “rock cru”, sabe ? Brasil e gringolândia. Ah, eu queria mandar um pra dona da Daslu!!
Maurício Mota – Ainda não sabemos. Toda sorte de gente. O mundo inteiro. Como utilizamos o Ebay e o Mercado Livre pra divulgar e vender os lances da Tosco Brasil, estamos abertos a todo tipo de cliente. Qualquer pessoa, pois não temos a barreira da língua. Confiamos cegamente no Google Translate pra nos comunicarmos com o planeta inteiro, via email e carta.
 
Sambapunk – Fazer um disquinho na Inglaterra não fica muito caro?
Igor Ribeiro – Agora eu não lembro dos valores, mas sei que ficou viável.
Maurício Mota – Até que não.  O Joe Strume pode colocar isto para você na ponta do lápis. Eu nem lembro quanto ficou tudo.
Joe Strume – Sugiro que pensemos na relação custo-benefício. O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco. Acho que a questão essencial é a qualidade do “corte” feito na Inglaterra, uma vez que lá nunca se parou de fazer vinil e, portanto, os maquinários estão OK. Sabemos que o “corte” da PolySom apresentava problemas, como o desaparecimento de freqüências graves, devido às deficiências do aparato que tinham para prensar os vinis. Assim, quando a PolySom devolveu nosso material e disse que não poderia fazer nosso disco, vi como uma espécie de “há males que vêm para bem”. Porque foi depois deste “não” que procuramos a prensa inglesa.

Tosco: catálogo

Sambapunk – Tive informações de que a prensagem pode ser até “barata”, mas o problema é transporte/remessa do material… É isso mesmo?
Igor Ribeiro – Postagem é um problemão. Tem prensas lá fora que não fazem o serviço porque a postagem para o Brasil é cara.
Maurício Mota – O Joe negociou tudo.
Joe Strume – Isso que você diz procede. A questão do transporte é complicada e, em nosso caso, foi e está sendo ainda mais complicado. Não recebemos todos os discos, uma vez que não temos como buscar pessoalmente e, assim, dependemos do transporte via correio. O envio por navio (surface) é mais em conta, mas demora muito (até seis meses) e ainda corre-se o risco de o material chegar danificado, devido ao longo tempo de viagem.

Sambapunk – Vocês pensaram muito antes de começarem com a Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Na verdade, fui convidado a entrar na Tosco Brasil pelo Maurício. Não pensei muito, não.
Maurício Mota – É claro que não.
Joe Strume – Bem… Na verdade, acho que foi a Banda de Blues de Joe Strume que escolheu a Tosco Brasil para fazer este lançamento.
E esta escolha se deu muito antes de gravarmos com a produção do Maurício. Acho que tudo começou no fim de 2005, quando o Maurício veio tocar em Uberlândia com sua antiga banda (Hang The Superstars). Nesta ocasião, eu e o Rogério Matador, o baterista da Banda de Blues de Joe Strume, fomos até a banquinha onde o Mauricio estava e falamos sobre sons toscos… Eu estava usando uma camiseta verde do Cramps e acho que isso foi importante como “cartão de visitas” Heheheh… Daí, em janeiro de 2007, telefonei pro Mauricio e pedi que produzisse a banda. Quando ele aceitou nosso convite, creio que a Tosco Brasil passou a fazer parte da coisa.
 
Sambapunk – O que pesava mais contra a decisão, isto é, qual é a maior dificuldade para manter um empreendimento como este?
Igor Ribeiro – Empreendimento ? Uau, obrigado. Vou acender um cubano aqui com uma nota de 50.
Maurício Mota – Não tem muita dificuldade. Como não há prazos a cumprir, a gente vai levando sem estresse, para os cabelos não caírem.

Sambapunk – E o que mais pesou/pesa a favor?
Igor Ribeiro – O que mais pesa a favor é diversão, conhecer gente nova e ganhar discos.
Maurício Mota – Ver um plano que antes parecia uma piada dar certo. Não tem preço. Igual a este compacto que estamos lançando agora. A coisa mais espetacular feita no rock, hoje, no Brasil. Não existe similar. A preocupação agora é onde esconder da receita o tanto de dinheiro que vamos ganhar. Odiamos impostos.
 
Sambapunk – Por que este lema, “Fuck the pro-tools”?
Igor Ribeiro – O rock de verdade está morrendo, cara. Quando uma banda de “rock” grava na mesma qualidade de Maria Rita ou Charlie Brown Jr e é produzida pelo Rick Bonadio, o rock não tem mais sentido. Pro-tools sucks!
Maurício Mota – É uma piada com estes programas de gravação que tiraram a graça de gravar roquenrol. Se adotássemos neste caso o meio contemporâneo de gravação, não teríamos escutado nem um quinto dos sons e experiências fantásticas que rolaram durante o processo de gravação na casa do Joe. Microfone dentro de balde, cachorro latindo, cerveja e cigarro para todos os lados, voz no banheiro. Não havia regras. Escutávamos um disco e tentávamos reproduzir, na unha, aquele som. E outra, o compacto foi todo feito dentro de uma fita k7. Nada mais justo do que dar este título ao compacto.

Sambapunk – Como será a estratégia de trabalho de vocês?
Igor Ribeiro – Enviar para selos, bandas e amigos.
Maurício Mota – Estamos ainda pensando…

Tosco: amor pelos animais
Sambapunk – Qual foi o investimento necessário para este primeiro lançamento acontecer?
Igor Ribeiro – Algum dinheiro e paciência, muita paciência.
 
Sambapunk – Quais são as funções de cada um de vocês, na Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Faço algumas traduções, ilustrações e discordo de tudo que Elmiro e Maurício planejam.
Maurício Mota – Eu sou o mais velho. O Igor é o mais disperso. O Elmiro é o mais louco. Dentro disso, vamos revezando entre ter idéias, desenhá-las, desenvolvê-las e lançá-las.

Sambapunk – Paixão é fundamental para conseguir dar vida a um projeto como este?
Igor Ribeiro – Sim, sim.
Maurício Mota – Sim. E um pouco de irresponsabilidade também, pois mexemos com um tipo de comércio em que poucos ainda entendem o nosso approach.

Sambapunk – Vocês não vão montar nem mesmo um blog da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Eu não daria conta. Já tocamos o “Rock de plástico”. Aliás, essa semana tem uma bela matéria sobre os paulistanos do Sell Outs que são mais conhecidos na gringa que em seu país natal.
Maurício Mota – Pra quê? Temos um blog, já… Eu não daria conta de ter outro. Mal dou conta do meu e-mail, que me tira horas preciosas de sol pela manhã. Usamos ferramentas da internet muito mais confiáveis que qualquer site de gravadora/selo por aí. Estamos no Ebay e no Mercado Livre. Sai mais barato, tem garantia infinita e ainda polui menos as vias arteriais da web.
 
Sambapunk – O adesivo-catálogo de vocês anuncia uma coletânea em fita cassete… Falem mais sobre isso.
Igor Ribeiro – Sim, essa coletânea é o próximo lançamento da Tosco Brasil, vai se chamar “Rock Brasil”. Hahaha… E vai sair em K7.
Maurício Mota – Essa idéia é velha amiga nossa: lançar uma coletânea com bandas que achamos legais e que ninguém lançaria. Em k7, com pôster e texto e tal. Nos amarramos em contar histórias e passar pra frente.

Sambapunk – Que bandas/artistas vão participar desta coletânea?
Igor Ribeiro – Nossa, não terá um critério sobre os ritmos. E eu quero muito convidar bandas tipo Ambervisions e Merda, das quais sou fã.
Maurício Mota – Estamos resolvendo isso… Primeiramente, cada sócio vai atrás de quatro bandas. Cada um faz sua curadoria. Tem uma banda que eu quero colocar e já acabou, mas não to nem aí. É a banda COISA, aqui de Goiânia, que é, pra mim, a banda mais espetacular, roquenrol e audaciosa que esta cidade já teve. Uma história ainda não contada que surpreenderá muita gente.

Sambapunk – Já há um próximo lançamento de vinil programado?
Igor Ribeiro – Bang Bang Babies!!
Maurício Mota – Tem uma banda aqui em Goiânia querendo gravar também dentro do esquema 4track… caseiro: Bang Bang Babies; mas não sabemos ainda o que vai virar. Mas ao que tudo indica será um sete polegadas, que é o objetivo deles. Mas nada certo, ainda.

Sambapunk – A meta de vocês é vender esta tiragem de discos em quanto tempo?
Igor Ribeiro – Eu penso apenas em vender uma parte. Eu troco o restante por outros discos, o lance é não deixar o vinil acabar!!
Maurício Mota – Não temos assim este compromisso com o tempo. Este disco da Banda de Blues de Jos Strume talvez só seja compreendido daqui a uns 12 anos, então, não há pressa. Não é o som que está na moda, saca? Daqui a uns seis anos, ainda será ousado, autoral, incompreendido, inspirador e novo.


Mercado/Negócios, Música, Pingue-pongue


2 respostas

  1. João Augusto
    12/05/2009 às 1:47

    Adilson, como vai? Não tem nenhum “abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe”. A POLYSOM foi adquirida e já está em obras para produzir discos de qualidade, comparáveis a qualquer um feito em fábricas gringas, ainda no segundo semestre de 2009.
    Abração.

  2. Natália Beatriz
    12/05/2009 às 1:47

    eu tava no lançamento dessa porra! massa!
    será que agora, que já acabou o “segundo semestre de 2009″ a polysom já reabriu?
    acho que ninguém sabe..


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12/05/2009 às 1:47

Toscos, mas limpinhos

Adilson Pereira

Tosco: estilo

Três caras que gostam de vinis se juntaram para montar um selo e estão colocando na praça, agora, seu primeiro lançamento: “Fuck the pro-tools”, um sete polegadas da Banda de Blues de Joe Strume. Foram prensadas na Inglaterra 200 unidades que, aos poucos, estão vindo do outro lado do Atlântico pelo correio. Os rapazes descartaram a possibilidade de usar um navio como meio de transporte porque seis meses de viagem (a previsão era essa) poderiam comprometer a “saúde” do produto.

A bolachinha é a número um do catálogo da Tosco Brasil, selo através do qual pretendem disponibilizar também cassetes e outros lances. Na capinha, um adesivo – tipo etiqueta de preço, com contorno vermelho – informa: “Puro”. “Cachaça pura, rapadura pura e rock puro, sem conservantes”, brinca Igor Ribeiro, um cidadão do Rio de Janeiro que hoje em dia agita as noites em Belém do Pará. O goiano Maurício Mota completa: “O Joe, na ultima vez em que fui a Uberlândia, me apresentou uma ótima rapadura vinda de uma cidadezinha próxima. Nela, tinha uma etiqueta igual. Achei genial e copiei a idéia. Afinal, nosso produto também é puro: pode ser consumido, sem medo.”

Joe Strume, de Uberlândia, capitão do primeiro lançamento, completa o time. Na hora de fazer as contas, é com ele. “O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco”, compara Strume, referindo-se à última fábrica de vinis do país, localizada na Baixada Fluminense. Talvez por isso ele não esquente a cabeça com o abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe envolvendo a fábrica no Rio.

Os três foram se encontrando aos poucos, em festivais, trocando cartas e e-mails. Igor Ribeiro destaca: “Quando conheci o Joe, ele estava vendendo vinis da sua coleção pessoal para juntar grana e lançar o compacto. Daí, ficamos um bom tempo sem conversar e quando retomamos a correspondência ele disse que já tinha entrado em contato com o Maurício e tal.” Maurício completa, meio distraído: “Coincidências da vida. A banda é que escolheu a gente. Eu acho. Foi?” Confira o pingue-pongue:

Tosco: o primeiro sete polegadas

Sambapunk – Como surgiu a idéia de criar um selo para lançar vinis?
Igor Ribeiro – Não era um selo para vinis. Na verdade, a idéia sempre foi ser uma parada de vender e fazer o que desse vontade… Vinis, K7s, camisetas, pedais de guitarra feitos em latas de sardinha…
Maurício Mota – Não era para lançar vinis. Não era esse o foco. Só pra você ver como são as coisas: nosso primeiro catálogo tinha uns CDRs, uma coletânea K7 pirata dos reggaes do The Clash que montei – e não vendeu sequer uma cópia – e até um relógio para deficientes visuais usado.  Ou seja, nosso catálogo tem “coisas”. Às vezes, é música.
 
Sambapunk – A Monstro Discos serviu de inspiração para vocês? Imagino que conheçam vários outros selos, pelo mundo, que lançam coisas neste formato.
Igor Ribeiro – Não para mim. Curto os compactos lançados por eles, mas, sei lá, acho que perderam tempo lançando CDs de bandas chatas pra cacete tipo esse Violins e perderam o foco de ter “os compactos mais chiques do Brasil”… puta banda chata, essa Violins. Os selos que eu gosto são In The Red Records, Estrus, Touch and Go, Get Hip, Bomp!, Crypt, Ipecac, Alternative Tentacles, SST e mais uma pá. E tenho que concordar que vez ou outra esses também lançam artistas descartáveis.
 
Sambapunk – Em que selo(s) ou artista(s) vocês se inspiraram?
Igor Ribeiro – Sub Pop e Trama… HAHAHAHAHAHAHAHA…
Maurício Mota – Não sei, sinceramente. Em nenhum, acho, pois o lance da Tosco Brasil é bem particular. Volátil, até.
 
Sambapunk – A Tosco concorre com a Monstro Discos ou serão empresas parceiras?
Igor Ribeiro – Não somos concorrentes, não. Se juntar nossas contas bancárias, não dá o salário do Fabrício (Nobre, um dos donos da Monstro); é desleal.
Maurício Mota – Sei lá. Meio sem sentido, isso. Pense bem: que empresa iria querer a gente como parceiros?? Três vagabundos sonhadores. Esqueça.
 

Tosca: Banda De Blues De Joe Strume
Sambapunk – Qual é o objetivo principal por trás da criação da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Diversão e amor por vinis e fitas k7. CD não rola, cara; de verdade.
Maurício Mota – Sou de uma época de trocas de zines, demos, cartas via carteiro. Então, tento hoje manter isso sempre próximo. A Tosco Brasil é basicamente isso. Relacionamento via carteiro. A gente desenvolve um trabalho desorganizado e lento em função das coisas que achamos bacanas e depois suamos um pouco pra levar estas coisas a um público mais abrangente e que também gosta deste universo.
 
Sambapunk – De onde são os clientes/compradores de vocês?
Igor Ribeiro – Boa pergunta, essa. Mandei pra uns amigos que realmente entendem o espírito “rock cru”, sabe ? Brasil e gringolândia. Ah, eu queria mandar um pra dona da Daslu!!
Maurício Mota – Ainda não sabemos. Toda sorte de gente. O mundo inteiro. Como utilizamos o Ebay e o Mercado Livre pra divulgar e vender os lances da Tosco Brasil, estamos abertos a todo tipo de cliente. Qualquer pessoa, pois não temos a barreira da língua. Confiamos cegamente no Google Translate pra nos comunicarmos com o planeta inteiro, via email e carta.
 
Sambapunk – Fazer um disquinho na Inglaterra não fica muito caro?
Igor Ribeiro – Agora eu não lembro dos valores, mas sei que ficou viável.
Maurício Mota – Até que não.  O Joe Strume pode colocar isto para você na ponta do lápis. Eu nem lembro quanto ficou tudo.
Joe Strume – Sugiro que pensemos na relação custo-benefício. O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco. Acho que a questão essencial é a qualidade do “corte” feito na Inglaterra, uma vez que lá nunca se parou de fazer vinil e, portanto, os maquinários estão OK. Sabemos que o “corte” da PolySom apresentava problemas, como o desaparecimento de freqüências graves, devido às deficiências do aparato que tinham para prensar os vinis. Assim, quando a PolySom devolveu nosso material e disse que não poderia fazer nosso disco, vi como uma espécie de “há males que vêm para bem”. Porque foi depois deste “não” que procuramos a prensa inglesa.

Tosco: catálogo

Sambapunk – Tive informações de que a prensagem pode ser até “barata”, mas o problema é transporte/remessa do material… É isso mesmo?
Igor Ribeiro – Postagem é um problemão. Tem prensas lá fora que não fazem o serviço porque a postagem para o Brasil é cara.
Maurício Mota – O Joe negociou tudo.
Joe Strume – Isso que você diz procede. A questão do transporte é complicada e, em nosso caso, foi e está sendo ainda mais complicado. Não recebemos todos os discos, uma vez que não temos como buscar pessoalmente e, assim, dependemos do transporte via correio. O envio por navio (surface) é mais em conta, mas demora muito (até seis meses) e ainda corre-se o risco de o material chegar danificado, devido ao longo tempo de viagem.

Sambapunk – Vocês pensaram muito antes de começarem com a Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Na verdade, fui convidado a entrar na Tosco Brasil pelo Maurício. Não pensei muito, não.
Maurício Mota – É claro que não.
Joe Strume – Bem… Na verdade, acho que foi a Banda de Blues de Joe Strume que escolheu a Tosco Brasil para fazer este lançamento.
E esta escolha se deu muito antes de gravarmos com a produção do Maurício. Acho que tudo começou no fim de 2005, quando o Maurício veio tocar em Uberlândia com sua antiga banda (Hang The Superstars). Nesta ocasião, eu e o Rogério Matador, o baterista da Banda de Blues de Joe Strume, fomos até a banquinha onde o Mauricio estava e falamos sobre sons toscos… Eu estava usando uma camiseta verde do Cramps e acho que isso foi importante como “cartão de visitas” Heheheh… Daí, em janeiro de 2007, telefonei pro Mauricio e pedi que produzisse a banda. Quando ele aceitou nosso convite, creio que a Tosco Brasil passou a fazer parte da coisa.
 
Sambapunk – O que pesava mais contra a decisão, isto é, qual é a maior dificuldade para manter um empreendimento como este?
Igor Ribeiro – Empreendimento ? Uau, obrigado. Vou acender um cubano aqui com uma nota de 50.
Maurício Mota – Não tem muita dificuldade. Como não há prazos a cumprir, a gente vai levando sem estresse, para os cabelos não caírem.

Sambapunk – E o que mais pesou/pesa a favor?
Igor Ribeiro – O que mais pesa a favor é diversão, conhecer gente nova e ganhar discos.
Maurício Mota – Ver um plano que antes parecia uma piada dar certo. Não tem preço. Igual a este compacto que estamos lançando agora. A coisa mais espetacular feita no rock, hoje, no Brasil. Não existe similar. A preocupação agora é onde esconder da receita o tanto de dinheiro que vamos ganhar. Odiamos impostos.
 
Sambapunk – Por que este lema, “Fuck the pro-tools”?
Igor Ribeiro – O rock de verdade está morrendo, cara. Quando uma banda de “rock” grava na mesma qualidade de Maria Rita ou Charlie Brown Jr e é produzida pelo Rick Bonadio, o rock não tem mais sentido. Pro-tools sucks!
Maurício Mota – É uma piada com estes programas de gravação que tiraram a graça de gravar roquenrol. Se adotássemos neste caso o meio contemporâneo de gravação, não teríamos escutado nem um quinto dos sons e experiências fantásticas que rolaram durante o processo de gravação na casa do Joe. Microfone dentro de balde, cachorro latindo, cerveja e cigarro para todos os lados, voz no banheiro. Não havia regras. Escutávamos um disco e tentávamos reproduzir, na unha, aquele som. E outra, o compacto foi todo feito dentro de uma fita k7. Nada mais justo do que dar este título ao compacto.

Sambapunk – Como será a estratégia de trabalho de vocês?
Igor Ribeiro – Enviar para selos, bandas e amigos.
Maurício Mota – Estamos ainda pensando…

Tosco: amor pelos animais
Sambapunk – Qual foi o investimento necessário para este primeiro lançamento acontecer?
Igor Ribeiro – Algum dinheiro e paciência, muita paciência.
 
Sambapunk – Quais são as funções de cada um de vocês, na Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Faço algumas traduções, ilustrações e discordo de tudo que Elmiro e Maurício planejam.
Maurício Mota – Eu sou o mais velho. O Igor é o mais disperso. O Elmiro é o mais louco. Dentro disso, vamos revezando entre ter idéias, desenhá-las, desenvolvê-las e lançá-las.

Sambapunk – Paixão é fundamental para conseguir dar vida a um projeto como este?
Igor Ribeiro – Sim, sim.
Maurício Mota – Sim. E um pouco de irresponsabilidade também, pois mexemos com um tipo de comércio em que poucos ainda entendem o nosso approach.

Sambapunk – Vocês não vão montar nem mesmo um blog da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Eu não daria conta. Já tocamos o “Rock de plástico”. Aliás, essa semana tem uma bela matéria sobre os paulistanos do Sell Outs que são mais conhecidos na gringa que em seu país natal.
Maurício Mota – Pra quê? Temos um blog, já… Eu não daria conta de ter outro. Mal dou conta do meu e-mail, que me tira horas preciosas de sol pela manhã. Usamos ferramentas da internet muito mais confiáveis que qualquer site de gravadora/selo por aí. Estamos no Ebay e no Mercado Livre. Sai mais barato, tem garantia infinita e ainda polui menos as vias arteriais da web.
 
Sambapunk – O adesivo-catálogo de vocês anuncia uma coletânea em fita cassete… Falem mais sobre isso.
Igor Ribeiro – Sim, essa coletânea é o próximo lançamento da Tosco Brasil, vai se chamar “Rock Brasil”. Hahaha… E vai sair em K7.
Maurício Mota – Essa idéia é velha amiga nossa: lançar uma coletânea com bandas que achamos legais e que ninguém lançaria. Em k7, com pôster e texto e tal. Nos amarramos em contar histórias e passar pra frente.

Sambapunk – Que bandas/artistas vão participar desta coletânea?
Igor Ribeiro – Nossa, não terá um critério sobre os ritmos. E eu quero muito convidar bandas tipo Ambervisions e Merda, das quais sou fã.
Maurício Mota – Estamos resolvendo isso… Primeiramente, cada sócio vai atrás de quatro bandas. Cada um faz sua curadoria. Tem uma banda que eu quero colocar e já acabou, mas não to nem aí. É a banda COISA, aqui de Goiânia, que é, pra mim, a banda mais espetacular, roquenrol e audaciosa que esta cidade já teve. Uma história ainda não contada que surpreenderá muita gente.

Sambapunk – Já há um próximo lançamento de vinil programado?
Igor Ribeiro – Bang Bang Babies!!
Maurício Mota – Tem uma banda aqui em Goiânia querendo gravar também dentro do esquema 4track… caseiro: Bang Bang Babies; mas não sabemos ainda o que vai virar. Mas ao que tudo indica será um sete polegadas, que é o objetivo deles. Mas nada certo, ainda.

Sambapunk – A meta de vocês é vender esta tiragem de discos em quanto tempo?
Igor Ribeiro – Eu penso apenas em vender uma parte. Eu troco o restante por outros discos, o lance é não deixar o vinil acabar!!
Maurício Mota – Não temos assim este compromisso com o tempo. Este disco da Banda de Blues de Jos Strume talvez só seja compreendido daqui a uns 12 anos, então, não há pressa. Não é o som que está na moda, saca? Daqui a uns seis anos, ainda será ousado, autoral, incompreendido, inspirador e novo.


Mercado/Negócios, Música, Pingue-pongue


2 respostas

  1. João Augusto
    12/05/2009 às 1:47

    Adilson, como vai? Não tem nenhum “abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe”. A POLYSOM foi adquirida e já está em obras para produzir discos de qualidade, comparáveis a qualquer um feito em fábricas gringas, ainda no segundo semestre de 2009.
    Abração.

  2. Natália Beatriz
    12/05/2009 às 1:47

    eu tava no lançamento dessa porra! massa!
    será que agora, que já acabou o “segundo semestre de 2009″ a polysom já reabriu?
    acho que ninguém sabe..


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12/05/2009 às 1:47

Toscos, mas limpinhos

Adilson Pereira

Tosco: estilo

Três caras que gostam de vinis se juntaram para montar um selo e estão colocando na praça, agora, seu primeiro lançamento: “Fuck the pro-tools”, um sete polegadas da Banda de Blues de Joe Strume. Foram prensadas na Inglaterra 200 unidades que, aos poucos, estão vindo do outro lado do Atlântico pelo correio. Os rapazes descartaram a possibilidade de usar um navio como meio de transporte porque seis meses de viagem (a previsão era essa) poderiam comprometer a “saúde” do produto.

A bolachinha é a número um do catálogo da Tosco Brasil, selo através do qual pretendem disponibilizar também cassetes e outros lances. Na capinha, um adesivo – tipo etiqueta de preço, com contorno vermelho – informa: “Puro”. “Cachaça pura, rapadura pura e rock puro, sem conservantes”, brinca Igor Ribeiro, um cidadão do Rio de Janeiro que hoje em dia agita as noites em Belém do Pará. O goiano Maurício Mota completa: “O Joe, na ultima vez em que fui a Uberlândia, me apresentou uma ótima rapadura vinda de uma cidadezinha próxima. Nela, tinha uma etiqueta igual. Achei genial e copiei a idéia. Afinal, nosso produto também é puro: pode ser consumido, sem medo.”

Joe Strume, de Uberlândia, capitão do primeiro lançamento, completa o time. Na hora de fazer as contas, é com ele. “O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco”, compara Strume, referindo-se à última fábrica de vinis do país, localizada na Baixada Fluminense. Talvez por isso ele não esquente a cabeça com o abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe envolvendo a fábrica no Rio.

Os três foram se encontrando aos poucos, em festivais, trocando cartas e e-mails. Igor Ribeiro destaca: “Quando conheci o Joe, ele estava vendendo vinis da sua coleção pessoal para juntar grana e lançar o compacto. Daí, ficamos um bom tempo sem conversar e quando retomamos a correspondência ele disse que já tinha entrado em contato com o Maurício e tal.” Maurício completa, meio distraído: “Coincidências da vida. A banda é que escolheu a gente. Eu acho. Foi?” Confira o pingue-pongue:

Tosco: o primeiro sete polegadas

Sambapunk – Como surgiu a idéia de criar um selo para lançar vinis?
Igor Ribeiro – Não era um selo para vinis. Na verdade, a idéia sempre foi ser uma parada de vender e fazer o que desse vontade… Vinis, K7s, camisetas, pedais de guitarra feitos em latas de sardinha…
Maurício Mota – Não era para lançar vinis. Não era esse o foco. Só pra você ver como são as coisas: nosso primeiro catálogo tinha uns CDRs, uma coletânea K7 pirata dos reggaes do The Clash que montei – e não vendeu sequer uma cópia – e até um relógio para deficientes visuais usado.  Ou seja, nosso catálogo tem “coisas”. Às vezes, é música.
 
Sambapunk – A Monstro Discos serviu de inspiração para vocês? Imagino que conheçam vários outros selos, pelo mundo, que lançam coisas neste formato.
Igor Ribeiro – Não para mim. Curto os compactos lançados por eles, mas, sei lá, acho que perderam tempo lançando CDs de bandas chatas pra cacete tipo esse Violins e perderam o foco de ter “os compactos mais chiques do Brasil”… puta banda chata, essa Violins. Os selos que eu gosto são In The Red Records, Estrus, Touch and Go, Get Hip, Bomp!, Crypt, Ipecac, Alternative Tentacles, SST e mais uma pá. E tenho que concordar que vez ou outra esses também lançam artistas descartáveis.
 
Sambapunk – Em que selo(s) ou artista(s) vocês se inspiraram?
Igor Ribeiro – Sub Pop e Trama… HAHAHAHAHAHAHAHA…
Maurício Mota – Não sei, sinceramente. Em nenhum, acho, pois o lance da Tosco Brasil é bem particular. Volátil, até.
 
Sambapunk – A Tosco concorre com a Monstro Discos ou serão empresas parceiras?
Igor Ribeiro – Não somos concorrentes, não. Se juntar nossas contas bancárias, não dá o salário do Fabrício (Nobre, um dos donos da Monstro); é desleal.
Maurício Mota – Sei lá. Meio sem sentido, isso. Pense bem: que empresa iria querer a gente como parceiros?? Três vagabundos sonhadores. Esqueça.
 

Tosca: Banda De Blues De Joe Strume
Sambapunk – Qual é o objetivo principal por trás da criação da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Diversão e amor por vinis e fitas k7. CD não rola, cara; de verdade.
Maurício Mota – Sou de uma época de trocas de zines, demos, cartas via carteiro. Então, tento hoje manter isso sempre próximo. A Tosco Brasil é basicamente isso. Relacionamento via carteiro. A gente desenvolve um trabalho desorganizado e lento em função das coisas que achamos bacanas e depois suamos um pouco pra levar estas coisas a um público mais abrangente e que também gosta deste universo.
 
Sambapunk – De onde são os clientes/compradores de vocês?
Igor Ribeiro – Boa pergunta, essa. Mandei pra uns amigos que realmente entendem o espírito “rock cru”, sabe ? Brasil e gringolândia. Ah, eu queria mandar um pra dona da Daslu!!
Maurício Mota – Ainda não sabemos. Toda sorte de gente. O mundo inteiro. Como utilizamos o Ebay e o Mercado Livre pra divulgar e vender os lances da Tosco Brasil, estamos abertos a todo tipo de cliente. Qualquer pessoa, pois não temos a barreira da língua. Confiamos cegamente no Google Translate pra nos comunicarmos com o planeta inteiro, via email e carta.
 
Sambapunk – Fazer um disquinho na Inglaterra não fica muito caro?
Igor Ribeiro – Agora eu não lembro dos valores, mas sei que ficou viável.
Maurício Mota – Até que não.  O Joe Strume pode colocar isto para você na ponta do lápis. Eu nem lembro quanto ficou tudo.
Joe Strume – Sugiro que pensemos na relação custo-benefício. O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco. Acho que a questão essencial é a qualidade do “corte” feito na Inglaterra, uma vez que lá nunca se parou de fazer vinil e, portanto, os maquinários estão OK. Sabemos que o “corte” da PolySom apresentava problemas, como o desaparecimento de freqüências graves, devido às deficiências do aparato que tinham para prensar os vinis. Assim, quando a PolySom devolveu nosso material e disse que não poderia fazer nosso disco, vi como uma espécie de “há males que vêm para bem”. Porque foi depois deste “não” que procuramos a prensa inglesa.

Tosco: catálogo

Sambapunk – Tive informações de que a prensagem pode ser até “barata”, mas o problema é transporte/remessa do material… É isso mesmo?
Igor Ribeiro – Postagem é um problemão. Tem prensas lá fora que não fazem o serviço porque a postagem para o Brasil é cara.
Maurício Mota – O Joe negociou tudo.
Joe Strume – Isso que você diz procede. A questão do transporte é complicada e, em nosso caso, foi e está sendo ainda mais complicado. Não recebemos todos os discos, uma vez que não temos como buscar pessoalmente e, assim, dependemos do transporte via correio. O envio por navio (surface) é mais em conta, mas demora muito (até seis meses) e ainda corre-se o risco de o material chegar danificado, devido ao longo tempo de viagem.

Sambapunk – Vocês pensaram muito antes de começarem com a Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Na verdade, fui convidado a entrar na Tosco Brasil pelo Maurício. Não pensei muito, não.
Maurício Mota – É claro que não.
Joe Strume – Bem… Na verdade, acho que foi a Banda de Blues de Joe Strume que escolheu a Tosco Brasil para fazer este lançamento.
E esta escolha se deu muito antes de gravarmos com a produção do Maurício. Acho que tudo começou no fim de 2005, quando o Maurício veio tocar em Uberlândia com sua antiga banda (Hang The Superstars). Nesta ocasião, eu e o Rogério Matador, o baterista da Banda de Blues de Joe Strume, fomos até a banquinha onde o Mauricio estava e falamos sobre sons toscos… Eu estava usando uma camiseta verde do Cramps e acho que isso foi importante como “cartão de visitas” Heheheh… Daí, em janeiro de 2007, telefonei pro Mauricio e pedi que produzisse a banda. Quando ele aceitou nosso convite, creio que a Tosco Brasil passou a fazer parte da coisa.
 
Sambapunk – O que pesava mais contra a decisão, isto é, qual é a maior dificuldade para manter um empreendimento como este?
Igor Ribeiro – Empreendimento ? Uau, obrigado. Vou acender um cubano aqui com uma nota de 50.
Maurício Mota – Não tem muita dificuldade. Como não há prazos a cumprir, a gente vai levando sem estresse, para os cabelos não caírem.

Sambapunk – E o que mais pesou/pesa a favor?
Igor Ribeiro – O que mais pesa a favor é diversão, conhecer gente nova e ganhar discos.
Maurício Mota – Ver um plano que antes parecia uma piada dar certo. Não tem preço. Igual a este compacto que estamos lançando agora. A coisa mais espetacular feita no rock, hoje, no Brasil. Não existe similar. A preocupação agora é onde esconder da receita o tanto de dinheiro que vamos ganhar. Odiamos impostos.
 
Sambapunk – Por que este lema, “Fuck the pro-tools”?
Igor Ribeiro – O rock de verdade está morrendo, cara. Quando uma banda de “rock” grava na mesma qualidade de Maria Rita ou Charlie Brown Jr e é produzida pelo Rick Bonadio, o rock não tem mais sentido. Pro-tools sucks!
Maurício Mota – É uma piada com estes programas de gravação que tiraram a graça de gravar roquenrol. Se adotássemos neste caso o meio contemporâneo de gravação, não teríamos escutado nem um quinto dos sons e experiências fantásticas que rolaram durante o processo de gravação na casa do Joe. Microfone dentro de balde, cachorro latindo, cerveja e cigarro para todos os lados, voz no banheiro. Não havia regras. Escutávamos um disco e tentávamos reproduzir, na unha, aquele som. E outra, o compacto foi todo feito dentro de uma fita k7. Nada mais justo do que dar este título ao compacto.

Sambapunk – Como será a estratégia de trabalho de vocês?
Igor Ribeiro – Enviar para selos, bandas e amigos.
Maurício Mota – Estamos ainda pensando…

Tosco: amor pelos animais
Sambapunk – Qual foi o investimento necessário para este primeiro lançamento acontecer?
Igor Ribeiro – Algum dinheiro e paciência, muita paciência.
 
Sambapunk – Quais são as funções de cada um de vocês, na Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Faço algumas traduções, ilustrações e discordo de tudo que Elmiro e Maurício planejam.
Maurício Mota – Eu sou o mais velho. O Igor é o mais disperso. O Elmiro é o mais louco. Dentro disso, vamos revezando entre ter idéias, desenhá-las, desenvolvê-las e lançá-las.

Sambapunk – Paixão é fundamental para conseguir dar vida a um projeto como este?
Igor Ribeiro – Sim, sim.
Maurício Mota – Sim. E um pouco de irresponsabilidade também, pois mexemos com um tipo de comércio em que poucos ainda entendem o nosso approach.

Sambapunk – Vocês não vão montar nem mesmo um blog da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Eu não daria conta. Já tocamos o “Rock de plástico”. Aliás, essa semana tem uma bela matéria sobre os paulistanos do Sell Outs que são mais conhecidos na gringa que em seu país natal.
Maurício Mota – Pra quê? Temos um blog, já… Eu não daria conta de ter outro. Mal dou conta do meu e-mail, que me tira horas preciosas de sol pela manhã. Usamos ferramentas da internet muito mais confiáveis que qualquer site de gravadora/selo por aí. Estamos no Ebay e no Mercado Livre. Sai mais barato, tem garantia infinita e ainda polui menos as vias arteriais da web.
 
Sambapunk – O adesivo-catálogo de vocês anuncia uma coletânea em fita cassete… Falem mais sobre isso.
Igor Ribeiro – Sim, essa coletânea é o próximo lançamento da Tosco Brasil, vai se chamar “Rock Brasil”. Hahaha… E vai sair em K7.
Maurício Mota – Essa idéia é velha amiga nossa: lançar uma coletânea com bandas que achamos legais e que ninguém lançaria. Em k7, com pôster e texto e tal. Nos amarramos em contar histórias e passar pra frente.

Sambapunk – Que bandas/artistas vão participar desta coletânea?
Igor Ribeiro – Nossa, não terá um critério sobre os ritmos. E eu quero muito convidar bandas tipo Ambervisions e Merda, das quais sou fã.
Maurício Mota – Estamos resolvendo isso… Primeiramente, cada sócio vai atrás de quatro bandas. Cada um faz sua curadoria. Tem uma banda que eu quero colocar e já acabou, mas não to nem aí. É a banda COISA, aqui de Goiânia, que é, pra mim, a banda mais espetacular, roquenrol e audaciosa que esta cidade já teve. Uma história ainda não contada que surpreenderá muita gente.

Sambapunk – Já há um próximo lançamento de vinil programado?
Igor Ribeiro – Bang Bang Babies!!
Maurício Mota – Tem uma banda aqui em Goiânia querendo gravar também dentro do esquema 4track… caseiro: Bang Bang Babies; mas não sabemos ainda o que vai virar. Mas ao que tudo indica será um sete polegadas, que é o objetivo deles. Mas nada certo, ainda.

Sambapunk – A meta de vocês é vender esta tiragem de discos em quanto tempo?
Igor Ribeiro – Eu penso apenas em vender uma parte. Eu troco o restante por outros discos, o lance é não deixar o vinil acabar!!
Maurício Mota – Não temos assim este compromisso com o tempo. Este disco da Banda de Blues de Jos Strume talvez só seja compreendido daqui a uns 12 anos, então, não há pressa. Não é o som que está na moda, saca? Daqui a uns seis anos, ainda será ousado, autoral, incompreendido, inspirador e novo.


Mercado/Negócios, Música, Pingue-pongue


2 respostas

  1. João Augusto
    12/05/2009 às 1:47

    Adilson, como vai? Não tem nenhum “abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe”. A POLYSOM foi adquirida e já está em obras para produzir discos de qualidade, comparáveis a qualquer um feito em fábricas gringas, ainda no segundo semestre de 2009.
    Abração.

  2. Natália Beatriz
    12/05/2009 às 1:47

    eu tava no lançamento dessa porra! massa!
    será que agora, que já acabou o “segundo semestre de 2009″ a polysom já reabriu?
    acho que ninguém sabe..


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12/05/2009 às 1:47

Toscos, mas limpinhos

Adilson Pereira

Tosco: estilo

Três caras que gostam de vinis se juntaram para montar um selo e estão colocando na praça, agora, seu primeiro lançamento: “Fuck the pro-tools”, um sete polegadas da Banda de Blues de Joe Strume. Foram prensadas na Inglaterra 200 unidades que, aos poucos, estão vindo do outro lado do Atlântico pelo correio. Os rapazes descartaram a possibilidade de usar um navio como meio de transporte porque seis meses de viagem (a previsão era essa) poderiam comprometer a “saúde” do produto.

A bolachinha é a número um do catálogo da Tosco Brasil, selo através do qual pretendem disponibilizar também cassetes e outros lances. Na capinha, um adesivo – tipo etiqueta de preço, com contorno vermelho – informa: “Puro”. “Cachaça pura, rapadura pura e rock puro, sem conservantes”, brinca Igor Ribeiro, um cidadão do Rio de Janeiro que hoje em dia agita as noites em Belém do Pará. O goiano Maurício Mota completa: “O Joe, na ultima vez em que fui a Uberlândia, me apresentou uma ótima rapadura vinda de uma cidadezinha próxima. Nela, tinha uma etiqueta igual. Achei genial e copiei a idéia. Afinal, nosso produto também é puro: pode ser consumido, sem medo.”

Joe Strume, de Uberlândia, capitão do primeiro lançamento, completa o time. Na hora de fazer as contas, é com ele. “O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco”, compara Strume, referindo-se à última fábrica de vinis do país, localizada na Baixada Fluminense. Talvez por isso ele não esquente a cabeça com o abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe envolvendo a fábrica no Rio.

Os três foram se encontrando aos poucos, em festivais, trocando cartas e e-mails. Igor Ribeiro destaca: “Quando conheci o Joe, ele estava vendendo vinis da sua coleção pessoal para juntar grana e lançar o compacto. Daí, ficamos um bom tempo sem conversar e quando retomamos a correspondência ele disse que já tinha entrado em contato com o Maurício e tal.” Maurício completa, meio distraído: “Coincidências da vida. A banda é que escolheu a gente. Eu acho. Foi?” Confira o pingue-pongue:

Tosco: o primeiro sete polegadas

Sambapunk – Como surgiu a idéia de criar um selo para lançar vinis?
Igor Ribeiro – Não era um selo para vinis. Na verdade, a idéia sempre foi ser uma parada de vender e fazer o que desse vontade… Vinis, K7s, camisetas, pedais de guitarra feitos em latas de sardinha…
Maurício Mota – Não era para lançar vinis. Não era esse o foco. Só pra você ver como são as coisas: nosso primeiro catálogo tinha uns CDRs, uma coletânea K7 pirata dos reggaes do The Clash que montei – e não vendeu sequer uma cópia – e até um relógio para deficientes visuais usado.  Ou seja, nosso catálogo tem “coisas”. Às vezes, é música.
 
Sambapunk – A Monstro Discos serviu de inspiração para vocês? Imagino que conheçam vários outros selos, pelo mundo, que lançam coisas neste formato.
Igor Ribeiro – Não para mim. Curto os compactos lançados por eles, mas, sei lá, acho que perderam tempo lançando CDs de bandas chatas pra cacete tipo esse Violins e perderam o foco de ter “os compactos mais chiques do Brasil”… puta banda chata, essa Violins. Os selos que eu gosto são In The Red Records, Estrus, Touch and Go, Get Hip, Bomp!, Crypt, Ipecac, Alternative Tentacles, SST e mais uma pá. E tenho que concordar que vez ou outra esses também lançam artistas descartáveis.
 
Sambapunk – Em que selo(s) ou artista(s) vocês se inspiraram?
Igor Ribeiro – Sub Pop e Trama… HAHAHAHAHAHAHAHA…
Maurício Mota – Não sei, sinceramente. Em nenhum, acho, pois o lance da Tosco Brasil é bem particular. Volátil, até.
 
Sambapunk – A Tosco concorre com a Monstro Discos ou serão empresas parceiras?
Igor Ribeiro – Não somos concorrentes, não. Se juntar nossas contas bancárias, não dá o salário do Fabrício (Nobre, um dos donos da Monstro); é desleal.
Maurício Mota – Sei lá. Meio sem sentido, isso. Pense bem: que empresa iria querer a gente como parceiros?? Três vagabundos sonhadores. Esqueça.
 

Tosca: Banda De Blues De Joe Strume
Sambapunk – Qual é o objetivo principal por trás da criação da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Diversão e amor por vinis e fitas k7. CD não rola, cara; de verdade.
Maurício Mota – Sou de uma época de trocas de zines, demos, cartas via carteiro. Então, tento hoje manter isso sempre próximo. A Tosco Brasil é basicamente isso. Relacionamento via carteiro. A gente desenvolve um trabalho desorganizado e lento em função das coisas que achamos bacanas e depois suamos um pouco pra levar estas coisas a um público mais abrangente e que também gosta deste universo.
 
Sambapunk – De onde são os clientes/compradores de vocês?
Igor Ribeiro – Boa pergunta, essa. Mandei pra uns amigos que realmente entendem o espírito “rock cru”, sabe ? Brasil e gringolândia. Ah, eu queria mandar um pra dona da Daslu!!
Maurício Mota – Ainda não sabemos. Toda sorte de gente. O mundo inteiro. Como utilizamos o Ebay e o Mercado Livre pra divulgar e vender os lances da Tosco Brasil, estamos abertos a todo tipo de cliente. Qualquer pessoa, pois não temos a barreira da língua. Confiamos cegamente no Google Translate pra nos comunicarmos com o planeta inteiro, via email e carta.
 
Sambapunk – Fazer um disquinho na Inglaterra não fica muito caro?
Igor Ribeiro – Agora eu não lembro dos valores, mas sei que ficou viável.
Maurício Mota – Até que não.  O Joe Strume pode colocar isto para você na ponta do lápis. Eu nem lembro quanto ficou tudo.
Joe Strume – Sugiro que pensemos na relação custo-benefício. O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco. Acho que a questão essencial é a qualidade do “corte” feito na Inglaterra, uma vez que lá nunca se parou de fazer vinil e, portanto, os maquinários estão OK. Sabemos que o “corte” da PolySom apresentava problemas, como o desaparecimento de freqüências graves, devido às deficiências do aparato que tinham para prensar os vinis. Assim, quando a PolySom devolveu nosso material e disse que não poderia fazer nosso disco, vi como uma espécie de “há males que vêm para bem”. Porque foi depois deste “não” que procuramos a prensa inglesa.

Tosco: catálogo

Sambapunk – Tive informações de que a prensagem pode ser até “barata”, mas o problema é transporte/remessa do material… É isso mesmo?
Igor Ribeiro – Postagem é um problemão. Tem prensas lá fora que não fazem o serviço porque a postagem para o Brasil é cara.
Maurício Mota – O Joe negociou tudo.
Joe Strume – Isso que você diz procede. A questão do transporte é complicada e, em nosso caso, foi e está sendo ainda mais complicado. Não recebemos todos os discos, uma vez que não temos como buscar pessoalmente e, assim, dependemos do transporte via correio. O envio por navio (surface) é mais em conta, mas demora muito (até seis meses) e ainda corre-se o risco de o material chegar danificado, devido ao longo tempo de viagem.

Sambapunk – Vocês pensaram muito antes de começarem com a Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Na verdade, fui convidado a entrar na Tosco Brasil pelo Maurício. Não pensei muito, não.
Maurício Mota – É claro que não.
Joe Strume – Bem… Na verdade, acho que foi a Banda de Blues de Joe Strume que escolheu a Tosco Brasil para fazer este lançamento.
E esta escolha se deu muito antes de gravarmos com a produção do Maurício. Acho que tudo começou no fim de 2005, quando o Maurício veio tocar em Uberlândia com sua antiga banda (Hang The Superstars). Nesta ocasião, eu e o Rogério Matador, o baterista da Banda de Blues de Joe Strume, fomos até a banquinha onde o Mauricio estava e falamos sobre sons toscos… Eu estava usando uma camiseta verde do Cramps e acho que isso foi importante como “cartão de visitas” Heheheh… Daí, em janeiro de 2007, telefonei pro Mauricio e pedi que produzisse a banda. Quando ele aceitou nosso convite, creio que a Tosco Brasil passou a fazer parte da coisa.
 
Sambapunk – O que pesava mais contra a decisão, isto é, qual é a maior dificuldade para manter um empreendimento como este?
Igor Ribeiro – Empreendimento ? Uau, obrigado. Vou acender um cubano aqui com uma nota de 50.
Maurício Mota – Não tem muita dificuldade. Como não há prazos a cumprir, a gente vai levando sem estresse, para os cabelos não caírem.

Sambapunk – E o que mais pesou/pesa a favor?
Igor Ribeiro – O que mais pesa a favor é diversão, conhecer gente nova e ganhar discos.
Maurício Mota – Ver um plano que antes parecia uma piada dar certo. Não tem preço. Igual a este compacto que estamos lançando agora. A coisa mais espetacular feita no rock, hoje, no Brasil. Não existe similar. A preocupação agora é onde esconder da receita o tanto de dinheiro que vamos ganhar. Odiamos impostos.
 
Sambapunk – Por que este lema, “Fuck the pro-tools”?
Igor Ribeiro – O rock de verdade está morrendo, cara. Quando uma banda de “rock” grava na mesma qualidade de Maria Rita ou Charlie Brown Jr e é produzida pelo Rick Bonadio, o rock não tem mais sentido. Pro-tools sucks!
Maurício Mota – É uma piada com estes programas de gravação que tiraram a graça de gravar roquenrol. Se adotássemos neste caso o meio contemporâneo de gravação, não teríamos escutado nem um quinto dos sons e experiências fantásticas que rolaram durante o processo de gravação na casa do Joe. Microfone dentro de balde, cachorro latindo, cerveja e cigarro para todos os lados, voz no banheiro. Não havia regras. Escutávamos um disco e tentávamos reproduzir, na unha, aquele som. E outra, o compacto foi todo feito dentro de uma fita k7. Nada mais justo do que dar este título ao compacto.

Sambapunk – Como será a estratégia de trabalho de vocês?
Igor Ribeiro – Enviar para selos, bandas e amigos.
Maurício Mota – Estamos ainda pensando…

Tosco: amor pelos animais
Sambapunk – Qual foi o investimento necessário para este primeiro lançamento acontecer?
Igor Ribeiro – Algum dinheiro e paciência, muita paciência.
 
Sambapunk – Quais são as funções de cada um de vocês, na Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Faço algumas traduções, ilustrações e discordo de tudo que Elmiro e Maurício planejam.
Maurício Mota – Eu sou o mais velho. O Igor é o mais disperso. O Elmiro é o mais louco. Dentro disso, vamos revezando entre ter idéias, desenhá-las, desenvolvê-las e lançá-las.

Sambapunk – Paixão é fundamental para conseguir dar vida a um projeto como este?
Igor Ribeiro – Sim, sim.
Maurício Mota – Sim. E um pouco de irresponsabilidade também, pois mexemos com um tipo de comércio em que poucos ainda entendem o nosso approach.

Sambapunk – Vocês não vão montar nem mesmo um blog da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Eu não daria conta. Já tocamos o “Rock de plástico”. Aliás, essa semana tem uma bela matéria sobre os paulistanos do Sell Outs que são mais conhecidos na gringa que em seu país natal.
Maurício Mota – Pra quê? Temos um blog, já… Eu não daria conta de ter outro. Mal dou conta do meu e-mail, que me tira horas preciosas de sol pela manhã. Usamos ferramentas da internet muito mais confiáveis que qualquer site de gravadora/selo por aí. Estamos no Ebay e no Mercado Livre. Sai mais barato, tem garantia infinita e ainda polui menos as vias arteriais da web.
 
Sambapunk – O adesivo-catálogo de vocês anuncia uma coletânea em fita cassete… Falem mais sobre isso.
Igor Ribeiro – Sim, essa coletânea é o próximo lançamento da Tosco Brasil, vai se chamar “Rock Brasil”. Hahaha… E vai sair em K7.
Maurício Mota – Essa idéia é velha amiga nossa: lançar uma coletânea com bandas que achamos legais e que ninguém lançaria. Em k7, com pôster e texto e tal. Nos amarramos em contar histórias e passar pra frente.

Sambapunk – Que bandas/artistas vão participar desta coletânea?
Igor Ribeiro – Nossa, não terá um critério sobre os ritmos. E eu quero muito convidar bandas tipo Ambervisions e Merda, das quais sou fã.
Maurício Mota – Estamos resolvendo isso… Primeiramente, cada sócio vai atrás de quatro bandas. Cada um faz sua curadoria. Tem uma banda que eu quero colocar e já acabou, mas não to nem aí. É a banda COISA, aqui de Goiânia, que é, pra mim, a banda mais espetacular, roquenrol e audaciosa que esta cidade já teve. Uma história ainda não contada que surpreenderá muita gente.

Sambapunk – Já há um próximo lançamento de vinil programado?
Igor Ribeiro – Bang Bang Babies!!
Maurício Mota – Tem uma banda aqui em Goiânia querendo gravar também dentro do esquema 4track… caseiro: Bang Bang Babies; mas não sabemos ainda o que vai virar. Mas ao que tudo indica será um sete polegadas, que é o objetivo deles. Mas nada certo, ainda.

Sambapunk – A meta de vocês é vender esta tiragem de discos em quanto tempo?
Igor Ribeiro – Eu penso apenas em vender uma parte. Eu troco o restante por outros discos, o lance é não deixar o vinil acabar!!
Maurício Mota – Não temos assim este compromisso com o tempo. Este disco da Banda de Blues de Jos Strume talvez só seja compreendido daqui a uns 12 anos, então, não há pressa. Não é o som que está na moda, saca? Daqui a uns seis anos, ainda será ousado, autoral, incompreendido, inspirador e novo.


Mercado/Negócios, Música, Pingue-pongue


2 respostas

  1. João Augusto
    12/05/2009 às 1:47

    Adilson, como vai? Não tem nenhum “abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe”. A POLYSOM foi adquirida e já está em obras para produzir discos de qualidade, comparáveis a qualquer um feito em fábricas gringas, ainda no segundo semestre de 2009.
    Abração.

  2. Natália Beatriz
    12/05/2009 às 1:47

    eu tava no lançamento dessa porra! massa!
    será que agora, que já acabou o “segundo semestre de 2009″ a polysom já reabriu?
    acho que ninguém sabe..


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12/05/2009 às 1:47

Toscos, mas limpinhos

Adilson Pereira

Tosco: estilo

Três caras que gostam de vinis se juntaram para montar um selo e estão colocando na praça, agora, seu primeiro lançamento: “Fuck the pro-tools”, um sete polegadas da Banda de Blues de Joe Strume. Foram prensadas na Inglaterra 200 unidades que, aos poucos, estão vindo do outro lado do Atlântico pelo correio. Os rapazes descartaram a possibilidade de usar um navio como meio de transporte porque seis meses de viagem (a previsão era essa) poderiam comprometer a “saúde” do produto.

A bolachinha é a número um do catálogo da Tosco Brasil, selo através do qual pretendem disponibilizar também cassetes e outros lances. Na capinha, um adesivo – tipo etiqueta de preço, com contorno vermelho – informa: “Puro”. “Cachaça pura, rapadura pura e rock puro, sem conservantes”, brinca Igor Ribeiro, um cidadão do Rio de Janeiro que hoje em dia agita as noites em Belém do Pará. O goiano Maurício Mota completa: “O Joe, na ultima vez em que fui a Uberlândia, me apresentou uma ótima rapadura vinda de uma cidadezinha próxima. Nela, tinha uma etiqueta igual. Achei genial e copiei a idéia. Afinal, nosso produto também é puro: pode ser consumido, sem medo.”

Joe Strume, de Uberlândia, capitão do primeiro lançamento, completa o time. Na hora de fazer as contas, é com ele. “O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco”, compara Strume, referindo-se à última fábrica de vinis do país, localizada na Baixada Fluminense. Talvez por isso ele não esquente a cabeça com o abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe envolvendo a fábrica no Rio.

Os três foram se encontrando aos poucos, em festivais, trocando cartas e e-mails. Igor Ribeiro destaca: “Quando conheci o Joe, ele estava vendendo vinis da sua coleção pessoal para juntar grana e lançar o compacto. Daí, ficamos um bom tempo sem conversar e quando retomamos a correspondência ele disse que já tinha entrado em contato com o Maurício e tal.” Maurício completa, meio distraído: “Coincidências da vida. A banda é que escolheu a gente. Eu acho. Foi?” Confira o pingue-pongue:

Tosco: o primeiro sete polegadas

Sambapunk – Como surgiu a idéia de criar um selo para lançar vinis?
Igor Ribeiro – Não era um selo para vinis. Na verdade, a idéia sempre foi ser uma parada de vender e fazer o que desse vontade… Vinis, K7s, camisetas, pedais de guitarra feitos em latas de sardinha…
Maurício Mota – Não era para lançar vinis. Não era esse o foco. Só pra você ver como são as coisas: nosso primeiro catálogo tinha uns CDRs, uma coletânea K7 pirata dos reggaes do The Clash que montei – e não vendeu sequer uma cópia – e até um relógio para deficientes visuais usado.  Ou seja, nosso catálogo tem “coisas”. Às vezes, é música.
 
Sambapunk – A Monstro Discos serviu de inspiração para vocês? Imagino que conheçam vários outros selos, pelo mundo, que lançam coisas neste formato.
Igor Ribeiro – Não para mim. Curto os compactos lançados por eles, mas, sei lá, acho que perderam tempo lançando CDs de bandas chatas pra cacete tipo esse Violins e perderam o foco de ter “os compactos mais chiques do Brasil”… puta banda chata, essa Violins. Os selos que eu gosto são In The Red Records, Estrus, Touch and Go, Get Hip, Bomp!, Crypt, Ipecac, Alternative Tentacles, SST e mais uma pá. E tenho que concordar que vez ou outra esses também lançam artistas descartáveis.
 
Sambapunk – Em que selo(s) ou artista(s) vocês se inspiraram?
Igor Ribeiro – Sub Pop e Trama… HAHAHAHAHAHAHAHA…
Maurício Mota – Não sei, sinceramente. Em nenhum, acho, pois o lance da Tosco Brasil é bem particular. Volátil, até.
 
Sambapunk – A Tosco concorre com a Monstro Discos ou serão empresas parceiras?
Igor Ribeiro – Não somos concorrentes, não. Se juntar nossas contas bancárias, não dá o salário do Fabrício (Nobre, um dos donos da Monstro); é desleal.
Maurício Mota – Sei lá. Meio sem sentido, isso. Pense bem: que empresa iria querer a gente como parceiros?? Três vagabundos sonhadores. Esqueça.
 

Tosca: Banda De Blues De Joe Strume
Sambapunk – Qual é o objetivo principal por trás da criação da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Diversão e amor por vinis e fitas k7. CD não rola, cara; de verdade.
Maurício Mota – Sou de uma época de trocas de zines, demos, cartas via carteiro. Então, tento hoje manter isso sempre próximo. A Tosco Brasil é basicamente isso. Relacionamento via carteiro. A gente desenvolve um trabalho desorganizado e lento em função das coisas que achamos bacanas e depois suamos um pouco pra levar estas coisas a um público mais abrangente e que também gosta deste universo.
 
Sambapunk – De onde são os clientes/compradores de vocês?
Igor Ribeiro – Boa pergunta, essa. Mandei pra uns amigos que realmente entendem o espírito “rock cru”, sabe ? Brasil e gringolândia. Ah, eu queria mandar um pra dona da Daslu!!
Maurício Mota – Ainda não sabemos. Toda sorte de gente. O mundo inteiro. Como utilizamos o Ebay e o Mercado Livre pra divulgar e vender os lances da Tosco Brasil, estamos abertos a todo tipo de cliente. Qualquer pessoa, pois não temos a barreira da língua. Confiamos cegamente no Google Translate pra nos comunicarmos com o planeta inteiro, via email e carta.
 
Sambapunk – Fazer um disquinho na Inglaterra não fica muito caro?
Igor Ribeiro – Agora eu não lembro dos valores, mas sei que ficou viável.
Maurício Mota – Até que não.  O Joe Strume pode colocar isto para você na ponta do lápis. Eu nem lembro quanto ficou tudo.
Joe Strume – Sugiro que pensemos na relação custo-benefício. O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco. Acho que a questão essencial é a qualidade do “corte” feito na Inglaterra, uma vez que lá nunca se parou de fazer vinil e, portanto, os maquinários estão OK. Sabemos que o “corte” da PolySom apresentava problemas, como o desaparecimento de freqüências graves, devido às deficiências do aparato que tinham para prensar os vinis. Assim, quando a PolySom devolveu nosso material e disse que não poderia fazer nosso disco, vi como uma espécie de “há males que vêm para bem”. Porque foi depois deste “não” que procuramos a prensa inglesa.

Tosco: catálogo

Sambapunk – Tive informações de que a prensagem pode ser até “barata”, mas o problema é transporte/remessa do material… É isso mesmo?
Igor Ribeiro – Postagem é um problemão. Tem prensas lá fora que não fazem o serviço porque a postagem para o Brasil é cara.
Maurício Mota – O Joe negociou tudo.
Joe Strume – Isso que você diz procede. A questão do transporte é complicada e, em nosso caso, foi e está sendo ainda mais complicado. Não recebemos todos os discos, uma vez que não temos como buscar pessoalmente e, assim, dependemos do transporte via correio. O envio por navio (surface) é mais em conta, mas demora muito (até seis meses) e ainda corre-se o risco de o material chegar danificado, devido ao longo tempo de viagem.

Sambapunk – Vocês pensaram muito antes de começarem com a Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Na verdade, fui convidado a entrar na Tosco Brasil pelo Maurício. Não pensei muito, não.
Maurício Mota – É claro que não.
Joe Strume – Bem… Na verdade, acho que foi a Banda de Blues de Joe Strume que escolheu a Tosco Brasil para fazer este lançamento.
E esta escolha se deu muito antes de gravarmos com a produção do Maurício. Acho que tudo começou no fim de 2005, quando o Maurício veio tocar em Uberlândia com sua antiga banda (Hang The Superstars). Nesta ocasião, eu e o Rogério Matador, o baterista da Banda de Blues de Joe Strume, fomos até a banquinha onde o Mauricio estava e falamos sobre sons toscos… Eu estava usando uma camiseta verde do Cramps e acho que isso foi importante como “cartão de visitas” Heheheh… Daí, em janeiro de 2007, telefonei pro Mauricio e pedi que produzisse a banda. Quando ele aceitou nosso convite, creio que a Tosco Brasil passou a fazer parte da coisa.
 
Sambapunk – O que pesava mais contra a decisão, isto é, qual é a maior dificuldade para manter um empreendimento como este?
Igor Ribeiro – Empreendimento ? Uau, obrigado. Vou acender um cubano aqui com uma nota de 50.
Maurício Mota – Não tem muita dificuldade. Como não há prazos a cumprir, a gente vai levando sem estresse, para os cabelos não caírem.

Sambapunk – E o que mais pesou/pesa a favor?
Igor Ribeiro – O que mais pesa a favor é diversão, conhecer gente nova e ganhar discos.
Maurício Mota – Ver um plano que antes parecia uma piada dar certo. Não tem preço. Igual a este compacto que estamos lançando agora. A coisa mais espetacular feita no rock, hoje, no Brasil. Não existe similar. A preocupação agora é onde esconder da receita o tanto de dinheiro que vamos ganhar. Odiamos impostos.
 
Sambapunk – Por que este lema, “Fuck the pro-tools”?
Igor Ribeiro – O rock de verdade está morrendo, cara. Quando uma banda de “rock” grava na mesma qualidade de Maria Rita ou Charlie Brown Jr e é produzida pelo Rick Bonadio, o rock não tem mais sentido. Pro-tools sucks!
Maurício Mota – É uma piada com estes programas de gravação que tiraram a graça de gravar roquenrol. Se adotássemos neste caso o meio contemporâneo de gravação, não teríamos escutado nem um quinto dos sons e experiências fantásticas que rolaram durante o processo de gravação na casa do Joe. Microfone dentro de balde, cachorro latindo, cerveja e cigarro para todos os lados, voz no banheiro. Não havia regras. Escutávamos um disco e tentávamos reproduzir, na unha, aquele som. E outra, o compacto foi todo feito dentro de uma fita k7. Nada mais justo do que dar este título ao compacto.

Sambapunk – Como será a estratégia de trabalho de vocês?
Igor Ribeiro – Enviar para selos, bandas e amigos.
Maurício Mota – Estamos ainda pensando…

Tosco: amor pelos animais
Sambapunk – Qual foi o investimento necessário para este primeiro lançamento acontecer?
Igor Ribeiro – Algum dinheiro e paciência, muita paciência.
 
Sambapunk – Quais são as funções de cada um de vocês, na Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Faço algumas traduções, ilustrações e discordo de tudo que Elmiro e Maurício planejam.
Maurício Mota – Eu sou o mais velho. O Igor é o mais disperso. O Elmiro é o mais louco. Dentro disso, vamos revezando entre ter idéias, desenhá-las, desenvolvê-las e lançá-las.

Sambapunk – Paixão é fundamental para conseguir dar vida a um projeto como este?
Igor Ribeiro – Sim, sim.
Maurício Mota – Sim. E um pouco de irresponsabilidade também, pois mexemos com um tipo de comércio em que poucos ainda entendem o nosso approach.

Sambapunk – Vocês não vão montar nem mesmo um blog da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Eu não daria conta. Já tocamos o “Rock de plástico”. Aliás, essa semana tem uma bela matéria sobre os paulistanos do Sell Outs que são mais conhecidos na gringa que em seu país natal.
Maurício Mota – Pra quê? Temos um blog, já… Eu não daria conta de ter outro. Mal dou conta do meu e-mail, que me tira horas preciosas de sol pela manhã. Usamos ferramentas da internet muito mais confiáveis que qualquer site de gravadora/selo por aí. Estamos no Ebay e no Mercado Livre. Sai mais barato, tem garantia infinita e ainda polui menos as vias arteriais da web.
 
Sambapunk – O adesivo-catálogo de vocês anuncia uma coletânea em fita cassete… Falem mais sobre isso.
Igor Ribeiro – Sim, essa coletânea é o próximo lançamento da Tosco Brasil, vai se chamar “Rock Brasil”. Hahaha… E vai sair em K7.
Maurício Mota – Essa idéia é velha amiga nossa: lançar uma coletânea com bandas que achamos legais e que ninguém lançaria. Em k7, com pôster e texto e tal. Nos amarramos em contar histórias e passar pra frente.

Sambapunk – Que bandas/artistas vão participar desta coletânea?
Igor Ribeiro – Nossa, não terá um critério sobre os ritmos. E eu quero muito convidar bandas tipo Ambervisions e Merda, das quais sou fã.
Maurício Mota – Estamos resolvendo isso… Primeiramente, cada sócio vai atrás de quatro bandas. Cada um faz sua curadoria. Tem uma banda que eu quero colocar e já acabou, mas não to nem aí. É a banda COISA, aqui de Goiânia, que é, pra mim, a banda mais espetacular, roquenrol e audaciosa que esta cidade já teve. Uma história ainda não contada que surpreenderá muita gente.

Sambapunk – Já há um próximo lançamento de vinil programado?
Igor Ribeiro – Bang Bang Babies!!
Maurício Mota – Tem uma banda aqui em Goiânia querendo gravar também dentro do esquema 4track… caseiro: Bang Bang Babies; mas não sabemos ainda o que vai virar. Mas ao que tudo indica será um sete polegadas, que é o objetivo deles. Mas nada certo, ainda.

Sambapunk – A meta de vocês é vender esta tiragem de discos em quanto tempo?
Igor Ribeiro – Eu penso apenas em vender uma parte. Eu troco o restante por outros discos, o lance é não deixar o vinil acabar!!
Maurício Mota – Não temos assim este compromisso com o tempo. Este disco da Banda de Blues de Jos Strume talvez só seja compreendido daqui a uns 12 anos, então, não há pressa. Não é o som que está na moda, saca? Daqui a uns seis anos, ainda será ousado, autoral, incompreendido, inspirador e novo.


Mercado/Negócios, Música, Pingue-pongue


2 respostas

  1. João Augusto
    12/05/2009 às 1:47

    Adilson, como vai? Não tem nenhum “abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe”. A POLYSOM foi adquirida e já está em obras para produzir discos de qualidade, comparáveis a qualquer um feito em fábricas gringas, ainda no segundo semestre de 2009.
    Abração.

  2. Natália Beatriz
    12/05/2009 às 1:47

    eu tava no lançamento dessa porra! massa!
    será que agora, que já acabou o “segundo semestre de 2009″ a polysom já reabriu?
    acho que ninguém sabe..


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12/05/2009 às 1:47

Toscos, mas limpinhos

Adilson Pereira

Tosco: estilo

Três caras que gostam de vinis se juntaram para montar um selo e estão colocando na praça, agora, seu primeiro lançamento: “Fuck the pro-tools”, um sete polegadas da Banda de Blues de Joe Strume. Foram prensadas na Inglaterra 200 unidades que, aos poucos, estão vindo do outro lado do Atlântico pelo correio. Os rapazes descartaram a possibilidade de usar um navio como meio de transporte porque seis meses de viagem (a previsão era essa) poderiam comprometer a “saúde” do produto.

A bolachinha é a número um do catálogo da Tosco Brasil, selo através do qual pretendem disponibilizar também cassetes e outros lances. Na capinha, um adesivo – tipo etiqueta de preço, com contorno vermelho – informa: “Puro”. “Cachaça pura, rapadura pura e rock puro, sem conservantes”, brinca Igor Ribeiro, um cidadão do Rio de Janeiro que hoje em dia agita as noites em Belém do Pará. O goiano Maurício Mota completa: “O Joe, na ultima vez em que fui a Uberlândia, me apresentou uma ótima rapadura vinda de uma cidadezinha próxima. Nela, tinha uma etiqueta igual. Achei genial e copiei a idéia. Afinal, nosso produto também é puro: pode ser consumido, sem medo.”

Joe Strume, de Uberlândia, capitão do primeiro lançamento, completa o time. Na hora de fazer as contas, é com ele. “O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco”, compara Strume, referindo-se à última fábrica de vinis do país, localizada na Baixada Fluminense. Talvez por isso ele não esquente a cabeça com o abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe envolvendo a fábrica no Rio.

Os três foram se encontrando aos poucos, em festivais, trocando cartas e e-mails. Igor Ribeiro destaca: “Quando conheci o Joe, ele estava vendendo vinis da sua coleção pessoal para juntar grana e lançar o compacto. Daí, ficamos um bom tempo sem conversar e quando retomamos a correspondência ele disse que já tinha entrado em contato com o Maurício e tal.” Maurício completa, meio distraído: “Coincidências da vida. A banda é que escolheu a gente. Eu acho. Foi?” Confira o pingue-pongue:

Tosco: o primeiro sete polegadas

Sambapunk – Como surgiu a idéia de criar um selo para lançar vinis?
Igor Ribeiro – Não era um selo para vinis. Na verdade, a idéia sempre foi ser uma parada de vender e fazer o que desse vontade… Vinis, K7s, camisetas, pedais de guitarra feitos em latas de sardinha…
Maurício Mota – Não era para lançar vinis. Não era esse o foco. Só pra você ver como são as coisas: nosso primeiro catálogo tinha uns CDRs, uma coletânea K7 pirata dos reggaes do The Clash que montei – e não vendeu sequer uma cópia – e até um relógio para deficientes visuais usado.  Ou seja, nosso catálogo tem “coisas”. Às vezes, é música.
 
Sambapunk – A Monstro Discos serviu de inspiração para vocês? Imagino que conheçam vários outros selos, pelo mundo, que lançam coisas neste formato.
Igor Ribeiro – Não para mim. Curto os compactos lançados por eles, mas, sei lá, acho que perderam tempo lançando CDs de bandas chatas pra cacete tipo esse Violins e perderam o foco de ter “os compactos mais chiques do Brasil”… puta banda chata, essa Violins. Os selos que eu gosto são In The Red Records, Estrus, Touch and Go, Get Hip, Bomp!, Crypt, Ipecac, Alternative Tentacles, SST e mais uma pá. E tenho que concordar que vez ou outra esses também lançam artistas descartáveis.
 
Sambapunk – Em que selo(s) ou artista(s) vocês se inspiraram?
Igor Ribeiro – Sub Pop e Trama… HAHAHAHAHAHAHAHA…
Maurício Mota – Não sei, sinceramente. Em nenhum, acho, pois o lance da Tosco Brasil é bem particular. Volátil, até.
 
Sambapunk – A Tosco concorre com a Monstro Discos ou serão empresas parceiras?
Igor Ribeiro – Não somos concorrentes, não. Se juntar nossas contas bancárias, não dá o salário do Fabrício (Nobre, um dos donos da Monstro); é desleal.
Maurício Mota – Sei lá. Meio sem sentido, isso. Pense bem: que empresa iria querer a gente como parceiros?? Três vagabundos sonhadores. Esqueça.
 

Tosca: Banda De Blues De Joe Strume
Sambapunk – Qual é o objetivo principal por trás da criação da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Diversão e amor por vinis e fitas k7. CD não rola, cara; de verdade.
Maurício Mota – Sou de uma época de trocas de zines, demos, cartas via carteiro. Então, tento hoje manter isso sempre próximo. A Tosco Brasil é basicamente isso. Relacionamento via carteiro. A gente desenvolve um trabalho desorganizado e lento em função das coisas que achamos bacanas e depois suamos um pouco pra levar estas coisas a um público mais abrangente e que também gosta deste universo.
 
Sambapunk – De onde são os clientes/compradores de vocês?
Igor Ribeiro – Boa pergunta, essa. Mandei pra uns amigos que realmente entendem o espírito “rock cru”, sabe ? Brasil e gringolândia. Ah, eu queria mandar um pra dona da Daslu!!
Maurício Mota – Ainda não sabemos. Toda sorte de gente. O mundo inteiro. Como utilizamos o Ebay e o Mercado Livre pra divulgar e vender os lances da Tosco Brasil, estamos abertos a todo tipo de cliente. Qualquer pessoa, pois não temos a barreira da língua. Confiamos cegamente no Google Translate pra nos comunicarmos com o planeta inteiro, via email e carta.
 
Sambapunk – Fazer um disquinho na Inglaterra não fica muito caro?
Igor Ribeiro – Agora eu não lembro dos valores, mas sei que ficou viável.
Maurício Mota – Até que não.  O Joe Strume pode colocar isto para você na ponta do lápis. Eu nem lembro quanto ficou tudo.
Joe Strume – Sugiro que pensemos na relação custo-benefício. O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco. Acho que a questão essencial é a qualidade do “corte” feito na Inglaterra, uma vez que lá nunca se parou de fazer vinil e, portanto, os maquinários estão OK. Sabemos que o “corte” da PolySom apresentava problemas, como o desaparecimento de freqüências graves, devido às deficiências do aparato que tinham para prensar os vinis. Assim, quando a PolySom devolveu nosso material e disse que não poderia fazer nosso disco, vi como uma espécie de “há males que vêm para bem”. Porque foi depois deste “não” que procuramos a prensa inglesa.

Tosco: catálogo

Sambapunk – Tive informações de que a prensagem pode ser até “barata”, mas o problema é transporte/remessa do material… É isso mesmo?
Igor Ribeiro – Postagem é um problemão. Tem prensas lá fora que não fazem o serviço porque a postagem para o Brasil é cara.
Maurício Mota – O Joe negociou tudo.
Joe Strume – Isso que você diz procede. A questão do transporte é complicada e, em nosso caso, foi e está sendo ainda mais complicado. Não recebemos todos os discos, uma vez que não temos como buscar pessoalmente e, assim, dependemos do transporte via correio. O envio por navio (surface) é mais em conta, mas demora muito (até seis meses) e ainda corre-se o risco de o material chegar danificado, devido ao longo tempo de viagem.

Sambapunk – Vocês pensaram muito antes de começarem com a Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Na verdade, fui convidado a entrar na Tosco Brasil pelo Maurício. Não pensei muito, não.
Maurício Mota – É claro que não.
Joe Strume – Bem… Na verdade, acho que foi a Banda de Blues de Joe Strume que escolheu a Tosco Brasil para fazer este lançamento.
E esta escolha se deu muito antes de gravarmos com a produção do Maurício. Acho que tudo começou no fim de 2005, quando o Maurício veio tocar em Uberlândia com sua antiga banda (Hang The Superstars). Nesta ocasião, eu e o Rogério Matador, o baterista da Banda de Blues de Joe Strume, fomos até a banquinha onde o Mauricio estava e falamos sobre sons toscos… Eu estava usando uma camiseta verde do Cramps e acho que isso foi importante como “cartão de visitas” Heheheh… Daí, em janeiro de 2007, telefonei pro Mauricio e pedi que produzisse a banda. Quando ele aceitou nosso convite, creio que a Tosco Brasil passou a fazer parte da coisa.
 
Sambapunk – O que pesava mais contra a decisão, isto é, qual é a maior dificuldade para manter um empreendimento como este?
Igor Ribeiro – Empreendimento ? Uau, obrigado. Vou acender um cubano aqui com uma nota de 50.
Maurício Mota – Não tem muita dificuldade. Como não há prazos a cumprir, a gente vai levando sem estresse, para os cabelos não caírem.

Sambapunk – E o que mais pesou/pesa a favor?
Igor Ribeiro – O que mais pesa a favor é diversão, conhecer gente nova e ganhar discos.
Maurício Mota – Ver um plano que antes parecia uma piada dar certo. Não tem preço. Igual a este compacto que estamos lançando agora. A coisa mais espetacular feita no rock, hoje, no Brasil. Não existe similar. A preocupação agora é onde esconder da receita o tanto de dinheiro que vamos ganhar. Odiamos impostos.
 
Sambapunk – Por que este lema, “Fuck the pro-tools”?
Igor Ribeiro – O rock de verdade está morrendo, cara. Quando uma banda de “rock” grava na mesma qualidade de Maria Rita ou Charlie Brown Jr e é produzida pelo Rick Bonadio, o rock não tem mais sentido. Pro-tools sucks!
Maurício Mota – É uma piada com estes programas de gravação que tiraram a graça de gravar roquenrol. Se adotássemos neste caso o meio contemporâneo de gravação, não teríamos escutado nem um quinto dos sons e experiências fantásticas que rolaram durante o processo de gravação na casa do Joe. Microfone dentro de balde, cachorro latindo, cerveja e cigarro para todos os lados, voz no banheiro. Não havia regras. Escutávamos um disco e tentávamos reproduzir, na unha, aquele som. E outra, o compacto foi todo feito dentro de uma fita k7. Nada mais justo do que dar este título ao compacto.

Sambapunk – Como será a estratégia de trabalho de vocês?
Igor Ribeiro – Enviar para selos, bandas e amigos.
Maurício Mota – Estamos ainda pensando…

Tosco: amor pelos animais
Sambapunk – Qual foi o investimento necessário para este primeiro lançamento acontecer?
Igor Ribeiro – Algum dinheiro e paciência, muita paciência.
 
Sambapunk – Quais são as funções de cada um de vocês, na Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Faço algumas traduções, ilustrações e discordo de tudo que Elmiro e Maurício planejam.
Maurício Mota – Eu sou o mais velho. O Igor é o mais disperso. O Elmiro é o mais louco. Dentro disso, vamos revezando entre ter idéias, desenhá-las, desenvolvê-las e lançá-las.

Sambapunk – Paixão é fundamental para conseguir dar vida a um projeto como este?
Igor Ribeiro – Sim, sim.
Maurício Mota – Sim. E um pouco de irresponsabilidade também, pois mexemos com um tipo de comércio em que poucos ainda entendem o nosso approach.

Sambapunk – Vocês não vão montar nem mesmo um blog da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Eu não daria conta. Já tocamos o “Rock de plástico”. Aliás, essa semana tem uma bela matéria sobre os paulistanos do Sell Outs que são mais conhecidos na gringa que em seu país natal.
Maurício Mota – Pra quê? Temos um blog, já… Eu não daria conta de ter outro. Mal dou conta do meu e-mail, que me tira horas preciosas de sol pela manhã. Usamos ferramentas da internet muito mais confiáveis que qualquer site de gravadora/selo por aí. Estamos no Ebay e no Mercado Livre. Sai mais barato, tem garantia infinita e ainda polui menos as vias arteriais da web.
 
Sambapunk – O adesivo-catálogo de vocês anuncia uma coletânea em fita cassete… Falem mais sobre isso.
Igor Ribeiro – Sim, essa coletânea é o próximo lançamento da Tosco Brasil, vai se chamar “Rock Brasil”. Hahaha… E vai sair em K7.
Maurício Mota – Essa idéia é velha amiga nossa: lançar uma coletânea com bandas que achamos legais e que ninguém lançaria. Em k7, com pôster e texto e tal. Nos amarramos em contar histórias e passar pra frente.

Sambapunk – Que bandas/artistas vão participar desta coletânea?
Igor Ribeiro – Nossa, não terá um critério sobre os ritmos. E eu quero muito convidar bandas tipo Ambervisions e Merda, das quais sou fã.
Maurício Mota – Estamos resolvendo isso… Primeiramente, cada sócio vai atrás de quatro bandas. Cada um faz sua curadoria. Tem uma banda que eu quero colocar e já acabou, mas não to nem aí. É a banda COISA, aqui de Goiânia, que é, pra mim, a banda mais espetacular, roquenrol e audaciosa que esta cidade já teve. Uma história ainda não contada que surpreenderá muita gente.

Sambapunk – Já há um próximo lançamento de vinil programado?
Igor Ribeiro – Bang Bang Babies!!
Maurício Mota – Tem uma banda aqui em Goiânia querendo gravar também dentro do esquema 4track… caseiro: Bang Bang Babies; mas não sabemos ainda o que vai virar. Mas ao que tudo indica será um sete polegadas, que é o objetivo deles. Mas nada certo, ainda.

Sambapunk – A meta de vocês é vender esta tiragem de discos em quanto tempo?
Igor Ribeiro – Eu penso apenas em vender uma parte. Eu troco o restante por outros discos, o lance é não deixar o vinil acabar!!
Maurício Mota – Não temos assim este compromisso com o tempo. Este disco da Banda de Blues de Jos Strume talvez só seja compreendido daqui a uns 12 anos, então, não há pressa. Não é o som que está na moda, saca? Daqui a uns seis anos, ainda será ousado, autoral, incompreendido, inspirador e novo.


Mercado/Negócios, Música, Pingue-pongue


2 respostas

  1. João Augusto
    12/05/2009 às 1:47

    Adilson, como vai? Não tem nenhum “abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe”. A POLYSOM foi adquirida e já está em obras para produzir discos de qualidade, comparáveis a qualquer um feito em fábricas gringas, ainda no segundo semestre de 2009.
    Abração.

  2. Natália Beatriz
    12/05/2009 às 1:47

    eu tava no lançamento dessa porra! massa!
    será que agora, que já acabou o “segundo semestre de 2009″ a polysom já reabriu?
    acho que ninguém sabe..


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12/05/2009 às 1:47

Toscos, mas limpinhos

Adilson Pereira

Tosco: estilo

Três caras que gostam de vinis se juntaram para montar um selo e estão colocando na praça, agora, seu primeiro lançamento: “Fuck the pro-tools”, um sete polegadas da Banda de Blues de Joe Strume. Foram prensadas na Inglaterra 200 unidades que, aos poucos, estão vindo do outro lado do Atlântico pelo correio. Os rapazes descartaram a possibilidade de usar um navio como meio de transporte porque seis meses de viagem (a previsão era essa) poderiam comprometer a “saúde” do produto.

A bolachinha é a número um do catálogo da Tosco Brasil, selo através do qual pretendem disponibilizar também cassetes e outros lances. Na capinha, um adesivo – tipo etiqueta de preço, com contorno vermelho – informa: “Puro”. “Cachaça pura, rapadura pura e rock puro, sem conservantes”, brinca Igor Ribeiro, um cidadão do Rio de Janeiro que hoje em dia agita as noites em Belém do Pará. O goiano Maurício Mota completa: “O Joe, na ultima vez em que fui a Uberlândia, me apresentou uma ótima rapadura vinda de uma cidadezinha próxima. Nela, tinha uma etiqueta igual. Achei genial e copiei a idéia. Afinal, nosso produto também é puro: pode ser consumido, sem medo.”

Joe Strume, de Uberlândia, capitão do primeiro lançamento, completa o time. Na hora de fazer as contas, é com ele. “O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco”, compara Strume, referindo-se à última fábrica de vinis do país, localizada na Baixada Fluminense. Talvez por isso ele não esquente a cabeça com o abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe envolvendo a fábrica no Rio.

Os três foram se encontrando aos poucos, em festivais, trocando cartas e e-mails. Igor Ribeiro destaca: “Quando conheci o Joe, ele estava vendendo vinis da sua coleção pessoal para juntar grana e lançar o compacto. Daí, ficamos um bom tempo sem conversar e quando retomamos a correspondência ele disse que já tinha entrado em contato com o Maurício e tal.” Maurício completa, meio distraído: “Coincidências da vida. A banda é que escolheu a gente. Eu acho. Foi?” Confira o pingue-pongue:

Tosco: o primeiro sete polegadas

Sambapunk – Como surgiu a idéia de criar um selo para lançar vinis?
Igor Ribeiro – Não era um selo para vinis. Na verdade, a idéia sempre foi ser uma parada de vender e fazer o que desse vontade… Vinis, K7s, camisetas, pedais de guitarra feitos em latas de sardinha…
Maurício Mota – Não era para lançar vinis. Não era esse o foco. Só pra você ver como são as coisas: nosso primeiro catálogo tinha uns CDRs, uma coletânea K7 pirata dos reggaes do The Clash que montei – e não vendeu sequer uma cópia – e até um relógio para deficientes visuais usado.  Ou seja, nosso catálogo tem “coisas”. Às vezes, é música.
 
Sambapunk – A Monstro Discos serviu de inspiração para vocês? Imagino que conheçam vários outros selos, pelo mundo, que lançam coisas neste formato.
Igor Ribeiro – Não para mim. Curto os compactos lançados por eles, mas, sei lá, acho que perderam tempo lançando CDs de bandas chatas pra cacete tipo esse Violins e perderam o foco de ter “os compactos mais chiques do Brasil”… puta banda chata, essa Violins. Os selos que eu gosto são In The Red Records, Estrus, Touch and Go, Get Hip, Bomp!, Crypt, Ipecac, Alternative Tentacles, SST e mais uma pá. E tenho que concordar que vez ou outra esses também lançam artistas descartáveis.
 
Sambapunk – Em que selo(s) ou artista(s) vocês se inspiraram?
Igor Ribeiro – Sub Pop e Trama… HAHAHAHAHAHAHAHA…
Maurício Mota – Não sei, sinceramente. Em nenhum, acho, pois o lance da Tosco Brasil é bem particular. Volátil, até.
 
Sambapunk – A Tosco concorre com a Monstro Discos ou serão empresas parceiras?
Igor Ribeiro – Não somos concorrentes, não. Se juntar nossas contas bancárias, não dá o salário do Fabrício (Nobre, um dos donos da Monstro); é desleal.
Maurício Mota – Sei lá. Meio sem sentido, isso. Pense bem: que empresa iria querer a gente como parceiros?? Três vagabundos sonhadores. Esqueça.
 

Tosca: Banda De Blues De Joe Strume
Sambapunk – Qual é o objetivo principal por trás da criação da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Diversão e amor por vinis e fitas k7. CD não rola, cara; de verdade.
Maurício Mota – Sou de uma época de trocas de zines, demos, cartas via carteiro. Então, tento hoje manter isso sempre próximo. A Tosco Brasil é basicamente isso. Relacionamento via carteiro. A gente desenvolve um trabalho desorganizado e lento em função das coisas que achamos bacanas e depois suamos um pouco pra levar estas coisas a um público mais abrangente e que também gosta deste universo.
 
Sambapunk – De onde são os clientes/compradores de vocês?
Igor Ribeiro – Boa pergunta, essa. Mandei pra uns amigos que realmente entendem o espírito “rock cru”, sabe ? Brasil e gringolândia. Ah, eu queria mandar um pra dona da Daslu!!
Maurício Mota – Ainda não sabemos. Toda sorte de gente. O mundo inteiro. Como utilizamos o Ebay e o Mercado Livre pra divulgar e vender os lances da Tosco Brasil, estamos abertos a todo tipo de cliente. Qualquer pessoa, pois não temos a barreira da língua. Confiamos cegamente no Google Translate pra nos comunicarmos com o planeta inteiro, via email e carta.
 
Sambapunk – Fazer um disquinho na Inglaterra não fica muito caro?
Igor Ribeiro – Agora eu não lembro dos valores, mas sei que ficou viável.
Maurício Mota – Até que não.  O Joe Strume pode colocar isto para você na ponta do lápis. Eu nem lembro quanto ficou tudo.
Joe Strume – Sugiro que pensemos na relação custo-benefício. O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco. Acho que a questão essencial é a qualidade do “corte” feito na Inglaterra, uma vez que lá nunca se parou de fazer vinil e, portanto, os maquinários estão OK. Sabemos que o “corte” da PolySom apresentava problemas, como o desaparecimento de freqüências graves, devido às deficiências do aparato que tinham para prensar os vinis. Assim, quando a PolySom devolveu nosso material e disse que não poderia fazer nosso disco, vi como uma espécie de “há males que vêm para bem”. Porque foi depois deste “não” que procuramos a prensa inglesa.

Tosco: catálogo

Sambapunk – Tive informações de que a prensagem pode ser até “barata”, mas o problema é transporte/remessa do material… É isso mesmo?
Igor Ribeiro – Postagem é um problemão. Tem prensas lá fora que não fazem o serviço porque a postagem para o Brasil é cara.
Maurício Mota – O Joe negociou tudo.
Joe Strume – Isso que você diz procede. A questão do transporte é complicada e, em nosso caso, foi e está sendo ainda mais complicado. Não recebemos todos os discos, uma vez que não temos como buscar pessoalmente e, assim, dependemos do transporte via correio. O envio por navio (surface) é mais em conta, mas demora muito (até seis meses) e ainda corre-se o risco de o material chegar danificado, devido ao longo tempo de viagem.

Sambapunk – Vocês pensaram muito antes de começarem com a Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Na verdade, fui convidado a entrar na Tosco Brasil pelo Maurício. Não pensei muito, não.
Maurício Mota – É claro que não.
Joe Strume – Bem… Na verdade, acho que foi a Banda de Blues de Joe Strume que escolheu a Tosco Brasil para fazer este lançamento.
E esta escolha se deu muito antes de gravarmos com a produção do Maurício. Acho que tudo começou no fim de 2005, quando o Maurício veio tocar em Uberlândia com sua antiga banda (Hang The Superstars). Nesta ocasião, eu e o Rogério Matador, o baterista da Banda de Blues de Joe Strume, fomos até a banquinha onde o Mauricio estava e falamos sobre sons toscos… Eu estava usando uma camiseta verde do Cramps e acho que isso foi importante como “cartão de visitas” Heheheh… Daí, em janeiro de 2007, telefonei pro Mauricio e pedi que produzisse a banda. Quando ele aceitou nosso convite, creio que a Tosco Brasil passou a fazer parte da coisa.
 
Sambapunk – O que pesava mais contra a decisão, isto é, qual é a maior dificuldade para manter um empreendimento como este?
Igor Ribeiro – Empreendimento ? Uau, obrigado. Vou acender um cubano aqui com uma nota de 50.
Maurício Mota – Não tem muita dificuldade. Como não há prazos a cumprir, a gente vai levando sem estresse, para os cabelos não caírem.

Sambapunk – E o que mais pesou/pesa a favor?
Igor Ribeiro – O que mais pesa a favor é diversão, conhecer gente nova e ganhar discos.
Maurício Mota – Ver um plano que antes parecia uma piada dar certo. Não tem preço. Igual a este compacto que estamos lançando agora. A coisa mais espetacular feita no rock, hoje, no Brasil. Não existe similar. A preocupação agora é onde esconder da receita o tanto de dinheiro que vamos ganhar. Odiamos impostos.
 
Sambapunk – Por que este lema, “Fuck the pro-tools”?
Igor Ribeiro – O rock de verdade está morrendo, cara. Quando uma banda de “rock” grava na mesma qualidade de Maria Rita ou Charlie Brown Jr e é produzida pelo Rick Bonadio, o rock não tem mais sentido. Pro-tools sucks!
Maurício Mota – É uma piada com estes programas de gravação que tiraram a graça de gravar roquenrol. Se adotássemos neste caso o meio contemporâneo de gravação, não teríamos escutado nem um quinto dos sons e experiências fantásticas que rolaram durante o processo de gravação na casa do Joe. Microfone dentro de balde, cachorro latindo, cerveja e cigarro para todos os lados, voz no banheiro. Não havia regras. Escutávamos um disco e tentávamos reproduzir, na unha, aquele som. E outra, o compacto foi todo feito dentro de uma fita k7. Nada mais justo do que dar este título ao compacto.

Sambapunk – Como será a estratégia de trabalho de vocês?
Igor Ribeiro – Enviar para selos, bandas e amigos.
Maurício Mota – Estamos ainda pensando…

Tosco: amor pelos animais
Sambapunk – Qual foi o investimento necessário para este primeiro lançamento acontecer?
Igor Ribeiro – Algum dinheiro e paciência, muita paciência.
 
Sambapunk – Quais são as funções de cada um de vocês, na Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Faço algumas traduções, ilustrações e discordo de tudo que Elmiro e Maurício planejam.
Maurício Mota – Eu sou o mais velho. O Igor é o mais disperso. O Elmiro é o mais louco. Dentro disso, vamos revezando entre ter idéias, desenhá-las, desenvolvê-las e lançá-las.

Sambapunk – Paixão é fundamental para conseguir dar vida a um projeto como este?
Igor Ribeiro – Sim, sim.
Maurício Mota – Sim. E um pouco de irresponsabilidade também, pois mexemos com um tipo de comércio em que poucos ainda entendem o nosso approach.

Sambapunk – Vocês não vão montar nem mesmo um blog da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Eu não daria conta. Já tocamos o “Rock de plástico”. Aliás, essa semana tem uma bela matéria sobre os paulistanos do Sell Outs que são mais conhecidos na gringa que em seu país natal.
Maurício Mota – Pra quê? Temos um blog, já… Eu não daria conta de ter outro. Mal dou conta do meu e-mail, que me tira horas preciosas de sol pela manhã. Usamos ferramentas da internet muito mais confiáveis que qualquer site de gravadora/selo por aí. Estamos no Ebay e no Mercado Livre. Sai mais barato, tem garantia infinita e ainda polui menos as vias arteriais da web.
 
Sambapunk – O adesivo-catálogo de vocês anuncia uma coletânea em fita cassete… Falem mais sobre isso.
Igor Ribeiro – Sim, essa coletânea é o próximo lançamento da Tosco Brasil, vai se chamar “Rock Brasil”. Hahaha… E vai sair em K7.
Maurício Mota – Essa idéia é velha amiga nossa: lançar uma coletânea com bandas que achamos legais e que ninguém lançaria. Em k7, com pôster e texto e tal. Nos amarramos em contar histórias e passar pra frente.

Sambapunk – Que bandas/artistas vão participar desta coletânea?
Igor Ribeiro – Nossa, não terá um critério sobre os ritmos. E eu quero muito convidar bandas tipo Ambervisions e Merda, das quais sou fã.
Maurício Mota – Estamos resolvendo isso… Primeiramente, cada sócio vai atrás de quatro bandas. Cada um faz sua curadoria. Tem uma banda que eu quero colocar e já acabou, mas não to nem aí. É a banda COISA, aqui de Goiânia, que é, pra mim, a banda mais espetacular, roquenrol e audaciosa que esta cidade já teve. Uma história ainda não contada que surpreenderá muita gente.

Sambapunk – Já há um próximo lançamento de vinil programado?
Igor Ribeiro – Bang Bang Babies!!
Maurício Mota – Tem uma banda aqui em Goiânia querendo gravar também dentro do esquema 4track… caseiro: Bang Bang Babies; mas não sabemos ainda o que vai virar. Mas ao que tudo indica será um sete polegadas, que é o objetivo deles. Mas nada certo, ainda.

Sambapunk – A meta de vocês é vender esta tiragem de discos em quanto tempo?
Igor Ribeiro – Eu penso apenas em vender uma parte. Eu troco o restante por outros discos, o lance é não deixar o vinil acabar!!
Maurício Mota – Não temos assim este compromisso com o tempo. Este disco da Banda de Blues de Jos Strume talvez só seja compreendido daqui a uns 12 anos, então, não há pressa. Não é o som que está na moda, saca? Daqui a uns seis anos, ainda será ousado, autoral, incompreendido, inspirador e novo.


Mercado/Negócios, Música, Pingue-pongue


2 respostas

  1. João Augusto
    12/05/2009 às 1:47

    Adilson, como vai? Não tem nenhum “abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe”. A POLYSOM foi adquirida e já está em obras para produzir discos de qualidade, comparáveis a qualquer um feito em fábricas gringas, ainda no segundo semestre de 2009.
    Abração.

  2. Natália Beatriz
    12/05/2009 às 1:47

    eu tava no lançamento dessa porra! massa!
    será que agora, que já acabou o “segundo semestre de 2009″ a polysom já reabriu?
    acho que ninguém sabe..


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12/05/2009 às 1:47

Toscos, mas limpinhos

Adilson Pereira

Tosco: estilo

Três caras que gostam de vinis se juntaram para montar um selo e estão colocando na praça, agora, seu primeiro lançamento: “Fuck the pro-tools”, um sete polegadas da Banda de Blues de Joe Strume. Foram prensadas na Inglaterra 200 unidades que, aos poucos, estão vindo do outro lado do Atlântico pelo correio. Os rapazes descartaram a possibilidade de usar um navio como meio de transporte porque seis meses de viagem (a previsão era essa) poderiam comprometer a “saúde” do produto.

A bolachinha é a número um do catálogo da Tosco Brasil, selo através do qual pretendem disponibilizar também cassetes e outros lances. Na capinha, um adesivo – tipo etiqueta de preço, com contorno vermelho – informa: “Puro”. “Cachaça pura, rapadura pura e rock puro, sem conservantes”, brinca Igor Ribeiro, um cidadão do Rio de Janeiro que hoje em dia agita as noites em Belém do Pará. O goiano Maurício Mota completa: “O Joe, na ultima vez em que fui a Uberlândia, me apresentou uma ótima rapadura vinda de uma cidadezinha próxima. Nela, tinha uma etiqueta igual. Achei genial e copiei a idéia. Afinal, nosso produto também é puro: pode ser consumido, sem medo.”

Joe Strume, de Uberlândia, capitão do primeiro lançamento, completa o time. Na hora de fazer as contas, é com ele. “O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco”, compara Strume, referindo-se à última fábrica de vinis do país, localizada na Baixada Fluminense. Talvez por isso ele não esquente a cabeça com o abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe envolvendo a fábrica no Rio.

Os três foram se encontrando aos poucos, em festivais, trocando cartas e e-mails. Igor Ribeiro destaca: “Quando conheci o Joe, ele estava vendendo vinis da sua coleção pessoal para juntar grana e lançar o compacto. Daí, ficamos um bom tempo sem conversar e quando retomamos a correspondência ele disse que já tinha entrado em contato com o Maurício e tal.” Maurício completa, meio distraído: “Coincidências da vida. A banda é que escolheu a gente. Eu acho. Foi?” Confira o pingue-pongue:

Tosco: o primeiro sete polegadas

Sambapunk – Como surgiu a idéia de criar um selo para lançar vinis?
Igor Ribeiro – Não era um selo para vinis. Na verdade, a idéia sempre foi ser uma parada de vender e fazer o que desse vontade… Vinis, K7s, camisetas, pedais de guitarra feitos em latas de sardinha…
Maurício Mota – Não era para lançar vinis. Não era esse o foco. Só pra você ver como são as coisas: nosso primeiro catálogo tinha uns CDRs, uma coletânea K7 pirata dos reggaes do The Clash que montei – e não vendeu sequer uma cópia – e até um relógio para deficientes visuais usado.  Ou seja, nosso catálogo tem “coisas”. Às vezes, é música.
 
Sambapunk – A Monstro Discos serviu de inspiração para vocês? Imagino que conheçam vários outros selos, pelo mundo, que lançam coisas neste formato.
Igor Ribeiro – Não para mim. Curto os compactos lançados por eles, mas, sei lá, acho que perderam tempo lançando CDs de bandas chatas pra cacete tipo esse Violins e perderam o foco de ter “os compactos mais chiques do Brasil”… puta banda chata, essa Violins. Os selos que eu gosto são In The Red Records, Estrus, Touch and Go, Get Hip, Bomp!, Crypt, Ipecac, Alternative Tentacles, SST e mais uma pá. E tenho que concordar que vez ou outra esses também lançam artistas descartáveis.
 
Sambapunk – Em que selo(s) ou artista(s) vocês se inspiraram?
Igor Ribeiro – Sub Pop e Trama… HAHAHAHAHAHAHAHA…
Maurício Mota – Não sei, sinceramente. Em nenhum, acho, pois o lance da Tosco Brasil é bem particular. Volátil, até.
 
Sambapunk – A Tosco concorre com a Monstro Discos ou serão empresas parceiras?
Igor Ribeiro – Não somos concorrentes, não. Se juntar nossas contas bancárias, não dá o salário do Fabrício (Nobre, um dos donos da Monstro); é desleal.
Maurício Mota – Sei lá. Meio sem sentido, isso. Pense bem: que empresa iria querer a gente como parceiros?? Três vagabundos sonhadores. Esqueça.
 

Tosca: Banda De Blues De Joe Strume
Sambapunk – Qual é o objetivo principal por trás da criação da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Diversão e amor por vinis e fitas k7. CD não rola, cara; de verdade.
Maurício Mota – Sou de uma época de trocas de zines, demos, cartas via carteiro. Então, tento hoje manter isso sempre próximo. A Tosco Brasil é basicamente isso. Relacionamento via carteiro. A gente desenvolve um trabalho desorganizado e lento em função das coisas que achamos bacanas e depois suamos um pouco pra levar estas coisas a um público mais abrangente e que também gosta deste universo.
 
Sambapunk – De onde são os clientes/compradores de vocês?
Igor Ribeiro – Boa pergunta, essa. Mandei pra uns amigos que realmente entendem o espírito “rock cru”, sabe ? Brasil e gringolândia. Ah, eu queria mandar um pra dona da Daslu!!
Maurício Mota – Ainda não sabemos. Toda sorte de gente. O mundo inteiro. Como utilizamos o Ebay e o Mercado Livre pra divulgar e vender os lances da Tosco Brasil, estamos abertos a todo tipo de cliente. Qualquer pessoa, pois não temos a barreira da língua. Confiamos cegamente no Google Translate pra nos comunicarmos com o planeta inteiro, via email e carta.
 
Sambapunk – Fazer um disquinho na Inglaterra não fica muito caro?
Igor Ribeiro – Agora eu não lembro dos valores, mas sei que ficou viável.
Maurício Mota – Até que não.  O Joe Strume pode colocar isto para você na ponta do lápis. Eu nem lembro quanto ficou tudo.
Joe Strume – Sugiro que pensemos na relação custo-benefício. O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco. Acho que a questão essencial é a qualidade do “corte” feito na Inglaterra, uma vez que lá nunca se parou de fazer vinil e, portanto, os maquinários estão OK. Sabemos que o “corte” da PolySom apresentava problemas, como o desaparecimento de freqüências graves, devido às deficiências do aparato que tinham para prensar os vinis. Assim, quando a PolySom devolveu nosso material e disse que não poderia fazer nosso disco, vi como uma espécie de “há males que vêm para bem”. Porque foi depois deste “não” que procuramos a prensa inglesa.

Tosco: catálogo

Sambapunk – Tive informações de que a prensagem pode ser até “barata”, mas o problema é transporte/remessa do material… É isso mesmo?
Igor Ribeiro – Postagem é um problemão. Tem prensas lá fora que não fazem o serviço porque a postagem para o Brasil é cara.
Maurício Mota – O Joe negociou tudo.
Joe Strume – Isso que você diz procede. A questão do transporte é complicada e, em nosso caso, foi e está sendo ainda mais complicado. Não recebemos todos os discos, uma vez que não temos como buscar pessoalmente e, assim, dependemos do transporte via correio. O envio por navio (surface) é mais em conta, mas demora muito (até seis meses) e ainda corre-se o risco de o material chegar danificado, devido ao longo tempo de viagem.

Sambapunk – Vocês pensaram muito antes de começarem com a Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Na verdade, fui convidado a entrar na Tosco Brasil pelo Maurício. Não pensei muito, não.
Maurício Mota – É claro que não.
Joe Strume – Bem… Na verdade, acho que foi a Banda de Blues de Joe Strume que escolheu a Tosco Brasil para fazer este lançamento.
E esta escolha se deu muito antes de gravarmos com a produção do Maurício. Acho que tudo começou no fim de 2005, quando o Maurício veio tocar em Uberlândia com sua antiga banda (Hang The Superstars). Nesta ocasião, eu e o Rogério Matador, o baterista da Banda de Blues de Joe Strume, fomos até a banquinha onde o Mauricio estava e falamos sobre sons toscos… Eu estava usando uma camiseta verde do Cramps e acho que isso foi importante como “cartão de visitas” Heheheh… Daí, em janeiro de 2007, telefonei pro Mauricio e pedi que produzisse a banda. Quando ele aceitou nosso convite, creio que a Tosco Brasil passou a fazer parte da coisa.
 
Sambapunk – O que pesava mais contra a decisão, isto é, qual é a maior dificuldade para manter um empreendimento como este?
Igor Ribeiro – Empreendimento ? Uau, obrigado. Vou acender um cubano aqui com uma nota de 50.
Maurício Mota – Não tem muita dificuldade. Como não há prazos a cumprir, a gente vai levando sem estresse, para os cabelos não caírem.

Sambapunk – E o que mais pesou/pesa a favor?
Igor Ribeiro – O que mais pesa a favor é diversão, conhecer gente nova e ganhar discos.
Maurício Mota – Ver um plano que antes parecia uma piada dar certo. Não tem preço. Igual a este compacto que estamos lançando agora. A coisa mais espetacular feita no rock, hoje, no Brasil. Não existe similar. A preocupação agora é onde esconder da receita o tanto de dinheiro que vamos ganhar. Odiamos impostos.
 
Sambapunk – Por que este lema, “Fuck the pro-tools”?
Igor Ribeiro – O rock de verdade está morrendo, cara. Quando uma banda de “rock” grava na mesma qualidade de Maria Rita ou Charlie Brown Jr e é produzida pelo Rick Bonadio, o rock não tem mais sentido. Pro-tools sucks!
Maurício Mota – É uma piada com estes programas de gravação que tiraram a graça de gravar roquenrol. Se adotássemos neste caso o meio contemporâneo de gravação, não teríamos escutado nem um quinto dos sons e experiências fantásticas que rolaram durante o processo de gravação na casa do Joe. Microfone dentro de balde, cachorro latindo, cerveja e cigarro para todos os lados, voz no banheiro. Não havia regras. Escutávamos um disco e tentávamos reproduzir, na unha, aquele som. E outra, o compacto foi todo feito dentro de uma fita k7. Nada mais justo do que dar este título ao compacto.

Sambapunk – Como será a estratégia de trabalho de vocês?
Igor Ribeiro – Enviar para selos, bandas e amigos.
Maurício Mota – Estamos ainda pensando…

Tosco: amor pelos animais
Sambapunk – Qual foi o investimento necessário para este primeiro lançamento acontecer?
Igor Ribeiro – Algum dinheiro e paciência, muita paciência.
 
Sambapunk – Quais são as funções de cada um de vocês, na Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Faço algumas traduções, ilustrações e discordo de tudo que Elmiro e Maurício planejam.
Maurício Mota – Eu sou o mais velho. O Igor é o mais disperso. O Elmiro é o mais louco. Dentro disso, vamos revezando entre ter idéias, desenhá-las, desenvolvê-las e lançá-las.

Sambapunk – Paixão é fundamental para conseguir dar vida a um projeto como este?
Igor Ribeiro – Sim, sim.
Maurício Mota – Sim. E um pouco de irresponsabilidade também, pois mexemos com um tipo de comércio em que poucos ainda entendem o nosso approach.

Sambapunk – Vocês não vão montar nem mesmo um blog da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Eu não daria conta. Já tocamos o “Rock de plástico”. Aliás, essa semana tem uma bela matéria sobre os paulistanos do Sell Outs que são mais conhecidos na gringa que em seu país natal.
Maurício Mota – Pra quê? Temos um blog, já… Eu não daria conta de ter outro. Mal dou conta do meu e-mail, que me tira horas preciosas de sol pela manhã. Usamos ferramentas da internet muito mais confiáveis que qualquer site de gravadora/selo por aí. Estamos no Ebay e no Mercado Livre. Sai mais barato, tem garantia infinita e ainda polui menos as vias arteriais da web.
 
Sambapunk – O adesivo-catálogo de vocês anuncia uma coletânea em fita cassete… Falem mais sobre isso.
Igor Ribeiro – Sim, essa coletânea é o próximo lançamento da Tosco Brasil, vai se chamar “Rock Brasil”. Hahaha… E vai sair em K7.
Maurício Mota – Essa idéia é velha amiga nossa: lançar uma coletânea com bandas que achamos legais e que ninguém lançaria. Em k7, com pôster e texto e tal. Nos amarramos em contar histórias e passar pra frente.

Sambapunk – Que bandas/artistas vão participar desta coletânea?
Igor Ribeiro – Nossa, não terá um critério sobre os ritmos. E eu quero muito convidar bandas tipo Ambervisions e Merda, das quais sou fã.
Maurício Mota – Estamos resolvendo isso… Primeiramente, cada sócio vai atrás de quatro bandas. Cada um faz sua curadoria. Tem uma banda que eu quero colocar e já acabou, mas não to nem aí. É a banda COISA, aqui de Goiânia, que é, pra mim, a banda mais espetacular, roquenrol e audaciosa que esta cidade já teve. Uma história ainda não contada que surpreenderá muita gente.

Sambapunk – Já há um próximo lançamento de vinil programado?
Igor Ribeiro – Bang Bang Babies!!
Maurício Mota – Tem uma banda aqui em Goiânia querendo gravar também dentro do esquema 4track… caseiro: Bang Bang Babies; mas não sabemos ainda o que vai virar. Mas ao que tudo indica será um sete polegadas, que é o objetivo deles. Mas nada certo, ainda.

Sambapunk – A meta de vocês é vender esta tiragem de discos em quanto tempo?
Igor Ribeiro – Eu penso apenas em vender uma parte. Eu troco o restante por outros discos, o lance é não deixar o vinil acabar!!
Maurício Mota – Não temos assim este compromisso com o tempo. Este disco da Banda de Blues de Jos Strume talvez só seja compreendido daqui a uns 12 anos, então, não há pressa. Não é o som que está na moda, saca? Daqui a uns seis anos, ainda será ousado, autoral, incompreendido, inspirador e novo.


Mercado/Negócios, Música, Pingue-pongue


2 respostas

  1. João Augusto
    12/05/2009 às 1:47

    Adilson, como vai? Não tem nenhum “abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe”. A POLYSOM foi adquirida e já está em obras para produzir discos de qualidade, comparáveis a qualquer um feito em fábricas gringas, ainda no segundo semestre de 2009.
    Abração.

  2. Natália Beatriz
    12/05/2009 às 1:47

    eu tava no lançamento dessa porra! massa!
    será que agora, que já acabou o “segundo semestre de 2009″ a polysom já reabriu?
    acho que ninguém sabe..


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12/05/2009 às 1:47

Toscos, mas limpinhos

Adilson Pereira

Tosco: estilo

Três caras que gostam de vinis se juntaram para montar um selo e estão colocando na praça, agora, seu primeiro lançamento: “Fuck the pro-tools”, um sete polegadas da Banda de Blues de Joe Strume. Foram prensadas na Inglaterra 200 unidades que, aos poucos, estão vindo do outro lado do Atlântico pelo correio. Os rapazes descartaram a possibilidade de usar um navio como meio de transporte porque seis meses de viagem (a previsão era essa) poderiam comprometer a “saúde” do produto.

A bolachinha é a número um do catálogo da Tosco Brasil, selo através do qual pretendem disponibilizar também cassetes e outros lances. Na capinha, um adesivo – tipo etiqueta de preço, com contorno vermelho – informa: “Puro”. “Cachaça pura, rapadura pura e rock puro, sem conservantes”, brinca Igor Ribeiro, um cidadão do Rio de Janeiro que hoje em dia agita as noites em Belém do Pará. O goiano Maurício Mota completa: “O Joe, na ultima vez em que fui a Uberlândia, me apresentou uma ótima rapadura vinda de uma cidadezinha próxima. Nela, tinha uma etiqueta igual. Achei genial e copiei a idéia. Afinal, nosso produto também é puro: pode ser consumido, sem medo.”

Joe Strume, de Uberlândia, capitão do primeiro lançamento, completa o time. Na hora de fazer as contas, é com ele. “O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco”, compara Strume, referindo-se à última fábrica de vinis do país, localizada na Baixada Fluminense. Talvez por isso ele não esquente a cabeça com o abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe envolvendo a fábrica no Rio.

Os três foram se encontrando aos poucos, em festivais, trocando cartas e e-mails. Igor Ribeiro destaca: “Quando conheci o Joe, ele estava vendendo vinis da sua coleção pessoal para juntar grana e lançar o compacto. Daí, ficamos um bom tempo sem conversar e quando retomamos a correspondência ele disse que já tinha entrado em contato com o Maurício e tal.” Maurício completa, meio distraído: “Coincidências da vida. A banda é que escolheu a gente. Eu acho. Foi?” Confira o pingue-pongue:

Tosco: o primeiro sete polegadas

Sambapunk – Como surgiu a idéia de criar um selo para lançar vinis?
Igor Ribeiro – Não era um selo para vinis. Na verdade, a idéia sempre foi ser uma parada de vender e fazer o que desse vontade… Vinis, K7s, camisetas, pedais de guitarra feitos em latas de sardinha…
Maurício Mota – Não era para lançar vinis. Não era esse o foco. Só pra você ver como são as coisas: nosso primeiro catálogo tinha uns CDRs, uma coletânea K7 pirata dos reggaes do The Clash que montei – e não vendeu sequer uma cópia – e até um relógio para deficientes visuais usado.  Ou seja, nosso catálogo tem “coisas”. Às vezes, é música.
 
Sambapunk – A Monstro Discos serviu de inspiração para vocês? Imagino que conheçam vários outros selos, pelo mundo, que lançam coisas neste formato.
Igor Ribeiro – Não para mim. Curto os compactos lançados por eles, mas, sei lá, acho que perderam tempo lançando CDs de bandas chatas pra cacete tipo esse Violins e perderam o foco de ter “os compactos mais chiques do Brasil”… puta banda chata, essa Violins. Os selos que eu gosto são In The Red Records, Estrus, Touch and Go, Get Hip, Bomp!, Crypt, Ipecac, Alternative Tentacles, SST e mais uma pá. E tenho que concordar que vez ou outra esses também lançam artistas descartáveis.
 
Sambapunk – Em que selo(s) ou artista(s) vocês se inspiraram?
Igor Ribeiro – Sub Pop e Trama… HAHAHAHAHAHAHAHA…
Maurício Mota – Não sei, sinceramente. Em nenhum, acho, pois o lance da Tosco Brasil é bem particular. Volátil, até.
 
Sambapunk – A Tosco concorre com a Monstro Discos ou serão empresas parceiras?
Igor Ribeiro – Não somos concorrentes, não. Se juntar nossas contas bancárias, não dá o salário do Fabrício (Nobre, um dos donos da Monstro); é desleal.
Maurício Mota – Sei lá. Meio sem sentido, isso. Pense bem: que empresa iria querer a gente como parceiros?? Três vagabundos sonhadores. Esqueça.
 

Tosca: Banda De Blues De Joe Strume
Sambapunk – Qual é o objetivo principal por trás da criação da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Diversão e amor por vinis e fitas k7. CD não rola, cara; de verdade.
Maurício Mota – Sou de uma época de trocas de zines, demos, cartas via carteiro. Então, tento hoje manter isso sempre próximo. A Tosco Brasil é basicamente isso. Relacionamento via carteiro. A gente desenvolve um trabalho desorganizado e lento em função das coisas que achamos bacanas e depois suamos um pouco pra levar estas coisas a um público mais abrangente e que também gosta deste universo.
 
Sambapunk – De onde são os clientes/compradores de vocês?
Igor Ribeiro – Boa pergunta, essa. Mandei pra uns amigos que realmente entendem o espírito “rock cru”, sabe ? Brasil e gringolândia. Ah, eu queria mandar um pra dona da Daslu!!
Maurício Mota – Ainda não sabemos. Toda sorte de gente. O mundo inteiro. Como utilizamos o Ebay e o Mercado Livre pra divulgar e vender os lances da Tosco Brasil, estamos abertos a todo tipo de cliente. Qualquer pessoa, pois não temos a barreira da língua. Confiamos cegamente no Google Translate pra nos comunicarmos com o planeta inteiro, via email e carta.
 
Sambapunk – Fazer um disquinho na Inglaterra não fica muito caro?
Igor Ribeiro – Agora eu não lembro dos valores, mas sei que ficou viável.
Maurício Mota – Até que não.  O Joe Strume pode colocar isto para você na ponta do lápis. Eu nem lembro quanto ficou tudo.
Joe Strume – Sugiro que pensemos na relação custo-benefício. O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco. Acho que a questão essencial é a qualidade do “corte” feito na Inglaterra, uma vez que lá nunca se parou de fazer vinil e, portanto, os maquinários estão OK. Sabemos que o “corte” da PolySom apresentava problemas, como o desaparecimento de freqüências graves, devido às deficiências do aparato que tinham para prensar os vinis. Assim, quando a PolySom devolveu nosso material e disse que não poderia fazer nosso disco, vi como uma espécie de “há males que vêm para bem”. Porque foi depois deste “não” que procuramos a prensa inglesa.

Tosco: catálogo

Sambapunk – Tive informações de que a prensagem pode ser até “barata”, mas o problema é transporte/remessa do material… É isso mesmo?
Igor Ribeiro – Postagem é um problemão. Tem prensas lá fora que não fazem o serviço porque a postagem para o Brasil é cara.
Maurício Mota – O Joe negociou tudo.
Joe Strume – Isso que você diz procede. A questão do transporte é complicada e, em nosso caso, foi e está sendo ainda mais complicado. Não recebemos todos os discos, uma vez que não temos como buscar pessoalmente e, assim, dependemos do transporte via correio. O envio por navio (surface) é mais em conta, mas demora muito (até seis meses) e ainda corre-se o risco de o material chegar danificado, devido ao longo tempo de viagem.

Sambapunk – Vocês pensaram muito antes de começarem com a Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Na verdade, fui convidado a entrar na Tosco Brasil pelo Maurício. Não pensei muito, não.
Maurício Mota – É claro que não.
Joe Strume – Bem… Na verdade, acho que foi a Banda de Blues de Joe Strume que escolheu a Tosco Brasil para fazer este lançamento.
E esta escolha se deu muito antes de gravarmos com a produção do Maurício. Acho que tudo começou no fim de 2005, quando o Maurício veio tocar em Uberlândia com sua antiga banda (Hang The Superstars). Nesta ocasião, eu e o Rogério Matador, o baterista da Banda de Blues de Joe Strume, fomos até a banquinha onde o Mauricio estava e falamos sobre sons toscos… Eu estava usando uma camiseta verde do Cramps e acho que isso foi importante como “cartão de visitas” Heheheh… Daí, em janeiro de 2007, telefonei pro Mauricio e pedi que produzisse a banda. Quando ele aceitou nosso convite, creio que a Tosco Brasil passou a fazer parte da coisa.
 
Sambapunk – O que pesava mais contra a decisão, isto é, qual é a maior dificuldade para manter um empreendimento como este?
Igor Ribeiro – Empreendimento ? Uau, obrigado. Vou acender um cubano aqui com uma nota de 50.
Maurício Mota – Não tem muita dificuldade. Como não há prazos a cumprir, a gente vai levando sem estresse, para os cabelos não caírem.

Sambapunk – E o que mais pesou/pesa a favor?
Igor Ribeiro – O que mais pesa a favor é diversão, conhecer gente nova e ganhar discos.
Maurício Mota – Ver um plano que antes parecia uma piada dar certo. Não tem preço. Igual a este compacto que estamos lançando agora. A coisa mais espetacular feita no rock, hoje, no Brasil. Não existe similar. A preocupação agora é onde esconder da receita o tanto de dinheiro que vamos ganhar. Odiamos impostos.
 
Sambapunk – Por que este lema, “Fuck the pro-tools”?
Igor Ribeiro – O rock de verdade está morrendo, cara. Quando uma banda de “rock” grava na mesma qualidade de Maria Rita ou Charlie Brown Jr e é produzida pelo Rick Bonadio, o rock não tem mais sentido. Pro-tools sucks!
Maurício Mota – É uma piada com estes programas de gravação que tiraram a graça de gravar roquenrol. Se adotássemos neste caso o meio contemporâneo de gravação, não teríamos escutado nem um quinto dos sons e experiências fantásticas que rolaram durante o processo de gravação na casa do Joe. Microfone dentro de balde, cachorro latindo, cerveja e cigarro para todos os lados, voz no banheiro. Não havia regras. Escutávamos um disco e tentávamos reproduzir, na unha, aquele som. E outra, o compacto foi todo feito dentro de uma fita k7. Nada mais justo do que dar este título ao compacto.

Sambapunk – Como será a estratégia de trabalho de vocês?
Igor Ribeiro – Enviar para selos, bandas e amigos.
Maurício Mota – Estamos ainda pensando…

Tosco: amor pelos animais
Sambapunk – Qual foi o investimento necessário para este primeiro lançamento acontecer?
Igor Ribeiro – Algum dinheiro e paciência, muita paciência.
 
Sambapunk – Quais são as funções de cada um de vocês, na Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Faço algumas traduções, ilustrações e discordo de tudo que Elmiro e Maurício planejam.
Maurício Mota – Eu sou o mais velho. O Igor é o mais disperso. O Elmiro é o mais louco. Dentro disso, vamos revezando entre ter idéias, desenhá-las, desenvolvê-las e lançá-las.

Sambapunk – Paixão é fundamental para conseguir dar vida a um projeto como este?
Igor Ribeiro – Sim, sim.
Maurício Mota – Sim. E um pouco de irresponsabilidade também, pois mexemos com um tipo de comércio em que poucos ainda entendem o nosso approach.

Sambapunk – Vocês não vão montar nem mesmo um blog da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Eu não daria conta. Já tocamos o “Rock de plástico”. Aliás, essa semana tem uma bela matéria sobre os paulistanos do Sell Outs que são mais conhecidos na gringa que em seu país natal.
Maurício Mota – Pra quê? Temos um blog, já… Eu não daria conta de ter outro. Mal dou conta do meu e-mail, que me tira horas preciosas de sol pela manhã. Usamos ferramentas da internet muito mais confiáveis que qualquer site de gravadora/selo por aí. Estamos no Ebay e no Mercado Livre. Sai mais barato, tem garantia infinita e ainda polui menos as vias arteriais da web.
 
Sambapunk – O adesivo-catálogo de vocês anuncia uma coletânea em fita cassete… Falem mais sobre isso.
Igor Ribeiro – Sim, essa coletânea é o próximo lançamento da Tosco Brasil, vai se chamar “Rock Brasil”. Hahaha… E vai sair em K7.
Maurício Mota – Essa idéia é velha amiga nossa: lançar uma coletânea com bandas que achamos legais e que ninguém lançaria. Em k7, com pôster e texto e tal. Nos amarramos em contar histórias e passar pra frente.

Sambapunk – Que bandas/artistas vão participar desta coletânea?
Igor Ribeiro – Nossa, não terá um critério sobre os ritmos. E eu quero muito convidar bandas tipo Ambervisions e Merda, das quais sou fã.
Maurício Mota – Estamos resolvendo isso… Primeiramente, cada sócio vai atrás de quatro bandas. Cada um faz sua curadoria. Tem uma banda que eu quero colocar e já acabou, mas não to nem aí. É a banda COISA, aqui de Goiânia, que é, pra mim, a banda mais espetacular, roquenrol e audaciosa que esta cidade já teve. Uma história ainda não contada que surpreenderá muita gente.

Sambapunk – Já há um próximo lançamento de vinil programado?
Igor Ribeiro – Bang Bang Babies!!
Maurício Mota – Tem uma banda aqui em Goiânia querendo gravar também dentro do esquema 4track… caseiro: Bang Bang Babies; mas não sabemos ainda o que vai virar. Mas ao que tudo indica será um sete polegadas, que é o objetivo deles. Mas nada certo, ainda.

Sambapunk – A meta de vocês é vender esta tiragem de discos em quanto tempo?
Igor Ribeiro – Eu penso apenas em vender uma parte. Eu troco o restante por outros discos, o lance é não deixar o vinil acabar!!
Maurício Mota – Não temos assim este compromisso com o tempo. Este disco da Banda de Blues de Jos Strume talvez só seja compreendido daqui a uns 12 anos, então, não há pressa. Não é o som que está na moda, saca? Daqui a uns seis anos, ainda será ousado, autoral, incompreendido, inspirador e novo.


Mercado/Negócios, Música, Pingue-pongue


2 respostas

  1. João Augusto
    12/05/2009 às 1:47

    Adilson, como vai? Não tem nenhum “abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe”. A POLYSOM foi adquirida e já está em obras para produzir discos de qualidade, comparáveis a qualquer um feito em fábricas gringas, ainda no segundo semestre de 2009.
    Abração.

  2. Natália Beatriz
    12/05/2009 às 1:47

    eu tava no lançamento dessa porra! massa!
    será que agora, que já acabou o “segundo semestre de 2009″ a polysom já reabriu?
    acho que ninguém sabe..


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12/05/2009 às 1:47

Toscos, mas limpinhos

Adilson Pereira

Tosco: estilo

Três caras que gostam de vinis se juntaram para montar um selo e estão colocando na praça, agora, seu primeiro lançamento: “Fuck the pro-tools”, um sete polegadas da Banda de Blues de Joe Strume. Foram prensadas na Inglaterra 200 unidades que, aos poucos, estão vindo do outro lado do Atlântico pelo correio. Os rapazes descartaram a possibilidade de usar um navio como meio de transporte porque seis meses de viagem (a previsão era essa) poderiam comprometer a “saúde” do produto.

A bolachinha é a número um do catálogo da Tosco Brasil, selo através do qual pretendem disponibilizar também cassetes e outros lances. Na capinha, um adesivo – tipo etiqueta de preço, com contorno vermelho – informa: “Puro”. “Cachaça pura, rapadura pura e rock puro, sem conservantes”, brinca Igor Ribeiro, um cidadão do Rio de Janeiro que hoje em dia agita as noites em Belém do Pará. O goiano Maurício Mota completa: “O Joe, na ultima vez em que fui a Uberlândia, me apresentou uma ótima rapadura vinda de uma cidadezinha próxima. Nela, tinha uma etiqueta igual. Achei genial e copiei a idéia. Afinal, nosso produto também é puro: pode ser consumido, sem medo.”

Joe Strume, de Uberlândia, capitão do primeiro lançamento, completa o time. Na hora de fazer as contas, é com ele. “O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco”, compara Strume, referindo-se à última fábrica de vinis do país, localizada na Baixada Fluminense. Talvez por isso ele não esquente a cabeça com o abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe envolvendo a fábrica no Rio.

Os três foram se encontrando aos poucos, em festivais, trocando cartas e e-mails. Igor Ribeiro destaca: “Quando conheci o Joe, ele estava vendendo vinis da sua coleção pessoal para juntar grana e lançar o compacto. Daí, ficamos um bom tempo sem conversar e quando retomamos a correspondência ele disse que já tinha entrado em contato com o Maurício e tal.” Maurício completa, meio distraído: “Coincidências da vida. A banda é que escolheu a gente. Eu acho. Foi?” Confira o pingue-pongue:

Tosco: o primeiro sete polegadas

Sambapunk – Como surgiu a idéia de criar um selo para lançar vinis?
Igor Ribeiro – Não era um selo para vinis. Na verdade, a idéia sempre foi ser uma parada de vender e fazer o que desse vontade… Vinis, K7s, camisetas, pedais de guitarra feitos em latas de sardinha…
Maurício Mota – Não era para lançar vinis. Não era esse o foco. Só pra você ver como são as coisas: nosso primeiro catálogo tinha uns CDRs, uma coletânea K7 pirata dos reggaes do The Clash que montei – e não vendeu sequer uma cópia – e até um relógio para deficientes visuais usado.  Ou seja, nosso catálogo tem “coisas”. Às vezes, é música.
 
Sambapunk – A Monstro Discos serviu de inspiração para vocês? Imagino que conheçam vários outros selos, pelo mundo, que lançam coisas neste formato.
Igor Ribeiro – Não para mim. Curto os compactos lançados por eles, mas, sei lá, acho que perderam tempo lançando CDs de bandas chatas pra cacete tipo esse Violins e perderam o foco de ter “os compactos mais chiques do Brasil”… puta banda chata, essa Violins. Os selos que eu gosto são In The Red Records, Estrus, Touch and Go, Get Hip, Bomp!, Crypt, Ipecac, Alternative Tentacles, SST e mais uma pá. E tenho que concordar que vez ou outra esses também lançam artistas descartáveis.
 
Sambapunk – Em que selo(s) ou artista(s) vocês se inspiraram?
Igor Ribeiro – Sub Pop e Trama… HAHAHAHAHAHAHAHA…
Maurício Mota – Não sei, sinceramente. Em nenhum, acho, pois o lance da Tosco Brasil é bem particular. Volátil, até.
 
Sambapunk – A Tosco concorre com a Monstro Discos ou serão empresas parceiras?
Igor Ribeiro – Não somos concorrentes, não. Se juntar nossas contas bancárias, não dá o salário do Fabrício (Nobre, um dos donos da Monstro); é desleal.
Maurício Mota – Sei lá. Meio sem sentido, isso. Pense bem: que empresa iria querer a gente como parceiros?? Três vagabundos sonhadores. Esqueça.
 

Tosca: Banda De Blues De Joe Strume
Sambapunk – Qual é o objetivo principal por trás da criação da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Diversão e amor por vinis e fitas k7. CD não rola, cara; de verdade.
Maurício Mota – Sou de uma época de trocas de zines, demos, cartas via carteiro. Então, tento hoje manter isso sempre próximo. A Tosco Brasil é basicamente isso. Relacionamento via carteiro. A gente desenvolve um trabalho desorganizado e lento em função das coisas que achamos bacanas e depois suamos um pouco pra levar estas coisas a um público mais abrangente e que também gosta deste universo.
 
Sambapunk – De onde são os clientes/compradores de vocês?
Igor Ribeiro – Boa pergunta, essa. Mandei pra uns amigos que realmente entendem o espírito “rock cru”, sabe ? Brasil e gringolândia. Ah, eu queria mandar um pra dona da Daslu!!
Maurício Mota – Ainda não sabemos. Toda sorte de gente. O mundo inteiro. Como utilizamos o Ebay e o Mercado Livre pra divulgar e vender os lances da Tosco Brasil, estamos abertos a todo tipo de cliente. Qualquer pessoa, pois não temos a barreira da língua. Confiamos cegamente no Google Translate pra nos comunicarmos com o planeta inteiro, via email e carta.
 
Sambapunk – Fazer um disquinho na Inglaterra não fica muito caro?
Igor Ribeiro – Agora eu não lembro dos valores, mas sei que ficou viável.
Maurício Mota – Até que não.  O Joe Strume pode colocar isto para você na ponta do lápis. Eu nem lembro quanto ficou tudo.
Joe Strume – Sugiro que pensemos na relação custo-benefício. O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco. Acho que a questão essencial é a qualidade do “corte” feito na Inglaterra, uma vez que lá nunca se parou de fazer vinil e, portanto, os maquinários estão OK. Sabemos que o “corte” da PolySom apresentava problemas, como o desaparecimento de freqüências graves, devido às deficiências do aparato que tinham para prensar os vinis. Assim, quando a PolySom devolveu nosso material e disse que não poderia fazer nosso disco, vi como uma espécie de “há males que vêm para bem”. Porque foi depois deste “não” que procuramos a prensa inglesa.

Tosco: catálogo

Sambapunk – Tive informações de que a prensagem pode ser até “barata”, mas o problema é transporte/remessa do material… É isso mesmo?
Igor Ribeiro – Postagem é um problemão. Tem prensas lá fora que não fazem o serviço porque a postagem para o Brasil é cara.
Maurício Mota – O Joe negociou tudo.
Joe Strume – Isso que você diz procede. A questão do transporte é complicada e, em nosso caso, foi e está sendo ainda mais complicado. Não recebemos todos os discos, uma vez que não temos como buscar pessoalmente e, assim, dependemos do transporte via correio. O envio por navio (surface) é mais em conta, mas demora muito (até seis meses) e ainda corre-se o risco de o material chegar danificado, devido ao longo tempo de viagem.

Sambapunk – Vocês pensaram muito antes de começarem com a Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Na verdade, fui convidado a entrar na Tosco Brasil pelo Maurício. Não pensei muito, não.
Maurício Mota – É claro que não.
Joe Strume – Bem… Na verdade, acho que foi a Banda de Blues de Joe Strume que escolheu a Tosco Brasil para fazer este lançamento.
E esta escolha se deu muito antes de gravarmos com a produção do Maurício. Acho que tudo começou no fim de 2005, quando o Maurício veio tocar em Uberlândia com sua antiga banda (Hang The Superstars). Nesta ocasião, eu e o Rogério Matador, o baterista da Banda de Blues de Joe Strume, fomos até a banquinha onde o Mauricio estava e falamos sobre sons toscos… Eu estava usando uma camiseta verde do Cramps e acho que isso foi importante como “cartão de visitas” Heheheh… Daí, em janeiro de 2007, telefonei pro Mauricio e pedi que produzisse a banda. Quando ele aceitou nosso convite, creio que a Tosco Brasil passou a fazer parte da coisa.
 
Sambapunk – O que pesava mais contra a decisão, isto é, qual é a maior dificuldade para manter um empreendimento como este?
Igor Ribeiro – Empreendimento ? Uau, obrigado. Vou acender um cubano aqui com uma nota de 50.
Maurício Mota – Não tem muita dificuldade. Como não há prazos a cumprir, a gente vai levando sem estresse, para os cabelos não caírem.

Sambapunk – E o que mais pesou/pesa a favor?
Igor Ribeiro – O que mais pesa a favor é diversão, conhecer gente nova e ganhar discos.
Maurício Mota – Ver um plano que antes parecia uma piada dar certo. Não tem preço. Igual a este compacto que estamos lançando agora. A coisa mais espetacular feita no rock, hoje, no Brasil. Não existe similar. A preocupação agora é onde esconder da receita o tanto de dinheiro que vamos ganhar. Odiamos impostos.
 
Sambapunk – Por que este lema, “Fuck the pro-tools”?
Igor Ribeiro – O rock de verdade está morrendo, cara. Quando uma banda de “rock” grava na mesma qualidade de Maria Rita ou Charlie Brown Jr e é produzida pelo Rick Bonadio, o rock não tem mais sentido. Pro-tools sucks!
Maurício Mota – É uma piada com estes programas de gravação que tiraram a graça de gravar roquenrol. Se adotássemos neste caso o meio contemporâneo de gravação, não teríamos escutado nem um quinto dos sons e experiências fantásticas que rolaram durante o processo de gravação na casa do Joe. Microfone dentro de balde, cachorro latindo, cerveja e cigarro para todos os lados, voz no banheiro. Não havia regras. Escutávamos um disco e tentávamos reproduzir, na unha, aquele som. E outra, o compacto foi todo feito dentro de uma fita k7. Nada mais justo do que dar este título ao compacto.

Sambapunk – Como será a estratégia de trabalho de vocês?
Igor Ribeiro – Enviar para selos, bandas e amigos.
Maurício Mota – Estamos ainda pensando…

Tosco: amor pelos animais
Sambapunk – Qual foi o investimento necessário para este primeiro lançamento acontecer?
Igor Ribeiro – Algum dinheiro e paciência, muita paciência.
 
Sambapunk – Quais são as funções de cada um de vocês, na Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Faço algumas traduções, ilustrações e discordo de tudo que Elmiro e Maurício planejam.
Maurício Mota – Eu sou o mais velho. O Igor é o mais disperso. O Elmiro é o mais louco. Dentro disso, vamos revezando entre ter idéias, desenhá-las, desenvolvê-las e lançá-las.

Sambapunk – Paixão é fundamental para conseguir dar vida a um projeto como este?
Igor Ribeiro – Sim, sim.
Maurício Mota – Sim. E um pouco de irresponsabilidade também, pois mexemos com um tipo de comércio em que poucos ainda entendem o nosso approach.

Sambapunk – Vocês não vão montar nem mesmo um blog da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Eu não daria conta. Já tocamos o “Rock de plástico”. Aliás, essa semana tem uma bela matéria sobre os paulistanos do Sell Outs que são mais conhecidos na gringa que em seu país natal.
Maurício Mota – Pra quê? Temos um blog, já… Eu não daria conta de ter outro. Mal dou conta do meu e-mail, que me tira horas preciosas de sol pela manhã. Usamos ferramentas da internet muito mais confiáveis que qualquer site de gravadora/selo por aí. Estamos no Ebay e no Mercado Livre. Sai mais barato, tem garantia infinita e ainda polui menos as vias arteriais da web.
 
Sambapunk – O adesivo-catálogo de vocês anuncia uma coletânea em fita cassete… Falem mais sobre isso.
Igor Ribeiro – Sim, essa coletânea é o próximo lançamento da Tosco Brasil, vai se chamar “Rock Brasil”. Hahaha… E vai sair em K7.
Maurício Mota – Essa idéia é velha amiga nossa: lançar uma coletânea com bandas que achamos legais e que ninguém lançaria. Em k7, com pôster e texto e tal. Nos amarramos em contar histórias e passar pra frente.

Sambapunk – Que bandas/artistas vão participar desta coletânea?
Igor Ribeiro – Nossa, não terá um critério sobre os ritmos. E eu quero muito convidar bandas tipo Ambervisions e Merda, das quais sou fã.
Maurício Mota – Estamos resolvendo isso… Primeiramente, cada sócio vai atrás de quatro bandas. Cada um faz sua curadoria. Tem uma banda que eu quero colocar e já acabou, mas não to nem aí. É a banda COISA, aqui de Goiânia, que é, pra mim, a banda mais espetacular, roquenrol e audaciosa que esta cidade já teve. Uma história ainda não contada que surpreenderá muita gente.

Sambapunk – Já há um próximo lançamento de vinil programado?
Igor Ribeiro – Bang Bang Babies!!
Maurício Mota – Tem uma banda aqui em Goiânia querendo gravar também dentro do esquema 4track… caseiro: Bang Bang Babies; mas não sabemos ainda o que vai virar. Mas ao que tudo indica será um sete polegadas, que é o objetivo deles. Mas nada certo, ainda.

Sambapunk – A meta de vocês é vender esta tiragem de discos em quanto tempo?
Igor Ribeiro – Eu penso apenas em vender uma parte. Eu troco o restante por outros discos, o lance é não deixar o vinil acabar!!
Maurício Mota – Não temos assim este compromisso com o tempo. Este disco da Banda de Blues de Jos Strume talvez só seja compreendido daqui a uns 12 anos, então, não há pressa. Não é o som que está na moda, saca? Daqui a uns seis anos, ainda será ousado, autoral, incompreendido, inspirador e novo.


Mercado/Negócios, Música, Pingue-pongue


2 respostas

  1. João Augusto
    12/05/2009 às 1:47

    Adilson, como vai? Não tem nenhum “abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe”. A POLYSOM foi adquirida e já está em obras para produzir discos de qualidade, comparáveis a qualquer um feito em fábricas gringas, ainda no segundo semestre de 2009.
    Abração.

  2. Natália Beatriz
    12/05/2009 às 1:47

    eu tava no lançamento dessa porra! massa!
    será que agora, que já acabou o “segundo semestre de 2009″ a polysom já reabriu?
    acho que ninguém sabe..


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12/05/2009 às 1:47

Toscos, mas limpinhos

Adilson Pereira

Tosco: estilo

Três caras que gostam de vinis se juntaram para montar um selo e estão colocando na praça, agora, seu primeiro lançamento: “Fuck the pro-tools”, um sete polegadas da Banda de Blues de Joe Strume. Foram prensadas na Inglaterra 200 unidades que, aos poucos, estão vindo do outro lado do Atlântico pelo correio. Os rapazes descartaram a possibilidade de usar um navio como meio de transporte porque seis meses de viagem (a previsão era essa) poderiam comprometer a “saúde” do produto.

A bolachinha é a número um do catálogo da Tosco Brasil, selo através do qual pretendem disponibilizar também cassetes e outros lances. Na capinha, um adesivo – tipo etiqueta de preço, com contorno vermelho – informa: “Puro”. “Cachaça pura, rapadura pura e rock puro, sem conservantes”, brinca Igor Ribeiro, um cidadão do Rio de Janeiro que hoje em dia agita as noites em Belém do Pará. O goiano Maurício Mota completa: “O Joe, na ultima vez em que fui a Uberlândia, me apresentou uma ótima rapadura vinda de uma cidadezinha próxima. Nela, tinha uma etiqueta igual. Achei genial e copiei a idéia. Afinal, nosso produto também é puro: pode ser consumido, sem medo.”

Joe Strume, de Uberlândia, capitão do primeiro lançamento, completa o time. Na hora de fazer as contas, é com ele. “O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco”, compara Strume, referindo-se à última fábrica de vinis do país, localizada na Baixada Fluminense. Talvez por isso ele não esquente a cabeça com o abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe envolvendo a fábrica no Rio.

Os três foram se encontrando aos poucos, em festivais, trocando cartas e e-mails. Igor Ribeiro destaca: “Quando conheci o Joe, ele estava vendendo vinis da sua coleção pessoal para juntar grana e lançar o compacto. Daí, ficamos um bom tempo sem conversar e quando retomamos a correspondência ele disse que já tinha entrado em contato com o Maurício e tal.” Maurício completa, meio distraído: “Coincidências da vida. A banda é que escolheu a gente. Eu acho. Foi?” Confira o pingue-pongue:

Tosco: o primeiro sete polegadas

Sambapunk – Como surgiu a idéia de criar um selo para lançar vinis?
Igor Ribeiro – Não era um selo para vinis. Na verdade, a idéia sempre foi ser uma parada de vender e fazer o que desse vontade… Vinis, K7s, camisetas, pedais de guitarra feitos em latas de sardinha…
Maurício Mota – Não era para lançar vinis. Não era esse o foco. Só pra você ver como são as coisas: nosso primeiro catálogo tinha uns CDRs, uma coletânea K7 pirata dos reggaes do The Clash que montei – e não vendeu sequer uma cópia – e até um relógio para deficientes visuais usado.  Ou seja, nosso catálogo tem “coisas”. Às vezes, é música.
 
Sambapunk – A Monstro Discos serviu de inspiração para vocês? Imagino que conheçam vários outros selos, pelo mundo, que lançam coisas neste formato.
Igor Ribeiro – Não para mim. Curto os compactos lançados por eles, mas, sei lá, acho que perderam tempo lançando CDs de bandas chatas pra cacete tipo esse Violins e perderam o foco de ter “os compactos mais chiques do Brasil”… puta banda chata, essa Violins. Os selos que eu gosto são In The Red Records, Estrus, Touch and Go, Get Hip, Bomp!, Crypt, Ipecac, Alternative Tentacles, SST e mais uma pá. E tenho que concordar que vez ou outra esses também lançam artistas descartáveis.
 
Sambapunk – Em que selo(s) ou artista(s) vocês se inspiraram?
Igor Ribeiro – Sub Pop e Trama… HAHAHAHAHAHAHAHA…
Maurício Mota – Não sei, sinceramente. Em nenhum, acho, pois o lance da Tosco Brasil é bem particular. Volátil, até.
 
Sambapunk – A Tosco concorre com a Monstro Discos ou serão empresas parceiras?
Igor Ribeiro – Não somos concorrentes, não. Se juntar nossas contas bancárias, não dá o salário do Fabrício (Nobre, um dos donos da Monstro); é desleal.
Maurício Mota – Sei lá. Meio sem sentido, isso. Pense bem: que empresa iria querer a gente como parceiros?? Três vagabundos sonhadores. Esqueça.
 

Tosca: Banda De Blues De Joe Strume
Sambapunk – Qual é o objetivo principal por trás da criação da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Diversão e amor por vinis e fitas k7. CD não rola, cara; de verdade.
Maurício Mota – Sou de uma época de trocas de zines, demos, cartas via carteiro. Então, tento hoje manter isso sempre próximo. A Tosco Brasil é basicamente isso. Relacionamento via carteiro. A gente desenvolve um trabalho desorganizado e lento em função das coisas que achamos bacanas e depois suamos um pouco pra levar estas coisas a um público mais abrangente e que também gosta deste universo.
 
Sambapunk – De onde são os clientes/compradores de vocês?
Igor Ribeiro – Boa pergunta, essa. Mandei pra uns amigos que realmente entendem o espírito “rock cru”, sabe ? Brasil e gringolândia. Ah, eu queria mandar um pra dona da Daslu!!
Maurício Mota – Ainda não sabemos. Toda sorte de gente. O mundo inteiro. Como utilizamos o Ebay e o Mercado Livre pra divulgar e vender os lances da Tosco Brasil, estamos abertos a todo tipo de cliente. Qualquer pessoa, pois não temos a barreira da língua. Confiamos cegamente no Google Translate pra nos comunicarmos com o planeta inteiro, via email e carta.
 
Sambapunk – Fazer um disquinho na Inglaterra não fica muito caro?
Igor Ribeiro – Agora eu não lembro dos valores, mas sei que ficou viável.
Maurício Mota – Até que não.  O Joe Strume pode colocar isto para você na ponta do lápis. Eu nem lembro quanto ficou tudo.
Joe Strume – Sugiro que pensemos na relação custo-benefício. O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco. Acho que a questão essencial é a qualidade do “corte” feito na Inglaterra, uma vez que lá nunca se parou de fazer vinil e, portanto, os maquinários estão OK. Sabemos que o “corte” da PolySom apresentava problemas, como o desaparecimento de freqüências graves, devido às deficiências do aparato que tinham para prensar os vinis. Assim, quando a PolySom devolveu nosso material e disse que não poderia fazer nosso disco, vi como uma espécie de “há males que vêm para bem”. Porque foi depois deste “não” que procuramos a prensa inglesa.

Tosco: catálogo

Sambapunk – Tive informações de que a prensagem pode ser até “barata”, mas o problema é transporte/remessa do material… É isso mesmo?
Igor Ribeiro – Postagem é um problemão. Tem prensas lá fora que não fazem o serviço porque a postagem para o Brasil é cara.
Maurício Mota – O Joe negociou tudo.
Joe Strume – Isso que você diz procede. A questão do transporte é complicada e, em nosso caso, foi e está sendo ainda mais complicado. Não recebemos todos os discos, uma vez que não temos como buscar pessoalmente e, assim, dependemos do transporte via correio. O envio por navio (surface) é mais em conta, mas demora muito (até seis meses) e ainda corre-se o risco de o material chegar danificado, devido ao longo tempo de viagem.

Sambapunk – Vocês pensaram muito antes de começarem com a Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Na verdade, fui convidado a entrar na Tosco Brasil pelo Maurício. Não pensei muito, não.
Maurício Mota – É claro que não.
Joe Strume – Bem… Na verdade, acho que foi a Banda de Blues de Joe Strume que escolheu a Tosco Brasil para fazer este lançamento.
E esta escolha se deu muito antes de gravarmos com a produção do Maurício. Acho que tudo começou no fim de 2005, quando o Maurício veio tocar em Uberlândia com sua antiga banda (Hang The Superstars). Nesta ocasião, eu e o Rogério Matador, o baterista da Banda de Blues de Joe Strume, fomos até a banquinha onde o Mauricio estava e falamos sobre sons toscos… Eu estava usando uma camiseta verde do Cramps e acho que isso foi importante como “cartão de visitas” Heheheh… Daí, em janeiro de 2007, telefonei pro Mauricio e pedi que produzisse a banda. Quando ele aceitou nosso convite, creio que a Tosco Brasil passou a fazer parte da coisa.
 
Sambapunk – O que pesava mais contra a decisão, isto é, qual é a maior dificuldade para manter um empreendimento como este?
Igor Ribeiro – Empreendimento ? Uau, obrigado. Vou acender um cubano aqui com uma nota de 50.
Maurício Mota – Não tem muita dificuldade. Como não há prazos a cumprir, a gente vai levando sem estresse, para os cabelos não caírem.

Sambapunk – E o que mais pesou/pesa a favor?
Igor Ribeiro – O que mais pesa a favor é diversão, conhecer gente nova e ganhar discos.
Maurício Mota – Ver um plano que antes parecia uma piada dar certo. Não tem preço. Igual a este compacto que estamos lançando agora. A coisa mais espetacular feita no rock, hoje, no Brasil. Não existe similar. A preocupação agora é onde esconder da receita o tanto de dinheiro que vamos ganhar. Odiamos impostos.
 
Sambapunk – Por que este lema, “Fuck the pro-tools”?
Igor Ribeiro – O rock de verdade está morrendo, cara. Quando uma banda de “rock” grava na mesma qualidade de Maria Rita ou Charlie Brown Jr e é produzida pelo Rick Bonadio, o rock não tem mais sentido. Pro-tools sucks!
Maurício Mota – É uma piada com estes programas de gravação que tiraram a graça de gravar roquenrol. Se adotássemos neste caso o meio contemporâneo de gravação, não teríamos escutado nem um quinto dos sons e experiências fantásticas que rolaram durante o processo de gravação na casa do Joe. Microfone dentro de balde, cachorro latindo, cerveja e cigarro para todos os lados, voz no banheiro. Não havia regras. Escutávamos um disco e tentávamos reproduzir, na unha, aquele som. E outra, o compacto foi todo feito dentro de uma fita k7. Nada mais justo do que dar este título ao compacto.

Sambapunk – Como será a estratégia de trabalho de vocês?
Igor Ribeiro – Enviar para selos, bandas e amigos.
Maurício Mota – Estamos ainda pensando…

Tosco: amor pelos animais
Sambapunk – Qual foi o investimento necessário para este primeiro lançamento acontecer?
Igor Ribeiro – Algum dinheiro e paciência, muita paciência.
 
Sambapunk – Quais são as funções de cada um de vocês, na Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Faço algumas traduções, ilustrações e discordo de tudo que Elmiro e Maurício planejam.
Maurício Mota – Eu sou o mais velho. O Igor é o mais disperso. O Elmiro é o mais louco. Dentro disso, vamos revezando entre ter idéias, desenhá-las, desenvolvê-las e lançá-las.

Sambapunk – Paixão é fundamental para conseguir dar vida a um projeto como este?
Igor Ribeiro – Sim, sim.
Maurício Mota – Sim. E um pouco de irresponsabilidade também, pois mexemos com um tipo de comércio em que poucos ainda entendem o nosso approach.

Sambapunk – Vocês não vão montar nem mesmo um blog da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Eu não daria conta. Já tocamos o “Rock de plástico”. Aliás, essa semana tem uma bela matéria sobre os paulistanos do Sell Outs que são mais conhecidos na gringa que em seu país natal.
Maurício Mota – Pra quê? Temos um blog, já… Eu não daria conta de ter outro. Mal dou conta do meu e-mail, que me tira horas preciosas de sol pela manhã. Usamos ferramentas da internet muito mais confiáveis que qualquer site de gravadora/selo por aí. Estamos no Ebay e no Mercado Livre. Sai mais barato, tem garantia infinita e ainda polui menos as vias arteriais da web.
 
Sambapunk – O adesivo-catálogo de vocês anuncia uma coletânea em fita cassete… Falem mais sobre isso.
Igor Ribeiro – Sim, essa coletânea é o próximo lançamento da Tosco Brasil, vai se chamar “Rock Brasil”. Hahaha… E vai sair em K7.
Maurício Mota – Essa idéia é velha amiga nossa: lançar uma coletânea com bandas que achamos legais e que ninguém lançaria. Em k7, com pôster e texto e tal. Nos amarramos em contar histórias e passar pra frente.

Sambapunk – Que bandas/artistas vão participar desta coletânea?
Igor Ribeiro – Nossa, não terá um critério sobre os ritmos. E eu quero muito convidar bandas tipo Ambervisions e Merda, das quais sou fã.
Maurício Mota – Estamos resolvendo isso… Primeiramente, cada sócio vai atrás de quatro bandas. Cada um faz sua curadoria. Tem uma banda que eu quero colocar e já acabou, mas não to nem aí. É a banda COISA, aqui de Goiânia, que é, pra mim, a banda mais espetacular, roquenrol e audaciosa que esta cidade já teve. Uma história ainda não contada que surpreenderá muita gente.

Sambapunk – Já há um próximo lançamento de vinil programado?
Igor Ribeiro – Bang Bang Babies!!
Maurício Mota – Tem uma banda aqui em Goiânia querendo gravar também dentro do esquema 4track… caseiro: Bang Bang Babies; mas não sabemos ainda o que vai virar. Mas ao que tudo indica será um sete polegadas, que é o objetivo deles. Mas nada certo, ainda.

Sambapunk – A meta de vocês é vender esta tiragem de discos em quanto tempo?
Igor Ribeiro – Eu penso apenas em vender uma parte. Eu troco o restante por outros discos, o lance é não deixar o vinil acabar!!
Maurício Mota – Não temos assim este compromisso com o tempo. Este disco da Banda de Blues de Jos Strume talvez só seja compreendido daqui a uns 12 anos, então, não há pressa. Não é o som que está na moda, saca? Daqui a uns seis anos, ainda será ousado, autoral, incompreendido, inspirador e novo.


Mercado/Negócios, Música, Pingue-pongue


2 respostas

  1. João Augusto
    12/05/2009 às 1:47

    Adilson, como vai? Não tem nenhum “abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe”. A POLYSOM foi adquirida e já está em obras para produzir discos de qualidade, comparáveis a qualquer um feito em fábricas gringas, ainda no segundo semestre de 2009.
    Abração.

  2. Natália Beatriz
    12/05/2009 às 1:47

    eu tava no lançamento dessa porra! massa!
    será que agora, que já acabou o “segundo semestre de 2009″ a polysom já reabriu?
    acho que ninguém sabe..


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12/05/2009 às 1:47

Toscos, mas limpinhos

Adilson Pereira

Tosco: estilo

Três caras que gostam de vinis se juntaram para montar um selo e estão colocando na praça, agora, seu primeiro lançamento: “Fuck the pro-tools”, um sete polegadas da Banda de Blues de Joe Strume. Foram prensadas na Inglaterra 200 unidades que, aos poucos, estão vindo do outro lado do Atlântico pelo correio. Os rapazes descartaram a possibilidade de usar um navio como meio de transporte porque seis meses de viagem (a previsão era essa) poderiam comprometer a “saúde” do produto.

A bolachinha é a número um do catálogo da Tosco Brasil, selo através do qual pretendem disponibilizar também cassetes e outros lances. Na capinha, um adesivo – tipo etiqueta de preço, com contorno vermelho – informa: “Puro”. “Cachaça pura, rapadura pura e rock puro, sem conservantes”, brinca Igor Ribeiro, um cidadão do Rio de Janeiro que hoje em dia agita as noites em Belém do Pará. O goiano Maurício Mota completa: “O Joe, na ultima vez em que fui a Uberlândia, me apresentou uma ótima rapadura vinda de uma cidadezinha próxima. Nela, tinha uma etiqueta igual. Achei genial e copiei a idéia. Afinal, nosso produto também é puro: pode ser consumido, sem medo.”

Joe Strume, de Uberlândia, capitão do primeiro lançamento, completa o time. Na hora de fazer as contas, é com ele. “O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco”, compara Strume, referindo-se à última fábrica de vinis do país, localizada na Baixada Fluminense. Talvez por isso ele não esquente a cabeça com o abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe envolvendo a fábrica no Rio.

Os três foram se encontrando aos poucos, em festivais, trocando cartas e e-mails. Igor Ribeiro destaca: “Quando conheci o Joe, ele estava vendendo vinis da sua coleção pessoal para juntar grana e lançar o compacto. Daí, ficamos um bom tempo sem conversar e quando retomamos a correspondência ele disse que já tinha entrado em contato com o Maurício e tal.” Maurício completa, meio distraído: “Coincidências da vida. A banda é que escolheu a gente. Eu acho. Foi?” Confira o pingue-pongue:

Tosco: o primeiro sete polegadas

Sambapunk – Como surgiu a idéia de criar um selo para lançar vinis?
Igor Ribeiro – Não era um selo para vinis. Na verdade, a idéia sempre foi ser uma parada de vender e fazer o que desse vontade… Vinis, K7s, camisetas, pedais de guitarra feitos em latas de sardinha…
Maurício Mota – Não era para lançar vinis. Não era esse o foco. Só pra você ver como são as coisas: nosso primeiro catálogo tinha uns CDRs, uma coletânea K7 pirata dos reggaes do The Clash que montei – e não vendeu sequer uma cópia – e até um relógio para deficientes visuais usado.  Ou seja, nosso catálogo tem “coisas”. Às vezes, é música.
 
Sambapunk – A Monstro Discos serviu de inspiração para vocês? Imagino que conheçam vários outros selos, pelo mundo, que lançam coisas neste formato.
Igor Ribeiro – Não para mim. Curto os compactos lançados por eles, mas, sei lá, acho que perderam tempo lançando CDs de bandas chatas pra cacete tipo esse Violins e perderam o foco de ter “os compactos mais chiques do Brasil”… puta banda chata, essa Violins. Os selos que eu gosto são In The Red Records, Estrus, Touch and Go, Get Hip, Bomp!, Crypt, Ipecac, Alternative Tentacles, SST e mais uma pá. E tenho que concordar que vez ou outra esses também lançam artistas descartáveis.
 
Sambapunk – Em que selo(s) ou artista(s) vocês se inspiraram?
Igor Ribeiro – Sub Pop e Trama… HAHAHAHAHAHAHAHA…
Maurício Mota – Não sei, sinceramente. Em nenhum, acho, pois o lance da Tosco Brasil é bem particular. Volátil, até.
 
Sambapunk – A Tosco concorre com a Monstro Discos ou serão empresas parceiras?
Igor Ribeiro – Não somos concorrentes, não. Se juntar nossas contas bancárias, não dá o salário do Fabrício (Nobre, um dos donos da Monstro); é desleal.
Maurício Mota – Sei lá. Meio sem sentido, isso. Pense bem: que empresa iria querer a gente como parceiros?? Três vagabundos sonhadores. Esqueça.
 

Tosca: Banda De Blues De Joe Strume
Sambapunk – Qual é o objetivo principal por trás da criação da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Diversão e amor por vinis e fitas k7. CD não rola, cara; de verdade.
Maurício Mota – Sou de uma época de trocas de zines, demos, cartas via carteiro. Então, tento hoje manter isso sempre próximo. A Tosco Brasil é basicamente isso. Relacionamento via carteiro. A gente desenvolve um trabalho desorganizado e lento em função das coisas que achamos bacanas e depois suamos um pouco pra levar estas coisas a um público mais abrangente e que também gosta deste universo.
 
Sambapunk – De onde são os clientes/compradores de vocês?
Igor Ribeiro – Boa pergunta, essa. Mandei pra uns amigos que realmente entendem o espírito “rock cru”, sabe ? Brasil e gringolândia. Ah, eu queria mandar um pra dona da Daslu!!
Maurício Mota – Ainda não sabemos. Toda sorte de gente. O mundo inteiro. Como utilizamos o Ebay e o Mercado Livre pra divulgar e vender os lances da Tosco Brasil, estamos abertos a todo tipo de cliente. Qualquer pessoa, pois não temos a barreira da língua. Confiamos cegamente no Google Translate pra nos comunicarmos com o planeta inteiro, via email e carta.
 
Sambapunk – Fazer um disquinho na Inglaterra não fica muito caro?
Igor Ribeiro – Agora eu não lembro dos valores, mas sei que ficou viável.
Maurício Mota – Até que não.  O Joe Strume pode colocar isto para você na ponta do lápis. Eu nem lembro quanto ficou tudo.
Joe Strume – Sugiro que pensemos na relação custo-benefício. O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco. Acho que a questão essencial é a qualidade do “corte” feito na Inglaterra, uma vez que lá nunca se parou de fazer vinil e, portanto, os maquinários estão OK. Sabemos que o “corte” da PolySom apresentava problemas, como o desaparecimento de freqüências graves, devido às deficiências do aparato que tinham para prensar os vinis. Assim, quando a PolySom devolveu nosso material e disse que não poderia fazer nosso disco, vi como uma espécie de “há males que vêm para bem”. Porque foi depois deste “não” que procuramos a prensa inglesa.

Tosco: catálogo

Sambapunk – Tive informações de que a prensagem pode ser até “barata”, mas o problema é transporte/remessa do material… É isso mesmo?
Igor Ribeiro – Postagem é um problemão. Tem prensas lá fora que não fazem o serviço porque a postagem para o Brasil é cara.
Maurício Mota – O Joe negociou tudo.
Joe Strume – Isso que você diz procede. A questão do transporte é complicada e, em nosso caso, foi e está sendo ainda mais complicado. Não recebemos todos os discos, uma vez que não temos como buscar pessoalmente e, assim, dependemos do transporte via correio. O envio por navio (surface) é mais em conta, mas demora muito (até seis meses) e ainda corre-se o risco de o material chegar danificado, devido ao longo tempo de viagem.

Sambapunk – Vocês pensaram muito antes de começarem com a Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Na verdade, fui convidado a entrar na Tosco Brasil pelo Maurício. Não pensei muito, não.
Maurício Mota – É claro que não.
Joe Strume – Bem… Na verdade, acho que foi a Banda de Blues de Joe Strume que escolheu a Tosco Brasil para fazer este lançamento.
E esta escolha se deu muito antes de gravarmos com a produção do Maurício. Acho que tudo começou no fim de 2005, quando o Maurício veio tocar em Uberlândia com sua antiga banda (Hang The Superstars). Nesta ocasião, eu e o Rogério Matador, o baterista da Banda de Blues de Joe Strume, fomos até a banquinha onde o Mauricio estava e falamos sobre sons toscos… Eu estava usando uma camiseta verde do Cramps e acho que isso foi importante como “cartão de visitas” Heheheh… Daí, em janeiro de 2007, telefonei pro Mauricio e pedi que produzisse a banda. Quando ele aceitou nosso convite, creio que a Tosco Brasil passou a fazer parte da coisa.
 
Sambapunk – O que pesava mais contra a decisão, isto é, qual é a maior dificuldade para manter um empreendimento como este?
Igor Ribeiro – Empreendimento ? Uau, obrigado. Vou acender um cubano aqui com uma nota de 50.
Maurício Mota – Não tem muita dificuldade. Como não há prazos a cumprir, a gente vai levando sem estresse, para os cabelos não caírem.

Sambapunk – E o que mais pesou/pesa a favor?
Igor Ribeiro – O que mais pesa a favor é diversão, conhecer gente nova e ganhar discos.
Maurício Mota – Ver um plano que antes parecia uma piada dar certo. Não tem preço. Igual a este compacto que estamos lançando agora. A coisa mais espetacular feita no rock, hoje, no Brasil. Não existe similar. A preocupação agora é onde esconder da receita o tanto de dinheiro que vamos ganhar. Odiamos impostos.
 
Sambapunk – Por que este lema, “Fuck the pro-tools”?
Igor Ribeiro – O rock de verdade está morrendo, cara. Quando uma banda de “rock” grava na mesma qualidade de Maria Rita ou Charlie Brown Jr e é produzida pelo Rick Bonadio, o rock não tem mais sentido. Pro-tools sucks!
Maurício Mota – É uma piada com estes programas de gravação que tiraram a graça de gravar roquenrol. Se adotássemos neste caso o meio contemporâneo de gravação, não teríamos escutado nem um quinto dos sons e experiências fantásticas que rolaram durante o processo de gravação na casa do Joe. Microfone dentro de balde, cachorro latindo, cerveja e cigarro para todos os lados, voz no banheiro. Não havia regras. Escutávamos um disco e tentávamos reproduzir, na unha, aquele som. E outra, o compacto foi todo feito dentro de uma fita k7. Nada mais justo do que dar este título ao compacto.

Sambapunk – Como será a estratégia de trabalho de vocês?
Igor Ribeiro – Enviar para selos, bandas e amigos.
Maurício Mota – Estamos ainda pensando…

Tosco: amor pelos animais
Sambapunk – Qual foi o investimento necessário para este primeiro lançamento acontecer?
Igor Ribeiro – Algum dinheiro e paciência, muita paciência.
 
Sambapunk – Quais são as funções de cada um de vocês, na Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Faço algumas traduções, ilustrações e discordo de tudo que Elmiro e Maurício planejam.
Maurício Mota – Eu sou o mais velho. O Igor é o mais disperso. O Elmiro é o mais louco. Dentro disso, vamos revezando entre ter idéias, desenhá-las, desenvolvê-las e lançá-las.

Sambapunk – Paixão é fundamental para conseguir dar vida a um projeto como este?
Igor Ribeiro – Sim, sim.
Maurício Mota – Sim. E um pouco de irresponsabilidade também, pois mexemos com um tipo de comércio em que poucos ainda entendem o nosso approach.

Sambapunk – Vocês não vão montar nem mesmo um blog da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Eu não daria conta. Já tocamos o “Rock de plástico”. Aliás, essa semana tem uma bela matéria sobre os paulistanos do Sell Outs que são mais conhecidos na gringa que em seu país natal.
Maurício Mota – Pra quê? Temos um blog, já… Eu não daria conta de ter outro. Mal dou conta do meu e-mail, que me tira horas preciosas de sol pela manhã. Usamos ferramentas da internet muito mais confiáveis que qualquer site de gravadora/selo por aí. Estamos no Ebay e no Mercado Livre. Sai mais barato, tem garantia infinita e ainda polui menos as vias arteriais da web.
 
Sambapunk – O adesivo-catálogo de vocês anuncia uma coletânea em fita cassete… Falem mais sobre isso.
Igor Ribeiro – Sim, essa coletânea é o próximo lançamento da Tosco Brasil, vai se chamar “Rock Brasil”. Hahaha… E vai sair em K7.
Maurício Mota – Essa idéia é velha amiga nossa: lançar uma coletânea com bandas que achamos legais e que ninguém lançaria. Em k7, com pôster e texto e tal. Nos amarramos em contar histórias e passar pra frente.

Sambapunk – Que bandas/artistas vão participar desta coletânea?
Igor Ribeiro – Nossa, não terá um critério sobre os ritmos. E eu quero muito convidar bandas tipo Ambervisions e Merda, das quais sou fã.
Maurício Mota – Estamos resolvendo isso… Primeiramente, cada sócio vai atrás de quatro bandas. Cada um faz sua curadoria. Tem uma banda que eu quero colocar e já acabou, mas não to nem aí. É a banda COISA, aqui de Goiânia, que é, pra mim, a banda mais espetacular, roquenrol e audaciosa que esta cidade já teve. Uma história ainda não contada que surpreenderá muita gente.

Sambapunk – Já há um próximo lançamento de vinil programado?
Igor Ribeiro – Bang Bang Babies!!
Maurício Mota – Tem uma banda aqui em Goiânia querendo gravar também dentro do esquema 4track… caseiro: Bang Bang Babies; mas não sabemos ainda o que vai virar. Mas ao que tudo indica será um sete polegadas, que é o objetivo deles. Mas nada certo, ainda.

Sambapunk – A meta de vocês é vender esta tiragem de discos em quanto tempo?
Igor Ribeiro – Eu penso apenas em vender uma parte. Eu troco o restante por outros discos, o lance é não deixar o vinil acabar!!
Maurício Mota – Não temos assim este compromisso com o tempo. Este disco da Banda de Blues de Jos Strume talvez só seja compreendido daqui a uns 12 anos, então, não há pressa. Não é o som que está na moda, saca? Daqui a uns seis anos, ainda será ousado, autoral, incompreendido, inspirador e novo.


Mercado/Negócios, Música, Pingue-pongue


2 respostas

  1. João Augusto
    12/05/2009 às 1:47

    Adilson, como vai? Não tem nenhum “abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe”. A POLYSOM foi adquirida e já está em obras para produzir discos de qualidade, comparáveis a qualquer um feito em fábricas gringas, ainda no segundo semestre de 2009.
    Abração.

  2. Natália Beatriz
    12/05/2009 às 1:47

    eu tava no lançamento dessa porra! massa!
    será que agora, que já acabou o “segundo semestre de 2009″ a polysom já reabriu?
    acho que ninguém sabe..


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12/05/2009 às 1:47

Toscos, mas limpinhos

Adilson Pereira

Tosco: estilo

Três caras que gostam de vinis se juntaram para montar um selo e estão colocando na praça, agora, seu primeiro lançamento: “Fuck the pro-tools”, um sete polegadas da Banda de Blues de Joe Strume. Foram prensadas na Inglaterra 200 unidades que, aos poucos, estão vindo do outro lado do Atlântico pelo correio. Os rapazes descartaram a possibilidade de usar um navio como meio de transporte porque seis meses de viagem (a previsão era essa) poderiam comprometer a “saúde” do produto.

A bolachinha é a número um do catálogo da Tosco Brasil, selo através do qual pretendem disponibilizar também cassetes e outros lances. Na capinha, um adesivo – tipo etiqueta de preço, com contorno vermelho – informa: “Puro”. “Cachaça pura, rapadura pura e rock puro, sem conservantes”, brinca Igor Ribeiro, um cidadão do Rio de Janeiro que hoje em dia agita as noites em Belém do Pará. O goiano Maurício Mota completa: “O Joe, na ultima vez em que fui a Uberlândia, me apresentou uma ótima rapadura vinda de uma cidadezinha próxima. Nela, tinha uma etiqueta igual. Achei genial e copiei a idéia. Afinal, nosso produto também é puro: pode ser consumido, sem medo.”

Joe Strume, de Uberlândia, capitão do primeiro lançamento, completa o time. Na hora de fazer as contas, é com ele. “O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco”, compara Strume, referindo-se à última fábrica de vinis do país, localizada na Baixada Fluminense. Talvez por isso ele não esquente a cabeça com o abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe envolvendo a fábrica no Rio.

Os três foram se encontrando aos poucos, em festivais, trocando cartas e e-mails. Igor Ribeiro destaca: “Quando conheci o Joe, ele estava vendendo vinis da sua coleção pessoal para juntar grana e lançar o compacto. Daí, ficamos um bom tempo sem conversar e quando retomamos a correspondência ele disse que já tinha entrado em contato com o Maurício e tal.” Maurício completa, meio distraído: “Coincidências da vida. A banda é que escolheu a gente. Eu acho. Foi?” Confira o pingue-pongue:

Tosco: o primeiro sete polegadas

Sambapunk – Como surgiu a idéia de criar um selo para lançar vinis?
Igor Ribeiro – Não era um selo para vinis. Na verdade, a idéia sempre foi ser uma parada de vender e fazer o que desse vontade… Vinis, K7s, camisetas, pedais de guitarra feitos em latas de sardinha…
Maurício Mota – Não era para lançar vinis. Não era esse o foco. Só pra você ver como são as coisas: nosso primeiro catálogo tinha uns CDRs, uma coletânea K7 pirata dos reggaes do The Clash que montei – e não vendeu sequer uma cópia – e até um relógio para deficientes visuais usado.  Ou seja, nosso catálogo tem “coisas”. Às vezes, é música.
 
Sambapunk – A Monstro Discos serviu de inspiração para vocês? Imagino que conheçam vários outros selos, pelo mundo, que lançam coisas neste formato.
Igor Ribeiro – Não para mim. Curto os compactos lançados por eles, mas, sei lá, acho que perderam tempo lançando CDs de bandas chatas pra cacete tipo esse Violins e perderam o foco de ter “os compactos mais chiques do Brasil”… puta banda chata, essa Violins. Os selos que eu gosto são In The Red Records, Estrus, Touch and Go, Get Hip, Bomp!, Crypt, Ipecac, Alternative Tentacles, SST e mais uma pá. E tenho que concordar que vez ou outra esses também lançam artistas descartáveis.
 
Sambapunk – Em que selo(s) ou artista(s) vocês se inspiraram?
Igor Ribeiro – Sub Pop e Trama… HAHAHAHAHAHAHAHA…
Maurício Mota – Não sei, sinceramente. Em nenhum, acho, pois o lance da Tosco Brasil é bem particular. Volátil, até.
 
Sambapunk – A Tosco concorre com a Monstro Discos ou serão empresas parceiras?
Igor Ribeiro – Não somos concorrentes, não. Se juntar nossas contas bancárias, não dá o salário do Fabrício (Nobre, um dos donos da Monstro); é desleal.
Maurício Mota – Sei lá. Meio sem sentido, isso. Pense bem: que empresa iria querer a gente como parceiros?? Três vagabundos sonhadores. Esqueça.
 

Tosca: Banda De Blues De Joe Strume
Sambapunk – Qual é o objetivo principal por trás da criação da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Diversão e amor por vinis e fitas k7. CD não rola, cara; de verdade.
Maurício Mota – Sou de uma época de trocas de zines, demos, cartas via carteiro. Então, tento hoje manter isso sempre próximo. A Tosco Brasil é basicamente isso. Relacionamento via carteiro. A gente desenvolve um trabalho desorganizado e lento em função das coisas que achamos bacanas e depois suamos um pouco pra levar estas coisas a um público mais abrangente e que também gosta deste universo.
 
Sambapunk – De onde são os clientes/compradores de vocês?
Igor Ribeiro – Boa pergunta, essa. Mandei pra uns amigos que realmente entendem o espírito “rock cru”, sabe ? Brasil e gringolândia. Ah, eu queria mandar um pra dona da Daslu!!
Maurício Mota – Ainda não sabemos. Toda sorte de gente. O mundo inteiro. Como utilizamos o Ebay e o Mercado Livre pra divulgar e vender os lances da Tosco Brasil, estamos abertos a todo tipo de cliente. Qualquer pessoa, pois não temos a barreira da língua. Confiamos cegamente no Google Translate pra nos comunicarmos com o planeta inteiro, via email e carta.
 
Sambapunk – Fazer um disquinho na Inglaterra não fica muito caro?
Igor Ribeiro – Agora eu não lembro dos valores, mas sei que ficou viável.
Maurício Mota – Até que não.  O Joe Strume pode colocar isto para você na ponta do lápis. Eu nem lembro quanto ficou tudo.
Joe Strume – Sugiro que pensemos na relação custo-benefício. O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco. Acho que a questão essencial é a qualidade do “corte” feito na Inglaterra, uma vez que lá nunca se parou de fazer vinil e, portanto, os maquinários estão OK. Sabemos que o “corte” da PolySom apresentava problemas, como o desaparecimento de freqüências graves, devido às deficiências do aparato que tinham para prensar os vinis. Assim, quando a PolySom devolveu nosso material e disse que não poderia fazer nosso disco, vi como uma espécie de “há males que vêm para bem”. Porque foi depois deste “não” que procuramos a prensa inglesa.

Tosco: catálogo

Sambapunk – Tive informações de que a prensagem pode ser até “barata”, mas o problema é transporte/remessa do material… É isso mesmo?
Igor Ribeiro – Postagem é um problemão. Tem prensas lá fora que não fazem o serviço porque a postagem para o Brasil é cara.
Maurício Mota – O Joe negociou tudo.
Joe Strume – Isso que você diz procede. A questão do transporte é complicada e, em nosso caso, foi e está sendo ainda mais complicado. Não recebemos todos os discos, uma vez que não temos como buscar pessoalmente e, assim, dependemos do transporte via correio. O envio por navio (surface) é mais em conta, mas demora muito (até seis meses) e ainda corre-se o risco de o material chegar danificado, devido ao longo tempo de viagem.

Sambapunk – Vocês pensaram muito antes de começarem com a Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Na verdade, fui convidado a entrar na Tosco Brasil pelo Maurício. Não pensei muito, não.
Maurício Mota – É claro que não.
Joe Strume – Bem… Na verdade, acho que foi a Banda de Blues de Joe Strume que escolheu a Tosco Brasil para fazer este lançamento.
E esta escolha se deu muito antes de gravarmos com a produção do Maurício. Acho que tudo começou no fim de 2005, quando o Maurício veio tocar em Uberlândia com sua antiga banda (Hang The Superstars). Nesta ocasião, eu e o Rogério Matador, o baterista da Banda de Blues de Joe Strume, fomos até a banquinha onde o Mauricio estava e falamos sobre sons toscos… Eu estava usando uma camiseta verde do Cramps e acho que isso foi importante como “cartão de visitas” Heheheh… Daí, em janeiro de 2007, telefonei pro Mauricio e pedi que produzisse a banda. Quando ele aceitou nosso convite, creio que a Tosco Brasil passou a fazer parte da coisa.
 
Sambapunk – O que pesava mais contra a decisão, isto é, qual é a maior dificuldade para manter um empreendimento como este?
Igor Ribeiro – Empreendimento ? Uau, obrigado. Vou acender um cubano aqui com uma nota de 50.
Maurício Mota – Não tem muita dificuldade. Como não há prazos a cumprir, a gente vai levando sem estresse, para os cabelos não caírem.

Sambapunk – E o que mais pesou/pesa a favor?
Igor Ribeiro – O que mais pesa a favor é diversão, conhecer gente nova e ganhar discos.
Maurício Mota – Ver um plano que antes parecia uma piada dar certo. Não tem preço. Igual a este compacto que estamos lançando agora. A coisa mais espetacular feita no rock, hoje, no Brasil. Não existe similar. A preocupação agora é onde esconder da receita o tanto de dinheiro que vamos ganhar. Odiamos impostos.
 
Sambapunk – Por que este lema, “Fuck the pro-tools”?
Igor Ribeiro – O rock de verdade está morrendo, cara. Quando uma banda de “rock” grava na mesma qualidade de Maria Rita ou Charlie Brown Jr e é produzida pelo Rick Bonadio, o rock não tem mais sentido. Pro-tools sucks!
Maurício Mota – É uma piada com estes programas de gravação que tiraram a graça de gravar roquenrol. Se adotássemos neste caso o meio contemporâneo de gravação, não teríamos escutado nem um quinto dos sons e experiências fantásticas que rolaram durante o processo de gravação na casa do Joe. Microfone dentro de balde, cachorro latindo, cerveja e cigarro para todos os lados, voz no banheiro. Não havia regras. Escutávamos um disco e tentávamos reproduzir, na unha, aquele som. E outra, o compacto foi todo feito dentro de uma fita k7. Nada mais justo do que dar este título ao compacto.

Sambapunk – Como será a estratégia de trabalho de vocês?
Igor Ribeiro – Enviar para selos, bandas e amigos.
Maurício Mota – Estamos ainda pensando…

Tosco: amor pelos animais
Sambapunk – Qual foi o investimento necessário para este primeiro lançamento acontecer?
Igor Ribeiro – Algum dinheiro e paciência, muita paciência.
 
Sambapunk – Quais são as funções de cada um de vocês, na Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Faço algumas traduções, ilustrações e discordo de tudo que Elmiro e Maurício planejam.
Maurício Mota – Eu sou o mais velho. O Igor é o mais disperso. O Elmiro é o mais louco. Dentro disso, vamos revezando entre ter idéias, desenhá-las, desenvolvê-las e lançá-las.

Sambapunk – Paixão é fundamental para conseguir dar vida a um projeto como este?
Igor Ribeiro – Sim, sim.
Maurício Mota – Sim. E um pouco de irresponsabilidade também, pois mexemos com um tipo de comércio em que poucos ainda entendem o nosso approach.

Sambapunk – Vocês não vão montar nem mesmo um blog da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Eu não daria conta. Já tocamos o “Rock de plástico”. Aliás, essa semana tem uma bela matéria sobre os paulistanos do Sell Outs que são mais conhecidos na gringa que em seu país natal.
Maurício Mota – Pra quê? Temos um blog, já… Eu não daria conta de ter outro. Mal dou conta do meu e-mail, que me tira horas preciosas de sol pela manhã. Usamos ferramentas da internet muito mais confiáveis que qualquer site de gravadora/selo por aí. Estamos no Ebay e no Mercado Livre. Sai mais barato, tem garantia infinita e ainda polui menos as vias arteriais da web.
 
Sambapunk – O adesivo-catálogo de vocês anuncia uma coletânea em fita cassete… Falem mais sobre isso.
Igor Ribeiro – Sim, essa coletânea é o próximo lançamento da Tosco Brasil, vai se chamar “Rock Brasil”. Hahaha… E vai sair em K7.
Maurício Mota – Essa idéia é velha amiga nossa: lançar uma coletânea com bandas que achamos legais e que ninguém lançaria. Em k7, com pôster e texto e tal. Nos amarramos em contar histórias e passar pra frente.

Sambapunk – Que bandas/artistas vão participar desta coletânea?
Igor Ribeiro – Nossa, não terá um critério sobre os ritmos. E eu quero muito convidar bandas tipo Ambervisions e Merda, das quais sou fã.
Maurício Mota – Estamos resolvendo isso… Primeiramente, cada sócio vai atrás de quatro bandas. Cada um faz sua curadoria. Tem uma banda que eu quero colocar e já acabou, mas não to nem aí. É a banda COISA, aqui de Goiânia, que é, pra mim, a banda mais espetacular, roquenrol e audaciosa que esta cidade já teve. Uma história ainda não contada que surpreenderá muita gente.

Sambapunk – Já há um próximo lançamento de vinil programado?
Igor Ribeiro – Bang Bang Babies!!
Maurício Mota – Tem uma banda aqui em Goiânia querendo gravar também dentro do esquema 4track… caseiro: Bang Bang Babies; mas não sabemos ainda o que vai virar. Mas ao que tudo indica será um sete polegadas, que é o objetivo deles. Mas nada certo, ainda.

Sambapunk – A meta de vocês é vender esta tiragem de discos em quanto tempo?
Igor Ribeiro – Eu penso apenas em vender uma parte. Eu troco o restante por outros discos, o lance é não deixar o vinil acabar!!
Maurício Mota – Não temos assim este compromisso com o tempo. Este disco da Banda de Blues de Jos Strume talvez só seja compreendido daqui a uns 12 anos, então, não há pressa. Não é o som que está na moda, saca? Daqui a uns seis anos, ainda será ousado, autoral, incompreendido, inspirador e novo.


Mercado/Negócios, Música, Pingue-pongue


2 respostas

  1. João Augusto
    12/05/2009 às 1:47

    Adilson, como vai? Não tem nenhum “abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe”. A POLYSOM foi adquirida e já está em obras para produzir discos de qualidade, comparáveis a qualquer um feito em fábricas gringas, ainda no segundo semestre de 2009.
    Abração.

  2. Natália Beatriz
    12/05/2009 às 1:47

    eu tava no lançamento dessa porra! massa!
    será que agora, que já acabou o “segundo semestre de 2009″ a polysom já reabriu?
    acho que ninguém sabe..


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12/05/2009 às 1:47

Toscos, mas limpinhos

Adilson Pereira

Tosco: estilo

Três caras que gostam de vinis se juntaram para montar um selo e estão colocando na praça, agora, seu primeiro lançamento: “Fuck the pro-tools”, um sete polegadas da Banda de Blues de Joe Strume. Foram prensadas na Inglaterra 200 unidades que, aos poucos, estão vindo do outro lado do Atlântico pelo correio. Os rapazes descartaram a possibilidade de usar um navio como meio de transporte porque seis meses de viagem (a previsão era essa) poderiam comprometer a “saúde” do produto.

A bolachinha é a número um do catálogo da Tosco Brasil, selo através do qual pretendem disponibilizar também cassetes e outros lances. Na capinha, um adesivo – tipo etiqueta de preço, com contorno vermelho – informa: “Puro”. “Cachaça pura, rapadura pura e rock puro, sem conservantes”, brinca Igor Ribeiro, um cidadão do Rio de Janeiro que hoje em dia agita as noites em Belém do Pará. O goiano Maurício Mota completa: “O Joe, na ultima vez em que fui a Uberlândia, me apresentou uma ótima rapadura vinda de uma cidadezinha próxima. Nela, tinha uma etiqueta igual. Achei genial e copiei a idéia. Afinal, nosso produto também é puro: pode ser consumido, sem medo.”

Joe Strume, de Uberlândia, capitão do primeiro lançamento, completa o time. Na hora de fazer as contas, é com ele. “O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco”, compara Strume, referindo-se à última fábrica de vinis do país, localizada na Baixada Fluminense. Talvez por isso ele não esquente a cabeça com o abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe envolvendo a fábrica no Rio.

Os três foram se encontrando aos poucos, em festivais, trocando cartas e e-mails. Igor Ribeiro destaca: “Quando conheci o Joe, ele estava vendendo vinis da sua coleção pessoal para juntar grana e lançar o compacto. Daí, ficamos um bom tempo sem conversar e quando retomamos a correspondência ele disse que já tinha entrado em contato com o Maurício e tal.” Maurício completa, meio distraído: “Coincidências da vida. A banda é que escolheu a gente. Eu acho. Foi?” Confira o pingue-pongue:

Tosco: o primeiro sete polegadas

Sambapunk – Como surgiu a idéia de criar um selo para lançar vinis?
Igor Ribeiro – Não era um selo para vinis. Na verdade, a idéia sempre foi ser uma parada de vender e fazer o que desse vontade… Vinis, K7s, camisetas, pedais de guitarra feitos em latas de sardinha…
Maurício Mota – Não era para lançar vinis. Não era esse o foco. Só pra você ver como são as coisas: nosso primeiro catálogo tinha uns CDRs, uma coletânea K7 pirata dos reggaes do The Clash que montei – e não vendeu sequer uma cópia – e até um relógio para deficientes visuais usado.  Ou seja, nosso catálogo tem “coisas”. Às vezes, é música.
 
Sambapunk – A Monstro Discos serviu de inspiração para vocês? Imagino que conheçam vários outros selos, pelo mundo, que lançam coisas neste formato.
Igor Ribeiro – Não para mim. Curto os compactos lançados por eles, mas, sei lá, acho que perderam tempo lançando CDs de bandas chatas pra cacete tipo esse Violins e perderam o foco de ter “os compactos mais chiques do Brasil”… puta banda chata, essa Violins. Os selos que eu gosto são In The Red Records, Estrus, Touch and Go, Get Hip, Bomp!, Crypt, Ipecac, Alternative Tentacles, SST e mais uma pá. E tenho que concordar que vez ou outra esses também lançam artistas descartáveis.
 
Sambapunk – Em que selo(s) ou artista(s) vocês se inspiraram?
Igor Ribeiro – Sub Pop e Trama… HAHAHAHAHAHAHAHA…
Maurício Mota – Não sei, sinceramente. Em nenhum, acho, pois o lance da Tosco Brasil é bem particular. Volátil, até.
 
Sambapunk – A Tosco concorre com a Monstro Discos ou serão empresas parceiras?
Igor Ribeiro – Não somos concorrentes, não. Se juntar nossas contas bancárias, não dá o salário do Fabrício (Nobre, um dos donos da Monstro); é desleal.
Maurício Mota – Sei lá. Meio sem sentido, isso. Pense bem: que empresa iria querer a gente como parceiros?? Três vagabundos sonhadores. Esqueça.
 

Tosca: Banda De Blues De Joe Strume
Sambapunk – Qual é o objetivo principal por trás da criação da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Diversão e amor por vinis e fitas k7. CD não rola, cara; de verdade.
Maurício Mota – Sou de uma época de trocas de zines, demos, cartas via carteiro. Então, tento hoje manter isso sempre próximo. A Tosco Brasil é basicamente isso. Relacionamento via carteiro. A gente desenvolve um trabalho desorganizado e lento em função das coisas que achamos bacanas e depois suamos um pouco pra levar estas coisas a um público mais abrangente e que também gosta deste universo.
 
Sambapunk – De onde são os clientes/compradores de vocês?
Igor Ribeiro – Boa pergunta, essa. Mandei pra uns amigos que realmente entendem o espírito “rock cru”, sabe ? Brasil e gringolândia. Ah, eu queria mandar um pra dona da Daslu!!
Maurício Mota – Ainda não sabemos. Toda sorte de gente. O mundo inteiro. Como utilizamos o Ebay e o Mercado Livre pra divulgar e vender os lances da Tosco Brasil, estamos abertos a todo tipo de cliente. Qualquer pessoa, pois não temos a barreira da língua. Confiamos cegamente no Google Translate pra nos comunicarmos com o planeta inteiro, via email e carta.
 
Sambapunk – Fazer um disquinho na Inglaterra não fica muito caro?
Igor Ribeiro – Agora eu não lembro dos valores, mas sei que ficou viável.
Maurício Mota – Até que não.  O Joe Strume pode colocar isto para você na ponta do lápis. Eu nem lembro quanto ficou tudo.
Joe Strume – Sugiro que pensemos na relação custo-benefício. O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco. Acho que a questão essencial é a qualidade do “corte” feito na Inglaterra, uma vez que lá nunca se parou de fazer vinil e, portanto, os maquinários estão OK. Sabemos que o “corte” da PolySom apresentava problemas, como o desaparecimento de freqüências graves, devido às deficiências do aparato que tinham para prensar os vinis. Assim, quando a PolySom devolveu nosso material e disse que não poderia fazer nosso disco, vi como uma espécie de “há males que vêm para bem”. Porque foi depois deste “não” que procuramos a prensa inglesa.

Tosco: catálogo

Sambapunk – Tive informações de que a prensagem pode ser até “barata”, mas o problema é transporte/remessa do material… É isso mesmo?
Igor Ribeiro – Postagem é um problemão. Tem prensas lá fora que não fazem o serviço porque a postagem para o Brasil é cara.
Maurício Mota – O Joe negociou tudo.
Joe Strume – Isso que você diz procede. A questão do transporte é complicada e, em nosso caso, foi e está sendo ainda mais complicado. Não recebemos todos os discos, uma vez que não temos como buscar pessoalmente e, assim, dependemos do transporte via correio. O envio por navio (surface) é mais em conta, mas demora muito (até seis meses) e ainda corre-se o risco de o material chegar danificado, devido ao longo tempo de viagem.

Sambapunk – Vocês pensaram muito antes de começarem com a Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Na verdade, fui convidado a entrar na Tosco Brasil pelo Maurício. Não pensei muito, não.
Maurício Mota – É claro que não.
Joe Strume – Bem… Na verdade, acho que foi a Banda de Blues de Joe Strume que escolheu a Tosco Brasil para fazer este lançamento.
E esta escolha se deu muito antes de gravarmos com a produção do Maurício. Acho que tudo começou no fim de 2005, quando o Maurício veio tocar em Uberlândia com sua antiga banda (Hang The Superstars). Nesta ocasião, eu e o Rogério Matador, o baterista da Banda de Blues de Joe Strume, fomos até a banquinha onde o Mauricio estava e falamos sobre sons toscos… Eu estava usando uma camiseta verde do Cramps e acho que isso foi importante como “cartão de visitas” Heheheh… Daí, em janeiro de 2007, telefonei pro Mauricio e pedi que produzisse a banda. Quando ele aceitou nosso convite, creio que a Tosco Brasil passou a fazer parte da coisa.
 
Sambapunk – O que pesava mais contra a decisão, isto é, qual é a maior dificuldade para manter um empreendimento como este?
Igor Ribeiro – Empreendimento ? Uau, obrigado. Vou acender um cubano aqui com uma nota de 50.
Maurício Mota – Não tem muita dificuldade. Como não há prazos a cumprir, a gente vai levando sem estresse, para os cabelos não caírem.

Sambapunk – E o que mais pesou/pesa a favor?
Igor Ribeiro – O que mais pesa a favor é diversão, conhecer gente nova e ganhar discos.
Maurício Mota – Ver um plano que antes parecia uma piada dar certo. Não tem preço. Igual a este compacto que estamos lançando agora. A coisa mais espetacular feita no rock, hoje, no Brasil. Não existe similar. A preocupação agora é onde esconder da receita o tanto de dinheiro que vamos ganhar. Odiamos impostos.
 
Sambapunk – Por que este lema, “Fuck the pro-tools”?
Igor Ribeiro – O rock de verdade está morrendo, cara. Quando uma banda de “rock” grava na mesma qualidade de Maria Rita ou Charlie Brown Jr e é produzida pelo Rick Bonadio, o rock não tem mais sentido. Pro-tools sucks!
Maurício Mota – É uma piada com estes programas de gravação que tiraram a graça de gravar roquenrol. Se adotássemos neste caso o meio contemporâneo de gravação, não teríamos escutado nem um quinto dos sons e experiências fantásticas que rolaram durante o processo de gravação na casa do Joe. Microfone dentro de balde, cachorro latindo, cerveja e cigarro para todos os lados, voz no banheiro. Não havia regras. Escutávamos um disco e tentávamos reproduzir, na unha, aquele som. E outra, o compacto foi todo feito dentro de uma fita k7. Nada mais justo do que dar este título ao compacto.

Sambapunk – Como será a estratégia de trabalho de vocês?
Igor Ribeiro – Enviar para selos, bandas e amigos.
Maurício Mota – Estamos ainda pensando…

Tosco: amor pelos animais
Sambapunk – Qual foi o investimento necessário para este primeiro lançamento acontecer?
Igor Ribeiro – Algum dinheiro e paciência, muita paciência.
 
Sambapunk – Quais são as funções de cada um de vocês, na Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Faço algumas traduções, ilustrações e discordo de tudo que Elmiro e Maurício planejam.
Maurício Mota – Eu sou o mais velho. O Igor é o mais disperso. O Elmiro é o mais louco. Dentro disso, vamos revezando entre ter idéias, desenhá-las, desenvolvê-las e lançá-las.

Sambapunk – Paixão é fundamental para conseguir dar vida a um projeto como este?
Igor Ribeiro – Sim, sim.
Maurício Mota – Sim. E um pouco de irresponsabilidade também, pois mexemos com um tipo de comércio em que poucos ainda entendem o nosso approach.

Sambapunk – Vocês não vão montar nem mesmo um blog da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Eu não daria conta. Já tocamos o “Rock de plástico”. Aliás, essa semana tem uma bela matéria sobre os paulistanos do Sell Outs que são mais conhecidos na gringa que em seu país natal.
Maurício Mota – Pra quê? Temos um blog, já… Eu não daria conta de ter outro. Mal dou conta do meu e-mail, que me tira horas preciosas de sol pela manhã. Usamos ferramentas da internet muito mais confiáveis que qualquer site de gravadora/selo por aí. Estamos no Ebay e no Mercado Livre. Sai mais barato, tem garantia infinita e ainda polui menos as vias arteriais da web.
 
Sambapunk – O adesivo-catálogo de vocês anuncia uma coletânea em fita cassete… Falem mais sobre isso.
Igor Ribeiro – Sim, essa coletânea é o próximo lançamento da Tosco Brasil, vai se chamar “Rock Brasil”. Hahaha… E vai sair em K7.
Maurício Mota – Essa idéia é velha amiga nossa: lançar uma coletânea com bandas que achamos legais e que ninguém lançaria. Em k7, com pôster e texto e tal. Nos amarramos em contar histórias e passar pra frente.

Sambapunk – Que bandas/artistas vão participar desta coletânea?
Igor Ribeiro – Nossa, não terá um critério sobre os ritmos. E eu quero muito convidar bandas tipo Ambervisions e Merda, das quais sou fã.
Maurício Mota – Estamos resolvendo isso… Primeiramente, cada sócio vai atrás de quatro bandas. Cada um faz sua curadoria. Tem uma banda que eu quero colocar e já acabou, mas não to nem aí. É a banda COISA, aqui de Goiânia, que é, pra mim, a banda mais espetacular, roquenrol e audaciosa que esta cidade já teve. Uma história ainda não contada que surpreenderá muita gente.

Sambapunk – Já há um próximo lançamento de vinil programado?
Igor Ribeiro – Bang Bang Babies!!
Maurício Mota – Tem uma banda aqui em Goiânia querendo gravar também dentro do esquema 4track… caseiro: Bang Bang Babies; mas não sabemos ainda o que vai virar. Mas ao que tudo indica será um sete polegadas, que é o objetivo deles. Mas nada certo, ainda.

Sambapunk – A meta de vocês é vender esta tiragem de discos em quanto tempo?
Igor Ribeiro – Eu penso apenas em vender uma parte. Eu troco o restante por outros discos, o lance é não deixar o vinil acabar!!
Maurício Mota – Não temos assim este compromisso com o tempo. Este disco da Banda de Blues de Jos Strume talvez só seja compreendido daqui a uns 12 anos, então, não há pressa. Não é o som que está na moda, saca? Daqui a uns seis anos, ainda será ousado, autoral, incompreendido, inspirador e novo.


Mercado/Negócios, Música, Pingue-pongue


2 respostas

  1. João Augusto
    12/05/2009 às 1:47

    Adilson, como vai? Não tem nenhum “abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe”. A POLYSOM foi adquirida e já está em obras para produzir discos de qualidade, comparáveis a qualquer um feito em fábricas gringas, ainda no segundo semestre de 2009.
    Abração.

  2. Natália Beatriz
    12/05/2009 às 1:47

    eu tava no lançamento dessa porra! massa!
    será que agora, que já acabou o “segundo semestre de 2009″ a polysom já reabriu?
    acho que ninguém sabe..


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12/05/2009 às 1:47

Toscos, mas limpinhos

Adilson Pereira

Tosco: estilo

Três caras que gostam de vinis se juntaram para montar um selo e estão colocando na praça, agora, seu primeiro lançamento: “Fuck the pro-tools”, um sete polegadas da Banda de Blues de Joe Strume. Foram prensadas na Inglaterra 200 unidades que, aos poucos, estão vindo do outro lado do Atlântico pelo correio. Os rapazes descartaram a possibilidade de usar um navio como meio de transporte porque seis meses de viagem (a previsão era essa) poderiam comprometer a “saúde” do produto.

A bolachinha é a número um do catálogo da Tosco Brasil, selo através do qual pretendem disponibilizar também cassetes e outros lances. Na capinha, um adesivo – tipo etiqueta de preço, com contorno vermelho – informa: “Puro”. “Cachaça pura, rapadura pura e rock puro, sem conservantes”, brinca Igor Ribeiro, um cidadão do Rio de Janeiro que hoje em dia agita as noites em Belém do Pará. O goiano Maurício Mota completa: “O Joe, na ultima vez em que fui a Uberlândia, me apresentou uma ótima rapadura vinda de uma cidadezinha próxima. Nela, tinha uma etiqueta igual. Achei genial e copiei a idéia. Afinal, nosso produto também é puro: pode ser consumido, sem medo.”

Joe Strume, de Uberlândia, capitão do primeiro lançamento, completa o time. Na hora de fazer as contas, é com ele. “O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco”, compara Strume, referindo-se à última fábrica de vinis do país, localizada na Baixada Fluminense. Talvez por isso ele não esquente a cabeça com o abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe envolvendo a fábrica no Rio.

Os três foram se encontrando aos poucos, em festivais, trocando cartas e e-mails. Igor Ribeiro destaca: “Quando conheci o Joe, ele estava vendendo vinis da sua coleção pessoal para juntar grana e lançar o compacto. Daí, ficamos um bom tempo sem conversar e quando retomamos a correspondência ele disse que já tinha entrado em contato com o Maurício e tal.” Maurício completa, meio distraído: “Coincidências da vida. A banda é que escolheu a gente. Eu acho. Foi?” Confira o pingue-pongue:

Tosco: o primeiro sete polegadas

Sambapunk – Como surgiu a idéia de criar um selo para lançar vinis?
Igor Ribeiro – Não era um selo para vinis. Na verdade, a idéia sempre foi ser uma parada de vender e fazer o que desse vontade… Vinis, K7s, camisetas, pedais de guitarra feitos em latas de sardinha…
Maurício Mota – Não era para lançar vinis. Não era esse o foco. Só pra você ver como são as coisas: nosso primeiro catálogo tinha uns CDRs, uma coletânea K7 pirata dos reggaes do The Clash que montei – e não vendeu sequer uma cópia – e até um relógio para deficientes visuais usado.  Ou seja, nosso catálogo tem “coisas”. Às vezes, é música.
 
Sambapunk – A Monstro Discos serviu de inspiração para vocês? Imagino que conheçam vários outros selos, pelo mundo, que lançam coisas neste formato.
Igor Ribeiro – Não para mim. Curto os compactos lançados por eles, mas, sei lá, acho que perderam tempo lançando CDs de bandas chatas pra cacete tipo esse Violins e perderam o foco de ter “os compactos mais chiques do Brasil”… puta banda chata, essa Violins. Os selos que eu gosto são In The Red Records, Estrus, Touch and Go, Get Hip, Bomp!, Crypt, Ipecac, Alternative Tentacles, SST e mais uma pá. E tenho que concordar que vez ou outra esses também lançam artistas descartáveis.
 
Sambapunk – Em que selo(s) ou artista(s) vocês se inspiraram?
Igor Ribeiro – Sub Pop e Trama… HAHAHAHAHAHAHAHA…
Maurício Mota – Não sei, sinceramente. Em nenhum, acho, pois o lance da Tosco Brasil é bem particular. Volátil, até.
 
Sambapunk – A Tosco concorre com a Monstro Discos ou serão empresas parceiras?
Igor Ribeiro – Não somos concorrentes, não. Se juntar nossas contas bancárias, não dá o salário do Fabrício (Nobre, um dos donos da Monstro); é desleal.
Maurício Mota – Sei lá. Meio sem sentido, isso. Pense bem: que empresa iria querer a gente como parceiros?? Três vagabundos sonhadores. Esqueça.
 

Tosca: Banda De Blues De Joe Strume
Sambapunk – Qual é o objetivo principal por trás da criação da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Diversão e amor por vinis e fitas k7. CD não rola, cara; de verdade.
Maurício Mota – Sou de uma época de trocas de zines, demos, cartas via carteiro. Então, tento hoje manter isso sempre próximo. A Tosco Brasil é basicamente isso. Relacionamento via carteiro. A gente desenvolve um trabalho desorganizado e lento em função das coisas que achamos bacanas e depois suamos um pouco pra levar estas coisas a um público mais abrangente e que também gosta deste universo.
 
Sambapunk – De onde são os clientes/compradores de vocês?
Igor Ribeiro – Boa pergunta, essa. Mandei pra uns amigos que realmente entendem o espírito “rock cru”, sabe ? Brasil e gringolândia. Ah, eu queria mandar um pra dona da Daslu!!
Maurício Mota – Ainda não sabemos. Toda sorte de gente. O mundo inteiro. Como utilizamos o Ebay e o Mercado Livre pra divulgar e vender os lances da Tosco Brasil, estamos abertos a todo tipo de cliente. Qualquer pessoa, pois não temos a barreira da língua. Confiamos cegamente no Google Translate pra nos comunicarmos com o planeta inteiro, via email e carta.
 
Sambapunk – Fazer um disquinho na Inglaterra não fica muito caro?
Igor Ribeiro – Agora eu não lembro dos valores, mas sei que ficou viável.
Maurício Mota – Até que não.  O Joe Strume pode colocar isto para você na ponta do lápis. Eu nem lembro quanto ficou tudo.
Joe Strume – Sugiro que pensemos na relação custo-benefício. O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco. Acho que a questão essencial é a qualidade do “corte” feito na Inglaterra, uma vez que lá nunca se parou de fazer vinil e, portanto, os maquinários estão OK. Sabemos que o “corte” da PolySom apresentava problemas, como o desaparecimento de freqüências graves, devido às deficiências do aparato que tinham para prensar os vinis. Assim, quando a PolySom devolveu nosso material e disse que não poderia fazer nosso disco, vi como uma espécie de “há males que vêm para bem”. Porque foi depois deste “não” que procuramos a prensa inglesa.

Tosco: catálogo

Sambapunk – Tive informações de que a prensagem pode ser até “barata”, mas o problema é transporte/remessa do material… É isso mesmo?
Igor Ribeiro – Postagem é um problemão. Tem prensas lá fora que não fazem o serviço porque a postagem para o Brasil é cara.
Maurício Mota – O Joe negociou tudo.
Joe Strume – Isso que você diz procede. A questão do transporte é complicada e, em nosso caso, foi e está sendo ainda mais complicado. Não recebemos todos os discos, uma vez que não temos como buscar pessoalmente e, assim, dependemos do transporte via correio. O envio por navio (surface) é mais em conta, mas demora muito (até seis meses) e ainda corre-se o risco de o material chegar danificado, devido ao longo tempo de viagem.

Sambapunk – Vocês pensaram muito antes de começarem com a Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Na verdade, fui convidado a entrar na Tosco Brasil pelo Maurício. Não pensei muito, não.
Maurício Mota – É claro que não.
Joe Strume – Bem… Na verdade, acho que foi a Banda de Blues de Joe Strume que escolheu a Tosco Brasil para fazer este lançamento.
E esta escolha se deu muito antes de gravarmos com a produção do Maurício. Acho que tudo começou no fim de 2005, quando o Maurício veio tocar em Uberlândia com sua antiga banda (Hang The Superstars). Nesta ocasião, eu e o Rogério Matador, o baterista da Banda de Blues de Joe Strume, fomos até a banquinha onde o Mauricio estava e falamos sobre sons toscos… Eu estava usando uma camiseta verde do Cramps e acho que isso foi importante como “cartão de visitas” Heheheh… Daí, em janeiro de 2007, telefonei pro Mauricio e pedi que produzisse a banda. Quando ele aceitou nosso convite, creio que a Tosco Brasil passou a fazer parte da coisa.
 
Sambapunk – O que pesava mais contra a decisão, isto é, qual é a maior dificuldade para manter um empreendimento como este?
Igor Ribeiro – Empreendimento ? Uau, obrigado. Vou acender um cubano aqui com uma nota de 50.
Maurício Mota – Não tem muita dificuldade. Como não há prazos a cumprir, a gente vai levando sem estresse, para os cabelos não caírem.

Sambapunk – E o que mais pesou/pesa a favor?
Igor Ribeiro – O que mais pesa a favor é diversão, conhecer gente nova e ganhar discos.
Maurício Mota – Ver um plano que antes parecia uma piada dar certo. Não tem preço. Igual a este compacto que estamos lançando agora. A coisa mais espetacular feita no rock, hoje, no Brasil. Não existe similar. A preocupação agora é onde esconder da receita o tanto de dinheiro que vamos ganhar. Odiamos impostos.
 
Sambapunk – Por que este lema, “Fuck the pro-tools”?
Igor Ribeiro – O rock de verdade está morrendo, cara. Quando uma banda de “rock” grava na mesma qualidade de Maria Rita ou Charlie Brown Jr e é produzida pelo Rick Bonadio, o rock não tem mais sentido. Pro-tools sucks!
Maurício Mota – É uma piada com estes programas de gravação que tiraram a graça de gravar roquenrol. Se adotássemos neste caso o meio contemporâneo de gravação, não teríamos escutado nem um quinto dos sons e experiências fantásticas que rolaram durante o processo de gravação na casa do Joe. Microfone dentro de balde, cachorro latindo, cerveja e cigarro para todos os lados, voz no banheiro. Não havia regras. Escutávamos um disco e tentávamos reproduzir, na unha, aquele som. E outra, o compacto foi todo feito dentro de uma fita k7. Nada mais justo do que dar este título ao compacto.

Sambapunk – Como será a estratégia de trabalho de vocês?
Igor Ribeiro – Enviar para selos, bandas e amigos.
Maurício Mota – Estamos ainda pensando…

Tosco: amor pelos animais
Sambapunk – Qual foi o investimento necessário para este primeiro lançamento acontecer?
Igor Ribeiro – Algum dinheiro e paciência, muita paciência.
 
Sambapunk – Quais são as funções de cada um de vocês, na Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Faço algumas traduções, ilustrações e discordo de tudo que Elmiro e Maurício planejam.
Maurício Mota – Eu sou o mais velho. O Igor é o mais disperso. O Elmiro é o mais louco. Dentro disso, vamos revezando entre ter idéias, desenhá-las, desenvolvê-las e lançá-las.

Sambapunk – Paixão é fundamental para conseguir dar vida a um projeto como este?
Igor Ribeiro – Sim, sim.
Maurício Mota – Sim. E um pouco de irresponsabilidade também, pois mexemos com um tipo de comércio em que poucos ainda entendem o nosso approach.

Sambapunk – Vocês não vão montar nem mesmo um blog da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Eu não daria conta. Já tocamos o “Rock de plástico”. Aliás, essa semana tem uma bela matéria sobre os paulistanos do Sell Outs que são mais conhecidos na gringa que em seu país natal.
Maurício Mota – Pra quê? Temos um blog, já… Eu não daria conta de ter outro. Mal dou conta do meu e-mail, que me tira horas preciosas de sol pela manhã. Usamos ferramentas da internet muito mais confiáveis que qualquer site de gravadora/selo por aí. Estamos no Ebay e no Mercado Livre. Sai mais barato, tem garantia infinita e ainda polui menos as vias arteriais da web.
 
Sambapunk – O adesivo-catálogo de vocês anuncia uma coletânea em fita cassete… Falem mais sobre isso.
Igor Ribeiro – Sim, essa coletânea é o próximo lançamento da Tosco Brasil, vai se chamar “Rock Brasil”. Hahaha… E vai sair em K7.
Maurício Mota – Essa idéia é velha amiga nossa: lançar uma coletânea com bandas que achamos legais e que ninguém lançaria. Em k7, com pôster e texto e tal. Nos amarramos em contar histórias e passar pra frente.

Sambapunk – Que bandas/artistas vão participar desta coletânea?
Igor Ribeiro – Nossa, não terá um critério sobre os ritmos. E eu quero muito convidar bandas tipo Ambervisions e Merda, das quais sou fã.
Maurício Mota – Estamos resolvendo isso… Primeiramente, cada sócio vai atrás de quatro bandas. Cada um faz sua curadoria. Tem uma banda que eu quero colocar e já acabou, mas não to nem aí. É a banda COISA, aqui de Goiânia, que é, pra mim, a banda mais espetacular, roquenrol e audaciosa que esta cidade já teve. Uma história ainda não contada que surpreenderá muita gente.

Sambapunk – Já há um próximo lançamento de vinil programado?
Igor Ribeiro – Bang Bang Babies!!
Maurício Mota – Tem uma banda aqui em Goiânia querendo gravar também dentro do esquema 4track… caseiro: Bang Bang Babies; mas não sabemos ainda o que vai virar. Mas ao que tudo indica será um sete polegadas, que é o objetivo deles. Mas nada certo, ainda.

Sambapunk – A meta de vocês é vender esta tiragem de discos em quanto tempo?
Igor Ribeiro – Eu penso apenas em vender uma parte. Eu troco o restante por outros discos, o lance é não deixar o vinil acabar!!
Maurício Mota – Não temos assim este compromisso com o tempo. Este disco da Banda de Blues de Jos Strume talvez só seja compreendido daqui a uns 12 anos, então, não há pressa. Não é o som que está na moda, saca? Daqui a uns seis anos, ainda será ousado, autoral, incompreendido, inspirador e novo.


Mercado/Negócios, Música, Pingue-pongue


2 respostas

  1. João Augusto
    12/05/2009 às 1:47

    Adilson, como vai? Não tem nenhum “abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe”. A POLYSOM foi adquirida e já está em obras para produzir discos de qualidade, comparáveis a qualquer um feito em fábricas gringas, ainda no segundo semestre de 2009.
    Abração.

  2. Natália Beatriz
    12/05/2009 às 1:47

    eu tava no lançamento dessa porra! massa!
    será que agora, que já acabou o “segundo semestre de 2009″ a polysom já reabriu?
    acho que ninguém sabe..


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12/05/2009 às 1:47

Toscos, mas limpinhos

Adilson Pereira

Tosco: estilo

Três caras que gostam de vinis se juntaram para montar um selo e estão colocando na praça, agora, seu primeiro lançamento: “Fuck the pro-tools”, um sete polegadas da Banda de Blues de Joe Strume. Foram prensadas na Inglaterra 200 unidades que, aos poucos, estão vindo do outro lado do Atlântico pelo correio. Os rapazes descartaram a possibilidade de usar um navio como meio de transporte porque seis meses de viagem (a previsão era essa) poderiam comprometer a “saúde” do produto.

A bolachinha é a número um do catálogo da Tosco Brasil, selo através do qual pretendem disponibilizar também cassetes e outros lances. Na capinha, um adesivo – tipo etiqueta de preço, com contorno vermelho – informa: “Puro”. “Cachaça pura, rapadura pura e rock puro, sem conservantes”, brinca Igor Ribeiro, um cidadão do Rio de Janeiro que hoje em dia agita as noites em Belém do Pará. O goiano Maurício Mota completa: “O Joe, na ultima vez em que fui a Uberlândia, me apresentou uma ótima rapadura vinda de uma cidadezinha próxima. Nela, tinha uma etiqueta igual. Achei genial e copiei a idéia. Afinal, nosso produto também é puro: pode ser consumido, sem medo.”

Joe Strume, de Uberlândia, capitão do primeiro lançamento, completa o time. Na hora de fazer as contas, é com ele. “O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco”, compara Strume, referindo-se à última fábrica de vinis do país, localizada na Baixada Fluminense. Talvez por isso ele não esquente a cabeça com o abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe envolvendo a fábrica no Rio.

Os três foram se encontrando aos poucos, em festivais, trocando cartas e e-mails. Igor Ribeiro destaca: “Quando conheci o Joe, ele estava vendendo vinis da sua coleção pessoal para juntar grana e lançar o compacto. Daí, ficamos um bom tempo sem conversar e quando retomamos a correspondência ele disse que já tinha entrado em contato com o Maurício e tal.” Maurício completa, meio distraído: “Coincidências da vida. A banda é que escolheu a gente. Eu acho. Foi?” Confira o pingue-pongue:

Tosco: o primeiro sete polegadas

Sambapunk – Como surgiu a idéia de criar um selo para lançar vinis?
Igor Ribeiro – Não era um selo para vinis. Na verdade, a idéia sempre foi ser uma parada de vender e fazer o que desse vontade… Vinis, K7s, camisetas, pedais de guitarra feitos em latas de sardinha…
Maurício Mota – Não era para lançar vinis. Não era esse o foco. Só pra você ver como são as coisas: nosso primeiro catálogo tinha uns CDRs, uma coletânea K7 pirata dos reggaes do The Clash que montei – e não vendeu sequer uma cópia – e até um relógio para deficientes visuais usado.  Ou seja, nosso catálogo tem “coisas”. Às vezes, é música.
 
Sambapunk – A Monstro Discos serviu de inspiração para vocês? Imagino que conheçam vários outros selos, pelo mundo, que lançam coisas neste formato.
Igor Ribeiro – Não para mim. Curto os compactos lançados por eles, mas, sei lá, acho que perderam tempo lançando CDs de bandas chatas pra cacete tipo esse Violins e perderam o foco de ter “os compactos mais chiques do Brasil”… puta banda chata, essa Violins. Os selos que eu gosto são In The Red Records, Estrus, Touch and Go, Get Hip, Bomp!, Crypt, Ipecac, Alternative Tentacles, SST e mais uma pá. E tenho que concordar que vez ou outra esses também lançam artistas descartáveis.
 
Sambapunk – Em que selo(s) ou artista(s) vocês se inspiraram?
Igor Ribeiro – Sub Pop e Trama… HAHAHAHAHAHAHAHA…
Maurício Mota – Não sei, sinceramente. Em nenhum, acho, pois o lance da Tosco Brasil é bem particular. Volátil, até.
 
Sambapunk – A Tosco concorre com a Monstro Discos ou serão empresas parceiras?
Igor Ribeiro – Não somos concorrentes, não. Se juntar nossas contas bancárias, não dá o salário do Fabrício (Nobre, um dos donos da Monstro); é desleal.
Maurício Mota – Sei lá. Meio sem sentido, isso. Pense bem: que empresa iria querer a gente como parceiros?? Três vagabundos sonhadores. Esqueça.
 

Tosca: Banda De Blues De Joe Strume
Sambapunk – Qual é o objetivo principal por trás da criação da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Diversão e amor por vinis e fitas k7. CD não rola, cara; de verdade.
Maurício Mota – Sou de uma época de trocas de zines, demos, cartas via carteiro. Então, tento hoje manter isso sempre próximo. A Tosco Brasil é basicamente isso. Relacionamento via carteiro. A gente desenvolve um trabalho desorganizado e lento em função das coisas que achamos bacanas e depois suamos um pouco pra levar estas coisas a um público mais abrangente e que também gosta deste universo.
 
Sambapunk – De onde são os clientes/compradores de vocês?
Igor Ribeiro – Boa pergunta, essa. Mandei pra uns amigos que realmente entendem o espírito “rock cru”, sabe ? Brasil e gringolândia. Ah, eu queria mandar um pra dona da Daslu!!
Maurício Mota – Ainda não sabemos. Toda sorte de gente. O mundo inteiro. Como utilizamos o Ebay e o Mercado Livre pra divulgar e vender os lances da Tosco Brasil, estamos abertos a todo tipo de cliente. Qualquer pessoa, pois não temos a barreira da língua. Confiamos cegamente no Google Translate pra nos comunicarmos com o planeta inteiro, via email e carta.
 
Sambapunk – Fazer um disquinho na Inglaterra não fica muito caro?
Igor Ribeiro – Agora eu não lembro dos valores, mas sei que ficou viável.
Maurício Mota – Até que não.  O Joe Strume pode colocar isto para você na ponta do lápis. Eu nem lembro quanto ficou tudo.
Joe Strume – Sugiro que pensemos na relação custo-benefício. O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco. Acho que a questão essencial é a qualidade do “corte” feito na Inglaterra, uma vez que lá nunca se parou de fazer vinil e, portanto, os maquinários estão OK. Sabemos que o “corte” da PolySom apresentava problemas, como o desaparecimento de freqüências graves, devido às deficiências do aparato que tinham para prensar os vinis. Assim, quando a PolySom devolveu nosso material e disse que não poderia fazer nosso disco, vi como uma espécie de “há males que vêm para bem”. Porque foi depois deste “não” que procuramos a prensa inglesa.

Tosco: catálogo

Sambapunk – Tive informações de que a prensagem pode ser até “barata”, mas o problema é transporte/remessa do material… É isso mesmo?
Igor Ribeiro – Postagem é um problemão. Tem prensas lá fora que não fazem o serviço porque a postagem para o Brasil é cara.
Maurício Mota – O Joe negociou tudo.
Joe Strume – Isso que você diz procede. A questão do transporte é complicada e, em nosso caso, foi e está sendo ainda mais complicado. Não recebemos todos os discos, uma vez que não temos como buscar pessoalmente e, assim, dependemos do transporte via correio. O envio por navio (surface) é mais em conta, mas demora muito (até seis meses) e ainda corre-se o risco de o material chegar danificado, devido ao longo tempo de viagem.

Sambapunk – Vocês pensaram muito antes de começarem com a Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Na verdade, fui convidado a entrar na Tosco Brasil pelo Maurício. Não pensei muito, não.
Maurício Mota – É claro que não.
Joe Strume – Bem… Na verdade, acho que foi a Banda de Blues de Joe Strume que escolheu a Tosco Brasil para fazer este lançamento.
E esta escolha se deu muito antes de gravarmos com a produção do Maurício. Acho que tudo começou no fim de 2005, quando o Maurício veio tocar em Uberlândia com sua antiga banda (Hang The Superstars). Nesta ocasião, eu e o Rogério Matador, o baterista da Banda de Blues de Joe Strume, fomos até a banquinha onde o Mauricio estava e falamos sobre sons toscos… Eu estava usando uma camiseta verde do Cramps e acho que isso foi importante como “cartão de visitas” Heheheh… Daí, em janeiro de 2007, telefonei pro Mauricio e pedi que produzisse a banda. Quando ele aceitou nosso convite, creio que a Tosco Brasil passou a fazer parte da coisa.
 
Sambapunk – O que pesava mais contra a decisão, isto é, qual é a maior dificuldade para manter um empreendimento como este?
Igor Ribeiro – Empreendimento ? Uau, obrigado. Vou acender um cubano aqui com uma nota de 50.
Maurício Mota – Não tem muita dificuldade. Como não há prazos a cumprir, a gente vai levando sem estresse, para os cabelos não caírem.

Sambapunk – E o que mais pesou/pesa a favor?
Igor Ribeiro – O que mais pesa a favor é diversão, conhecer gente nova e ganhar discos.
Maurício Mota – Ver um plano que antes parecia uma piada dar certo. Não tem preço. Igual a este compacto que estamos lançando agora. A coisa mais espetacular feita no rock, hoje, no Brasil. Não existe similar. A preocupação agora é onde esconder da receita o tanto de dinheiro que vamos ganhar. Odiamos impostos.
 
Sambapunk – Por que este lema, “Fuck the pro-tools”?
Igor Ribeiro – O rock de verdade está morrendo, cara. Quando uma banda de “rock” grava na mesma qualidade de Maria Rita ou Charlie Brown Jr e é produzida pelo Rick Bonadio, o rock não tem mais sentido. Pro-tools sucks!
Maurício Mota – É uma piada com estes programas de gravação que tiraram a graça de gravar roquenrol. Se adotássemos neste caso o meio contemporâneo de gravação, não teríamos escutado nem um quinto dos sons e experiências fantásticas que rolaram durante o processo de gravação na casa do Joe. Microfone dentro de balde, cachorro latindo, cerveja e cigarro para todos os lados, voz no banheiro. Não havia regras. Escutávamos um disco e tentávamos reproduzir, na unha, aquele som. E outra, o compacto foi todo feito dentro de uma fita k7. Nada mais justo do que dar este título ao compacto.

Sambapunk – Como será a estratégia de trabalho de vocês?
Igor Ribeiro – Enviar para selos, bandas e amigos.
Maurício Mota – Estamos ainda pensando…

Tosco: amor pelos animais
Sambapunk – Qual foi o investimento necessário para este primeiro lançamento acontecer?
Igor Ribeiro – Algum dinheiro e paciência, muita paciência.
 
Sambapunk – Quais são as funções de cada um de vocês, na Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Faço algumas traduções, ilustrações e discordo de tudo que Elmiro e Maurício planejam.
Maurício Mota – Eu sou o mais velho. O Igor é o mais disperso. O Elmiro é o mais louco. Dentro disso, vamos revezando entre ter idéias, desenhá-las, desenvolvê-las e lançá-las.

Sambapunk – Paixão é fundamental para conseguir dar vida a um projeto como este?
Igor Ribeiro – Sim, sim.
Maurício Mota – Sim. E um pouco de irresponsabilidade também, pois mexemos com um tipo de comércio em que poucos ainda entendem o nosso approach.

Sambapunk – Vocês não vão montar nem mesmo um blog da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Eu não daria conta. Já tocamos o “Rock de plástico”. Aliás, essa semana tem uma bela matéria sobre os paulistanos do Sell Outs que são mais conhecidos na gringa que em seu país natal.
Maurício Mota – Pra quê? Temos um blog, já… Eu não daria conta de ter outro. Mal dou conta do meu e-mail, que me tira horas preciosas de sol pela manhã. Usamos ferramentas da internet muito mais confiáveis que qualquer site de gravadora/selo por aí. Estamos no Ebay e no Mercado Livre. Sai mais barato, tem garantia infinita e ainda polui menos as vias arteriais da web.
 
Sambapunk – O adesivo-catálogo de vocês anuncia uma coletânea em fita cassete… Falem mais sobre isso.
Igor Ribeiro – Sim, essa coletânea é o próximo lançamento da Tosco Brasil, vai se chamar “Rock Brasil”. Hahaha… E vai sair em K7.
Maurício Mota – Essa idéia é velha amiga nossa: lançar uma coletânea com bandas que achamos legais e que ninguém lançaria. Em k7, com pôster e texto e tal. Nos amarramos em contar histórias e passar pra frente.

Sambapunk – Que bandas/artistas vão participar desta coletânea?
Igor Ribeiro – Nossa, não terá um critério sobre os ritmos. E eu quero muito convidar bandas tipo Ambervisions e Merda, das quais sou fã.
Maurício Mota – Estamos resolvendo isso… Primeiramente, cada sócio vai atrás de quatro bandas. Cada um faz sua curadoria. Tem uma banda que eu quero colocar e já acabou, mas não to nem aí. É a banda COISA, aqui de Goiânia, que é, pra mim, a banda mais espetacular, roquenrol e audaciosa que esta cidade já teve. Uma história ainda não contada que surpreenderá muita gente.

Sambapunk – Já há um próximo lançamento de vinil programado?
Igor Ribeiro – Bang Bang Babies!!
Maurício Mota – Tem uma banda aqui em Goiânia querendo gravar também dentro do esquema 4track… caseiro: Bang Bang Babies; mas não sabemos ainda o que vai virar. Mas ao que tudo indica será um sete polegadas, que é o objetivo deles. Mas nada certo, ainda.

Sambapunk – A meta de vocês é vender esta tiragem de discos em quanto tempo?
Igor Ribeiro – Eu penso apenas em vender uma parte. Eu troco o restante por outros discos, o lance é não deixar o vinil acabar!!
Maurício Mota – Não temos assim este compromisso com o tempo. Este disco da Banda de Blues de Jos Strume talvez só seja compreendido daqui a uns 12 anos, então, não há pressa. Não é o som que está na moda, saca? Daqui a uns seis anos, ainda será ousado, autoral, incompreendido, inspirador e novo.


Mercado/Negócios, Música, Pingue-pongue


2 respostas

  1. João Augusto
    12/05/2009 às 1:47

    Adilson, como vai? Não tem nenhum “abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe”. A POLYSOM foi adquirida e já está em obras para produzir discos de qualidade, comparáveis a qualquer um feito em fábricas gringas, ainda no segundo semestre de 2009.
    Abração.

  2. Natália Beatriz
    12/05/2009 às 1:47

    eu tava no lançamento dessa porra! massa!
    será que agora, que já acabou o “segundo semestre de 2009″ a polysom já reabriu?
    acho que ninguém sabe..


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12/05/2009 às 1:47

Toscos, mas limpinhos

Adilson Pereira

Tosco: estilo

Três caras que gostam de vinis se juntaram para montar um selo e estão colocando na praça, agora, seu primeiro lançamento: “Fuck the pro-tools”, um sete polegadas da Banda de Blues de Joe Strume. Foram prensadas na Inglaterra 200 unidades que, aos poucos, estão vindo do outro lado do Atlântico pelo correio. Os rapazes descartaram a possibilidade de usar um navio como meio de transporte porque seis meses de viagem (a previsão era essa) poderiam comprometer a “saúde” do produto.

A bolachinha é a número um do catálogo da Tosco Brasil, selo através do qual pretendem disponibilizar também cassetes e outros lances. Na capinha, um adesivo – tipo etiqueta de preço, com contorno vermelho – informa: “Puro”. “Cachaça pura, rapadura pura e rock puro, sem conservantes”, brinca Igor Ribeiro, um cidadão do Rio de Janeiro que hoje em dia agita as noites em Belém do Pará. O goiano Maurício Mota completa: “O Joe, na ultima vez em que fui a Uberlândia, me apresentou uma ótima rapadura vinda de uma cidadezinha próxima. Nela, tinha uma etiqueta igual. Achei genial e copiei a idéia. Afinal, nosso produto também é puro: pode ser consumido, sem medo.”

Joe Strume, de Uberlândia, capitão do primeiro lançamento, completa o time. Na hora de fazer as contas, é com ele. “O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco”, compara Strume, referindo-se à última fábrica de vinis do país, localizada na Baixada Fluminense. Talvez por isso ele não esquente a cabeça com o abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe envolvendo a fábrica no Rio.

Os três foram se encontrando aos poucos, em festivais, trocando cartas e e-mails. Igor Ribeiro destaca: “Quando conheci o Joe, ele estava vendendo vinis da sua coleção pessoal para juntar grana e lançar o compacto. Daí, ficamos um bom tempo sem conversar e quando retomamos a correspondência ele disse que já tinha entrado em contato com o Maurício e tal.” Maurício completa, meio distraído: “Coincidências da vida. A banda é que escolheu a gente. Eu acho. Foi?” Confira o pingue-pongue:

Tosco: o primeiro sete polegadas

Sambapunk – Como surgiu a idéia de criar um selo para lançar vinis?
Igor Ribeiro – Não era um selo para vinis. Na verdade, a idéia sempre foi ser uma parada de vender e fazer o que desse vontade… Vinis, K7s, camisetas, pedais de guitarra feitos em latas de sardinha…
Maurício Mota – Não era para lançar vinis. Não era esse o foco. Só pra você ver como são as coisas: nosso primeiro catálogo tinha uns CDRs, uma coletânea K7 pirata dos reggaes do The Clash que montei – e não vendeu sequer uma cópia – e até um relógio para deficientes visuais usado.  Ou seja, nosso catálogo tem “coisas”. Às vezes, é música.
 
Sambapunk – A Monstro Discos serviu de inspiração para vocês? Imagino que conheçam vários outros selos, pelo mundo, que lançam coisas neste formato.
Igor Ribeiro – Não para mim. Curto os compactos lançados por eles, mas, sei lá, acho que perderam tempo lançando CDs de bandas chatas pra cacete tipo esse Violins e perderam o foco de ter “os compactos mais chiques do Brasil”… puta banda chata, essa Violins. Os selos que eu gosto são In The Red Records, Estrus, Touch and Go, Get Hip, Bomp!, Crypt, Ipecac, Alternative Tentacles, SST e mais uma pá. E tenho que concordar que vez ou outra esses também lançam artistas descartáveis.
 
Sambapunk – Em que selo(s) ou artista(s) vocês se inspiraram?
Igor Ribeiro – Sub Pop e Trama… HAHAHAHAHAHAHAHA…
Maurício Mota – Não sei, sinceramente. Em nenhum, acho, pois o lance da Tosco Brasil é bem particular. Volátil, até.
 
Sambapunk – A Tosco concorre com a Monstro Discos ou serão empresas parceiras?
Igor Ribeiro – Não somos concorrentes, não. Se juntar nossas contas bancárias, não dá o salário do Fabrício (Nobre, um dos donos da Monstro); é desleal.
Maurício Mota – Sei lá. Meio sem sentido, isso. Pense bem: que empresa iria querer a gente como parceiros?? Três vagabundos sonhadores. Esqueça.
 

Tosca: Banda De Blues De Joe Strume
Sambapunk – Qual é o objetivo principal por trás da criação da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Diversão e amor por vinis e fitas k7. CD não rola, cara; de verdade.
Maurício Mota – Sou de uma época de trocas de zines, demos, cartas via carteiro. Então, tento hoje manter isso sempre próximo. A Tosco Brasil é basicamente isso. Relacionamento via carteiro. A gente desenvolve um trabalho desorganizado e lento em função das coisas que achamos bacanas e depois suamos um pouco pra levar estas coisas a um público mais abrangente e que também gosta deste universo.
 
Sambapunk – De onde são os clientes/compradores de vocês?
Igor Ribeiro – Boa pergunta, essa. Mandei pra uns amigos que realmente entendem o espírito “rock cru”, sabe ? Brasil e gringolândia. Ah, eu queria mandar um pra dona da Daslu!!
Maurício Mota – Ainda não sabemos. Toda sorte de gente. O mundo inteiro. Como utilizamos o Ebay e o Mercado Livre pra divulgar e vender os lances da Tosco Brasil, estamos abertos a todo tipo de cliente. Qualquer pessoa, pois não temos a barreira da língua. Confiamos cegamente no Google Translate pra nos comunicarmos com o planeta inteiro, via email e carta.
 
Sambapunk – Fazer um disquinho na Inglaterra não fica muito caro?
Igor Ribeiro – Agora eu não lembro dos valores, mas sei que ficou viável.
Maurício Mota – Até que não.  O Joe Strume pode colocar isto para você na ponta do lápis. Eu nem lembro quanto ficou tudo.
Joe Strume – Sugiro que pensemos na relação custo-benefício. O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco. Acho que a questão essencial é a qualidade do “corte” feito na Inglaterra, uma vez que lá nunca se parou de fazer vinil e, portanto, os maquinários estão OK. Sabemos que o “corte” da PolySom apresentava problemas, como o desaparecimento de freqüências graves, devido às deficiências do aparato que tinham para prensar os vinis. Assim, quando a PolySom devolveu nosso material e disse que não poderia fazer nosso disco, vi como uma espécie de “há males que vêm para bem”. Porque foi depois deste “não” que procuramos a prensa inglesa.

Tosco: catálogo

Sambapunk – Tive informações de que a prensagem pode ser até “barata”, mas o problema é transporte/remessa do material… É isso mesmo?
Igor Ribeiro – Postagem é um problemão. Tem prensas lá fora que não fazem o serviço porque a postagem para o Brasil é cara.
Maurício Mota – O Joe negociou tudo.
Joe Strume – Isso que você diz procede. A questão do transporte é complicada e, em nosso caso, foi e está sendo ainda mais complicado. Não recebemos todos os discos, uma vez que não temos como buscar pessoalmente e, assim, dependemos do transporte via correio. O envio por navio (surface) é mais em conta, mas demora muito (até seis meses) e ainda corre-se o risco de o material chegar danificado, devido ao longo tempo de viagem.

Sambapunk – Vocês pensaram muito antes de começarem com a Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Na verdade, fui convidado a entrar na Tosco Brasil pelo Maurício. Não pensei muito, não.
Maurício Mota – É claro que não.
Joe Strume – Bem… Na verdade, acho que foi a Banda de Blues de Joe Strume que escolheu a Tosco Brasil para fazer este lançamento.
E esta escolha se deu muito antes de gravarmos com a produção do Maurício. Acho que tudo começou no fim de 2005, quando o Maurício veio tocar em Uberlândia com sua antiga banda (Hang The Superstars). Nesta ocasião, eu e o Rogério Matador, o baterista da Banda de Blues de Joe Strume, fomos até a banquinha onde o Mauricio estava e falamos sobre sons toscos… Eu estava usando uma camiseta verde do Cramps e acho que isso foi importante como “cartão de visitas” Heheheh… Daí, em janeiro de 2007, telefonei pro Mauricio e pedi que produzisse a banda. Quando ele aceitou nosso convite, creio que a Tosco Brasil passou a fazer parte da coisa.
 
Sambapunk – O que pesava mais contra a decisão, isto é, qual é a maior dificuldade para manter um empreendimento como este?
Igor Ribeiro – Empreendimento ? Uau, obrigado. Vou acender um cubano aqui com uma nota de 50.
Maurício Mota – Não tem muita dificuldade. Como não há prazos a cumprir, a gente vai levando sem estresse, para os cabelos não caírem.

Sambapunk – E o que mais pesou/pesa a favor?
Igor Ribeiro – O que mais pesa a favor é diversão, conhecer gente nova e ganhar discos.
Maurício Mota – Ver um plano que antes parecia uma piada dar certo. Não tem preço. Igual a este compacto que estamos lançando agora. A coisa mais espetacular feita no rock, hoje, no Brasil. Não existe similar. A preocupação agora é onde esconder da receita o tanto de dinheiro que vamos ganhar. Odiamos impostos.
 
Sambapunk – Por que este lema, “Fuck the pro-tools”?
Igor Ribeiro – O rock de verdade está morrendo, cara. Quando uma banda de “rock” grava na mesma qualidade de Maria Rita ou Charlie Brown Jr e é produzida pelo Rick Bonadio, o rock não tem mais sentido. Pro-tools sucks!
Maurício Mota – É uma piada com estes programas de gravação que tiraram a graça de gravar roquenrol. Se adotássemos neste caso o meio contemporâneo de gravação, não teríamos escutado nem um quinto dos sons e experiências fantásticas que rolaram durante o processo de gravação na casa do Joe. Microfone dentro de balde, cachorro latindo, cerveja e cigarro para todos os lados, voz no banheiro. Não havia regras. Escutávamos um disco e tentávamos reproduzir, na unha, aquele som. E outra, o compacto foi todo feito dentro de uma fita k7. Nada mais justo do que dar este título ao compacto.

Sambapunk – Como será a estratégia de trabalho de vocês?
Igor Ribeiro – Enviar para selos, bandas e amigos.
Maurício Mota – Estamos ainda pensando…

Tosco: amor pelos animais
Sambapunk – Qual foi o investimento necessário para este primeiro lançamento acontecer?
Igor Ribeiro – Algum dinheiro e paciência, muita paciência.
 
Sambapunk – Quais são as funções de cada um de vocês, na Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Faço algumas traduções, ilustrações e discordo de tudo que Elmiro e Maurício planejam.
Maurício Mota – Eu sou o mais velho. O Igor é o mais disperso. O Elmiro é o mais louco. Dentro disso, vamos revezando entre ter idéias, desenhá-las, desenvolvê-las e lançá-las.

Sambapunk – Paixão é fundamental para conseguir dar vida a um projeto como este?
Igor Ribeiro – Sim, sim.
Maurício Mota – Sim. E um pouco de irresponsabilidade também, pois mexemos com um tipo de comércio em que poucos ainda entendem o nosso approach.

Sambapunk – Vocês não vão montar nem mesmo um blog da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Eu não daria conta. Já tocamos o “Rock de plástico”. Aliás, essa semana tem uma bela matéria sobre os paulistanos do Sell Outs que são mais conhecidos na gringa que em seu país natal.
Maurício Mota – Pra quê? Temos um blog, já… Eu não daria conta de ter outro. Mal dou conta do meu e-mail, que me tira horas preciosas de sol pela manhã. Usamos ferramentas da internet muito mais confiáveis que qualquer site de gravadora/selo por aí. Estamos no Ebay e no Mercado Livre. Sai mais barato, tem garantia infinita e ainda polui menos as vias arteriais da web.
 
Sambapunk – O adesivo-catálogo de vocês anuncia uma coletânea em fita cassete… Falem mais sobre isso.
Igor Ribeiro – Sim, essa coletânea é o próximo lançamento da Tosco Brasil, vai se chamar “Rock Brasil”. Hahaha… E vai sair em K7.
Maurício Mota – Essa idéia é velha amiga nossa: lançar uma coletânea com bandas que achamos legais e que ninguém lançaria. Em k7, com pôster e texto e tal. Nos amarramos em contar histórias e passar pra frente.

Sambapunk – Que bandas/artistas vão participar desta coletânea?
Igor Ribeiro – Nossa, não terá um critério sobre os ritmos. E eu quero muito convidar bandas tipo Ambervisions e Merda, das quais sou fã.
Maurício Mota – Estamos resolvendo isso… Primeiramente, cada sócio vai atrás de quatro bandas. Cada um faz sua curadoria. Tem uma banda que eu quero colocar e já acabou, mas não to nem aí. É a banda COISA, aqui de Goiânia, que é, pra mim, a banda mais espetacular, roquenrol e audaciosa que esta cidade já teve. Uma história ainda não contada que surpreenderá muita gente.

Sambapunk – Já há um próximo lançamento de vinil programado?
Igor Ribeiro – Bang Bang Babies!!
Maurício Mota – Tem uma banda aqui em Goiânia querendo gravar também dentro do esquema 4track… caseiro: Bang Bang Babies; mas não sabemos ainda o que vai virar. Mas ao que tudo indica será um sete polegadas, que é o objetivo deles. Mas nada certo, ainda.

Sambapunk – A meta de vocês é vender esta tiragem de discos em quanto tempo?
Igor Ribeiro – Eu penso apenas em vender uma parte. Eu troco o restante por outros discos, o lance é não deixar o vinil acabar!!
Maurício Mota – Não temos assim este compromisso com o tempo. Este disco da Banda de Blues de Jos Strume talvez só seja compreendido daqui a uns 12 anos, então, não há pressa. Não é o som que está na moda, saca? Daqui a uns seis anos, ainda será ousado, autoral, incompreendido, inspirador e novo.


Mercado/Negócios, Música, Pingue-pongue


2 respostas

  1. João Augusto
    12/05/2009 às 1:47

    Adilson, como vai? Não tem nenhum “abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe”. A POLYSOM foi adquirida e já está em obras para produzir discos de qualidade, comparáveis a qualquer um feito em fábricas gringas, ainda no segundo semestre de 2009.
    Abração.

  2. Natália Beatriz
    12/05/2009 às 1:47

    eu tava no lançamento dessa porra! massa!
    será que agora, que já acabou o “segundo semestre de 2009″ a polysom já reabriu?
    acho que ninguém sabe..


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12/05/2009 às 1:47

Toscos, mas limpinhos

Adilson Pereira

Tosco: estilo

Três caras que gostam de vinis se juntaram para montar um selo e estão colocando na praça, agora, seu primeiro lançamento: “Fuck the pro-tools”, um sete polegadas da Banda de Blues de Joe Strume. Foram prensadas na Inglaterra 200 unidades que, aos poucos, estão vindo do outro lado do Atlântico pelo correio. Os rapazes descartaram a possibilidade de usar um navio como meio de transporte porque seis meses de viagem (a previsão era essa) poderiam comprometer a “saúde” do produto.

A bolachinha é a número um do catálogo da Tosco Brasil, selo através do qual pretendem disponibilizar também cassetes e outros lances. Na capinha, um adesivo – tipo etiqueta de preço, com contorno vermelho – informa: “Puro”. “Cachaça pura, rapadura pura e rock puro, sem conservantes”, brinca Igor Ribeiro, um cidadão do Rio de Janeiro que hoje em dia agita as noites em Belém do Pará. O goiano Maurício Mota completa: “O Joe, na ultima vez em que fui a Uberlândia, me apresentou uma ótima rapadura vinda de uma cidadezinha próxima. Nela, tinha uma etiqueta igual. Achei genial e copiei a idéia. Afinal, nosso produto também é puro: pode ser consumido, sem medo.”

Joe Strume, de Uberlândia, capitão do primeiro lançamento, completa o time. Na hora de fazer as contas, é com ele. “O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco”, compara Strume, referindo-se à última fábrica de vinis do país, localizada na Baixada Fluminense. Talvez por isso ele não esquente a cabeça com o abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe envolvendo a fábrica no Rio.

Os três foram se encontrando aos poucos, em festivais, trocando cartas e e-mails. Igor Ribeiro destaca: “Quando conheci o Joe, ele estava vendendo vinis da sua coleção pessoal para juntar grana e lançar o compacto. Daí, ficamos um bom tempo sem conversar e quando retomamos a correspondência ele disse que já tinha entrado em contato com o Maurício e tal.” Maurício completa, meio distraído: “Coincidências da vida. A banda é que escolheu a gente. Eu acho. Foi?” Confira o pingue-pongue:

Tosco: o primeiro sete polegadas

Sambapunk – Como surgiu a idéia de criar um selo para lançar vinis?
Igor Ribeiro – Não era um selo para vinis. Na verdade, a idéia sempre foi ser uma parada de vender e fazer o que desse vontade… Vinis, K7s, camisetas, pedais de guitarra feitos em latas de sardinha…
Maurício Mota – Não era para lançar vinis. Não era esse o foco. Só pra você ver como são as coisas: nosso primeiro catálogo tinha uns CDRs, uma coletânea K7 pirata dos reggaes do The Clash que montei – e não vendeu sequer uma cópia – e até um relógio para deficientes visuais usado.  Ou seja, nosso catálogo tem “coisas”. Às vezes, é música.
 
Sambapunk – A Monstro Discos serviu de inspiração para vocês? Imagino que conheçam vários outros selos, pelo mundo, que lançam coisas neste formato.
Igor Ribeiro – Não para mim. Curto os compactos lançados por eles, mas, sei lá, acho que perderam tempo lançando CDs de bandas chatas pra cacete tipo esse Violins e perderam o foco de ter “os compactos mais chiques do Brasil”… puta banda chata, essa Violins. Os selos que eu gosto são In The Red Records, Estrus, Touch and Go, Get Hip, Bomp!, Crypt, Ipecac, Alternative Tentacles, SST e mais uma pá. E tenho que concordar que vez ou outra esses também lançam artistas descartáveis.
 
Sambapunk – Em que selo(s) ou artista(s) vocês se inspiraram?
Igor Ribeiro – Sub Pop e Trama… HAHAHAHAHAHAHAHA…
Maurício Mota – Não sei, sinceramente. Em nenhum, acho, pois o lance da Tosco Brasil é bem particular. Volátil, até.
 
Sambapunk – A Tosco concorre com a Monstro Discos ou serão empresas parceiras?
Igor Ribeiro – Não somos concorrentes, não. Se juntar nossas contas bancárias, não dá o salário do Fabrício (Nobre, um dos donos da Monstro); é desleal.
Maurício Mota – Sei lá. Meio sem sentido, isso. Pense bem: que empresa iria querer a gente como parceiros?? Três vagabundos sonhadores. Esqueça.
 

Tosca: Banda De Blues De Joe Strume
Sambapunk – Qual é o objetivo principal por trás da criação da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Diversão e amor por vinis e fitas k7. CD não rola, cara; de verdade.
Maurício Mota – Sou de uma época de trocas de zines, demos, cartas via carteiro. Então, tento hoje manter isso sempre próximo. A Tosco Brasil é basicamente isso. Relacionamento via carteiro. A gente desenvolve um trabalho desorganizado e lento em função das coisas que achamos bacanas e depois suamos um pouco pra levar estas coisas a um público mais abrangente e que também gosta deste universo.
 
Sambapunk – De onde são os clientes/compradores de vocês?
Igor Ribeiro – Boa pergunta, essa. Mandei pra uns amigos que realmente entendem o espírito “rock cru”, sabe ? Brasil e gringolândia. Ah, eu queria mandar um pra dona da Daslu!!
Maurício Mota – Ainda não sabemos. Toda sorte de gente. O mundo inteiro. Como utilizamos o Ebay e o Mercado Livre pra divulgar e vender os lances da Tosco Brasil, estamos abertos a todo tipo de cliente. Qualquer pessoa, pois não temos a barreira da língua. Confiamos cegamente no Google Translate pra nos comunicarmos com o planeta inteiro, via email e carta.
 
Sambapunk – Fazer um disquinho na Inglaterra não fica muito caro?
Igor Ribeiro – Agora eu não lembro dos valores, mas sei que ficou viável.
Maurício Mota – Até que não.  O Joe Strume pode colocar isto para você na ponta do lápis. Eu nem lembro quanto ficou tudo.
Joe Strume – Sugiro que pensemos na relação custo-benefício. O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco. Acho que a questão essencial é a qualidade do “corte” feito na Inglaterra, uma vez que lá nunca se parou de fazer vinil e, portanto, os maquinários estão OK. Sabemos que o “corte” da PolySom apresentava problemas, como o desaparecimento de freqüências graves, devido às deficiências do aparato que tinham para prensar os vinis. Assim, quando a PolySom devolveu nosso material e disse que não poderia fazer nosso disco, vi como uma espécie de “há males que vêm para bem”. Porque foi depois deste “não” que procuramos a prensa inglesa.

Tosco: catálogo

Sambapunk – Tive informações de que a prensagem pode ser até “barata”, mas o problema é transporte/remessa do material… É isso mesmo?
Igor Ribeiro – Postagem é um problemão. Tem prensas lá fora que não fazem o serviço porque a postagem para o Brasil é cara.
Maurício Mota – O Joe negociou tudo.
Joe Strume – Isso que você diz procede. A questão do transporte é complicada e, em nosso caso, foi e está sendo ainda mais complicado. Não recebemos todos os discos, uma vez que não temos como buscar pessoalmente e, assim, dependemos do transporte via correio. O envio por navio (surface) é mais em conta, mas demora muito (até seis meses) e ainda corre-se o risco de o material chegar danificado, devido ao longo tempo de viagem.

Sambapunk – Vocês pensaram muito antes de começarem com a Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Na verdade, fui convidado a entrar na Tosco Brasil pelo Maurício. Não pensei muito, não.
Maurício Mota – É claro que não.
Joe Strume – Bem… Na verdade, acho que foi a Banda de Blues de Joe Strume que escolheu a Tosco Brasil para fazer este lançamento.
E esta escolha se deu muito antes de gravarmos com a produção do Maurício. Acho que tudo começou no fim de 2005, quando o Maurício veio tocar em Uberlândia com sua antiga banda (Hang The Superstars). Nesta ocasião, eu e o Rogério Matador, o baterista da Banda de Blues de Joe Strume, fomos até a banquinha onde o Mauricio estava e falamos sobre sons toscos… Eu estava usando uma camiseta verde do Cramps e acho que isso foi importante como “cartão de visitas” Heheheh… Daí, em janeiro de 2007, telefonei pro Mauricio e pedi que produzisse a banda. Quando ele aceitou nosso convite, creio que a Tosco Brasil passou a fazer parte da coisa.
 
Sambapunk – O que pesava mais contra a decisão, isto é, qual é a maior dificuldade para manter um empreendimento como este?
Igor Ribeiro – Empreendimento ? Uau, obrigado. Vou acender um cubano aqui com uma nota de 50.
Maurício Mota – Não tem muita dificuldade. Como não há prazos a cumprir, a gente vai levando sem estresse, para os cabelos não caírem.

Sambapunk – E o que mais pesou/pesa a favor?
Igor Ribeiro – O que mais pesa a favor é diversão, conhecer gente nova e ganhar discos.
Maurício Mota – Ver um plano que antes parecia uma piada dar certo. Não tem preço. Igual a este compacto que estamos lançando agora. A coisa mais espetacular feita no rock, hoje, no Brasil. Não existe similar. A preocupação agora é onde esconder da receita o tanto de dinheiro que vamos ganhar. Odiamos impostos.
 
Sambapunk – Por que este lema, “Fuck the pro-tools”?
Igor Ribeiro – O rock de verdade está morrendo, cara. Quando uma banda de “rock” grava na mesma qualidade de Maria Rita ou Charlie Brown Jr e é produzida pelo Rick Bonadio, o rock não tem mais sentido. Pro-tools sucks!
Maurício Mota – É uma piada com estes programas de gravação que tiraram a graça de gravar roquenrol. Se adotássemos neste caso o meio contemporâneo de gravação, não teríamos escutado nem um quinto dos sons e experiências fantásticas que rolaram durante o processo de gravação na casa do Joe. Microfone dentro de balde, cachorro latindo, cerveja e cigarro para todos os lados, voz no banheiro. Não havia regras. Escutávamos um disco e tentávamos reproduzir, na unha, aquele som. E outra, o compacto foi todo feito dentro de uma fita k7. Nada mais justo do que dar este título ao compacto.

Sambapunk – Como será a estratégia de trabalho de vocês?
Igor Ribeiro – Enviar para selos, bandas e amigos.
Maurício Mota – Estamos ainda pensando…

Tosco: amor pelos animais
Sambapunk – Qual foi o investimento necessário para este primeiro lançamento acontecer?
Igor Ribeiro – Algum dinheiro e paciência, muita paciência.
 
Sambapunk – Quais são as funções de cada um de vocês, na Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Faço algumas traduções, ilustrações e discordo de tudo que Elmiro e Maurício planejam.
Maurício Mota – Eu sou o mais velho. O Igor é o mais disperso. O Elmiro é o mais louco. Dentro disso, vamos revezando entre ter idéias, desenhá-las, desenvolvê-las e lançá-las.

Sambapunk – Paixão é fundamental para conseguir dar vida a um projeto como este?
Igor Ribeiro – Sim, sim.
Maurício Mota – Sim. E um pouco de irresponsabilidade também, pois mexemos com um tipo de comércio em que poucos ainda entendem o nosso approach.

Sambapunk – Vocês não vão montar nem mesmo um blog da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Eu não daria conta. Já tocamos o “Rock de plástico”. Aliás, essa semana tem uma bela matéria sobre os paulistanos do Sell Outs que são mais conhecidos na gringa que em seu país natal.
Maurício Mota – Pra quê? Temos um blog, já… Eu não daria conta de ter outro. Mal dou conta do meu e-mail, que me tira horas preciosas de sol pela manhã. Usamos ferramentas da internet muito mais confiáveis que qualquer site de gravadora/selo por aí. Estamos no Ebay e no Mercado Livre. Sai mais barato, tem garantia infinita e ainda polui menos as vias arteriais da web.
 
Sambapunk – O adesivo-catálogo de vocês anuncia uma coletânea em fita cassete… Falem mais sobre isso.
Igor Ribeiro – Sim, essa coletânea é o próximo lançamento da Tosco Brasil, vai se chamar “Rock Brasil”. Hahaha… E vai sair em K7.
Maurício Mota – Essa idéia é velha amiga nossa: lançar uma coletânea com bandas que achamos legais e que ninguém lançaria. Em k7, com pôster e texto e tal. Nos amarramos em contar histórias e passar pra frente.

Sambapunk – Que bandas/artistas vão participar desta coletânea?
Igor Ribeiro – Nossa, não terá um critério sobre os ritmos. E eu quero muito convidar bandas tipo Ambervisions e Merda, das quais sou fã.
Maurício Mota – Estamos resolvendo isso… Primeiramente, cada sócio vai atrás de quatro bandas. Cada um faz sua curadoria. Tem uma banda que eu quero colocar e já acabou, mas não to nem aí. É a banda COISA, aqui de Goiânia, que é, pra mim, a banda mais espetacular, roquenrol e audaciosa que esta cidade já teve. Uma história ainda não contada que surpreenderá muita gente.

Sambapunk – Já há um próximo lançamento de vinil programado?
Igor Ribeiro – Bang Bang Babies!!
Maurício Mota – Tem uma banda aqui em Goiânia querendo gravar também dentro do esquema 4track… caseiro: Bang Bang Babies; mas não sabemos ainda o que vai virar. Mas ao que tudo indica será um sete polegadas, que é o objetivo deles. Mas nada certo, ainda.

Sambapunk – A meta de vocês é vender esta tiragem de discos em quanto tempo?
Igor Ribeiro – Eu penso apenas em vender uma parte. Eu troco o restante por outros discos, o lance é não deixar o vinil acabar!!
Maurício Mota – Não temos assim este compromisso com o tempo. Este disco da Banda de Blues de Jos Strume talvez só seja compreendido daqui a uns 12 anos, então, não há pressa. Não é o som que está na moda, saca? Daqui a uns seis anos, ainda será ousado, autoral, incompreendido, inspirador e novo.


Mercado/Negócios, Música, Pingue-pongue


2 respostas

  1. João Augusto
    12/05/2009 às 1:47

    Adilson, como vai? Não tem nenhum “abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe”. A POLYSOM foi adquirida e já está em obras para produzir discos de qualidade, comparáveis a qualquer um feito em fábricas gringas, ainda no segundo semestre de 2009.
    Abração.

  2. Natália Beatriz
    12/05/2009 às 1:47

    eu tava no lançamento dessa porra! massa!
    será que agora, que já acabou o “segundo semestre de 2009″ a polysom já reabriu?
    acho que ninguém sabe..


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12/05/2009 às 1:47

Toscos, mas limpinhos

Adilson Pereira

Tosco: estilo

Três caras que gostam de vinis se juntaram para montar um selo e estão colocando na praça, agora, seu primeiro lançamento: “Fuck the pro-tools”, um sete polegadas da Banda de Blues de Joe Strume. Foram prensadas na Inglaterra 200 unidades que, aos poucos, estão vindo do outro lado do Atlântico pelo correio. Os rapazes descartaram a possibilidade de usar um navio como meio de transporte porque seis meses de viagem (a previsão era essa) poderiam comprometer a “saúde” do produto.

A bolachinha é a número um do catálogo da Tosco Brasil, selo através do qual pretendem disponibilizar também cassetes e outros lances. Na capinha, um adesivo – tipo etiqueta de preço, com contorno vermelho – informa: “Puro”. “Cachaça pura, rapadura pura e rock puro, sem conservantes”, brinca Igor Ribeiro, um cidadão do Rio de Janeiro que hoje em dia agita as noites em Belém do Pará. O goiano Maurício Mota completa: “O Joe, na ultima vez em que fui a Uberlândia, me apresentou uma ótima rapadura vinda de uma cidadezinha próxima. Nela, tinha uma etiqueta igual. Achei genial e copiei a idéia. Afinal, nosso produto também é puro: pode ser consumido, sem medo.”

Joe Strume, de Uberlândia, capitão do primeiro lançamento, completa o time. Na hora de fazer as contas, é com ele. “O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco”, compara Strume, referindo-se à última fábrica de vinis do país, localizada na Baixada Fluminense. Talvez por isso ele não esquente a cabeça com o abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe envolvendo a fábrica no Rio.

Os três foram se encontrando aos poucos, em festivais, trocando cartas e e-mails. Igor Ribeiro destaca: “Quando conheci o Joe, ele estava vendendo vinis da sua coleção pessoal para juntar grana e lançar o compacto. Daí, ficamos um bom tempo sem conversar e quando retomamos a correspondência ele disse que já tinha entrado em contato com o Maurício e tal.” Maurício completa, meio distraído: “Coincidências da vida. A banda é que escolheu a gente. Eu acho. Foi?” Confira o pingue-pongue:

Tosco: o primeiro sete polegadas

Sambapunk – Como surgiu a idéia de criar um selo para lançar vinis?
Igor Ribeiro – Não era um selo para vinis. Na verdade, a idéia sempre foi ser uma parada de vender e fazer o que desse vontade… Vinis, K7s, camisetas, pedais de guitarra feitos em latas de sardinha…
Maurício Mota – Não era para lançar vinis. Não era esse o foco. Só pra você ver como são as coisas: nosso primeiro catálogo tinha uns CDRs, uma coletânea K7 pirata dos reggaes do The Clash que montei – e não vendeu sequer uma cópia – e até um relógio para deficientes visuais usado.  Ou seja, nosso catálogo tem “coisas”. Às vezes, é música.
 
Sambapunk – A Monstro Discos serviu de inspiração para vocês? Imagino que conheçam vários outros selos, pelo mundo, que lançam coisas neste formato.
Igor Ribeiro – Não para mim. Curto os compactos lançados por eles, mas, sei lá, acho que perderam tempo lançando CDs de bandas chatas pra cacete tipo esse Violins e perderam o foco de ter “os compactos mais chiques do Brasil”… puta banda chata, essa Violins. Os selos que eu gosto são In The Red Records, Estrus, Touch and Go, Get Hip, Bomp!, Crypt, Ipecac, Alternative Tentacles, SST e mais uma pá. E tenho que concordar que vez ou outra esses também lançam artistas descartáveis.
 
Sambapunk – Em que selo(s) ou artista(s) vocês se inspiraram?
Igor Ribeiro – Sub Pop e Trama… HAHAHAHAHAHAHAHA…
Maurício Mota – Não sei, sinceramente. Em nenhum, acho, pois o lance da Tosco Brasil é bem particular. Volátil, até.
 
Sambapunk – A Tosco concorre com a Monstro Discos ou serão empresas parceiras?
Igor Ribeiro – Não somos concorrentes, não. Se juntar nossas contas bancárias, não dá o salário do Fabrício (Nobre, um dos donos da Monstro); é desleal.
Maurício Mota – Sei lá. Meio sem sentido, isso. Pense bem: que empresa iria querer a gente como parceiros?? Três vagabundos sonhadores. Esqueça.
 

Tosca: Banda De Blues De Joe Strume
Sambapunk – Qual é o objetivo principal por trás da criação da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Diversão e amor por vinis e fitas k7. CD não rola, cara; de verdade.
Maurício Mota – Sou de uma época de trocas de zines, demos, cartas via carteiro. Então, tento hoje manter isso sempre próximo. A Tosco Brasil é basicamente isso. Relacionamento via carteiro. A gente desenvolve um trabalho desorganizado e lento em função das coisas que achamos bacanas e depois suamos um pouco pra levar estas coisas a um público mais abrangente e que também gosta deste universo.
 
Sambapunk – De onde são os clientes/compradores de vocês?
Igor Ribeiro – Boa pergunta, essa. Mandei pra uns amigos que realmente entendem o espírito “rock cru”, sabe ? Brasil e gringolândia. Ah, eu queria mandar um pra dona da Daslu!!
Maurício Mota – Ainda não sabemos. Toda sorte de gente. O mundo inteiro. Como utilizamos o Ebay e o Mercado Livre pra divulgar e vender os lances da Tosco Brasil, estamos abertos a todo tipo de cliente. Qualquer pessoa, pois não temos a barreira da língua. Confiamos cegamente no Google Translate pra nos comunicarmos com o planeta inteiro, via email e carta.
 
Sambapunk – Fazer um disquinho na Inglaterra não fica muito caro?
Igor Ribeiro – Agora eu não lembro dos valores, mas sei que ficou viável.
Maurício Mota – Até que não.  O Joe Strume pode colocar isto para você na ponta do lápis. Eu nem lembro quanto ficou tudo.
Joe Strume – Sugiro que pensemos na relação custo-benefício. O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco. Acho que a questão essencial é a qualidade do “corte” feito na Inglaterra, uma vez que lá nunca se parou de fazer vinil e, portanto, os maquinários estão OK. Sabemos que o “corte” da PolySom apresentava problemas, como o desaparecimento de freqüências graves, devido às deficiências do aparato que tinham para prensar os vinis. Assim, quando a PolySom devolveu nosso material e disse que não poderia fazer nosso disco, vi como uma espécie de “há males que vêm para bem”. Porque foi depois deste “não” que procuramos a prensa inglesa.

Tosco: catálogo

Sambapunk – Tive informações de que a prensagem pode ser até “barata”, mas o problema é transporte/remessa do material… É isso mesmo?
Igor Ribeiro – Postagem é um problemão. Tem prensas lá fora que não fazem o serviço porque a postagem para o Brasil é cara.
Maurício Mota – O Joe negociou tudo.
Joe Strume – Isso que você diz procede. A questão do transporte é complicada e, em nosso caso, foi e está sendo ainda mais complicado. Não recebemos todos os discos, uma vez que não temos como buscar pessoalmente e, assim, dependemos do transporte via correio. O envio por navio (surface) é mais em conta, mas demora muito (até seis meses) e ainda corre-se o risco de o material chegar danificado, devido ao longo tempo de viagem.

Sambapunk – Vocês pensaram muito antes de começarem com a Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Na verdade, fui convidado a entrar na Tosco Brasil pelo Maurício. Não pensei muito, não.
Maurício Mota – É claro que não.
Joe Strume – Bem… Na verdade, acho que foi a Banda de Blues de Joe Strume que escolheu a Tosco Brasil para fazer este lançamento.
E esta escolha se deu muito antes de gravarmos com a produção do Maurício. Acho que tudo começou no fim de 2005, quando o Maurício veio tocar em Uberlândia com sua antiga banda (Hang The Superstars). Nesta ocasião, eu e o Rogério Matador, o baterista da Banda de Blues de Joe Strume, fomos até a banquinha onde o Mauricio estava e falamos sobre sons toscos… Eu estava usando uma camiseta verde do Cramps e acho que isso foi importante como “cartão de visitas” Heheheh… Daí, em janeiro de 2007, telefonei pro Mauricio e pedi que produzisse a banda. Quando ele aceitou nosso convite, creio que a Tosco Brasil passou a fazer parte da coisa.
 
Sambapunk – O que pesava mais contra a decisão, isto é, qual é a maior dificuldade para manter um empreendimento como este?
Igor Ribeiro – Empreendimento ? Uau, obrigado. Vou acender um cubano aqui com uma nota de 50.
Maurício Mota – Não tem muita dificuldade. Como não há prazos a cumprir, a gente vai levando sem estresse, para os cabelos não caírem.

Sambapunk – E o que mais pesou/pesa a favor?
Igor Ribeiro – O que mais pesa a favor é diversão, conhecer gente nova e ganhar discos.
Maurício Mota – Ver um plano que antes parecia uma piada dar certo. Não tem preço. Igual a este compacto que estamos lançando agora. A coisa mais espetacular feita no rock, hoje, no Brasil. Não existe similar. A preocupação agora é onde esconder da receita o tanto de dinheiro que vamos ganhar. Odiamos impostos.
 
Sambapunk – Por que este lema, “Fuck the pro-tools”?
Igor Ribeiro – O rock de verdade está morrendo, cara. Quando uma banda de “rock” grava na mesma qualidade de Maria Rita ou Charlie Brown Jr e é produzida pelo Rick Bonadio, o rock não tem mais sentido. Pro-tools sucks!
Maurício Mota – É uma piada com estes programas de gravação que tiraram a graça de gravar roquenrol. Se adotássemos neste caso o meio contemporâneo de gravação, não teríamos escutado nem um quinto dos sons e experiências fantásticas que rolaram durante o processo de gravação na casa do Joe. Microfone dentro de balde, cachorro latindo, cerveja e cigarro para todos os lados, voz no banheiro. Não havia regras. Escutávamos um disco e tentávamos reproduzir, na unha, aquele som. E outra, o compacto foi todo feito dentro de uma fita k7. Nada mais justo do que dar este título ao compacto.

Sambapunk – Como será a estratégia de trabalho de vocês?
Igor Ribeiro – Enviar para selos, bandas e amigos.
Maurício Mota – Estamos ainda pensando…

Tosco: amor pelos animais
Sambapunk – Qual foi o investimento necessário para este primeiro lançamento acontecer?
Igor Ribeiro – Algum dinheiro e paciência, muita paciência.
 
Sambapunk – Quais são as funções de cada um de vocês, na Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Faço algumas traduções, ilustrações e discordo de tudo que Elmiro e Maurício planejam.
Maurício Mota – Eu sou o mais velho. O Igor é o mais disperso. O Elmiro é o mais louco. Dentro disso, vamos revezando entre ter idéias, desenhá-las, desenvolvê-las e lançá-las.

Sambapunk – Paixão é fundamental para conseguir dar vida a um projeto como este?
Igor Ribeiro – Sim, sim.
Maurício Mota – Sim. E um pouco de irresponsabilidade também, pois mexemos com um tipo de comércio em que poucos ainda entendem o nosso approach.

Sambapunk – Vocês não vão montar nem mesmo um blog da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Eu não daria conta. Já tocamos o “Rock de plástico”. Aliás, essa semana tem uma bela matéria sobre os paulistanos do Sell Outs que são mais conhecidos na gringa que em seu país natal.
Maurício Mota – Pra quê? Temos um blog, já… Eu não daria conta de ter outro. Mal dou conta do meu e-mail, que me tira horas preciosas de sol pela manhã. Usamos ferramentas da internet muito mais confiáveis que qualquer site de gravadora/selo por aí. Estamos no Ebay e no Mercado Livre. Sai mais barato, tem garantia infinita e ainda polui menos as vias arteriais da web.
 
Sambapunk – O adesivo-catálogo de vocês anuncia uma coletânea em fita cassete… Falem mais sobre isso.
Igor Ribeiro – Sim, essa coletânea é o próximo lançamento da Tosco Brasil, vai se chamar “Rock Brasil”. Hahaha… E vai sair em K7.
Maurício Mota – Essa idéia é velha amiga nossa: lançar uma coletânea com bandas que achamos legais e que ninguém lançaria. Em k7, com pôster e texto e tal. Nos amarramos em contar histórias e passar pra frente.

Sambapunk – Que bandas/artistas vão participar desta coletânea?
Igor Ribeiro – Nossa, não terá um critério sobre os ritmos. E eu quero muito convidar bandas tipo Ambervisions e Merda, das quais sou fã.
Maurício Mota – Estamos resolvendo isso… Primeiramente, cada sócio vai atrás de quatro bandas. Cada um faz sua curadoria. Tem uma banda que eu quero colocar e já acabou, mas não to nem aí. É a banda COISA, aqui de Goiânia, que é, pra mim, a banda mais espetacular, roquenrol e audaciosa que esta cidade já teve. Uma história ainda não contada que surpreenderá muita gente.

Sambapunk – Já há um próximo lançamento de vinil programado?
Igor Ribeiro – Bang Bang Babies!!
Maurício Mota – Tem uma banda aqui em Goiânia querendo gravar também dentro do esquema 4track… caseiro: Bang Bang Babies; mas não sabemos ainda o que vai virar. Mas ao que tudo indica será um sete polegadas, que é o objetivo deles. Mas nada certo, ainda.

Sambapunk – A meta de vocês é vender esta tiragem de discos em quanto tempo?
Igor Ribeiro – Eu penso apenas em vender uma parte. Eu troco o restante por outros discos, o lance é não deixar o vinil acabar!!
Maurício Mota – Não temos assim este compromisso com o tempo. Este disco da Banda de Blues de Jos Strume talvez só seja compreendido daqui a uns 12 anos, então, não há pressa. Não é o som que está na moda, saca? Daqui a uns seis anos, ainda será ousado, autoral, incompreendido, inspirador e novo.


Mercado/Negócios, Música, Pingue-pongue


2 respostas

  1. João Augusto
    12/05/2009 às 1:47

    Adilson, como vai? Não tem nenhum “abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe”. A POLYSOM foi adquirida e já está em obras para produzir discos de qualidade, comparáveis a qualquer um feito em fábricas gringas, ainda no segundo semestre de 2009.
    Abração.

  2. Natália Beatriz
    12/05/2009 às 1:47

    eu tava no lançamento dessa porra! massa!
    será que agora, que já acabou o “segundo semestre de 2009″ a polysom já reabriu?
    acho que ninguém sabe..


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12/05/2009 às 1:47

Toscos, mas limpinhos

Adilson Pereira

Tosco: estilo

Três caras que gostam de vinis se juntaram para montar um selo e estão colocando na praça, agora, seu primeiro lançamento: “Fuck the pro-tools”, um sete polegadas da Banda de Blues de Joe Strume. Foram prensadas na Inglaterra 200 unidades que, aos poucos, estão vindo do outro lado do Atlântico pelo correio. Os rapazes descartaram a possibilidade de usar um navio como meio de transporte porque seis meses de viagem (a previsão era essa) poderiam comprometer a “saúde” do produto.

A bolachinha é a número um do catálogo da Tosco Brasil, selo através do qual pretendem disponibilizar também cassetes e outros lances. Na capinha, um adesivo – tipo etiqueta de preço, com contorno vermelho – informa: “Puro”. “Cachaça pura, rapadura pura e rock puro, sem conservantes”, brinca Igor Ribeiro, um cidadão do Rio de Janeiro que hoje em dia agita as noites em Belém do Pará. O goiano Maurício Mota completa: “O Joe, na ultima vez em que fui a Uberlândia, me apresentou uma ótima rapadura vinda de uma cidadezinha próxima. Nela, tinha uma etiqueta igual. Achei genial e copiei a idéia. Afinal, nosso produto também é puro: pode ser consumido, sem medo.”

Joe Strume, de Uberlândia, capitão do primeiro lançamento, completa o time. Na hora de fazer as contas, é com ele. “O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco”, compara Strume, referindo-se à última fábrica de vinis do país, localizada na Baixada Fluminense. Talvez por isso ele não esquente a cabeça com o abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe envolvendo a fábrica no Rio.

Os três foram se encontrando aos poucos, em festivais, trocando cartas e e-mails. Igor Ribeiro destaca: “Quando conheci o Joe, ele estava vendendo vinis da sua coleção pessoal para juntar grana e lançar o compacto. Daí, ficamos um bom tempo sem conversar e quando retomamos a correspondência ele disse que já tinha entrado em contato com o Maurício e tal.” Maurício completa, meio distraído: “Coincidências da vida. A banda é que escolheu a gente. Eu acho. Foi?” Confira o pingue-pongue:

Tosco: o primeiro sete polegadas

Sambapunk – Como surgiu a idéia de criar um selo para lançar vinis?
Igor Ribeiro – Não era um selo para vinis. Na verdade, a idéia sempre foi ser uma parada de vender e fazer o que desse vontade… Vinis, K7s, camisetas, pedais de guitarra feitos em latas de sardinha…
Maurício Mota – Não era para lançar vinis. Não era esse o foco. Só pra você ver como são as coisas: nosso primeiro catálogo tinha uns CDRs, uma coletânea K7 pirata dos reggaes do The Clash que montei – e não vendeu sequer uma cópia – e até um relógio para deficientes visuais usado.  Ou seja, nosso catálogo tem “coisas”. Às vezes, é música.
 
Sambapunk – A Monstro Discos serviu de inspiração para vocês? Imagino que conheçam vários outros selos, pelo mundo, que lançam coisas neste formato.
Igor Ribeiro – Não para mim. Curto os compactos lançados por eles, mas, sei lá, acho que perderam tempo lançando CDs de bandas chatas pra cacete tipo esse Violins e perderam o foco de ter “os compactos mais chiques do Brasil”… puta banda chata, essa Violins. Os selos que eu gosto são In The Red Records, Estrus, Touch and Go, Get Hip, Bomp!, Crypt, Ipecac, Alternative Tentacles, SST e mais uma pá. E tenho que concordar que vez ou outra esses também lançam artistas descartáveis.
 
Sambapunk – Em que selo(s) ou artista(s) vocês se inspiraram?
Igor Ribeiro – Sub Pop e Trama… HAHAHAHAHAHAHAHA…
Maurício Mota – Não sei, sinceramente. Em nenhum, acho, pois o lance da Tosco Brasil é bem particular. Volátil, até.
 
Sambapunk – A Tosco concorre com a Monstro Discos ou serão empresas parceiras?
Igor Ribeiro – Não somos concorrentes, não. Se juntar nossas contas bancárias, não dá o salário do Fabrício (Nobre, um dos donos da Monstro); é desleal.
Maurício Mota – Sei lá. Meio sem sentido, isso. Pense bem: que empresa iria querer a gente como parceiros?? Três vagabundos sonhadores. Esqueça.
 

Tosca: Banda De Blues De Joe Strume
Sambapunk – Qual é o objetivo principal por trás da criação da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Diversão e amor por vinis e fitas k7. CD não rola, cara; de verdade.
Maurício Mota – Sou de uma época de trocas de zines, demos, cartas via carteiro. Então, tento hoje manter isso sempre próximo. A Tosco Brasil é basicamente isso. Relacionamento via carteiro. A gente desenvolve um trabalho desorganizado e lento em função das coisas que achamos bacanas e depois suamos um pouco pra levar estas coisas a um público mais abrangente e que também gosta deste universo.
 
Sambapunk – De onde são os clientes/compradores de vocês?
Igor Ribeiro – Boa pergunta, essa. Mandei pra uns amigos que realmente entendem o espírito “rock cru”, sabe ? Brasil e gringolândia. Ah, eu queria mandar um pra dona da Daslu!!
Maurício Mota – Ainda não sabemos. Toda sorte de gente. O mundo inteiro. Como utilizamos o Ebay e o Mercado Livre pra divulgar e vender os lances da Tosco Brasil, estamos abertos a todo tipo de cliente. Qualquer pessoa, pois não temos a barreira da língua. Confiamos cegamente no Google Translate pra nos comunicarmos com o planeta inteiro, via email e carta.
 
Sambapunk – Fazer um disquinho na Inglaterra não fica muito caro?
Igor Ribeiro – Agora eu não lembro dos valores, mas sei que ficou viável.
Maurício Mota – Até que não.  O Joe Strume pode colocar isto para você na ponta do lápis. Eu nem lembro quanto ficou tudo.
Joe Strume – Sugiro que pensemos na relação custo-benefício. O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco. Acho que a questão essencial é a qualidade do “corte” feito na Inglaterra, uma vez que lá nunca se parou de fazer vinil e, portanto, os maquinários estão OK. Sabemos que o “corte” da PolySom apresentava problemas, como o desaparecimento de freqüências graves, devido às deficiências do aparato que tinham para prensar os vinis. Assim, quando a PolySom devolveu nosso material e disse que não poderia fazer nosso disco, vi como uma espécie de “há males que vêm para bem”. Porque foi depois deste “não” que procuramos a prensa inglesa.

Tosco: catálogo

Sambapunk – Tive informações de que a prensagem pode ser até “barata”, mas o problema é transporte/remessa do material… É isso mesmo?
Igor Ribeiro – Postagem é um problemão. Tem prensas lá fora que não fazem o serviço porque a postagem para o Brasil é cara.
Maurício Mota – O Joe negociou tudo.
Joe Strume – Isso que você diz procede. A questão do transporte é complicada e, em nosso caso, foi e está sendo ainda mais complicado. Não recebemos todos os discos, uma vez que não temos como buscar pessoalmente e, assim, dependemos do transporte via correio. O envio por navio (surface) é mais em conta, mas demora muito (até seis meses) e ainda corre-se o risco de o material chegar danificado, devido ao longo tempo de viagem.

Sambapunk – Vocês pensaram muito antes de começarem com a Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Na verdade, fui convidado a entrar na Tosco Brasil pelo Maurício. Não pensei muito, não.
Maurício Mota – É claro que não.
Joe Strume – Bem… Na verdade, acho que foi a Banda de Blues de Joe Strume que escolheu a Tosco Brasil para fazer este lançamento.
E esta escolha se deu muito antes de gravarmos com a produção do Maurício. Acho que tudo começou no fim de 2005, quando o Maurício veio tocar em Uberlândia com sua antiga banda (Hang The Superstars). Nesta ocasião, eu e o Rogério Matador, o baterista da Banda de Blues de Joe Strume, fomos até a banquinha onde o Mauricio estava e falamos sobre sons toscos… Eu estava usando uma camiseta verde do Cramps e acho que isso foi importante como “cartão de visitas” Heheheh… Daí, em janeiro de 2007, telefonei pro Mauricio e pedi que produzisse a banda. Quando ele aceitou nosso convite, creio que a Tosco Brasil passou a fazer parte da coisa.
 
Sambapunk – O que pesava mais contra a decisão, isto é, qual é a maior dificuldade para manter um empreendimento como este?
Igor Ribeiro – Empreendimento ? Uau, obrigado. Vou acender um cubano aqui com uma nota de 50.
Maurício Mota – Não tem muita dificuldade. Como não há prazos a cumprir, a gente vai levando sem estresse, para os cabelos não caírem.

Sambapunk – E o que mais pesou/pesa a favor?
Igor Ribeiro – O que mais pesa a favor é diversão, conhecer gente nova e ganhar discos.
Maurício Mota – Ver um plano que antes parecia uma piada dar certo. Não tem preço. Igual a este compacto que estamos lançando agora. A coisa mais espetacular feita no rock, hoje, no Brasil. Não existe similar. A preocupação agora é onde esconder da receita o tanto de dinheiro que vamos ganhar. Odiamos impostos.
 
Sambapunk – Por que este lema, “Fuck the pro-tools”?
Igor Ribeiro – O rock de verdade está morrendo, cara. Quando uma banda de “rock” grava na mesma qualidade de Maria Rita ou Charlie Brown Jr e é produzida pelo Rick Bonadio, o rock não tem mais sentido. Pro-tools sucks!
Maurício Mota – É uma piada com estes programas de gravação que tiraram a graça de gravar roquenrol. Se adotássemos neste caso o meio contemporâneo de gravação, não teríamos escutado nem um quinto dos sons e experiências fantásticas que rolaram durante o processo de gravação na casa do Joe. Microfone dentro de balde, cachorro latindo, cerveja e cigarro para todos os lados, voz no banheiro. Não havia regras. Escutávamos um disco e tentávamos reproduzir, na unha, aquele som. E outra, o compacto foi todo feito dentro de uma fita k7. Nada mais justo do que dar este título ao compacto.

Sambapunk – Como será a estratégia de trabalho de vocês?
Igor Ribeiro – Enviar para selos, bandas e amigos.
Maurício Mota – Estamos ainda pensando…

Tosco: amor pelos animais
Sambapunk – Qual foi o investimento necessário para este primeiro lançamento acontecer?
Igor Ribeiro – Algum dinheiro e paciência, muita paciência.
 
Sambapunk – Quais são as funções de cada um de vocês, na Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Faço algumas traduções, ilustrações e discordo de tudo que Elmiro e Maurício planejam.
Maurício Mota – Eu sou o mais velho. O Igor é o mais disperso. O Elmiro é o mais louco. Dentro disso, vamos revezando entre ter idéias, desenhá-las, desenvolvê-las e lançá-las.

Sambapunk – Paixão é fundamental para conseguir dar vida a um projeto como este?
Igor Ribeiro – Sim, sim.
Maurício Mota – Sim. E um pouco de irresponsabilidade também, pois mexemos com um tipo de comércio em que poucos ainda entendem o nosso approach.

Sambapunk – Vocês não vão montar nem mesmo um blog da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Eu não daria conta. Já tocamos o “Rock de plástico”. Aliás, essa semana tem uma bela matéria sobre os paulistanos do Sell Outs que são mais conhecidos na gringa que em seu país natal.
Maurício Mota – Pra quê? Temos um blog, já… Eu não daria conta de ter outro. Mal dou conta do meu e-mail, que me tira horas preciosas de sol pela manhã. Usamos ferramentas da internet muito mais confiáveis que qualquer site de gravadora/selo por aí. Estamos no Ebay e no Mercado Livre. Sai mais barato, tem garantia infinita e ainda polui menos as vias arteriais da web.
 
Sambapunk – O adesivo-catálogo de vocês anuncia uma coletânea em fita cassete… Falem mais sobre isso.
Igor Ribeiro – Sim, essa coletânea é o próximo lançamento da Tosco Brasil, vai se chamar “Rock Brasil”. Hahaha… E vai sair em K7.
Maurício Mota – Essa idéia é velha amiga nossa: lançar uma coletânea com bandas que achamos legais e que ninguém lançaria. Em k7, com pôster e texto e tal. Nos amarramos em contar histórias e passar pra frente.

Sambapunk – Que bandas/artistas vão participar desta coletânea?
Igor Ribeiro – Nossa, não terá um critério sobre os ritmos. E eu quero muito convidar bandas tipo Ambervisions e Merda, das quais sou fã.
Maurício Mota – Estamos resolvendo isso… Primeiramente, cada sócio vai atrás de quatro bandas. Cada um faz sua curadoria. Tem uma banda que eu quero colocar e já acabou, mas não to nem aí. É a banda COISA, aqui de Goiânia, que é, pra mim, a banda mais espetacular, roquenrol e audaciosa que esta cidade já teve. Uma história ainda não contada que surpreenderá muita gente.

Sambapunk – Já há um próximo lançamento de vinil programado?
Igor Ribeiro – Bang Bang Babies!!
Maurício Mota – Tem uma banda aqui em Goiânia querendo gravar também dentro do esquema 4track… caseiro: Bang Bang Babies; mas não sabemos ainda o que vai virar. Mas ao que tudo indica será um sete polegadas, que é o objetivo deles. Mas nada certo, ainda.

Sambapunk – A meta de vocês é vender esta tiragem de discos em quanto tempo?
Igor Ribeiro – Eu penso apenas em vender uma parte. Eu troco o restante por outros discos, o lance é não deixar o vinil acabar!!
Maurício Mota – Não temos assim este compromisso com o tempo. Este disco da Banda de Blues de Jos Strume talvez só seja compreendido daqui a uns 12 anos, então, não há pressa. Não é o som que está na moda, saca? Daqui a uns seis anos, ainda será ousado, autoral, incompreendido, inspirador e novo.


Mercado/Negócios, Música, Pingue-pongue


2 respostas

  1. João Augusto
    12/05/2009 às 1:47

    Adilson, como vai? Não tem nenhum “abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe”. A POLYSOM foi adquirida e já está em obras para produzir discos de qualidade, comparáveis a qualquer um feito em fábricas gringas, ainda no segundo semestre de 2009.
    Abração.

  2. Natália Beatriz
    12/05/2009 às 1:47

    eu tava no lançamento dessa porra! massa!
    será que agora, que já acabou o “segundo semestre de 2009″ a polysom já reabriu?
    acho que ninguém sabe..


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12/05/2009 às 1:47

Toscos, mas limpinhos

Adilson Pereira

Tosco: estilo

Três caras que gostam de vinis se juntaram para montar um selo e estão colocando na praça, agora, seu primeiro lançamento: “Fuck the pro-tools”, um sete polegadas da Banda de Blues de Joe Strume. Foram prensadas na Inglaterra 200 unidades que, aos poucos, estão vindo do outro lado do Atlântico pelo correio. Os rapazes descartaram a possibilidade de usar um navio como meio de transporte porque seis meses de viagem (a previsão era essa) poderiam comprometer a “saúde” do produto.

A bolachinha é a número um do catálogo da Tosco Brasil, selo através do qual pretendem disponibilizar também cassetes e outros lances. Na capinha, um adesivo – tipo etiqueta de preço, com contorno vermelho – informa: “Puro”. “Cachaça pura, rapadura pura e rock puro, sem conservantes”, brinca Igor Ribeiro, um cidadão do Rio de Janeiro que hoje em dia agita as noites em Belém do Pará. O goiano Maurício Mota completa: “O Joe, na ultima vez em que fui a Uberlândia, me apresentou uma ótima rapadura vinda de uma cidadezinha próxima. Nela, tinha uma etiqueta igual. Achei genial e copiei a idéia. Afinal, nosso produto também é puro: pode ser consumido, sem medo.”

Joe Strume, de Uberlândia, capitão do primeiro lançamento, completa o time. Na hora de fazer as contas, é com ele. “O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco”, compara Strume, referindo-se à última fábrica de vinis do país, localizada na Baixada Fluminense. Talvez por isso ele não esquente a cabeça com o abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe envolvendo a fábrica no Rio.

Os três foram se encontrando aos poucos, em festivais, trocando cartas e e-mails. Igor Ribeiro destaca: “Quando conheci o Joe, ele estava vendendo vinis da sua coleção pessoal para juntar grana e lançar o compacto. Daí, ficamos um bom tempo sem conversar e quando retomamos a correspondência ele disse que já tinha entrado em contato com o Maurício e tal.” Maurício completa, meio distraído: “Coincidências da vida. A banda é que escolheu a gente. Eu acho. Foi?” Confira o pingue-pongue:

Tosco: o primeiro sete polegadas

Sambapunk – Como surgiu a idéia de criar um selo para lançar vinis?
Igor Ribeiro – Não era um selo para vinis. Na verdade, a idéia sempre foi ser uma parada de vender e fazer o que desse vontade… Vinis, K7s, camisetas, pedais de guitarra feitos em latas de sardinha…
Maurício Mota – Não era para lançar vinis. Não era esse o foco. Só pra você ver como são as coisas: nosso primeiro catálogo tinha uns CDRs, uma coletânea K7 pirata dos reggaes do The Clash que montei – e não vendeu sequer uma cópia – e até um relógio para deficientes visuais usado.  Ou seja, nosso catálogo tem “coisas”. Às vezes, é música.
 
Sambapunk – A Monstro Discos serviu de inspiração para vocês? Imagino que conheçam vários outros selos, pelo mundo, que lançam coisas neste formato.
Igor Ribeiro – Não para mim. Curto os compactos lançados por eles, mas, sei lá, acho que perderam tempo lançando CDs de bandas chatas pra cacete tipo esse Violins e perderam o foco de ter “os compactos mais chiques do Brasil”… puta banda chata, essa Violins. Os selos que eu gosto são In The Red Records, Estrus, Touch and Go, Get Hip, Bomp!, Crypt, Ipecac, Alternative Tentacles, SST e mais uma pá. E tenho que concordar que vez ou outra esses também lançam artistas descartáveis.
 
Sambapunk – Em que selo(s) ou artista(s) vocês se inspiraram?
Igor Ribeiro – Sub Pop e Trama… HAHAHAHAHAHAHAHA…
Maurício Mota – Não sei, sinceramente. Em nenhum, acho, pois o lance da Tosco Brasil é bem particular. Volátil, até.
 
Sambapunk – A Tosco concorre com a Monstro Discos ou serão empresas parceiras?
Igor Ribeiro – Não somos concorrentes, não. Se juntar nossas contas bancárias, não dá o salário do Fabrício (Nobre, um dos donos da Monstro); é desleal.
Maurício Mota – Sei lá. Meio sem sentido, isso. Pense bem: que empresa iria querer a gente como parceiros?? Três vagabundos sonhadores. Esqueça.
 

Tosca: Banda De Blues De Joe Strume
Sambapunk – Qual é o objetivo principal por trás da criação da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Diversão e amor por vinis e fitas k7. CD não rola, cara; de verdade.
Maurício Mota – Sou de uma época de trocas de zines, demos, cartas via carteiro. Então, tento hoje manter isso sempre próximo. A Tosco Brasil é basicamente isso. Relacionamento via carteiro. A gente desenvolve um trabalho desorganizado e lento em função das coisas que achamos bacanas e depois suamos um pouco pra levar estas coisas a um público mais abrangente e que também gosta deste universo.
 
Sambapunk – De onde são os clientes/compradores de vocês?
Igor Ribeiro – Boa pergunta, essa. Mandei pra uns amigos que realmente entendem o espírito “rock cru”, sabe ? Brasil e gringolândia. Ah, eu queria mandar um pra dona da Daslu!!
Maurício Mota – Ainda não sabemos. Toda sorte de gente. O mundo inteiro. Como utilizamos o Ebay e o Mercado Livre pra divulgar e vender os lances da Tosco Brasil, estamos abertos a todo tipo de cliente. Qualquer pessoa, pois não temos a barreira da língua. Confiamos cegamente no Google Translate pra nos comunicarmos com o planeta inteiro, via email e carta.
 
Sambapunk – Fazer um disquinho na Inglaterra não fica muito caro?
Igor Ribeiro – Agora eu não lembro dos valores, mas sei que ficou viável.
Maurício Mota – Até que não.  O Joe Strume pode colocar isto para você na ponta do lápis. Eu nem lembro quanto ficou tudo.
Joe Strume – Sugiro que pensemos na relação custo-benefício. O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco. Acho que a questão essencial é a qualidade do “corte” feito na Inglaterra, uma vez que lá nunca se parou de fazer vinil e, portanto, os maquinários estão OK. Sabemos que o “corte” da PolySom apresentava problemas, como o desaparecimento de freqüências graves, devido às deficiências do aparato que tinham para prensar os vinis. Assim, quando a PolySom devolveu nosso material e disse que não poderia fazer nosso disco, vi como uma espécie de “há males que vêm para bem”. Porque foi depois deste “não” que procuramos a prensa inglesa.

Tosco: catálogo

Sambapunk – Tive informações de que a prensagem pode ser até “barata”, mas o problema é transporte/remessa do material… É isso mesmo?
Igor Ribeiro – Postagem é um problemão. Tem prensas lá fora que não fazem o serviço porque a postagem para o Brasil é cara.
Maurício Mota – O Joe negociou tudo.
Joe Strume – Isso que você diz procede. A questão do transporte é complicada e, em nosso caso, foi e está sendo ainda mais complicado. Não recebemos todos os discos, uma vez que não temos como buscar pessoalmente e, assim, dependemos do transporte via correio. O envio por navio (surface) é mais em conta, mas demora muito (até seis meses) e ainda corre-se o risco de o material chegar danificado, devido ao longo tempo de viagem.

Sambapunk – Vocês pensaram muito antes de começarem com a Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Na verdade, fui convidado a entrar na Tosco Brasil pelo Maurício. Não pensei muito, não.
Maurício Mota – É claro que não.
Joe Strume – Bem… Na verdade, acho que foi a Banda de Blues de Joe Strume que escolheu a Tosco Brasil para fazer este lançamento.
E esta escolha se deu muito antes de gravarmos com a produção do Maurício. Acho que tudo começou no fim de 2005, quando o Maurício veio tocar em Uberlândia com sua antiga banda (Hang The Superstars). Nesta ocasião, eu e o Rogério Matador, o baterista da Banda de Blues de Joe Strume, fomos até a banquinha onde o Mauricio estava e falamos sobre sons toscos… Eu estava usando uma camiseta verde do Cramps e acho que isso foi importante como “cartão de visitas” Heheheh… Daí, em janeiro de 2007, telefonei pro Mauricio e pedi que produzisse a banda. Quando ele aceitou nosso convite, creio que a Tosco Brasil passou a fazer parte da coisa.
 
Sambapunk – O que pesava mais contra a decisão, isto é, qual é a maior dificuldade para manter um empreendimento como este?
Igor Ribeiro – Empreendimento ? Uau, obrigado. Vou acender um cubano aqui com uma nota de 50.
Maurício Mota – Não tem muita dificuldade. Como não há prazos a cumprir, a gente vai levando sem estresse, para os cabelos não caírem.

Sambapunk – E o que mais pesou/pesa a favor?
Igor Ribeiro – O que mais pesa a favor é diversão, conhecer gente nova e ganhar discos.
Maurício Mota – Ver um plano que antes parecia uma piada dar certo. Não tem preço. Igual a este compacto que estamos lançando agora. A coisa mais espetacular feita no rock, hoje, no Brasil. Não existe similar. A preocupação agora é onde esconder da receita o tanto de dinheiro que vamos ganhar. Odiamos impostos.
 
Sambapunk – Por que este lema, “Fuck the pro-tools”?
Igor Ribeiro – O rock de verdade está morrendo, cara. Quando uma banda de “rock” grava na mesma qualidade de Maria Rita ou Charlie Brown Jr e é produzida pelo Rick Bonadio, o rock não tem mais sentido. Pro-tools sucks!
Maurício Mota – É uma piada com estes programas de gravação que tiraram a graça de gravar roquenrol. Se adotássemos neste caso o meio contemporâneo de gravação, não teríamos escutado nem um quinto dos sons e experiências fantásticas que rolaram durante o processo de gravação na casa do Joe. Microfone dentro de balde, cachorro latindo, cerveja e cigarro para todos os lados, voz no banheiro. Não havia regras. Escutávamos um disco e tentávamos reproduzir, na unha, aquele som. E outra, o compacto foi todo feito dentro de uma fita k7. Nada mais justo do que dar este título ao compacto.

Sambapunk – Como será a estratégia de trabalho de vocês?
Igor Ribeiro – Enviar para selos, bandas e amigos.
Maurício Mota – Estamos ainda pensando…

Tosco: amor pelos animais
Sambapunk – Qual foi o investimento necessário para este primeiro lançamento acontecer?
Igor Ribeiro – Algum dinheiro e paciência, muita paciência.
 
Sambapunk – Quais são as funções de cada um de vocês, na Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Faço algumas traduções, ilustrações e discordo de tudo que Elmiro e Maurício planejam.
Maurício Mota – Eu sou o mais velho. O Igor é o mais disperso. O Elmiro é o mais louco. Dentro disso, vamos revezando entre ter idéias, desenhá-las, desenvolvê-las e lançá-las.

Sambapunk – Paixão é fundamental para conseguir dar vida a um projeto como este?
Igor Ribeiro – Sim, sim.
Maurício Mota – Sim. E um pouco de irresponsabilidade também, pois mexemos com um tipo de comércio em que poucos ainda entendem o nosso approach.

Sambapunk – Vocês não vão montar nem mesmo um blog da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Eu não daria conta. Já tocamos o “Rock de plástico”. Aliás, essa semana tem uma bela matéria sobre os paulistanos do Sell Outs que são mais conhecidos na gringa que em seu país natal.
Maurício Mota – Pra quê? Temos um blog, já… Eu não daria conta de ter outro. Mal dou conta do meu e-mail, que me tira horas preciosas de sol pela manhã. Usamos ferramentas da internet muito mais confiáveis que qualquer site de gravadora/selo por aí. Estamos no Ebay e no Mercado Livre. Sai mais barato, tem garantia infinita e ainda polui menos as vias arteriais da web.
 
Sambapunk – O adesivo-catálogo de vocês anuncia uma coletânea em fita cassete… Falem mais sobre isso.
Igor Ribeiro – Sim, essa coletânea é o próximo lançamento da Tosco Brasil, vai se chamar “Rock Brasil”. Hahaha… E vai sair em K7.
Maurício Mota – Essa idéia é velha amiga nossa: lançar uma coletânea com bandas que achamos legais e que ninguém lançaria. Em k7, com pôster e texto e tal. Nos amarramos em contar histórias e passar pra frente.

Sambapunk – Que bandas/artistas vão participar desta coletânea?
Igor Ribeiro – Nossa, não terá um critério sobre os ritmos. E eu quero muito convidar bandas tipo Ambervisions e Merda, das quais sou fã.
Maurício Mota – Estamos resolvendo isso… Primeiramente, cada sócio vai atrás de quatro bandas. Cada um faz sua curadoria. Tem uma banda que eu quero colocar e já acabou, mas não to nem aí. É a banda COISA, aqui de Goiânia, que é, pra mim, a banda mais espetacular, roquenrol e audaciosa que esta cidade já teve. Uma história ainda não contada que surpreenderá muita gente.

Sambapunk – Já há um próximo lançamento de vinil programado?
Igor Ribeiro – Bang Bang Babies!!
Maurício Mota – Tem uma banda aqui em Goiânia querendo gravar também dentro do esquema 4track… caseiro: Bang Bang Babies; mas não sabemos ainda o que vai virar. Mas ao que tudo indica será um sete polegadas, que é o objetivo deles. Mas nada certo, ainda.

Sambapunk – A meta de vocês é vender esta tiragem de discos em quanto tempo?
Igor Ribeiro – Eu penso apenas em vender uma parte. Eu troco o restante por outros discos, o lance é não deixar o vinil acabar!!
Maurício Mota – Não temos assim este compromisso com o tempo. Este disco da Banda de Blues de Jos Strume talvez só seja compreendido daqui a uns 12 anos, então, não há pressa. Não é o som que está na moda, saca? Daqui a uns seis anos, ainda será ousado, autoral, incompreendido, inspirador e novo.


Mercado/Negócios, Música, Pingue-pongue


2 respostas

  1. João Augusto
    12/05/2009 às 1:47

    Adilson, como vai? Não tem nenhum “abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe”. A POLYSOM foi adquirida e já está em obras para produzir discos de qualidade, comparáveis a qualquer um feito em fábricas gringas, ainda no segundo semestre de 2009.
    Abração.

  2. Natália Beatriz
    12/05/2009 às 1:47

    eu tava no lançamento dessa porra! massa!
    será que agora, que já acabou o “segundo semestre de 2009″ a polysom já reabriu?
    acho que ninguém sabe..


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12/05/2009 às 1:47

Toscos, mas limpinhos

Adilson Pereira

Tosco: estilo

Três caras que gostam de vinis se juntaram para montar um selo e estão colocando na praça, agora, seu primeiro lançamento: “Fuck the pro-tools”, um sete polegadas da Banda de Blues de Joe Strume. Foram prensadas na Inglaterra 200 unidades que, aos poucos, estão vindo do outro lado do Atlântico pelo correio. Os rapazes descartaram a possibilidade de usar um navio como meio de transporte porque seis meses de viagem (a previsão era essa) poderiam comprometer a “saúde” do produto.

A bolachinha é a número um do catálogo da Tosco Brasil, selo através do qual pretendem disponibilizar também cassetes e outros lances. Na capinha, um adesivo – tipo etiqueta de preço, com contorno vermelho – informa: “Puro”. “Cachaça pura, rapadura pura e rock puro, sem conservantes”, brinca Igor Ribeiro, um cidadão do Rio de Janeiro que hoje em dia agita as noites em Belém do Pará. O goiano Maurício Mota completa: “O Joe, na ultima vez em que fui a Uberlândia, me apresentou uma ótima rapadura vinda de uma cidadezinha próxima. Nela, tinha uma etiqueta igual. Achei genial e copiei a idéia. Afinal, nosso produto também é puro: pode ser consumido, sem medo.”

Joe Strume, de Uberlândia, capitão do primeiro lançamento, completa o time. Na hora de fazer as contas, é com ele. “O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco”, compara Strume, referindo-se à última fábrica de vinis do país, localizada na Baixada Fluminense. Talvez por isso ele não esquente a cabeça com o abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe envolvendo a fábrica no Rio.

Os três foram se encontrando aos poucos, em festivais, trocando cartas e e-mails. Igor Ribeiro destaca: “Quando conheci o Joe, ele estava vendendo vinis da sua coleção pessoal para juntar grana e lançar o compacto. Daí, ficamos um bom tempo sem conversar e quando retomamos a correspondência ele disse que já tinha entrado em contato com o Maurício e tal.” Maurício completa, meio distraído: “Coincidências da vida. A banda é que escolheu a gente. Eu acho. Foi?” Confira o pingue-pongue:

Tosco: o primeiro sete polegadas

Sambapunk – Como surgiu a idéia de criar um selo para lançar vinis?
Igor Ribeiro – Não era um selo para vinis. Na verdade, a idéia sempre foi ser uma parada de vender e fazer o que desse vontade… Vinis, K7s, camisetas, pedais de guitarra feitos em latas de sardinha…
Maurício Mota – Não era para lançar vinis. Não era esse o foco. Só pra você ver como são as coisas: nosso primeiro catálogo tinha uns CDRs, uma coletânea K7 pirata dos reggaes do The Clash que montei – e não vendeu sequer uma cópia – e até um relógio para deficientes visuais usado.  Ou seja, nosso catálogo tem “coisas”. Às vezes, é música.
 
Sambapunk – A Monstro Discos serviu de inspiração para vocês? Imagino que conheçam vários outros selos, pelo mundo, que lançam coisas neste formato.
Igor Ribeiro – Não para mim. Curto os compactos lançados por eles, mas, sei lá, acho que perderam tempo lançando CDs de bandas chatas pra cacete tipo esse Violins e perderam o foco de ter “os compactos mais chiques do Brasil”… puta banda chata, essa Violins. Os selos que eu gosto são In The Red Records, Estrus, Touch and Go, Get Hip, Bomp!, Crypt, Ipecac, Alternative Tentacles, SST e mais uma pá. E tenho que concordar que vez ou outra esses também lançam artistas descartáveis.
 
Sambapunk – Em que selo(s) ou artista(s) vocês se inspiraram?
Igor Ribeiro – Sub Pop e Trama… HAHAHAHAHAHAHAHA…
Maurício Mota – Não sei, sinceramente. Em nenhum, acho, pois o lance da Tosco Brasil é bem particular. Volátil, até.
 
Sambapunk – A Tosco concorre com a Monstro Discos ou serão empresas parceiras?
Igor Ribeiro – Não somos concorrentes, não. Se juntar nossas contas bancárias, não dá o salário do Fabrício (Nobre, um dos donos da Monstro); é desleal.
Maurício Mota – Sei lá. Meio sem sentido, isso. Pense bem: que empresa iria querer a gente como parceiros?? Três vagabundos sonhadores. Esqueça.
 

Tosca: Banda De Blues De Joe Strume
Sambapunk – Qual é o objetivo principal por trás da criação da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Diversão e amor por vinis e fitas k7. CD não rola, cara; de verdade.
Maurício Mota – Sou de uma época de trocas de zines, demos, cartas via carteiro. Então, tento hoje manter isso sempre próximo. A Tosco Brasil é basicamente isso. Relacionamento via carteiro. A gente desenvolve um trabalho desorganizado e lento em função das coisas que achamos bacanas e depois suamos um pouco pra levar estas coisas a um público mais abrangente e que também gosta deste universo.
 
Sambapunk – De onde são os clientes/compradores de vocês?
Igor Ribeiro – Boa pergunta, essa. Mandei pra uns amigos que realmente entendem o espírito “rock cru”, sabe ? Brasil e gringolândia. Ah, eu queria mandar um pra dona da Daslu!!
Maurício Mota – Ainda não sabemos. Toda sorte de gente. O mundo inteiro. Como utilizamos o Ebay e o Mercado Livre pra divulgar e vender os lances da Tosco Brasil, estamos abertos a todo tipo de cliente. Qualquer pessoa, pois não temos a barreira da língua. Confiamos cegamente no Google Translate pra nos comunicarmos com o planeta inteiro, via email e carta.
 
Sambapunk – Fazer um disquinho na Inglaterra não fica muito caro?
Igor Ribeiro – Agora eu não lembro dos valores, mas sei que ficou viável.
Maurício Mota – Até que não.  O Joe Strume pode colocar isto para você na ponta do lápis. Eu nem lembro quanto ficou tudo.
Joe Strume – Sugiro que pensemos na relação custo-benefício. O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco. Acho que a questão essencial é a qualidade do “corte” feito na Inglaterra, uma vez que lá nunca se parou de fazer vinil e, portanto, os maquinários estão OK. Sabemos que o “corte” da PolySom apresentava problemas, como o desaparecimento de freqüências graves, devido às deficiências do aparato que tinham para prensar os vinis. Assim, quando a PolySom devolveu nosso material e disse que não poderia fazer nosso disco, vi como uma espécie de “há males que vêm para bem”. Porque foi depois deste “não” que procuramos a prensa inglesa.

Tosco: catálogo

Sambapunk – Tive informações de que a prensagem pode ser até “barata”, mas o problema é transporte/remessa do material… É isso mesmo?
Igor Ribeiro – Postagem é um problemão. Tem prensas lá fora que não fazem o serviço porque a postagem para o Brasil é cara.
Maurício Mota – O Joe negociou tudo.
Joe Strume – Isso que você diz procede. A questão do transporte é complicada e, em nosso caso, foi e está sendo ainda mais complicado. Não recebemos todos os discos, uma vez que não temos como buscar pessoalmente e, assim, dependemos do transporte via correio. O envio por navio (surface) é mais em conta, mas demora muito (até seis meses) e ainda corre-se o risco de o material chegar danificado, devido ao longo tempo de viagem.

Sambapunk – Vocês pensaram muito antes de começarem com a Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Na verdade, fui convidado a entrar na Tosco Brasil pelo Maurício. Não pensei muito, não.
Maurício Mota – É claro que não.
Joe Strume – Bem… Na verdade, acho que foi a Banda de Blues de Joe Strume que escolheu a Tosco Brasil para fazer este lançamento.
E esta escolha se deu muito antes de gravarmos com a produção do Maurício. Acho que tudo começou no fim de 2005, quando o Maurício veio tocar em Uberlândia com sua antiga banda (Hang The Superstars). Nesta ocasião, eu e o Rogério Matador, o baterista da Banda de Blues de Joe Strume, fomos até a banquinha onde o Mauricio estava e falamos sobre sons toscos… Eu estava usando uma camiseta verde do Cramps e acho que isso foi importante como “cartão de visitas” Heheheh… Daí, em janeiro de 2007, telefonei pro Mauricio e pedi que produzisse a banda. Quando ele aceitou nosso convite, creio que a Tosco Brasil passou a fazer parte da coisa.
 
Sambapunk – O que pesava mais contra a decisão, isto é, qual é a maior dificuldade para manter um empreendimento como este?
Igor Ribeiro – Empreendimento ? Uau, obrigado. Vou acender um cubano aqui com uma nota de 50.
Maurício Mota – Não tem muita dificuldade. Como não há prazos a cumprir, a gente vai levando sem estresse, para os cabelos não caírem.

Sambapunk – E o que mais pesou/pesa a favor?
Igor Ribeiro – O que mais pesa a favor é diversão, conhecer gente nova e ganhar discos.
Maurício Mota – Ver um plano que antes parecia uma piada dar certo. Não tem preço. Igual a este compacto que estamos lançando agora. A coisa mais espetacular feita no rock, hoje, no Brasil. Não existe similar. A preocupação agora é onde esconder da receita o tanto de dinheiro que vamos ganhar. Odiamos impostos.
 
Sambapunk – Por que este lema, “Fuck the pro-tools”?
Igor Ribeiro – O rock de verdade está morrendo, cara. Quando uma banda de “rock” grava na mesma qualidade de Maria Rita ou Charlie Brown Jr e é produzida pelo Rick Bonadio, o rock não tem mais sentido. Pro-tools sucks!
Maurício Mota – É uma piada com estes programas de gravação que tiraram a graça de gravar roquenrol. Se adotássemos neste caso o meio contemporâneo de gravação, não teríamos escutado nem um quinto dos sons e experiências fantásticas que rolaram durante o processo de gravação na casa do Joe. Microfone dentro de balde, cachorro latindo, cerveja e cigarro para todos os lados, voz no banheiro. Não havia regras. Escutávamos um disco e tentávamos reproduzir, na unha, aquele som. E outra, o compacto foi todo feito dentro de uma fita k7. Nada mais justo do que dar este título ao compacto.

Sambapunk – Como será a estratégia de trabalho de vocês?
Igor Ribeiro – Enviar para selos, bandas e amigos.
Maurício Mota – Estamos ainda pensando…

Tosco: amor pelos animais
Sambapunk – Qual foi o investimento necessário para este primeiro lançamento acontecer?
Igor Ribeiro – Algum dinheiro e paciência, muita paciência.
 
Sambapunk – Quais são as funções de cada um de vocês, na Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Faço algumas traduções, ilustrações e discordo de tudo que Elmiro e Maurício planejam.
Maurício Mota – Eu sou o mais velho. O Igor é o mais disperso. O Elmiro é o mais louco. Dentro disso, vamos revezando entre ter idéias, desenhá-las, desenvolvê-las e lançá-las.

Sambapunk – Paixão é fundamental para conseguir dar vida a um projeto como este?
Igor Ribeiro – Sim, sim.
Maurício Mota – Sim. E um pouco de irresponsabilidade também, pois mexemos com um tipo de comércio em que poucos ainda entendem o nosso approach.

Sambapunk – Vocês não vão montar nem mesmo um blog da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Eu não daria conta. Já tocamos o “Rock de plástico”. Aliás, essa semana tem uma bela matéria sobre os paulistanos do Sell Outs que são mais conhecidos na gringa que em seu país natal.
Maurício Mota – Pra quê? Temos um blog, já… Eu não daria conta de ter outro. Mal dou conta do meu e-mail, que me tira horas preciosas de sol pela manhã. Usamos ferramentas da internet muito mais confiáveis que qualquer site de gravadora/selo por aí. Estamos no Ebay e no Mercado Livre. Sai mais barato, tem garantia infinita e ainda polui menos as vias arteriais da web.
 
Sambapunk – O adesivo-catálogo de vocês anuncia uma coletânea em fita cassete… Falem mais sobre isso.
Igor Ribeiro – Sim, essa coletânea é o próximo lançamento da Tosco Brasil, vai se chamar “Rock Brasil”. Hahaha… E vai sair em K7.
Maurício Mota – Essa idéia é velha amiga nossa: lançar uma coletânea com bandas que achamos legais e que ninguém lançaria. Em k7, com pôster e texto e tal. Nos amarramos em contar histórias e passar pra frente.

Sambapunk – Que bandas/artistas vão participar desta coletânea?
Igor Ribeiro – Nossa, não terá um critério sobre os ritmos. E eu quero muito convidar bandas tipo Ambervisions e Merda, das quais sou fã.
Maurício Mota – Estamos resolvendo isso… Primeiramente, cada sócio vai atrás de quatro bandas. Cada um faz sua curadoria. Tem uma banda que eu quero colocar e já acabou, mas não to nem aí. É a banda COISA, aqui de Goiânia, que é, pra mim, a banda mais espetacular, roquenrol e audaciosa que esta cidade já teve. Uma história ainda não contada que surpreenderá muita gente.

Sambapunk – Já há um próximo lançamento de vinil programado?
Igor Ribeiro – Bang Bang Babies!!
Maurício Mota – Tem uma banda aqui em Goiânia querendo gravar também dentro do esquema 4track… caseiro: Bang Bang Babies; mas não sabemos ainda o que vai virar. Mas ao que tudo indica será um sete polegadas, que é o objetivo deles. Mas nada certo, ainda.

Sambapunk – A meta de vocês é vender esta tiragem de discos em quanto tempo?
Igor Ribeiro – Eu penso apenas em vender uma parte. Eu troco o restante por outros discos, o lance é não deixar o vinil acabar!!
Maurício Mota – Não temos assim este compromisso com o tempo. Este disco da Banda de Blues de Jos Strume talvez só seja compreendido daqui a uns 12 anos, então, não há pressa. Não é o som que está na moda, saca? Daqui a uns seis anos, ainda será ousado, autoral, incompreendido, inspirador e novo.


Mercado/Negócios, Música, Pingue-pongue


2 respostas

  1. João Augusto
    12/05/2009 às 1:47

    Adilson, como vai? Não tem nenhum “abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe”. A POLYSOM foi adquirida e já está em obras para produzir discos de qualidade, comparáveis a qualquer um feito em fábricas gringas, ainda no segundo semestre de 2009.
    Abração.

  2. Natália Beatriz
    12/05/2009 às 1:47

    eu tava no lançamento dessa porra! massa!
    será que agora, que já acabou o “segundo semestre de 2009″ a polysom já reabriu?
    acho que ninguém sabe..


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12/05/2009 às 1:47

Toscos, mas limpinhos

Adilson Pereira

Tosco: estilo

Três caras que gostam de vinis se juntaram para montar um selo e estão colocando na praça, agora, seu primeiro lançamento: “Fuck the pro-tools”, um sete polegadas da Banda de Blues de Joe Strume. Foram prensadas na Inglaterra 200 unidades que, aos poucos, estão vindo do outro lado do Atlântico pelo correio. Os rapazes descartaram a possibilidade de usar um navio como meio de transporte porque seis meses de viagem (a previsão era essa) poderiam comprometer a “saúde” do produto.

A bolachinha é a número um do catálogo da Tosco Brasil, selo através do qual pretendem disponibilizar também cassetes e outros lances. Na capinha, um adesivo – tipo etiqueta de preço, com contorno vermelho – informa: “Puro”. “Cachaça pura, rapadura pura e rock puro, sem conservantes”, brinca Igor Ribeiro, um cidadão do Rio de Janeiro que hoje em dia agita as noites em Belém do Pará. O goiano Maurício Mota completa: “O Joe, na ultima vez em que fui a Uberlândia, me apresentou uma ótima rapadura vinda de uma cidadezinha próxima. Nela, tinha uma etiqueta igual. Achei genial e copiei a idéia. Afinal, nosso produto também é puro: pode ser consumido, sem medo.”

Joe Strume, de Uberlândia, capitão do primeiro lançamento, completa o time. Na hora de fazer as contas, é com ele. “O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco”, compara Strume, referindo-se à última fábrica de vinis do país, localizada na Baixada Fluminense. Talvez por isso ele não esquente a cabeça com o abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe envolvendo a fábrica no Rio.

Os três foram se encontrando aos poucos, em festivais, trocando cartas e e-mails. Igor Ribeiro destaca: “Quando conheci o Joe, ele estava vendendo vinis da sua coleção pessoal para juntar grana e lançar o compacto. Daí, ficamos um bom tempo sem conversar e quando retomamos a correspondência ele disse que já tinha entrado em contato com o Maurício e tal.” Maurício completa, meio distraído: “Coincidências da vida. A banda é que escolheu a gente. Eu acho. Foi?” Confira o pingue-pongue:

Tosco: o primeiro sete polegadas

Sambapunk – Como surgiu a idéia de criar um selo para lançar vinis?
Igor Ribeiro – Não era um selo para vinis. Na verdade, a idéia sempre foi ser uma parada de vender e fazer o que desse vontade… Vinis, K7s, camisetas, pedais de guitarra feitos em latas de sardinha…
Maurício Mota – Não era para lançar vinis. Não era esse o foco. Só pra você ver como são as coisas: nosso primeiro catálogo tinha uns CDRs, uma coletânea K7 pirata dos reggaes do The Clash que montei – e não vendeu sequer uma cópia – e até um relógio para deficientes visuais usado.  Ou seja, nosso catálogo tem “coisas”. Às vezes, é música.
 
Sambapunk – A Monstro Discos serviu de inspiração para vocês? Imagino que conheçam vários outros selos, pelo mundo, que lançam coisas neste formato.
Igor Ribeiro – Não para mim. Curto os compactos lançados por eles, mas, sei lá, acho que perderam tempo lançando CDs de bandas chatas pra cacete tipo esse Violins e perderam o foco de ter “os compactos mais chiques do Brasil”… puta banda chata, essa Violins. Os selos que eu gosto são In The Red Records, Estrus, Touch and Go, Get Hip, Bomp!, Crypt, Ipecac, Alternative Tentacles, SST e mais uma pá. E tenho que concordar que vez ou outra esses também lançam artistas descartáveis.
 
Sambapunk – Em que selo(s) ou artista(s) vocês se inspiraram?
Igor Ribeiro – Sub Pop e Trama… HAHAHAHAHAHAHAHA…
Maurício Mota – Não sei, sinceramente. Em nenhum, acho, pois o lance da Tosco Brasil é bem particular. Volátil, até.
 
Sambapunk – A Tosco concorre com a Monstro Discos ou serão empresas parceiras?
Igor Ribeiro – Não somos concorrentes, não. Se juntar nossas contas bancárias, não dá o salário do Fabrício (Nobre, um dos donos da Monstro); é desleal.
Maurício Mota – Sei lá. Meio sem sentido, isso. Pense bem: que empresa iria querer a gente como parceiros?? Três vagabundos sonhadores. Esqueça.
 

Tosca: Banda De Blues De Joe Strume
Sambapunk – Qual é o objetivo principal por trás da criação da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Diversão e amor por vinis e fitas k7. CD não rola, cara; de verdade.
Maurício Mota – Sou de uma época de trocas de zines, demos, cartas via carteiro. Então, tento hoje manter isso sempre próximo. A Tosco Brasil é basicamente isso. Relacionamento via carteiro. A gente desenvolve um trabalho desorganizado e lento em função das coisas que achamos bacanas e depois suamos um pouco pra levar estas coisas a um público mais abrangente e que também gosta deste universo.
 
Sambapunk – De onde são os clientes/compradores de vocês?
Igor Ribeiro – Boa pergunta, essa. Mandei pra uns amigos que realmente entendem o espírito “rock cru”, sabe ? Brasil e gringolândia. Ah, eu queria mandar um pra dona da Daslu!!
Maurício Mota – Ainda não sabemos. Toda sorte de gente. O mundo inteiro. Como utilizamos o Ebay e o Mercado Livre pra divulgar e vender os lances da Tosco Brasil, estamos abertos a todo tipo de cliente. Qualquer pessoa, pois não temos a barreira da língua. Confiamos cegamente no Google Translate pra nos comunicarmos com o planeta inteiro, via email e carta.
 
Sambapunk – Fazer um disquinho na Inglaterra não fica muito caro?
Igor Ribeiro – Agora eu não lembro dos valores, mas sei que ficou viável.
Maurício Mota – Até que não.  O Joe Strume pode colocar isto para você na ponta do lápis. Eu nem lembro quanto ficou tudo.
Joe Strume – Sugiro que pensemos na relação custo-benefício. O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco. Acho que a questão essencial é a qualidade do “corte” feito na Inglaterra, uma vez que lá nunca se parou de fazer vinil e, portanto, os maquinários estão OK. Sabemos que o “corte” da PolySom apresentava problemas, como o desaparecimento de freqüências graves, devido às deficiências do aparato que tinham para prensar os vinis. Assim, quando a PolySom devolveu nosso material e disse que não poderia fazer nosso disco, vi como uma espécie de “há males que vêm para bem”. Porque foi depois deste “não” que procuramos a prensa inglesa.

Tosco: catálogo

Sambapunk – Tive informações de que a prensagem pode ser até “barata”, mas o problema é transporte/remessa do material… É isso mesmo?
Igor Ribeiro – Postagem é um problemão. Tem prensas lá fora que não fazem o serviço porque a postagem para o Brasil é cara.
Maurício Mota – O Joe negociou tudo.
Joe Strume – Isso que você diz procede. A questão do transporte é complicada e, em nosso caso, foi e está sendo ainda mais complicado. Não recebemos todos os discos, uma vez que não temos como buscar pessoalmente e, assim, dependemos do transporte via correio. O envio por navio (surface) é mais em conta, mas demora muito (até seis meses) e ainda corre-se o risco de o material chegar danificado, devido ao longo tempo de viagem.

Sambapunk – Vocês pensaram muito antes de começarem com a Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Na verdade, fui convidado a entrar na Tosco Brasil pelo Maurício. Não pensei muito, não.
Maurício Mota – É claro que não.
Joe Strume – Bem… Na verdade, acho que foi a Banda de Blues de Joe Strume que escolheu a Tosco Brasil para fazer este lançamento.
E esta escolha se deu muito antes de gravarmos com a produção do Maurício. Acho que tudo começou no fim de 2005, quando o Maurício veio tocar em Uberlândia com sua antiga banda (Hang The Superstars). Nesta ocasião, eu e o Rogério Matador, o baterista da Banda de Blues de Joe Strume, fomos até a banquinha onde o Mauricio estava e falamos sobre sons toscos… Eu estava usando uma camiseta verde do Cramps e acho que isso foi importante como “cartão de visitas” Heheheh… Daí, em janeiro de 2007, telefonei pro Mauricio e pedi que produzisse a banda. Quando ele aceitou nosso convite, creio que a Tosco Brasil passou a fazer parte da coisa.
 
Sambapunk – O que pesava mais contra a decisão, isto é, qual é a maior dificuldade para manter um empreendimento como este?
Igor Ribeiro – Empreendimento ? Uau, obrigado. Vou acender um cubano aqui com uma nota de 50.
Maurício Mota – Não tem muita dificuldade. Como não há prazos a cumprir, a gente vai levando sem estresse, para os cabelos não caírem.

Sambapunk – E o que mais pesou/pesa a favor?
Igor Ribeiro – O que mais pesa a favor é diversão, conhecer gente nova e ganhar discos.
Maurício Mota – Ver um plano que antes parecia uma piada dar certo. Não tem preço. Igual a este compacto que estamos lançando agora. A coisa mais espetacular feita no rock, hoje, no Brasil. Não existe similar. A preocupação agora é onde esconder da receita o tanto de dinheiro que vamos ganhar. Odiamos impostos.
 
Sambapunk – Por que este lema, “Fuck the pro-tools”?
Igor Ribeiro – O rock de verdade está morrendo, cara. Quando uma banda de “rock” grava na mesma qualidade de Maria Rita ou Charlie Brown Jr e é produzida pelo Rick Bonadio, o rock não tem mais sentido. Pro-tools sucks!
Maurício Mota – É uma piada com estes programas de gravação que tiraram a graça de gravar roquenrol. Se adotássemos neste caso o meio contemporâneo de gravação, não teríamos escutado nem um quinto dos sons e experiências fantásticas que rolaram durante o processo de gravação na casa do Joe. Microfone dentro de balde, cachorro latindo, cerveja e cigarro para todos os lados, voz no banheiro. Não havia regras. Escutávamos um disco e tentávamos reproduzir, na unha, aquele som. E outra, o compacto foi todo feito dentro de uma fita k7. Nada mais justo do que dar este título ao compacto.

Sambapunk – Como será a estratégia de trabalho de vocês?
Igor Ribeiro – Enviar para selos, bandas e amigos.
Maurício Mota – Estamos ainda pensando…

Tosco: amor pelos animais
Sambapunk – Qual foi o investimento necessário para este primeiro lançamento acontecer?
Igor Ribeiro – Algum dinheiro e paciência, muita paciência.
 
Sambapunk – Quais são as funções de cada um de vocês, na Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Faço algumas traduções, ilustrações e discordo de tudo que Elmiro e Maurício planejam.
Maurício Mota – Eu sou o mais velho. O Igor é o mais disperso. O Elmiro é o mais louco. Dentro disso, vamos revezando entre ter idéias, desenhá-las, desenvolvê-las e lançá-las.

Sambapunk – Paixão é fundamental para conseguir dar vida a um projeto como este?
Igor Ribeiro – Sim, sim.
Maurício Mota – Sim. E um pouco de irresponsabilidade também, pois mexemos com um tipo de comércio em que poucos ainda entendem o nosso approach.

Sambapunk – Vocês não vão montar nem mesmo um blog da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Eu não daria conta. Já tocamos o “Rock de plástico”. Aliás, essa semana tem uma bela matéria sobre os paulistanos do Sell Outs que são mais conhecidos na gringa que em seu país natal.
Maurício Mota – Pra quê? Temos um blog, já… Eu não daria conta de ter outro. Mal dou conta do meu e-mail, que me tira horas preciosas de sol pela manhã. Usamos ferramentas da internet muito mais confiáveis que qualquer site de gravadora/selo por aí. Estamos no Ebay e no Mercado Livre. Sai mais barato, tem garantia infinita e ainda polui menos as vias arteriais da web.
 
Sambapunk – O adesivo-catálogo de vocês anuncia uma coletânea em fita cassete… Falem mais sobre isso.
Igor Ribeiro – Sim, essa coletânea é o próximo lançamento da Tosco Brasil, vai se chamar “Rock Brasil”. Hahaha… E vai sair em K7.
Maurício Mota – Essa idéia é velha amiga nossa: lançar uma coletânea com bandas que achamos legais e que ninguém lançaria. Em k7, com pôster e texto e tal. Nos amarramos em contar histórias e passar pra frente.

Sambapunk – Que bandas/artistas vão participar desta coletânea?
Igor Ribeiro – Nossa, não terá um critério sobre os ritmos. E eu quero muito convidar bandas tipo Ambervisions e Merda, das quais sou fã.
Maurício Mota – Estamos resolvendo isso… Primeiramente, cada sócio vai atrás de quatro bandas. Cada um faz sua curadoria. Tem uma banda que eu quero colocar e já acabou, mas não to nem aí. É a banda COISA, aqui de Goiânia, que é, pra mim, a banda mais espetacular, roquenrol e audaciosa que esta cidade já teve. Uma história ainda não contada que surpreenderá muita gente.

Sambapunk – Já há um próximo lançamento de vinil programado?
Igor Ribeiro – Bang Bang Babies!!
Maurício Mota – Tem uma banda aqui em Goiânia querendo gravar também dentro do esquema 4track… caseiro: Bang Bang Babies; mas não sabemos ainda o que vai virar. Mas ao que tudo indica será um sete polegadas, que é o objetivo deles. Mas nada certo, ainda.

Sambapunk – A meta de vocês é vender esta tiragem de discos em quanto tempo?
Igor Ribeiro – Eu penso apenas em vender uma parte. Eu troco o restante por outros discos, o lance é não deixar o vinil acabar!!
Maurício Mota – Não temos assim este compromisso com o tempo. Este disco da Banda de Blues de Jos Strume talvez só seja compreendido daqui a uns 12 anos, então, não há pressa. Não é o som que está na moda, saca? Daqui a uns seis anos, ainda será ousado, autoral, incompreendido, inspirador e novo.


Mercado/Negócios, Música, Pingue-pongue


2 respostas

  1. João Augusto
    12/05/2009 às 1:47

    Adilson, como vai? Não tem nenhum “abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe”. A POLYSOM foi adquirida e já está em obras para produzir discos de qualidade, comparáveis a qualquer um feito em fábricas gringas, ainda no segundo semestre de 2009.
    Abração.

  2. Natália Beatriz
    12/05/2009 às 1:47

    eu tava no lançamento dessa porra! massa!
    será que agora, que já acabou o “segundo semestre de 2009″ a polysom já reabriu?
    acho que ninguém sabe..


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12/05/2009 às 1:47

Toscos, mas limpinhos

Adilson Pereira

Tosco: estilo

Três caras que gostam de vinis se juntaram para montar um selo e estão colocando na praça, agora, seu primeiro lançamento: “Fuck the pro-tools”, um sete polegadas da Banda de Blues de Joe Strume. Foram prensadas na Inglaterra 200 unidades que, aos poucos, estão vindo do outro lado do Atlântico pelo correio. Os rapazes descartaram a possibilidade de usar um navio como meio de transporte porque seis meses de viagem (a previsão era essa) poderiam comprometer a “saúde” do produto.

A bolachinha é a número um do catálogo da Tosco Brasil, selo através do qual pretendem disponibilizar também cassetes e outros lances. Na capinha, um adesivo – tipo etiqueta de preço, com contorno vermelho – informa: “Puro”. “Cachaça pura, rapadura pura e rock puro, sem conservantes”, brinca Igor Ribeiro, um cidadão do Rio de Janeiro que hoje em dia agita as noites em Belém do Pará. O goiano Maurício Mota completa: “O Joe, na ultima vez em que fui a Uberlândia, me apresentou uma ótima rapadura vinda de uma cidadezinha próxima. Nela, tinha uma etiqueta igual. Achei genial e copiei a idéia. Afinal, nosso produto também é puro: pode ser consumido, sem medo.”

Joe Strume, de Uberlândia, capitão do primeiro lançamento, completa o time. Na hora de fazer as contas, é com ele. “O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco”, compara Strume, referindo-se à última fábrica de vinis do país, localizada na Baixada Fluminense. Talvez por isso ele não esquente a cabeça com o abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe envolvendo a fábrica no Rio.

Os três foram se encontrando aos poucos, em festivais, trocando cartas e e-mails. Igor Ribeiro destaca: “Quando conheci o Joe, ele estava vendendo vinis da sua coleção pessoal para juntar grana e lançar o compacto. Daí, ficamos um bom tempo sem conversar e quando retomamos a correspondência ele disse que já tinha entrado em contato com o Maurício e tal.” Maurício completa, meio distraído: “Coincidências da vida. A banda é que escolheu a gente. Eu acho. Foi?” Confira o pingue-pongue:

Tosco: o primeiro sete polegadas

Sambapunk – Como surgiu a idéia de criar um selo para lançar vinis?
Igor Ribeiro – Não era um selo para vinis. Na verdade, a idéia sempre foi ser uma parada de vender e fazer o que desse vontade… Vinis, K7s, camisetas, pedais de guitarra feitos em latas de sardinha…
Maurício Mota – Não era para lançar vinis. Não era esse o foco. Só pra você ver como são as coisas: nosso primeiro catálogo tinha uns CDRs, uma coletânea K7 pirata dos reggaes do The Clash que montei – e não vendeu sequer uma cópia – e até um relógio para deficientes visuais usado.  Ou seja, nosso catálogo tem “coisas”. Às vezes, é música.
 
Sambapunk – A Monstro Discos serviu de inspiração para vocês? Imagino que conheçam vários outros selos, pelo mundo, que lançam coisas neste formato.
Igor Ribeiro – Não para mim. Curto os compactos lançados por eles, mas, sei lá, acho que perderam tempo lançando CDs de bandas chatas pra cacete tipo esse Violins e perderam o foco de ter “os compactos mais chiques do Brasil”… puta banda chata, essa Violins. Os selos que eu gosto são In The Red Records, Estrus, Touch and Go, Get Hip, Bomp!, Crypt, Ipecac, Alternative Tentacles, SST e mais uma pá. E tenho que concordar que vez ou outra esses também lançam artistas descartáveis.
 
Sambapunk – Em que selo(s) ou artista(s) vocês se inspiraram?
Igor Ribeiro – Sub Pop e Trama… HAHAHAHAHAHAHAHA…
Maurício Mota – Não sei, sinceramente. Em nenhum, acho, pois o lance da Tosco Brasil é bem particular. Volátil, até.
 
Sambapunk – A Tosco concorre com a Monstro Discos ou serão empresas parceiras?
Igor Ribeiro – Não somos concorrentes, não. Se juntar nossas contas bancárias, não dá o salário do Fabrício (Nobre, um dos donos da Monstro); é desleal.
Maurício Mota – Sei lá. Meio sem sentido, isso. Pense bem: que empresa iria querer a gente como parceiros?? Três vagabundos sonhadores. Esqueça.
 

Tosca: Banda De Blues De Joe Strume
Sambapunk – Qual é o objetivo principal por trás da criação da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Diversão e amor por vinis e fitas k7. CD não rola, cara; de verdade.
Maurício Mota – Sou de uma época de trocas de zines, demos, cartas via carteiro. Então, tento hoje manter isso sempre próximo. A Tosco Brasil é basicamente isso. Relacionamento via carteiro. A gente desenvolve um trabalho desorganizado e lento em função das coisas que achamos bacanas e depois suamos um pouco pra levar estas coisas a um público mais abrangente e que também gosta deste universo.
 
Sambapunk – De onde são os clientes/compradores de vocês?
Igor Ribeiro – Boa pergunta, essa. Mandei pra uns amigos que realmente entendem o espírito “rock cru”, sabe ? Brasil e gringolândia. Ah, eu queria mandar um pra dona da Daslu!!
Maurício Mota – Ainda não sabemos. Toda sorte de gente. O mundo inteiro. Como utilizamos o Ebay e o Mercado Livre pra divulgar e vender os lances da Tosco Brasil, estamos abertos a todo tipo de cliente. Qualquer pessoa, pois não temos a barreira da língua. Confiamos cegamente no Google Translate pra nos comunicarmos com o planeta inteiro, via email e carta.
 
Sambapunk – Fazer um disquinho na Inglaterra não fica muito caro?
Igor Ribeiro – Agora eu não lembro dos valores, mas sei que ficou viável.
Maurício Mota – Até que não.  O Joe Strume pode colocar isto para você na ponta do lápis. Eu nem lembro quanto ficou tudo.
Joe Strume – Sugiro que pensemos na relação custo-benefício. O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco. Acho que a questão essencial é a qualidade do “corte” feito na Inglaterra, uma vez que lá nunca se parou de fazer vinil e, portanto, os maquinários estão OK. Sabemos que o “corte” da PolySom apresentava problemas, como o desaparecimento de freqüências graves, devido às deficiências do aparato que tinham para prensar os vinis. Assim, quando a PolySom devolveu nosso material e disse que não poderia fazer nosso disco, vi como uma espécie de “há males que vêm para bem”. Porque foi depois deste “não” que procuramos a prensa inglesa.

Tosco: catálogo

Sambapunk – Tive informações de que a prensagem pode ser até “barata”, mas o problema é transporte/remessa do material… É isso mesmo?
Igor Ribeiro – Postagem é um problemão. Tem prensas lá fora que não fazem o serviço porque a postagem para o Brasil é cara.
Maurício Mota – O Joe negociou tudo.
Joe Strume – Isso que você diz procede. A questão do transporte é complicada e, em nosso caso, foi e está sendo ainda mais complicado. Não recebemos todos os discos, uma vez que não temos como buscar pessoalmente e, assim, dependemos do transporte via correio. O envio por navio (surface) é mais em conta, mas demora muito (até seis meses) e ainda corre-se o risco de o material chegar danificado, devido ao longo tempo de viagem.

Sambapunk – Vocês pensaram muito antes de começarem com a Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Na verdade, fui convidado a entrar na Tosco Brasil pelo Maurício. Não pensei muito, não.
Maurício Mota – É claro que não.
Joe Strume – Bem… Na verdade, acho que foi a Banda de Blues de Joe Strume que escolheu a Tosco Brasil para fazer este lançamento.
E esta escolha se deu muito antes de gravarmos com a produção do Maurício. Acho que tudo começou no fim de 2005, quando o Maurício veio tocar em Uberlândia com sua antiga banda (Hang The Superstars). Nesta ocasião, eu e o Rogério Matador, o baterista da Banda de Blues de Joe Strume, fomos até a banquinha onde o Mauricio estava e falamos sobre sons toscos… Eu estava usando uma camiseta verde do Cramps e acho que isso foi importante como “cartão de visitas” Heheheh… Daí, em janeiro de 2007, telefonei pro Mauricio e pedi que produzisse a banda. Quando ele aceitou nosso convite, creio que a Tosco Brasil passou a fazer parte da coisa.
 
Sambapunk – O que pesava mais contra a decisão, isto é, qual é a maior dificuldade para manter um empreendimento como este?
Igor Ribeiro – Empreendimento ? Uau, obrigado. Vou acender um cubano aqui com uma nota de 50.
Maurício Mota – Não tem muita dificuldade. Como não há prazos a cumprir, a gente vai levando sem estresse, para os cabelos não caírem.

Sambapunk – E o que mais pesou/pesa a favor?
Igor Ribeiro – O que mais pesa a favor é diversão, conhecer gente nova e ganhar discos.
Maurício Mota – Ver um plano que antes parecia uma piada dar certo. Não tem preço. Igual a este compacto que estamos lançando agora. A coisa mais espetacular feita no rock, hoje, no Brasil. Não existe similar. A preocupação agora é onde esconder da receita o tanto de dinheiro que vamos ganhar. Odiamos impostos.
 
Sambapunk – Por que este lema, “Fuck the pro-tools”?
Igor Ribeiro – O rock de verdade está morrendo, cara. Quando uma banda de “rock” grava na mesma qualidade de Maria Rita ou Charlie Brown Jr e é produzida pelo Rick Bonadio, o rock não tem mais sentido. Pro-tools sucks!
Maurício Mota – É uma piada com estes programas de gravação que tiraram a graça de gravar roquenrol. Se adotássemos neste caso o meio contemporâneo de gravação, não teríamos escutado nem um quinto dos sons e experiências fantásticas que rolaram durante o processo de gravação na casa do Joe. Microfone dentro de balde, cachorro latindo, cerveja e cigarro para todos os lados, voz no banheiro. Não havia regras. Escutávamos um disco e tentávamos reproduzir, na unha, aquele som. E outra, o compacto foi todo feito dentro de uma fita k7. Nada mais justo do que dar este título ao compacto.

Sambapunk – Como será a estratégia de trabalho de vocês?
Igor Ribeiro – Enviar para selos, bandas e amigos.
Maurício Mota – Estamos ainda pensando…

Tosco: amor pelos animais
Sambapunk – Qual foi o investimento necessário para este primeiro lançamento acontecer?
Igor Ribeiro – Algum dinheiro e paciência, muita paciência.
 
Sambapunk – Quais são as funções de cada um de vocês, na Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Faço algumas traduções, ilustrações e discordo de tudo que Elmiro e Maurício planejam.
Maurício Mota – Eu sou o mais velho. O Igor é o mais disperso. O Elmiro é o mais louco. Dentro disso, vamos revezando entre ter idéias, desenhá-las, desenvolvê-las e lançá-las.

Sambapunk – Paixão é fundamental para conseguir dar vida a um projeto como este?
Igor Ribeiro – Sim, sim.
Maurício Mota – Sim. E um pouco de irresponsabilidade também, pois mexemos com um tipo de comércio em que poucos ainda entendem o nosso approach.

Sambapunk – Vocês não vão montar nem mesmo um blog da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Eu não daria conta. Já tocamos o “Rock de plástico”. Aliás, essa semana tem uma bela matéria sobre os paulistanos do Sell Outs que são mais conhecidos na gringa que em seu país natal.
Maurício Mota – Pra quê? Temos um blog, já… Eu não daria conta de ter outro. Mal dou conta do meu e-mail, que me tira horas preciosas de sol pela manhã. Usamos ferramentas da internet muito mais confiáveis que qualquer site de gravadora/selo por aí. Estamos no Ebay e no Mercado Livre. Sai mais barato, tem garantia infinita e ainda polui menos as vias arteriais da web.
 
Sambapunk – O adesivo-catálogo de vocês anuncia uma coletânea em fita cassete… Falem mais sobre isso.
Igor Ribeiro – Sim, essa coletânea é o próximo lançamento da Tosco Brasil, vai se chamar “Rock Brasil”. Hahaha… E vai sair em K7.
Maurício Mota – Essa idéia é velha amiga nossa: lançar uma coletânea com bandas que achamos legais e que ninguém lançaria. Em k7, com pôster e texto e tal. Nos amarramos em contar histórias e passar pra frente.

Sambapunk – Que bandas/artistas vão participar desta coletânea?
Igor Ribeiro – Nossa, não terá um critério sobre os ritmos. E eu quero muito convidar bandas tipo Ambervisions e Merda, das quais sou fã.
Maurício Mota – Estamos resolvendo isso… Primeiramente, cada sócio vai atrás de quatro bandas. Cada um faz sua curadoria. Tem uma banda que eu quero colocar e já acabou, mas não to nem aí. É a banda COISA, aqui de Goiânia, que é, pra mim, a banda mais espetacular, roquenrol e audaciosa que esta cidade já teve. Uma história ainda não contada que surpreenderá muita gente.

Sambapunk – Já há um próximo lançamento de vinil programado?
Igor Ribeiro – Bang Bang Babies!!
Maurício Mota – Tem uma banda aqui em Goiânia querendo gravar também dentro do esquema 4track… caseiro: Bang Bang Babies; mas não sabemos ainda o que vai virar. Mas ao que tudo indica será um sete polegadas, que é o objetivo deles. Mas nada certo, ainda.

Sambapunk – A meta de vocês é vender esta tiragem de discos em quanto tempo?
Igor Ribeiro – Eu penso apenas em vender uma parte. Eu troco o restante por outros discos, o lance é não deixar o vinil acabar!!
Maurício Mota – Não temos assim este compromisso com o tempo. Este disco da Banda de Blues de Jos Strume talvez só seja compreendido daqui a uns 12 anos, então, não há pressa. Não é o som que está na moda, saca? Daqui a uns seis anos, ainda será ousado, autoral, incompreendido, inspirador e novo.


Mercado/Negócios, Música, Pingue-pongue


2 respostas

  1. João Augusto
    12/05/2009 às 1:47

    Adilson, como vai? Não tem nenhum “abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe”. A POLYSOM foi adquirida e já está em obras para produzir discos de qualidade, comparáveis a qualquer um feito em fábricas gringas, ainda no segundo semestre de 2009.
    Abração.

  2. Natália Beatriz
    12/05/2009 às 1:47

    eu tava no lançamento dessa porra! massa!
    será que agora, que já acabou o “segundo semestre de 2009″ a polysom já reabriu?
    acho que ninguém sabe..


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12/05/2009 às 1:47

Toscos, mas limpinhos

Adilson Pereira

Tosco: estilo

Três caras que gostam de vinis se juntaram para montar um selo e estão colocando na praça, agora, seu primeiro lançamento: “Fuck the pro-tools”, um sete polegadas da Banda de Blues de Joe Strume. Foram prensadas na Inglaterra 200 unidades que, aos poucos, estão vindo do outro lado do Atlântico pelo correio. Os rapazes descartaram a possibilidade de usar um navio como meio de transporte porque seis meses de viagem (a previsão era essa) poderiam comprometer a “saúde” do produto.

A bolachinha é a número um do catálogo da Tosco Brasil, selo através do qual pretendem disponibilizar também cassetes e outros lances. Na capinha, um adesivo – tipo etiqueta de preço, com contorno vermelho – informa: “Puro”. “Cachaça pura, rapadura pura e rock puro, sem conservantes”, brinca Igor Ribeiro, um cidadão do Rio de Janeiro que hoje em dia agita as noites em Belém do Pará. O goiano Maurício Mota completa: “O Joe, na ultima vez em que fui a Uberlândia, me apresentou uma ótima rapadura vinda de uma cidadezinha próxima. Nela, tinha uma etiqueta igual. Achei genial e copiei a idéia. Afinal, nosso produto também é puro: pode ser consumido, sem medo.”

Joe Strume, de Uberlândia, capitão do primeiro lançamento, completa o time. Na hora de fazer as contas, é com ele. “O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco”, compara Strume, referindo-se à última fábrica de vinis do país, localizada na Baixada Fluminense. Talvez por isso ele não esquente a cabeça com o abre-fecha-reabre-não-abre-ninguém-sabe envolvendo a fábrica no Rio.

Os três foram se encontrando aos poucos, em festivais, trocando cartas e e-mails. Igor Ribeiro destaca: “Quando conheci o Joe, ele estava vendendo vinis da sua coleção pessoal para juntar grana e lançar o compacto. Daí, ficamos um bom tempo sem conversar e quando retomamos a correspondência ele disse que já tinha entrado em contato com o Maurício e tal.” Maurício completa, meio distraído: “Coincidências da vida. A banda é que escolheu a gente. Eu acho. Foi?” Confira o pingue-pongue:

Tosco: o primeiro sete polegadas

Sambapunk – Como surgiu a idéia de criar um selo para lançar vinis?
Igor Ribeiro – Não era um selo para vinis. Na verdade, a idéia sempre foi ser uma parada de vender e fazer o que desse vontade… Vinis, K7s, camisetas, pedais de guitarra feitos em latas de sardinha…
Maurício Mota – Não era para lançar vinis. Não era esse o foco. Só pra você ver como são as coisas: nosso primeiro catálogo tinha uns CDRs, uma coletânea K7 pirata dos reggaes do The Clash que montei – e não vendeu sequer uma cópia – e até um relógio para deficientes visuais usado.  Ou seja, nosso catálogo tem “coisas”. Às vezes, é música.
 
Sambapunk – A Monstro Discos serviu de inspiração para vocês? Imagino que conheçam vários outros selos, pelo mundo, que lançam coisas neste formato.
Igor Ribeiro – Não para mim. Curto os compactos lançados por eles, mas, sei lá, acho que perderam tempo lançando CDs de bandas chatas pra cacete tipo esse Violins e perderam o foco de ter “os compactos mais chiques do Brasil”… puta banda chata, essa Violins. Os selos que eu gosto são In The Red Records, Estrus, Touch and Go, Get Hip, Bomp!, Crypt, Ipecac, Alternative Tentacles, SST e mais uma pá. E tenho que concordar que vez ou outra esses também lançam artistas descartáveis.
 
Sambapunk – Em que selo(s) ou artista(s) vocês se inspiraram?
Igor Ribeiro – Sub Pop e Trama… HAHAHAHAHAHAHAHA…
Maurício Mota – Não sei, sinceramente. Em nenhum, acho, pois o lance da Tosco Brasil é bem particular. Volátil, até.
 
Sambapunk – A Tosco concorre com a Monstro Discos ou serão empresas parceiras?
Igor Ribeiro – Não somos concorrentes, não. Se juntar nossas contas bancárias, não dá o salário do Fabrício (Nobre, um dos donos da Monstro); é desleal.
Maurício Mota – Sei lá. Meio sem sentido, isso. Pense bem: que empresa iria querer a gente como parceiros?? Três vagabundos sonhadores. Esqueça.
 

Tosca: Banda De Blues De Joe Strume
Sambapunk – Qual é o objetivo principal por trás da criação da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Diversão e amor por vinis e fitas k7. CD não rola, cara; de verdade.
Maurício Mota – Sou de uma época de trocas de zines, demos, cartas via carteiro. Então, tento hoje manter isso sempre próximo. A Tosco Brasil é basicamente isso. Relacionamento via carteiro. A gente desenvolve um trabalho desorganizado e lento em função das coisas que achamos bacanas e depois suamos um pouco pra levar estas coisas a um público mais abrangente e que também gosta deste universo.
 
Sambapunk – De onde são os clientes/compradores de vocês?
Igor Ribeiro – Boa pergunta, essa. Mandei pra uns amigos que realmente entendem o espírito “rock cru”, sabe ? Brasil e gringolândia. Ah, eu queria mandar um pra dona da Daslu!!
Maurício Mota – Ainda não sabemos. Toda sorte de gente. O mundo inteiro. Como utilizamos o Ebay e o Mercado Livre pra divulgar e vender os lances da Tosco Brasil, estamos abertos a todo tipo de cliente. Qualquer pessoa, pois não temos a barreira da língua. Confiamos cegamente no Google Translate pra nos comunicarmos com o planeta inteiro, via email e carta.
 
Sambapunk – Fazer um disquinho na Inglaterra não fica muito caro?
Igor Ribeiro – Agora eu não lembro dos valores, mas sei que ficou viável.
Maurício Mota – Até que não.  O Joe Strume pode colocar isto para você na ponta do lápis. Eu nem lembro quanto ficou tudo.
Joe Strume – Sugiro que pensemos na relação custo-benefício. O valor da prensagem na Inglaterra não destoou muito do valor que a PolySom iria cobrar para fazer nosso disco. Acho que a questão essencial é a qualidade do “corte” feito na Inglaterra, uma vez que lá nunca se parou de fazer vinil e, portanto, os maquinários estão OK. Sabemos que o “corte” da PolySom apresentava problemas, como o desaparecimento de freqüências graves, devido às deficiências do aparato que tinham para prensar os vinis. Assim, quando a PolySom devolveu nosso material e disse que não poderia fazer nosso disco, vi como uma espécie de “há males que vêm para bem”. Porque foi depois deste “não” que procuramos a prensa inglesa.

Tosco: catálogo

Sambapunk – Tive informações de que a prensagem pode ser até “barata”, mas o problema é transporte/remessa do material… É isso mesmo?
Igor Ribeiro – Postagem é um problemão. Tem prensas lá fora que não fazem o serviço porque a postagem para o Brasil é cara.
Maurício Mota – O Joe negociou tudo.
Joe Strume – Isso que você diz procede. A questão do transporte é complicada e, em nosso caso, foi e está sendo ainda mais complicado. Não recebemos todos os discos, uma vez que não temos como buscar pessoalmente e, assim, dependemos do transporte via correio. O envio por navio (surface) é mais em conta, mas demora muito (até seis meses) e ainda corre-se o risco de o material chegar danificado, devido ao longo tempo de viagem.

Sambapunk – Vocês pensaram muito antes de começarem com a Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Na verdade, fui convidado a entrar na Tosco Brasil pelo Maurício. Não pensei muito, não.
Maurício Mota – É claro que não.
Joe Strume – Bem… Na verdade, acho que foi a Banda de Blues de Joe Strume que escolheu a Tosco Brasil para fazer este lançamento.
E esta escolha se deu muito antes de gravarmos com a produção do Maurício. Acho que tudo começou no fim de 2005, quando o Maurício veio tocar em Uberlândia com sua antiga banda (Hang The Superstars). Nesta ocasião, eu e o Rogério Matador, o baterista da Banda de Blues de Joe Strume, fomos até a banquinha onde o Mauricio estava e falamos sobre sons toscos… Eu estava usando uma camiseta verde do Cramps e acho que isso foi importante como “cartão de visitas” Heheheh… Daí, em janeiro de 2007, telefonei pro Mauricio e pedi que produzisse a banda. Quando ele aceitou nosso convite, creio que a Tosco Brasil passou a fazer parte da coisa.
 
Sambapunk – O que pesava mais contra a decisão, isto é, qual é a maior dificuldade para manter um empreendimento como este?
Igor Ribeiro – Empreendimento ? Uau, obrigado. Vou acender um cubano aqui com uma nota de 50.
Maurício Mota – Não tem muita dificuldade. Como não há prazos a cumprir, a gente vai levando sem estresse, para os cabelos não caírem.

Sambapunk – E o que mais pesou/pesa a favor?
Igor Ribeiro – O que mais pesa a favor é diversão, conhecer gente nova e ganhar discos.
Maurício Mota – Ver um plano que antes parecia uma piada dar certo. Não tem preço. Igual a este compacto que estamos lançando agora. A coisa mais espetacular feita no rock, hoje, no Brasil. Não existe similar. A preocupação agora é onde esconder da receita o tanto de dinheiro que vamos ganhar. Odiamos impostos.
 
Sambapunk – Por que este lema, “Fuck the pro-tools”?
Igor Ribeiro – O rock de verdade está morrendo, cara. Quando uma banda de “rock” grava na mesma qualidade de Maria Rita ou Charlie Brown Jr e é produzida pelo Rick Bonadio, o rock não tem mais sentido. Pro-tools sucks!
Maurício Mota – É uma piada com estes programas de gravação que tiraram a graça de gravar roquenrol. Se adotássemos neste caso o meio contemporâneo de gravação, não teríamos escutado nem um quinto dos sons e experiências fantásticas que rolaram durante o processo de gravação na casa do Joe. Microfone dentro de balde, cachorro latindo, cerveja e cigarro para todos os lados, voz no banheiro. Não havia regras. Escutávamos um disco e tentávamos reproduzir, na unha, aquele som. E outra, o compacto foi todo feito dentro de uma fita k7. Nada mais justo do que dar este título ao compacto.

Sambapunk – Como será a estratégia de trabalho de vocês?
Igor Ribeiro – Enviar para selos, bandas e amigos.
Maurício Mota – Estamos ainda pensando…

Tosco: amor pelos animais
Sambapunk – Qual foi o investimento necessário para este primeiro lançamento acontecer?
Igor Ribeiro – Algum dinheiro e paciência, muita paciência.
 
Sambapunk – Quais são as funções de cada um de vocês, na Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Faço algumas traduções, ilustrações e discordo de tudo que Elmiro e Maurício planejam.
Maurício Mota – Eu sou o mais velho. O Igor é o mais disperso. O Elmiro é o mais louco. Dentro disso, vamos revezando entre ter idéias, desenhá-las, desenvolvê-las e lançá-las.

Sambapunk – Paixão é fundamental para conseguir dar vida a um projeto como este?
Igor Ribeiro – Sim, sim.
Maurício Mota – Sim. E um pouco de irresponsabilidade também, pois mexemos com um tipo de comércio em que poucos ainda entendem o nosso approach.

Sambapunk – Vocês não vão montar nem mesmo um blog da Tosco Brasil?
Igor Ribeiro – Eu não daria conta. Já tocamos o “Rock de plástico”. Aliás, essa semana tem uma bela matéria sobre os paulistanos do Sell Outs que são mais conhecidos na gringa que em seu país natal.
Maurício Mota – Pra quê? Temos um blog, já… Eu não daria conta de ter outro. Mal dou conta do meu e-mail, que me tira horas preciosas de sol pela manhã. Usamos ferramentas da internet muito mais confiáveis que qualquer site de gravadora/selo por aí. Estamos no Ebay e no Mercado Livre. Sai mais barato, tem garantia infinita e ainda polui menos as vias arteriais da web.
 
Sambapunk – O adesivo-catálogo de vocês anuncia uma coletânea em fita cassete… Falem mais sobre isso.
Igor Ribeiro – Sim, essa coletânea é o próximo lançamento da Tosco Brasil, vai se chamar “Rock Brasil”. Hahaha… E vai sair em K7.
Maurício Mota – Essa idéia é velha amiga nossa: lançar uma coletânea com bandas que achamos legais e que ninguém lançaria. Em k7, com pôster e texto e tal. Nos amarramos em contar histórias e passar pra frente.

Sambapunk – Que bandas/artistas vão participar desta coletânea?
Igor Ribeiro – Nossa, não terá um critério sobre os ritmos. E eu quero muito convidar bandas tipo Ambervisions e Merda, das quais sou fã.
Maurício Mota – Estamos resolvendo isso… Primeiramente, cada sócio vai atrás de quatro bandas. Cada um faz sua curadoria. Tem uma banda que eu quero colocar e já acabou, mas não to nem aí. É a banda COISA, aqui de Goiânia, que é, pra mim, a banda mais espetacular, roquenrol e audaciosa que esta cidade já teve. Uma história ainda não contada que surpreenderá muita gente.

Sambapunk – Já há um próximo lançamento de vinil programado?
Igor Ribeiro – Bang Bang Babies!!
Maurício Mota – Tem uma banda aqui em Goiânia querendo gravar também dentro do esquema 4track… caseiro: Bang Bang Babies; mas não sabemos ainda o que vai virar. Mas ao que tudo indica será um sete polegadas, que é o objetivo deles. Mas nada certo, ainda.

Sambapunk – A meta de vocês é vender esta tiragem de discos em quanto tempo?
Igor Ribeiro – Eu penso apenas em vender uma parte. Eu troco o restante por outros discos, o lance é não deixar o vinil acabar!!
Maurício Mota – Não temos assim este compromisso com o tempo. Este disco da Banda de Blues de Jos Strume talvez só seja compreendido daqui a uns 12 anos, então, não há pressa. Não é o som que está na moda, saca? Daqui a uns seis anos, ainda será ousado, autoral, incompreendido, inspirador e novo.


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