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SAmbaPUNk » Tudo bem com Kurt

18/12/2009 às 11:33

Tudo bem com Kurt

Adilson Pereira

Nirvana_"Live at Reading"Sabe que a filha do Kurt Cobain vai fazer 18 anos, daqui a pouco? Frances Bean Cobain. Esse cara do Nirvana morreu há quanto tempo mesmo, hein? Foi em 1994. Ele volta sempre à pauta. Agora, é graças ao”Nirvana live at Reading”, vídeo gravado durante a edição de 1992 daquele festival inglês de música. Visto com atenção, o registro – lançado aqui agora em DVD pela Universal – ganha ares de um documentário comovente. Mesmo numa época de “banalização” do “consumo” de sons e vídeos, é capaz de revelar não apenas um artista inquieto, mas também incomodado e sensível, forte o suficiente para tirar da platéia – de forma aparentemente sincera, ingênua e simples – retumbantes declarações de amor.

As imagens em muitos momentos são comoventes. E contundentes, já de cara. Cobain aparece no palco de cadeira de rodas. Com um camisão de hospital por cima de sua roupa “normal”, ele se agarra ao microfone, no início, e depois de pronunciar algumas palavras… cai! Usa uma peruca loura que o faz ficar um pouco parecido com cientistas loucos de filmes de ficção e aventura. Cobain levanta-se em seguida e vai até os fundos do palco para pegar uma guitarra. O show começa com “Breed”. Alta velocidade, logo na largada.

Um momento precisa ser descrito/destacado. É quando o cantor e guitarrista anuncia “All apologies”. Ele diz que aquela música é dedicada à sua filha de 12 dias e também à sua esposa, Courtney Love. Ele segue no diálogo com a plateia, comenta que aquele espetáculo está sendo gravado e pede que as pessoas mandem uma mensagem para sua patroa. Cobain conta até três e recebe como resposta um tsunâmico “Courtney, we love you…” Deve ter feito muito, muito bem a ela.

Álbuns sempre são capazes de provocar, no ouvinte-fã, pensamentos a respeito dos detalhes que envolvem sua produção. Com os vídeos, temos um ingrediente a mais − imagens − para despertar nossa curiosidade. O “problema” é que elas são capazes de provocar uma corrida desenfreada da nossa mania de julgamento. No “Nirvana live at Reading”, somos capazes de experimentar enorme prazer com as músicas e, observando o desempenho daqueles caras, principalmente Cobain, claro, vamos ao encontro de momentos de desconfiança. Mas…

Mas isso passa. Às vezes, nos distraímos com o “maluco” que durante praticamente todo o show fica pulando/dançando no palco. É maneiro, aquilo. Assim como o “thanks” que Cobain endereça à plateia, depois da declaração de amor que a multidão oferece à sua Love. Courtney Love. Também são impressionantes os takes em que Dave Grohl e Novoselic aparecem. Cada um à sua maneira, eles “elouquecem”; no palco.

Em “Smells like teen spirit”, é assustador ver aquele monte de gente pulando. O álbum do qual saiu esta música, “Nevermind”, tinha sido lançado oficialmente menos de um ano antes e experimentado um ritmo de vendas que progredira geometricamente. Essa faixa, especificamente, entupia (ou desentupia?) os ouvidos de muita gente – naqueles idos de 1991, 1992… Todos sedentos por mergulhar na sonoridade dos rapazes que vestiam camisas de flanela. Era o que se falava que eles usavam. Eles começam “Smells…” com uma brincadeira, como se fosse outra música. Mas o público sacou.

Lá pelas tantas, a gente se pergunta: o que é isso, uma versão do hino ianque? Exatamente. Mais do que isso: o hino dos caras sendo executado enquanto ali no palco os instrumentos são destruídos. Isso sem falar na seqüência final, em que depois de dar um autógrafo ele troca umas palavras com um garoto e o adverte: “Não fume!”

Em cada acorde, em cada declaração de amor, em cada verso: um grande documento, um espetáculo. Um registro que merece muito mais atenção do que o monte de lixo que anda hoje em dia abarrotando nossas caixas de e-mail. Que saudade de 1992.

P.S.: Esperamos que esteja tudo bem com você por aí, Kurt.


Música, Resenhas, Show, Vídeo Comente


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