13/05/2009 às 14:36
Zoação perfeita
Adilson PereiraÉ óbvio que há uma boa dose de zoação por trás de “Fuck the pro-tools”. Além do título do disco, o nome do artista deixa isso claro: Banda de Blues de Joe Strume… O primeiro lançamento da Tosco Brasil, no entanto, merece destaque não por ser capaz de arrancar um sorriso de quem lê o que há estampado na capa. O negócio é bom porque quem gosta de rock cruzão continua rindo, satisfeito, do início até o fim. Até na hora de trocar o lado da bolachinha o roqueiro-tosco-sensível vai continuar mostrando os dentes. Os mais acostumados com a produção contemporânea açucarada vão achar que este compacto é a coisa mais mal gravada do mundo. Azar o deles.
Sons abafados, dando a impressão de que há algum problema com os botões do seu aparelho. Esqueça isso. Não tem nada errado com a aparelhagem. Você está diante de uma opção estética tosca e ousada. “BGs not over” é uma viagem às fórmulas de hadcore adolescente-e-mal feito de décadas atrás. “Não me peça pra tirar uma música” apresenta um jocoso grito de resolva e, o que é muito bom, chega a fazer a gente lembrar de DeFalla de antigamente. Por falar em lembranças, “Blues do caminhão de estrume” cheira a Jon Spencer e Butcher’s Orchestra.
No lado B, mais um grito de revolta para começar a brincadeira: “Nada mais justo”, com um lindo diálogo entre guitarra e bateria. Eles são toscos, mas sabem “conversar”. “Gaita cachorro”, anunciada como “dub-remix”, pode funcionar em festas de descolados, desde que o DJ tenha um excelente equalizador para dar uma “limpada” nas coisas. E “O show do rei” fecha a tampa provocando gargalhadas de satisfação. Veja um naco da letra: “Eu levei minha mãe ao show do rei/ Mas ao invés dela fui eu quem chorei…” Sensacional. Junto com uma música do The Feitos, “Disco do Roberto”, é mais um tijolo no paredão-crônica-musical sobre Roberto Carlos. Só isso já valeria o investimento no disco.
| Música, Resenhas | Um comentário |


Uma resposta
Cleber Lucio
13/05/2009 às 14:36
Po… fiquei até a fim de ouvir, mas estou quase desistindo depois que visitei o MySpace. De qualquer forma, como diriam os vizigodos: “Gosto é queném nariz: cada um tem o seu!”
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