05/11/2008 às 15:51
A difÃcil relação de uma repórter com a chefia e da chefia com o Jota Quest
Colaboração especialÂnia Andreievna
Jota Quest é uma banda que não divide opiniões. Ou o jornalista não gosta, ou ele não gosta. Será que é porque os caras fizeram um anúncio de refrigerante? Será que é porque o povo gosta, mas o Rogério Flausino não é uma gostosa de pernas grossas que deseja mais do que tudo gravar um DVD no carioquÃssimo Maracanã? Não precisa pensar muito, porque, para esta questão, não há mesmo uma resposta.
“A gente se envolve, trabalha, se mata para fazer algo bacana, que é um conceito que carregamos para o resto da vida. AÃ, as pessoas não entendem e falam mal daquilo. Outras entendem e levam aquilo para a vida delas. E assim a gente vai levando, juntos, há 15 anos. Nossas moedas são nossa música e nosso show. Somos uma banda pop, divertida e que quer se divertir com isso”, declarou o vocalista em ma entrevista à repórter.
O fato é que apareceu uma repórter de música na área que dá força para os caras. Não que ela goste tanto assim do som. Batidas eletrônicas, ritmos dançantes e samples usados gratuitamente nunca fizeram sua cabeça dura de quem ainda ouve vinil, considera o primeiro da Gal Costa um dos mais interessantes do rock e, apesar dos seus 20 e poucos anos, ainda se sente influenciada por Beatles, Rolling Stones e Bob Dylan.

“Tem uma turma da banda que ouve muita música eletrônica. A gente faz umas experimentações lá em casa, no computador. Que laboratório!”, contou o tecladista Márcio Buzelin, durante um o bate-papo por telefone sobre o qual falarei daqui a pouco.
Então, esta repórter só acha que os caras têm o direito de escolher não dizer nada quando estão no palco. Por que essa cobrança por uma letra super, mega, ultra inteligente se aquela que diz “AçaÃ, guardiã, zum de besouro, um imã” já foi considerada uma das melhores músicas do Brasil? Para que pedir para os caras inventarem melodias cheias de pestanas se, com poucos acordes, Lulu Santos já foi considerado o rei soberano do pop neste paÃs?
“O cara que critica está velho demais. Deve estar ouvindo Legião Urbana até hoje. Eu ouço Legião, mas existem outras coisas por aà também”, comentou o baixista PJ em um encontro com a moça.
Enfim, a moça em questão não achava Flausino nenhum pitéu. De verdade. Ela até tem uma prima que já combinou com o marido que só o trairia se o vocalista quisesse. Mas não era o SEU caso. A repórter só queria dar o espaço merecido àqueles que fizeram da banda uma das maiores do nicho pop rock numa época em que o sucesso não é medido apenas por venda de discos (e olha que eles vendem), mas também por ringtones, número de membros nas comunidades do Orkut, quantidade de cliques no You Tube e visitas no My Space.
“Há muito tempo é assim: você contabiliza os acessos que tem e o tamanho da comunidade não sei onde. Ah, claro, e pedidos de shows, coisa que temos muito mesmo. Para mim, esses novos canais estão tomando ares de gravadora. E acho que, participando disso, estamos ajudando a abrir um novo canal”, disse Flausino, certa vez, ao falar sobre o perfil do Jota Quest no My Space.
Pois bem. Esta repórter trabalhava em um jornal popular. Lá, fez sua primeira entrevista com Rogério Flausino. Não teria rendido uma capa se ele não tivesse confessado que estava com problemas sérios de audição. A música foi pro cacete… Quando falou com ele de novo, tremeu, achando que o vocalista do Jota Quest nunca mais ia querer olhar na sua cara. Fofo, o mineirinho riu da situação e continuou a entrevista, que, naquele momento, era reservada para uma matéria sobre o apelo de bandas de rock com crianças. Seria a capa da revista de domingo, o produto mais nobre daquele veÃculo. Matéria batida, foto escolhida, a editora falou: “Ah, acho que Rogério Flausino não vende revista, não.” E lá vai a repórter dizer a seu personagem que a matéria caiu porque aquela atriz gostosa estava levantando o Ibope da novela. Ai, que vergonha…
“Nosso público é enorme e há uma parcela pequena de pessoas que falam mal. Mas a gente não anda com a auto-estima baixa, não. Estamos felizes com o lançamento de ‘La plata’”, declarou o guitarrista Marco Túlio beeem depois; na verdade, recentemente, quando a banda estava para lançar o novo disco.
A repórter mudou de veÃculo e passou a trabalhar produzindo “conteúdo” para um site importante. Pouco depois de chegar lá, o editor foi enfático: “Eu vou escolher o que quero que você faça na música.” Jota Quest tá gravando um disco, rola? “Não.” Tudo bem. E ela fez mesmo assim, só que para um outro veÃculo, para o qual costumava escrever como free-lancer. Saiu uma tripinha, mas saiu.
“Essa idéia de fazer um disco todo autoral é importante. Fazer versão não tira o mérito de ninguém, mas a carreira da banda deve se pautar pelo que ela produz.”
Palavras de Marco Túlio, não do chefe citado…
Meses depois, a banda se programou para gravar um videoclipe e lá foi a repórter, com aval da nova editora, que estava mais preocupada em ter “conteúdo” do que com o conteúdo-do-conteúdo em si. Como a repórter sabia disso? Na verdade, ela percebeu depois, quando, assim que o disco do Jota Quest chegou em suas mãos, a editora… Bom, aà é uma outra história.
“A gente ampliou tanto nosso campo de idéias que a qualidade virou um problema. E nós tivemos que chamar o Liminha (produtor musical) para ajudar a gerenciar essas vontades.”
Pôxa, Buzelin, mas e quando qualidade vira um problema na redação? Você tem algum Liminha jornalista para indicar aê?
A editora disse que não valia a pena a repórter sair da redação para esta entrevista e a mocinha entendeu que deveria conversar com os músicos por telefone. E lá foi ela, perguntando e ouvindo, tendo idéias de pautas (daquelas que surgem durante o bate-papo) e descobrindo mais coisas “La plata”.
“Acho que este disco, mais do que os outros, tem uma riqueza em texturas eletrônicas, sintéticas. A eletrônica ficou mais próxima do pop e do rock. É normal que artistas misturem. É coerente, porque a intenção do Jota não é fazer um disco propositalmente diferente. Depois de três anos, temos referências diferentes”, explicou Marco Túlio, por telefone.
“Você estava falando com o Jota Quest de novo?”, perguntou a editora. Mas nós combinamos… “Não! Eu falei que não queria mais Jota Quest neste site.” Ué, mas nós… nós… “Não discuta!”
“Parece que estamos dentro do furacão. Não conseguimos analisar, porque cada um tem um feedback das histórias”, falou Márcio Buzelin sobre sua relação com o disco pós-gravação, mas parecia que ele estava vivendo a mesma história que a repórter (no caso, ele com tom positivista e ela, não tanto).
Se foi preconceito com a banda ou com a repórter, não sei dizer até agora. Mas ainda dói nela o fato de não ter usado uma linha do que apurou. Infelizmente, não pôde oferecer para os outros dois veÃculos para os quais colabora porque, menos de um mês antes, ela já havia emplacado pautas sobre Jota Quest nos mesmos. A repórter continua não deixando o disco do Jota Quest rodando sem parar em seu som. Mas ela ainda acha que esta banda, assim como muitas outras, merecem espaço na “mÃdia”, se é que esta ainda é feita por pessoas que conseguem ver um pouco mais além e que trabalham sem demonstrar que estão com TPM. Engraçado… Repórter que é repórter não pode ter TPM na redação… Se tiver… “Não discuta!”
| Crônicas, Música, Sem categoria |

Uma resposta
Pê
05/11/2008 às 15:51
Caramba, a eca é realmente em todo canto, em toda parte. Só os interesses de alguns é que valem, é que comandam. E dane-se o resto do mundo.
Pelo menos ainda há profissionais (repórteres, neste caso) que procuram, de toda maneira, a verdade e o profissionalismo.
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