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02/09/2008 às 17:54

Madonna = sofrimento

Adilson Pereira

O show de Madonna, no Rio, vai ser no Maraca. E talvez por isso comprar ingressos para o show dela garantiu um sofrimento típico de final de campeonato – quando torcedores penam para conseguir garantir um ingresso. A seguir, o depoimento da jornalista Christina Fuscaldo, que tentou, tentou e quase, quase não conseguiu garantir seu bilhete.

“No domingo, dia do meu aniversário, ao mesmo tempo em que me deliciava com a macarronada preparada pelo meu pai, pensava em como conseguiria me manter acordada até meia-noite. No primeiro minuto do primeiro dia de setembro, um site até então obscuro começaria a vender ingressos para o show de Madonna. Falta mais de três meses para a diva aterrissar por aqui, mas os fãs já estavam em polvorosa. E lá estava eu, com os olhos ardendo, sentada na frente do computador, quinze minutos antes da hora marcada…

“Nada! O site levou um minuto para entrar no ar. Uma eternidade para quem espera! Foi! Cliquei na opção “Outros cartões de crédito”. Nada aconteceu. Liguei para meu amigo e ele estava no mesmo desespero. Enquanto os cariocas mais sãos dormiam, eu sofria quase espancando o mouse. Não vou dizer que sou virgem de Madonna, afinal, minha mãe cedeu ao chororô e me levou para vê-la há 15 anos, no “Girlie Show”, só que de cadeira. Vi a cantora pequenininha, querendo muito estar na pista. Mas, aos 13 anos, não ia dar, né? Liguei o segundo computador e fiquei clicando tudo ao mesmo tempo. De nada adiantou. Das mais de sete páginas necessárias para concluir a compra, só consegui acessar duas. Uma da manhã, desisti, afinal, às 8h deveria estar acordadíssima, trabalhando.

“Cheguei dez minutos antes e liguei o computador da redação, na esperança de os neuróticos já terem conseguido efetuar a compra e de os menos insistentes terem desistido. Nessas horas, jogo as mãos para os céus de passar o dia na frente do computador. Mas a situação era a mesma. “Será que esse site é uma fraude?”, pensei. Comecei os trabalhos. Entre uma função e outra, tentava comprar pelo site e pelo telefone. Liguei para a assessoria questionando a dificuldade: para minha sorte, fazia parte do meu trabalho apurar; para meu azar, as assessoras não estavam nada preparadas para a enxurrada de perguntas.

“Às 16h, achas que eu saí de lá com os tickets nas mãos? Nãnaninanã. Como não ia mais conectar naquele dia, fui embora prometendo que veria o show pela televisão (mesmo sem saber se haverá transmissão). Mas, como há sempre luz no fim do túnel, recebi uma ligação às 18h45 daquele amigo que começou o processo junto comigo – ah, sim, esqueci de dizer que ele já estava histérico quando lhe disse que havia desistido, afinal, também não tinha conseguido concluir a compra. Antes do fim da primeira segunda-feira de setembro, chegava a mim a notícia do ano: “Consegui! Comprei para mim e para você.” Meu grito ecoou na loja de sapatos onde estava: “Eu vou de pista!!!”. As vendedoras comemoraram junto comigo. Fui dormir exausta… mas feliz. Como uma virgem, que verá o ídolo de pertinho pela primeira vez.”


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