22/10/2008 às 11:36

Tranqüilidade, no centro de uma tempestade

Adilson Pereira

De uma maneira ou de outra, você já ouviu a respeito de Rafael Silveira. Quem é chegado ao circuito de música independente sabe que ele é um dos integrantes da excelente banda curitibana Los Diaños. Quem está atento ao mainstream sabe que o Skank lançou um disco novo, uma bolachinha que tem no encarte umas ilustrações “estranhas”. Pois é, aquelas ilustrações são do Rafael Silveira. E tem muito mais num livro, o primeiro dele, que está circulando na praça: um trabalho recheado daquelas “esquisitices” e que nem por isso deixa de ser “fofo”. “Mulheres, chapéus voadores e outras coisas legais” (Arte e Letra, 120 páginas) vem numa caixinha muito style e, lá dentro, além do livro, tem um brinquedinho inflável, aquilo que neguinho hoje em dia adora chamar de “toy art”.

Por e-mail, Rafael - que é formado em comunicação social e trabalha com publicidade - contou que uma página nova vai entrar no ar na www. Mas na que está lá (www.rafaelsilveira.com) já dá para ter uma boa idéia do que é o trabalho do cara. O rapaz também falou que, para ele, duas coisas - música e quadrinhos - andam juntas: “Há quem diga que o show do Los Diaños é uma história em quadrinhos viva. Eu acho que carrego, fisicamente, no meu jeito de falar, nas expressões, um pouco do meu trabalho visual. E quando eu pinto geralmente estou ouvindo música. Ou compondo. Tipo solfejando coisas.”

O que dá mais retorno financeiro, ele diz, é o trabalho com artes visuais. E o livro ajuda bastante a divulgar o artista/profissional que Rafael Silveira é. Mesmo que não renda muita grana, o volume circula por aí. E todos, inclusive os gringos, têm acesso fácil a ele: Silveira colocou no ar uma página escrita em inglês. “Coloquei assim para não me limitar ao Brasil. Hoje em dia, qualquer pessoa que se interesse por arte já entende alguma coisa básica de inglês. Se está na internet, o mundo todo pode ver. É uma atitude com intenção de facilitar o acesso de mais pessoas ao meu trabalho”, explica.

O que também fez com que muita gente ficasse de olho no trabalho do cara dos Diaños foi o serviço prestado para o Skank. E isso aconteceu não por causa do “conhecimento” que um dos integrantes do grupo, o tecladista Henrique Portugal, tem em relação ao circuito de artistas independentes. “Na verdade, teve mais a ver com o Fernando Furtado, empresário da banda mineira, e o interesse dele por arte contemporânea”, agradece Silveira. “Ele viu meus trabalhos na web e começamos a conversar a respeito. Tempos depois, visitei a banda em estúdio, conversei com os caras. São ótimas pessoas, superprofissionais. Foi um prazer trabalhar pra eles.”

Algumas ilustrações de “Mulheres, chapéus voadores e outras coisas legais” lembram uns encartes dos estadunidenses meio-progressivos-meio-psicodélicos-meio-jazzies do The Mars Volta. A comparação faz com que Rafael Silveira diga que, sim, considera que sua produção gráfica/artística é universal. Isso porque ele gosta de “retratar situações arquetípicas”. O rapaz completa: “Mas não serviria para qualquer tipo de música. Alguns estilos têm uma estética muito peculiar, como sertanejo, pagode, axé… coisas mais populares.”

Se dá para dividir bem o tempo entre a música e o desenho e a pintura? “Estas são só duas pontas do iceberg… faço um milhão de coisas a mais, o tempo todo, ao mesmo tempo. É como alguém tranqüilo pescando num barquinho, no meio do oceano, no centro de uma tempestade.”

Perguntado sobre a possibilidade de os Diaños fazerem um show no Rio, ele avisa: “Tocariamos até de graça, no Rio. Pagando passagens de avião, estadia, alimentação e cerveja, tava tudo certo. Se alguém topar a empreitada, estamos dentro!” Isso não quer dizer que ele encare as atividades que desenvolve como coisas que não precisam gerar dinheiro. “Pelo contrário, acho que a banda tem que dar dinheiro, também. Mas não fazemos pensando nisso, moldando o som ao gosto dos outros.”

Será que estamos diante de um daqueles sujeitos que consideram importante manter um “lado romântico”, no que diz respeito à produção artística, sustentando-se com um emprego “tradicional”, biscates ou herança de família? Será que ele imagina estas duas atividades, música e pintura, gerando seu sustento? “Imagino, sim! O que não imagino é mudar meu trabalho para algo mais vazio, só pra ganhar mais grana. O mundo está cheio de porcaria, não quero ser mais uma. Quando meu trabalho me sustentar, é porque cheguei num nível muito bom, artisticamente, e a coisa se sustenta. Acho que retorno financeiro é conseqüência. Estou mais focado na evolução e na qualidade do que estou fazendo…”


Literatices, Música, Sem categoria, WWW


2 respostas

  1. Christina Fuscaldo
    22/10/2008 às 11:36

    Esta matéria está muuuuito boa! Ótimos texto, perguntas e respostas. Parabéns.

  2. Pê
    22/10/2008 às 11:36

    Eeeee. Coloca o nome dele na caixa dos: Caras íntegros consigo mesmo!


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Tranqüilidade, no centro de uma tempestade

Adilson Pereira

De uma maneira ou de outra, você já ouviu a respeito de Rafael Silveira. Quem é chegado ao circuito de música independente sabe que ele é um dos integrantes da excelente banda curitibana Los Diaños. Quem está atento ao mainstream sabe que o Skank lançou um disco novo, uma bolachinha que tem no encarte umas ilustrações “estranhas”. Pois é, aquelas ilustrações são do Rafael Silveira. E tem muito mais num livro, o primeiro dele, que está circulando na praça: um trabalho recheado daquelas “esquisitices” e que nem por isso deixa de ser “fofo”. “Mulheres, chapéus voadores e outras coisas legais” (Arte e Letra, 120 páginas) vem numa caixinha muito style e, lá dentro, além do livro, tem um brinquedinho inflável, aquilo que neguinho hoje em dia adora chamar de “toy art”.

Por e-mail, Rafael - que é formado em comunicação social e trabalha com publicidade - contou que uma página nova vai entrar no ar na www. Mas na que está lá (www.rafaelsilveira.com) já dá para ter uma boa idéia do que é o trabalho do cara. O rapaz também falou que, para ele, duas coisas - música e quadrinhos - andam juntas: “Há quem diga que o show do Los Diaños é uma história em quadrinhos viva. Eu acho que carrego, fisicamente, no meu jeito de falar, nas expressões, um pouco do meu trabalho visual. E quando eu pinto geralmente estou ouvindo música. Ou compondo. Tipo solfejando coisas.”

O que dá mais retorno financeiro, ele diz, é o trabalho com artes visuais. E o livro ajuda bastante a divulgar o artista/profissional que Rafael Silveira é. Mesmo que não renda muita grana, o volume circula por aí. E todos, inclusive os gringos, têm acesso fácil a ele: Silveira colocou no ar uma página escrita em inglês. “Coloquei assim para não me limitar ao Brasil. Hoje em dia, qualquer pessoa que se interesse por arte já entende alguma coisa básica de inglês. Se está na internet, o mundo todo pode ver. É uma atitude com intenção de facilitar o acesso de mais pessoas ao meu trabalho”, explica.

O que também fez com que muita gente ficasse de olho no trabalho do cara dos Diaños foi o serviço prestado para o Skank. E isso aconteceu não por causa do “conhecimento” que um dos integrantes do grupo, o tecladista Henrique Portugal, tem em relação ao circuito de artistas independentes. “Na verdade, teve mais a ver com o Fernando Furtado, empresário da banda mineira, e o interesse dele por arte contemporânea”, agradece Silveira. “Ele viu meus trabalhos na web e começamos a conversar a respeito. Tempos depois, visitei a banda em estúdio, conversei com os caras. São ótimas pessoas, superprofissionais. Foi um prazer trabalhar pra eles.”

Algumas ilustrações de “Mulheres, chapéus voadores e outras coisas legais” lembram uns encartes dos estadunidenses meio-progressivos-meio-psicodélicos-meio-jazzies do The Mars Volta. A comparação faz com que Rafael Silveira diga que, sim, considera que sua produção gráfica/artística é universal. Isso porque ele gosta de “retratar situações arquetípicas”. O rapaz completa: “Mas não serviria para qualquer tipo de música. Alguns estilos têm uma estética muito peculiar, como sertanejo, pagode, axé… coisas mais populares.”

Se dá para dividir bem o tempo entre a música e o desenho e a pintura? “Estas são só duas pontas do iceberg… faço um milhão de coisas a mais, o tempo todo, ao mesmo tempo. É como alguém tranqüilo pescando num barquinho, no meio do oceano, no centro de uma tempestade.”

Perguntado sobre a possibilidade de os Diaños fazerem um show no Rio, ele avisa: “Tocariamos até de graça, no Rio. Pagando passagens de avião, estadia, alimentação e cerveja, tava tudo certo. Se alguém topar a empreitada, estamos dentro!” Isso não quer dizer que ele encare as atividades que desenvolve como coisas que não precisam gerar dinheiro. “Pelo contrário, acho que a banda tem que dar dinheiro, também. Mas não fazemos pensando nisso, moldando o som ao gosto dos outros.”

Será que estamos diante de um daqueles sujeitos que consideram importante manter um “lado romântico”, no que diz respeito à produção artística, sustentando-se com um emprego “tradicional”, biscates ou herança de família? Será que ele imagina estas duas atividades, música e pintura, gerando seu sustento? “Imagino, sim! O que não imagino é mudar meu trabalho para algo mais vazio, só pra ganhar mais grana. O mundo está cheio de porcaria, não quero ser mais uma. Quando meu trabalho me sustentar, é porque cheguei num nível muito bom, artisticamente, e a coisa se sustenta. Acho que retorno financeiro é conseqüência. Estou mais focado na evolução e na qualidade do que estou fazendo…”


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    22/10/2008 às 11:36

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Por e-mail, Rafael - que é formado em comunicação social e trabalha com publicidade - contou que uma página nova vai entrar no ar na www. Mas na que está lá (www.rafaelsilveira.com) já dá para ter uma boa idéia do que é o trabalho do cara. O rapaz também falou que, para ele, duas coisas - música e quadrinhos - andam juntas: “Há quem diga que o show do Los Diaños é uma história em quadrinhos viva. Eu acho que carrego, fisicamente, no meu jeito de falar, nas expressões, um pouco do meu trabalho visual. E quando eu pinto geralmente estou ouvindo música. Ou compondo. Tipo solfejando coisas.”

O que dá mais retorno financeiro, ele diz, é o trabalho com artes visuais. E o livro ajuda bastante a divulgar o artista/profissional que Rafael Silveira é. Mesmo que não renda muita grana, o volume circula por aí. E todos, inclusive os gringos, têm acesso fácil a ele: Silveira colocou no ar uma página escrita em inglês. “Coloquei assim para não me limitar ao Brasil. Hoje em dia, qualquer pessoa que se interesse por arte já entende alguma coisa básica de inglês. Se está na internet, o mundo todo pode ver. É uma atitude com intenção de facilitar o acesso de mais pessoas ao meu trabalho”, explica.

O que também fez com que muita gente ficasse de olho no trabalho do cara dos Diaños foi o serviço prestado para o Skank. E isso aconteceu não por causa do “conhecimento” que um dos integrantes do grupo, o tecladista Henrique Portugal, tem em relação ao circuito de artistas independentes. “Na verdade, teve mais a ver com o Fernando Furtado, empresário da banda mineira, e o interesse dele por arte contemporânea”, agradece Silveira. “Ele viu meus trabalhos na web e começamos a conversar a respeito. Tempos depois, visitei a banda em estúdio, conversei com os caras. São ótimas pessoas, superprofissionais. Foi um prazer trabalhar pra eles.”

Algumas ilustrações de “Mulheres, chapéus voadores e outras coisas legais” lembram uns encartes dos estadunidenses meio-progressivos-meio-psicodélicos-meio-jazzies do The Mars Volta. A comparação faz com que Rafael Silveira diga que, sim, considera que sua produção gráfica/artística é universal. Isso porque ele gosta de “retratar situações arquetípicas”. O rapaz completa: “Mas não serviria para qualquer tipo de música. Alguns estilos têm uma estética muito peculiar, como sertanejo, pagode, axé… coisas mais populares.”

Se dá para dividir bem o tempo entre a música e o desenho e a pintura? “Estas são só duas pontas do iceberg… faço um milhão de coisas a mais, o tempo todo, ao mesmo tempo. É como alguém tranqüilo pescando num barquinho, no meio do oceano, no centro de uma tempestade.”

Perguntado sobre a possibilidade de os Diaños fazerem um show no Rio, ele avisa: “Tocariamos até de graça, no Rio. Pagando passagens de avião, estadia, alimentação e cerveja, tava tudo certo. Se alguém topar a empreitada, estamos dentro!” Isso não quer dizer que ele encare as atividades que desenvolve como coisas que não precisam gerar dinheiro. “Pelo contrário, acho que a banda tem que dar dinheiro, também. Mas não fazemos pensando nisso, moldando o som ao gosto dos outros.”

Será que estamos diante de um daqueles sujeitos que consideram importante manter um “lado romântico”, no que diz respeito à produção artística, sustentando-se com um emprego “tradicional”, biscates ou herança de família? Será que ele imagina estas duas atividades, música e pintura, gerando seu sustento? “Imagino, sim! O que não imagino é mudar meu trabalho para algo mais vazio, só pra ganhar mais grana. O mundo está cheio de porcaria, não quero ser mais uma. Quando meu trabalho me sustentar, é porque cheguei num nível muito bom, artisticamente, e a coisa se sustenta. Acho que retorno financeiro é conseqüência. Estou mais focado na evolução e na qualidade do que estou fazendo…”


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  1. Christina Fuscaldo
    22/10/2008 às 11:36

    Esta matéria está muuuuito boa! Ótimos texto, perguntas e respostas. Parabéns.

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Adilson Pereira

De uma maneira ou de outra, você já ouviu a respeito de Rafael Silveira. Quem é chegado ao circuito de música independente sabe que ele é um dos integrantes da excelente banda curitibana Los Diaños. Quem está atento ao mainstream sabe que o Skank lançou um disco novo, uma bolachinha que tem no encarte umas ilustrações “estranhas”. Pois é, aquelas ilustrações são do Rafael Silveira. E tem muito mais num livro, o primeiro dele, que está circulando na praça: um trabalho recheado daquelas “esquisitices” e que nem por isso deixa de ser “fofo”. “Mulheres, chapéus voadores e outras coisas legais” (Arte e Letra, 120 páginas) vem numa caixinha muito style e, lá dentro, além do livro, tem um brinquedinho inflável, aquilo que neguinho hoje em dia adora chamar de “toy art”.

Por e-mail, Rafael - que é formado em comunicação social e trabalha com publicidade - contou que uma página nova vai entrar no ar na www. Mas na que está lá (www.rafaelsilveira.com) já dá para ter uma boa idéia do que é o trabalho do cara. O rapaz também falou que, para ele, duas coisas - música e quadrinhos - andam juntas: “Há quem diga que o show do Los Diaños é uma história em quadrinhos viva. Eu acho que carrego, fisicamente, no meu jeito de falar, nas expressões, um pouco do meu trabalho visual. E quando eu pinto geralmente estou ouvindo música. Ou compondo. Tipo solfejando coisas.”

O que dá mais retorno financeiro, ele diz, é o trabalho com artes visuais. E o livro ajuda bastante a divulgar o artista/profissional que Rafael Silveira é. Mesmo que não renda muita grana, o volume circula por aí. E todos, inclusive os gringos, têm acesso fácil a ele: Silveira colocou no ar uma página escrita em inglês. “Coloquei assim para não me limitar ao Brasil. Hoje em dia, qualquer pessoa que se interesse por arte já entende alguma coisa básica de inglês. Se está na internet, o mundo todo pode ver. É uma atitude com intenção de facilitar o acesso de mais pessoas ao meu trabalho”, explica.

O que também fez com que muita gente ficasse de olho no trabalho do cara dos Diaños foi o serviço prestado para o Skank. E isso aconteceu não por causa do “conhecimento” que um dos integrantes do grupo, o tecladista Henrique Portugal, tem em relação ao circuito de artistas independentes. “Na verdade, teve mais a ver com o Fernando Furtado, empresário da banda mineira, e o interesse dele por arte contemporânea”, agradece Silveira. “Ele viu meus trabalhos na web e começamos a conversar a respeito. Tempos depois, visitei a banda em estúdio, conversei com os caras. São ótimas pessoas, superprofissionais. Foi um prazer trabalhar pra eles.”

Algumas ilustrações de “Mulheres, chapéus voadores e outras coisas legais” lembram uns encartes dos estadunidenses meio-progressivos-meio-psicodélicos-meio-jazzies do The Mars Volta. A comparação faz com que Rafael Silveira diga que, sim, considera que sua produção gráfica/artística é universal. Isso porque ele gosta de “retratar situações arquetípicas”. O rapaz completa: “Mas não serviria para qualquer tipo de música. Alguns estilos têm uma estética muito peculiar, como sertanejo, pagode, axé… coisas mais populares.”

Se dá para dividir bem o tempo entre a música e o desenho e a pintura? “Estas são só duas pontas do iceberg… faço um milhão de coisas a mais, o tempo todo, ao mesmo tempo. É como alguém tranqüilo pescando num barquinho, no meio do oceano, no centro de uma tempestade.”

Perguntado sobre a possibilidade de os Diaños fazerem um show no Rio, ele avisa: “Tocariamos até de graça, no Rio. Pagando passagens de avião, estadia, alimentação e cerveja, tava tudo certo. Se alguém topar a empreitada, estamos dentro!” Isso não quer dizer que ele encare as atividades que desenvolve como coisas que não precisam gerar dinheiro. “Pelo contrário, acho que a banda tem que dar dinheiro, também. Mas não fazemos pensando nisso, moldando o som ao gosto dos outros.”

Será que estamos diante de um daqueles sujeitos que consideram importante manter um “lado romântico”, no que diz respeito à produção artística, sustentando-se com um emprego “tradicional”, biscates ou herança de família? Será que ele imagina estas duas atividades, música e pintura, gerando seu sustento? “Imagino, sim! O que não imagino é mudar meu trabalho para algo mais vazio, só pra ganhar mais grana. O mundo está cheio de porcaria, não quero ser mais uma. Quando meu trabalho me sustentar, é porque cheguei num nível muito bom, artisticamente, e a coisa se sustenta. Acho que retorno financeiro é conseqüência. Estou mais focado na evolução e na qualidade do que estou fazendo…”


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    Esta matéria está muuuuito boa! Ótimos texto, perguntas e respostas. Parabéns.

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Adilson Pereira

De uma maneira ou de outra, você já ouviu a respeito de Rafael Silveira. Quem é chegado ao circuito de música independente sabe que ele é um dos integrantes da excelente banda curitibana Los Diaños. Quem está atento ao mainstream sabe que o Skank lançou um disco novo, uma bolachinha que tem no encarte umas ilustrações “estranhas”. Pois é, aquelas ilustrações são do Rafael Silveira. E tem muito mais num livro, o primeiro dele, que está circulando na praça: um trabalho recheado daquelas “esquisitices” e que nem por isso deixa de ser “fofo”. “Mulheres, chapéus voadores e outras coisas legais” (Arte e Letra, 120 páginas) vem numa caixinha muito style e, lá dentro, além do livro, tem um brinquedinho inflável, aquilo que neguinho hoje em dia adora chamar de “toy art”.

Por e-mail, Rafael - que é formado em comunicação social e trabalha com publicidade - contou que uma página nova vai entrar no ar na www. Mas na que está lá (www.rafaelsilveira.com) já dá para ter uma boa idéia do que é o trabalho do cara. O rapaz também falou que, para ele, duas coisas - música e quadrinhos - andam juntas: “Há quem diga que o show do Los Diaños é uma história em quadrinhos viva. Eu acho que carrego, fisicamente, no meu jeito de falar, nas expressões, um pouco do meu trabalho visual. E quando eu pinto geralmente estou ouvindo música. Ou compondo. Tipo solfejando coisas.”

O que dá mais retorno financeiro, ele diz, é o trabalho com artes visuais. E o livro ajuda bastante a divulgar o artista/profissional que Rafael Silveira é. Mesmo que não renda muita grana, o volume circula por aí. E todos, inclusive os gringos, têm acesso fácil a ele: Silveira colocou no ar uma página escrita em inglês. “Coloquei assim para não me limitar ao Brasil. Hoje em dia, qualquer pessoa que se interesse por arte já entende alguma coisa básica de inglês. Se está na internet, o mundo todo pode ver. É uma atitude com intenção de facilitar o acesso de mais pessoas ao meu trabalho”, explica.

O que também fez com que muita gente ficasse de olho no trabalho do cara dos Diaños foi o serviço prestado para o Skank. E isso aconteceu não por causa do “conhecimento” que um dos integrantes do grupo, o tecladista Henrique Portugal, tem em relação ao circuito de artistas independentes. “Na verdade, teve mais a ver com o Fernando Furtado, empresário da banda mineira, e o interesse dele por arte contemporânea”, agradece Silveira. “Ele viu meus trabalhos na web e começamos a conversar a respeito. Tempos depois, visitei a banda em estúdio, conversei com os caras. São ótimas pessoas, superprofissionais. Foi um prazer trabalhar pra eles.”

Algumas ilustrações de “Mulheres, chapéus voadores e outras coisas legais” lembram uns encartes dos estadunidenses meio-progressivos-meio-psicodélicos-meio-jazzies do The Mars Volta. A comparação faz com que Rafael Silveira diga que, sim, considera que sua produção gráfica/artística é universal. Isso porque ele gosta de “retratar situações arquetípicas”. O rapaz completa: “Mas não serviria para qualquer tipo de música. Alguns estilos têm uma estética muito peculiar, como sertanejo, pagode, axé… coisas mais populares.”

Se dá para dividir bem o tempo entre a música e o desenho e a pintura? “Estas são só duas pontas do iceberg… faço um milhão de coisas a mais, o tempo todo, ao mesmo tempo. É como alguém tranqüilo pescando num barquinho, no meio do oceano, no centro de uma tempestade.”

Perguntado sobre a possibilidade de os Diaños fazerem um show no Rio, ele avisa: “Tocariamos até de graça, no Rio. Pagando passagens de avião, estadia, alimentação e cerveja, tava tudo certo. Se alguém topar a empreitada, estamos dentro!” Isso não quer dizer que ele encare as atividades que desenvolve como coisas que não precisam gerar dinheiro. “Pelo contrário, acho que a banda tem que dar dinheiro, também. Mas não fazemos pensando nisso, moldando o som ao gosto dos outros.”

Será que estamos diante de um daqueles sujeitos que consideram importante manter um “lado romântico”, no que diz respeito à produção artística, sustentando-se com um emprego “tradicional”, biscates ou herança de família? Será que ele imagina estas duas atividades, música e pintura, gerando seu sustento? “Imagino, sim! O que não imagino é mudar meu trabalho para algo mais vazio, só pra ganhar mais grana. O mundo está cheio de porcaria, não quero ser mais uma. Quando meu trabalho me sustentar, é porque cheguei num nível muito bom, artisticamente, e a coisa se sustenta. Acho que retorno financeiro é conseqüência. Estou mais focado na evolução e na qualidade do que estou fazendo…”


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    Esta matéria está muuuuito boa! Ótimos texto, perguntas e respostas. Parabéns.

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Por e-mail, Rafael - que é formado em comunicação social e trabalha com publicidade - contou que uma página nova vai entrar no ar na www. Mas na que está lá (www.rafaelsilveira.com) já dá para ter uma boa idéia do que é o trabalho do cara. O rapaz também falou que, para ele, duas coisas - música e quadrinhos - andam juntas: “Há quem diga que o show do Los Diaños é uma história em quadrinhos viva. Eu acho que carrego, fisicamente, no meu jeito de falar, nas expressões, um pouco do meu trabalho visual. E quando eu pinto geralmente estou ouvindo música. Ou compondo. Tipo solfejando coisas.”

O que dá mais retorno financeiro, ele diz, é o trabalho com artes visuais. E o livro ajuda bastante a divulgar o artista/profissional que Rafael Silveira é. Mesmo que não renda muita grana, o volume circula por aí. E todos, inclusive os gringos, têm acesso fácil a ele: Silveira colocou no ar uma página escrita em inglês. “Coloquei assim para não me limitar ao Brasil. Hoje em dia, qualquer pessoa que se interesse por arte já entende alguma coisa básica de inglês. Se está na internet, o mundo todo pode ver. É uma atitude com intenção de facilitar o acesso de mais pessoas ao meu trabalho”, explica.

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Algumas ilustrações de “Mulheres, chapéus voadores e outras coisas legais” lembram uns encartes dos estadunidenses meio-progressivos-meio-psicodélicos-meio-jazzies do The Mars Volta. A comparação faz com que Rafael Silveira diga que, sim, considera que sua produção gráfica/artística é universal. Isso porque ele gosta de “retratar situações arquetípicas”. O rapaz completa: “Mas não serviria para qualquer tipo de música. Alguns estilos têm uma estética muito peculiar, como sertanejo, pagode, axé… coisas mais populares.”

Se dá para dividir bem o tempo entre a música e o desenho e a pintura? “Estas são só duas pontas do iceberg… faço um milhão de coisas a mais, o tempo todo, ao mesmo tempo. É como alguém tranqüilo pescando num barquinho, no meio do oceano, no centro de uma tempestade.”

Perguntado sobre a possibilidade de os Diaños fazerem um show no Rio, ele avisa: “Tocariamos até de graça, no Rio. Pagando passagens de avião, estadia, alimentação e cerveja, tava tudo certo. Se alguém topar a empreitada, estamos dentro!” Isso não quer dizer que ele encare as atividades que desenvolve como coisas que não precisam gerar dinheiro. “Pelo contrário, acho que a banda tem que dar dinheiro, também. Mas não fazemos pensando nisso, moldando o som ao gosto dos outros.”

Será que estamos diante de um daqueles sujeitos que consideram importante manter um “lado romântico”, no que diz respeito à produção artística, sustentando-se com um emprego “tradicional”, biscates ou herança de família? Será que ele imagina estas duas atividades, música e pintura, gerando seu sustento? “Imagino, sim! O que não imagino é mudar meu trabalho para algo mais vazio, só pra ganhar mais grana. O mundo está cheio de porcaria, não quero ser mais uma. Quando meu trabalho me sustentar, é porque cheguei num nível muito bom, artisticamente, e a coisa se sustenta. Acho que retorno financeiro é conseqüência. Estou mais focado na evolução e na qualidade do que estou fazendo…”


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    22/10/2008 às 11:36

    Esta matéria está muuuuito boa! Ótimos texto, perguntas e respostas. Parabéns.

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    Eeeee. Coloca o nome dele na caixa dos: Caras íntegros consigo mesmo!


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Tranqüilidade, no centro de uma tempestade

Adilson Pereira

De uma maneira ou de outra, você já ouviu a respeito de Rafael Silveira. Quem é chegado ao circuito de música independente sabe que ele é um dos integrantes da excelente banda curitibana Los Diaños. Quem está atento ao mainstream sabe que o Skank lançou um disco novo, uma bolachinha que tem no encarte umas ilustrações “estranhas”. Pois é, aquelas ilustrações são do Rafael Silveira. E tem muito mais num livro, o primeiro dele, que está circulando na praça: um trabalho recheado daquelas “esquisitices” e que nem por isso deixa de ser “fofo”. “Mulheres, chapéus voadores e outras coisas legais” (Arte e Letra, 120 páginas) vem numa caixinha muito style e, lá dentro, além do livro, tem um brinquedinho inflável, aquilo que neguinho hoje em dia adora chamar de “toy art”.

Por e-mail, Rafael - que é formado em comunicação social e trabalha com publicidade - contou que uma página nova vai entrar no ar na www. Mas na que está lá (www.rafaelsilveira.com) já dá para ter uma boa idéia do que é o trabalho do cara. O rapaz também falou que, para ele, duas coisas - música e quadrinhos - andam juntas: “Há quem diga que o show do Los Diaños é uma história em quadrinhos viva. Eu acho que carrego, fisicamente, no meu jeito de falar, nas expressões, um pouco do meu trabalho visual. E quando eu pinto geralmente estou ouvindo música. Ou compondo. Tipo solfejando coisas.”

O que dá mais retorno financeiro, ele diz, é o trabalho com artes visuais. E o livro ajuda bastante a divulgar o artista/profissional que Rafael Silveira é. Mesmo que não renda muita grana, o volume circula por aí. E todos, inclusive os gringos, têm acesso fácil a ele: Silveira colocou no ar uma página escrita em inglês. “Coloquei assim para não me limitar ao Brasil. Hoje em dia, qualquer pessoa que se interesse por arte já entende alguma coisa básica de inglês. Se está na internet, o mundo todo pode ver. É uma atitude com intenção de facilitar o acesso de mais pessoas ao meu trabalho”, explica.

O que também fez com que muita gente ficasse de olho no trabalho do cara dos Diaños foi o serviço prestado para o Skank. E isso aconteceu não por causa do “conhecimento” que um dos integrantes do grupo, o tecladista Henrique Portugal, tem em relação ao circuito de artistas independentes. “Na verdade, teve mais a ver com o Fernando Furtado, empresário da banda mineira, e o interesse dele por arte contemporânea”, agradece Silveira. “Ele viu meus trabalhos na web e começamos a conversar a respeito. Tempos depois, visitei a banda em estúdio, conversei com os caras. São ótimas pessoas, superprofissionais. Foi um prazer trabalhar pra eles.”

Algumas ilustrações de “Mulheres, chapéus voadores e outras coisas legais” lembram uns encartes dos estadunidenses meio-progressivos-meio-psicodélicos-meio-jazzies do The Mars Volta. A comparação faz com que Rafael Silveira diga que, sim, considera que sua produção gráfica/artística é universal. Isso porque ele gosta de “retratar situações arquetípicas”. O rapaz completa: “Mas não serviria para qualquer tipo de música. Alguns estilos têm uma estética muito peculiar, como sertanejo, pagode, axé… coisas mais populares.”

Se dá para dividir bem o tempo entre a música e o desenho e a pintura? “Estas são só duas pontas do iceberg… faço um milhão de coisas a mais, o tempo todo, ao mesmo tempo. É como alguém tranqüilo pescando num barquinho, no meio do oceano, no centro de uma tempestade.”

Perguntado sobre a possibilidade de os Diaños fazerem um show no Rio, ele avisa: “Tocariamos até de graça, no Rio. Pagando passagens de avião, estadia, alimentação e cerveja, tava tudo certo. Se alguém topar a empreitada, estamos dentro!” Isso não quer dizer que ele encare as atividades que desenvolve como coisas que não precisam gerar dinheiro. “Pelo contrário, acho que a banda tem que dar dinheiro, também. Mas não fazemos pensando nisso, moldando o som ao gosto dos outros.”

Será que estamos diante de um daqueles sujeitos que consideram importante manter um “lado romântico”, no que diz respeito à produção artística, sustentando-se com um emprego “tradicional”, biscates ou herança de família? Será que ele imagina estas duas atividades, música e pintura, gerando seu sustento? “Imagino, sim! O que não imagino é mudar meu trabalho para algo mais vazio, só pra ganhar mais grana. O mundo está cheio de porcaria, não quero ser mais uma. Quando meu trabalho me sustentar, é porque cheguei num nível muito bom, artisticamente, e a coisa se sustenta. Acho que retorno financeiro é conseqüência. Estou mais focado na evolução e na qualidade do que estou fazendo…”


Literatices, Música, Sem categoria, WWW


2 respostas

  1. Christina Fuscaldo
    22/10/2008 às 11:36

    Esta matéria está muuuuito boa! Ótimos texto, perguntas e respostas. Parabéns.

  2. Pê
    22/10/2008 às 11:36

    Eeeee. Coloca o nome dele na caixa dos: Caras íntegros consigo mesmo!


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22/10/2008 às 11:36

Tranqüilidade, no centro de uma tempestade

Adilson Pereira

De uma maneira ou de outra, você já ouviu a respeito de Rafael Silveira. Quem é chegado ao circuito de música independente sabe que ele é um dos integrantes da excelente banda curitibana Los Diaños. Quem está atento ao mainstream sabe que o Skank lançou um disco novo, uma bolachinha que tem no encarte umas ilustrações “estranhas”. Pois é, aquelas ilustrações são do Rafael Silveira. E tem muito mais num livro, o primeiro dele, que está circulando na praça: um trabalho recheado daquelas “esquisitices” e que nem por isso deixa de ser “fofo”. “Mulheres, chapéus voadores e outras coisas legais” (Arte e Letra, 120 páginas) vem numa caixinha muito style e, lá dentro, além do livro, tem um brinquedinho inflável, aquilo que neguinho hoje em dia adora chamar de “toy art”.

Por e-mail, Rafael - que é formado em comunicação social e trabalha com publicidade - contou que uma página nova vai entrar no ar na www. Mas na que está lá (www.rafaelsilveira.com) já dá para ter uma boa idéia do que é o trabalho do cara. O rapaz também falou que, para ele, duas coisas - música e quadrinhos - andam juntas: “Há quem diga que o show do Los Diaños é uma história em quadrinhos viva. Eu acho que carrego, fisicamente, no meu jeito de falar, nas expressões, um pouco do meu trabalho visual. E quando eu pinto geralmente estou ouvindo música. Ou compondo. Tipo solfejando coisas.”

O que dá mais retorno financeiro, ele diz, é o trabalho com artes visuais. E o livro ajuda bastante a divulgar o artista/profissional que Rafael Silveira é. Mesmo que não renda muita grana, o volume circula por aí. E todos, inclusive os gringos, têm acesso fácil a ele: Silveira colocou no ar uma página escrita em inglês. “Coloquei assim para não me limitar ao Brasil. Hoje em dia, qualquer pessoa que se interesse por arte já entende alguma coisa básica de inglês. Se está na internet, o mundo todo pode ver. É uma atitude com intenção de facilitar o acesso de mais pessoas ao meu trabalho”, explica.

O que também fez com que muita gente ficasse de olho no trabalho do cara dos Diaños foi o serviço prestado para o Skank. E isso aconteceu não por causa do “conhecimento” que um dos integrantes do grupo, o tecladista Henrique Portugal, tem em relação ao circuito de artistas independentes. “Na verdade, teve mais a ver com o Fernando Furtado, empresário da banda mineira, e o interesse dele por arte contemporânea”, agradece Silveira. “Ele viu meus trabalhos na web e começamos a conversar a respeito. Tempos depois, visitei a banda em estúdio, conversei com os caras. São ótimas pessoas, superprofissionais. Foi um prazer trabalhar pra eles.”

Algumas ilustrações de “Mulheres, chapéus voadores e outras coisas legais” lembram uns encartes dos estadunidenses meio-progressivos-meio-psicodélicos-meio-jazzies do The Mars Volta. A comparação faz com que Rafael Silveira diga que, sim, considera que sua produção gráfica/artística é universal. Isso porque ele gosta de “retratar situações arquetípicas”. O rapaz completa: “Mas não serviria para qualquer tipo de música. Alguns estilos têm uma estética muito peculiar, como sertanejo, pagode, axé… coisas mais populares.”

Se dá para dividir bem o tempo entre a música e o desenho e a pintura? “Estas são só duas pontas do iceberg… faço um milhão de coisas a mais, o tempo todo, ao mesmo tempo. É como alguém tranqüilo pescando num barquinho, no meio do oceano, no centro de uma tempestade.”

Perguntado sobre a possibilidade de os Diaños fazerem um show no Rio, ele avisa: “Tocariamos até de graça, no Rio. Pagando passagens de avião, estadia, alimentação e cerveja, tava tudo certo. Se alguém topar a empreitada, estamos dentro!” Isso não quer dizer que ele encare as atividades que desenvolve como coisas que não precisam gerar dinheiro. “Pelo contrário, acho que a banda tem que dar dinheiro, também. Mas não fazemos pensando nisso, moldando o som ao gosto dos outros.”

Será que estamos diante de um daqueles sujeitos que consideram importante manter um “lado romântico”, no que diz respeito à produção artística, sustentando-se com um emprego “tradicional”, biscates ou herança de família? Será que ele imagina estas duas atividades, música e pintura, gerando seu sustento? “Imagino, sim! O que não imagino é mudar meu trabalho para algo mais vazio, só pra ganhar mais grana. O mundo está cheio de porcaria, não quero ser mais uma. Quando meu trabalho me sustentar, é porque cheguei num nível muito bom, artisticamente, e a coisa se sustenta. Acho que retorno financeiro é conseqüência. Estou mais focado na evolução e na qualidade do que estou fazendo…”


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  1. Christina Fuscaldo
    22/10/2008 às 11:36

    Esta matéria está muuuuito boa! Ótimos texto, perguntas e respostas. Parabéns.

  2. Pê
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    Eeeee. Coloca o nome dele na caixa dos: Caras íntegros consigo mesmo!


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Tranqüilidade, no centro de uma tempestade

Adilson Pereira

De uma maneira ou de outra, você já ouviu a respeito de Rafael Silveira. Quem é chegado ao circuito de música independente sabe que ele é um dos integrantes da excelente banda curitibana Los Diaños. Quem está atento ao mainstream sabe que o Skank lançou um disco novo, uma bolachinha que tem no encarte umas ilustrações “estranhas”. Pois é, aquelas ilustrações são do Rafael Silveira. E tem muito mais num livro, o primeiro dele, que está circulando na praça: um trabalho recheado daquelas “esquisitices” e que nem por isso deixa de ser “fofo”. “Mulheres, chapéus voadores e outras coisas legais” (Arte e Letra, 120 páginas) vem numa caixinha muito style e, lá dentro, além do livro, tem um brinquedinho inflável, aquilo que neguinho hoje em dia adora chamar de “toy art”.

Por e-mail, Rafael - que é formado em comunicação social e trabalha com publicidade - contou que uma página nova vai entrar no ar na www. Mas na que está lá (www.rafaelsilveira.com) já dá para ter uma boa idéia do que é o trabalho do cara. O rapaz também falou que, para ele, duas coisas - música e quadrinhos - andam juntas: “Há quem diga que o show do Los Diaños é uma história em quadrinhos viva. Eu acho que carrego, fisicamente, no meu jeito de falar, nas expressões, um pouco do meu trabalho visual. E quando eu pinto geralmente estou ouvindo música. Ou compondo. Tipo solfejando coisas.”

O que dá mais retorno financeiro, ele diz, é o trabalho com artes visuais. E o livro ajuda bastante a divulgar o artista/profissional que Rafael Silveira é. Mesmo que não renda muita grana, o volume circula por aí. E todos, inclusive os gringos, têm acesso fácil a ele: Silveira colocou no ar uma página escrita em inglês. “Coloquei assim para não me limitar ao Brasil. Hoje em dia, qualquer pessoa que se interesse por arte já entende alguma coisa básica de inglês. Se está na internet, o mundo todo pode ver. É uma atitude com intenção de facilitar o acesso de mais pessoas ao meu trabalho”, explica.

O que também fez com que muita gente ficasse de olho no trabalho do cara dos Diaños foi o serviço prestado para o Skank. E isso aconteceu não por causa do “conhecimento” que um dos integrantes do grupo, o tecladista Henrique Portugal, tem em relação ao circuito de artistas independentes. “Na verdade, teve mais a ver com o Fernando Furtado, empresário da banda mineira, e o interesse dele por arte contemporânea”, agradece Silveira. “Ele viu meus trabalhos na web e começamos a conversar a respeito. Tempos depois, visitei a banda em estúdio, conversei com os caras. São ótimas pessoas, superprofissionais. Foi um prazer trabalhar pra eles.”

Algumas ilustrações de “Mulheres, chapéus voadores e outras coisas legais” lembram uns encartes dos estadunidenses meio-progressivos-meio-psicodélicos-meio-jazzies do The Mars Volta. A comparação faz com que Rafael Silveira diga que, sim, considera que sua produção gráfica/artística é universal. Isso porque ele gosta de “retratar situações arquetípicas”. O rapaz completa: “Mas não serviria para qualquer tipo de música. Alguns estilos têm uma estética muito peculiar, como sertanejo, pagode, axé… coisas mais populares.”

Se dá para dividir bem o tempo entre a música e o desenho e a pintura? “Estas são só duas pontas do iceberg… faço um milhão de coisas a mais, o tempo todo, ao mesmo tempo. É como alguém tranqüilo pescando num barquinho, no meio do oceano, no centro de uma tempestade.”

Perguntado sobre a possibilidade de os Diaños fazerem um show no Rio, ele avisa: “Tocariamos até de graça, no Rio. Pagando passagens de avião, estadia, alimentação e cerveja, tava tudo certo. Se alguém topar a empreitada, estamos dentro!” Isso não quer dizer que ele encare as atividades que desenvolve como coisas que não precisam gerar dinheiro. “Pelo contrário, acho que a banda tem que dar dinheiro, também. Mas não fazemos pensando nisso, moldando o som ao gosto dos outros.”

Será que estamos diante de um daqueles sujeitos que consideram importante manter um “lado romântico”, no que diz respeito à produção artística, sustentando-se com um emprego “tradicional”, biscates ou herança de família? Será que ele imagina estas duas atividades, música e pintura, gerando seu sustento? “Imagino, sim! O que não imagino é mudar meu trabalho para algo mais vazio, só pra ganhar mais grana. O mundo está cheio de porcaria, não quero ser mais uma. Quando meu trabalho me sustentar, é porque cheguei num nível muito bom, artisticamente, e a coisa se sustenta. Acho que retorno financeiro é conseqüência. Estou mais focado na evolução e na qualidade do que estou fazendo…”


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  1. Christina Fuscaldo
    22/10/2008 às 11:36

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Tranqüilidade, no centro de uma tempestade

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De uma maneira ou de outra, você já ouviu a respeito de Rafael Silveira. Quem é chegado ao circuito de música independente sabe que ele é um dos integrantes da excelente banda curitibana Los Diaños. Quem está atento ao mainstream sabe que o Skank lançou um disco novo, uma bolachinha que tem no encarte umas ilustrações “estranhas”. Pois é, aquelas ilustrações são do Rafael Silveira. E tem muito mais num livro, o primeiro dele, que está circulando na praça: um trabalho recheado daquelas “esquisitices” e que nem por isso deixa de ser “fofo”. “Mulheres, chapéus voadores e outras coisas legais” (Arte e Letra, 120 páginas) vem numa caixinha muito style e, lá dentro, além do livro, tem um brinquedinho inflável, aquilo que neguinho hoje em dia adora chamar de “toy art”.

Por e-mail, Rafael - que é formado em comunicação social e trabalha com publicidade - contou que uma página nova vai entrar no ar na www. Mas na que está lá (www.rafaelsilveira.com) já dá para ter uma boa idéia do que é o trabalho do cara. O rapaz também falou que, para ele, duas coisas - música e quadrinhos - andam juntas: “Há quem diga que o show do Los Diaños é uma história em quadrinhos viva. Eu acho que carrego, fisicamente, no meu jeito de falar, nas expressões, um pouco do meu trabalho visual. E quando eu pinto geralmente estou ouvindo música. Ou compondo. Tipo solfejando coisas.”

O que dá mais retorno financeiro, ele diz, é o trabalho com artes visuais. E o livro ajuda bastante a divulgar o artista/profissional que Rafael Silveira é. Mesmo que não renda muita grana, o volume circula por aí. E todos, inclusive os gringos, têm acesso fácil a ele: Silveira colocou no ar uma página escrita em inglês. “Coloquei assim para não me limitar ao Brasil. Hoje em dia, qualquer pessoa que se interesse por arte já entende alguma coisa básica de inglês. Se está na internet, o mundo todo pode ver. É uma atitude com intenção de facilitar o acesso de mais pessoas ao meu trabalho”, explica.

O que também fez com que muita gente ficasse de olho no trabalho do cara dos Diaños foi o serviço prestado para o Skank. E isso aconteceu não por causa do “conhecimento” que um dos integrantes do grupo, o tecladista Henrique Portugal, tem em relação ao circuito de artistas independentes. “Na verdade, teve mais a ver com o Fernando Furtado, empresário da banda mineira, e o interesse dele por arte contemporânea”, agradece Silveira. “Ele viu meus trabalhos na web e começamos a conversar a respeito. Tempos depois, visitei a banda em estúdio, conversei com os caras. São ótimas pessoas, superprofissionais. Foi um prazer trabalhar pra eles.”

Algumas ilustrações de “Mulheres, chapéus voadores e outras coisas legais” lembram uns encartes dos estadunidenses meio-progressivos-meio-psicodélicos-meio-jazzies do The Mars Volta. A comparação faz com que Rafael Silveira diga que, sim, considera que sua produção gráfica/artística é universal. Isso porque ele gosta de “retratar situações arquetípicas”. O rapaz completa: “Mas não serviria para qualquer tipo de música. Alguns estilos têm uma estética muito peculiar, como sertanejo, pagode, axé… coisas mais populares.”

Se dá para dividir bem o tempo entre a música e o desenho e a pintura? “Estas são só duas pontas do iceberg… faço um milhão de coisas a mais, o tempo todo, ao mesmo tempo. É como alguém tranqüilo pescando num barquinho, no meio do oceano, no centro de uma tempestade.”

Perguntado sobre a possibilidade de os Diaños fazerem um show no Rio, ele avisa: “Tocariamos até de graça, no Rio. Pagando passagens de avião, estadia, alimentação e cerveja, tava tudo certo. Se alguém topar a empreitada, estamos dentro!” Isso não quer dizer que ele encare as atividades que desenvolve como coisas que não precisam gerar dinheiro. “Pelo contrário, acho que a banda tem que dar dinheiro, também. Mas não fazemos pensando nisso, moldando o som ao gosto dos outros.”

Será que estamos diante de um daqueles sujeitos que consideram importante manter um “lado romântico”, no que diz respeito à produção artística, sustentando-se com um emprego “tradicional”, biscates ou herança de família? Será que ele imagina estas duas atividades, música e pintura, gerando seu sustento? “Imagino, sim! O que não imagino é mudar meu trabalho para algo mais vazio, só pra ganhar mais grana. O mundo está cheio de porcaria, não quero ser mais uma. Quando meu trabalho me sustentar, é porque cheguei num nível muito bom, artisticamente, e a coisa se sustenta. Acho que retorno financeiro é conseqüência. Estou mais focado na evolução e na qualidade do que estou fazendo…”


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  1. Christina Fuscaldo
    22/10/2008 às 11:36

    Esta matéria está muuuuito boa! Ótimos texto, perguntas e respostas. Parabéns.

  2. Pê
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Tranqüilidade, no centro de uma tempestade

Adilson Pereira

De uma maneira ou de outra, você já ouviu a respeito de Rafael Silveira. Quem é chegado ao circuito de música independente sabe que ele é um dos integrantes da excelente banda curitibana Los Diaños. Quem está atento ao mainstream sabe que o Skank lançou um disco novo, uma bolachinha que tem no encarte umas ilustrações “estranhas”. Pois é, aquelas ilustrações são do Rafael Silveira. E tem muito mais num livro, o primeiro dele, que está circulando na praça: um trabalho recheado daquelas “esquisitices” e que nem por isso deixa de ser “fofo”. “Mulheres, chapéus voadores e outras coisas legais” (Arte e Letra, 120 páginas) vem numa caixinha muito style e, lá dentro, além do livro, tem um brinquedinho inflável, aquilo que neguinho hoje em dia adora chamar de “toy art”.

Por e-mail, Rafael - que é formado em comunicação social e trabalha com publicidade - contou que uma página nova vai entrar no ar na www. Mas na que está lá (www.rafaelsilveira.com) já dá para ter uma boa idéia do que é o trabalho do cara. O rapaz também falou que, para ele, duas coisas - música e quadrinhos - andam juntas: “Há quem diga que o show do Los Diaños é uma história em quadrinhos viva. Eu acho que carrego, fisicamente, no meu jeito de falar, nas expressões, um pouco do meu trabalho visual. E quando eu pinto geralmente estou ouvindo música. Ou compondo. Tipo solfejando coisas.”

O que dá mais retorno financeiro, ele diz, é o trabalho com artes visuais. E o livro ajuda bastante a divulgar o artista/profissional que Rafael Silveira é. Mesmo que não renda muita grana, o volume circula por aí. E todos, inclusive os gringos, têm acesso fácil a ele: Silveira colocou no ar uma página escrita em inglês. “Coloquei assim para não me limitar ao Brasil. Hoje em dia, qualquer pessoa que se interesse por arte já entende alguma coisa básica de inglês. Se está na internet, o mundo todo pode ver. É uma atitude com intenção de facilitar o acesso de mais pessoas ao meu trabalho”, explica.

O que também fez com que muita gente ficasse de olho no trabalho do cara dos Diaños foi o serviço prestado para o Skank. E isso aconteceu não por causa do “conhecimento” que um dos integrantes do grupo, o tecladista Henrique Portugal, tem em relação ao circuito de artistas independentes. “Na verdade, teve mais a ver com o Fernando Furtado, empresário da banda mineira, e o interesse dele por arte contemporânea”, agradece Silveira. “Ele viu meus trabalhos na web e começamos a conversar a respeito. Tempos depois, visitei a banda em estúdio, conversei com os caras. São ótimas pessoas, superprofissionais. Foi um prazer trabalhar pra eles.”

Algumas ilustrações de “Mulheres, chapéus voadores e outras coisas legais” lembram uns encartes dos estadunidenses meio-progressivos-meio-psicodélicos-meio-jazzies do The Mars Volta. A comparação faz com que Rafael Silveira diga que, sim, considera que sua produção gráfica/artística é universal. Isso porque ele gosta de “retratar situações arquetípicas”. O rapaz completa: “Mas não serviria para qualquer tipo de música. Alguns estilos têm uma estética muito peculiar, como sertanejo, pagode, axé… coisas mais populares.”

Se dá para dividir bem o tempo entre a música e o desenho e a pintura? “Estas são só duas pontas do iceberg… faço um milhão de coisas a mais, o tempo todo, ao mesmo tempo. É como alguém tranqüilo pescando num barquinho, no meio do oceano, no centro de uma tempestade.”

Perguntado sobre a possibilidade de os Diaños fazerem um show no Rio, ele avisa: “Tocariamos até de graça, no Rio. Pagando passagens de avião, estadia, alimentação e cerveja, tava tudo certo. Se alguém topar a empreitada, estamos dentro!” Isso não quer dizer que ele encare as atividades que desenvolve como coisas que não precisam gerar dinheiro. “Pelo contrário, acho que a banda tem que dar dinheiro, também. Mas não fazemos pensando nisso, moldando o som ao gosto dos outros.”

Será que estamos diante de um daqueles sujeitos que consideram importante manter um “lado romântico”, no que diz respeito à produção artística, sustentando-se com um emprego “tradicional”, biscates ou herança de família? Será que ele imagina estas duas atividades, música e pintura, gerando seu sustento? “Imagino, sim! O que não imagino é mudar meu trabalho para algo mais vazio, só pra ganhar mais grana. O mundo está cheio de porcaria, não quero ser mais uma. Quando meu trabalho me sustentar, é porque cheguei num nível muito bom, artisticamente, e a coisa se sustenta. Acho que retorno financeiro é conseqüência. Estou mais focado na evolução e na qualidade do que estou fazendo…”


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  1. Christina Fuscaldo
    22/10/2008 às 11:36

    Esta matéria está muuuuito boa! Ótimos texto, perguntas e respostas. Parabéns.

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    Eeeee. Coloca o nome dele na caixa dos: Caras íntegros consigo mesmo!


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Tranqüilidade, no centro de uma tempestade

Adilson Pereira

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O que dá mais retorno financeiro, ele diz, é o trabalho com artes visuais. E o livro ajuda bastante a divulgar o artista/profissional que Rafael Silveira é. Mesmo que não renda muita grana, o volume circula por aí. E todos, inclusive os gringos, têm acesso fácil a ele: Silveira colocou no ar uma página escrita em inglês. “Coloquei assim para não me limitar ao Brasil. Hoje em dia, qualquer pessoa que se interesse por arte já entende alguma coisa básica de inglês. Se está na internet, o mundo todo pode ver. É uma atitude com intenção de facilitar o acesso de mais pessoas ao meu trabalho”, explica.

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Algumas ilustrações de “Mulheres, chapéus voadores e outras coisas legais” lembram uns encartes dos estadunidenses meio-progressivos-meio-psicodélicos-meio-jazzies do The Mars Volta. A comparação faz com que Rafael Silveira diga que, sim, considera que sua produção gráfica/artística é universal. Isso porque ele gosta de “retratar situações arquetípicas”. O rapaz completa: “Mas não serviria para qualquer tipo de música. Alguns estilos têm uma estética muito peculiar, como sertanejo, pagode, axé… coisas mais populares.”

Se dá para dividir bem o tempo entre a música e o desenho e a pintura? “Estas são só duas pontas do iceberg… faço um milhão de coisas a mais, o tempo todo, ao mesmo tempo. É como alguém tranqüilo pescando num barquinho, no meio do oceano, no centro de uma tempestade.”

Perguntado sobre a possibilidade de os Diaños fazerem um show no Rio, ele avisa: “Tocariamos até de graça, no Rio. Pagando passagens de avião, estadia, alimentação e cerveja, tava tudo certo. Se alguém topar a empreitada, estamos dentro!” Isso não quer dizer que ele encare as atividades que desenvolve como coisas que não precisam gerar dinheiro. “Pelo contrário, acho que a banda tem que dar dinheiro, também. Mas não fazemos pensando nisso, moldando o som ao gosto dos outros.”

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